HISTÓRICO DO ENREDO - Liesa

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ÍNDICE Agremiação G.R.E.S. PARAÍSO

Página

TUIUTI

DO

G.R.E.S. ACADÊMICOS

DO

03

GRANDE RIO

55

G.R.E.S. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

129

G.R.E.S. UNIDOS

195

DE

VILA ISABEL

G.R.E.S. ACADÊMICOS G.R.E.S. BEIJA-FLOR

DO DE

SALGUEIRO

NILÓPOLIS

1

249 299

G.R.E.S. PARAÍSO DO TUIUTI

PRESIDENTE RENATO THOR 3

“Carnavaleidoscópio Tropifágico”

Carnavalesco JACK VASCONCELOS 5

Abre-Alas – G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Enredo Enredo “Carnavaleidoscópio Tropifágico” Carnavalesco Jack Vasconcelos Autor(es) do Enredo Jack Vasconcelos Autor(es) da Sinopse do Enredo Jack Vasconcelos Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Jack Vasconcelos Livro

Autor

Editora

Ano da Edição

Páginas Consultadas

01

A utopia antropofágica.

ANDRADE, Oswald.

Globo

1990

Todas

02

Pássaro de Fogo no Terceiro Mundo – o poeta Torquato Neto e sua época.

BUENO, André.

7Letras

2005

Todas

03

Tropicaos.

Azougue

2003

Todas

04

Brutalidade Jardim: a Tropicália e o surgimento da contracultura brasileira.

DUARTE, Rogério. DUNN, Christopher.

Editora UNESP

2009

Todas

05

Tropicália: alegoria, alegria.

FAVARETTO, Celso F.

Ateliê Editorial

1996

Todas

06

Estética da Ginga – A Arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica

JACQUES, Paola Berenstein

Casa da Palavra / RIOARTE

2007

Todas

7

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FICHA TÉCNICA Enredo Livro

Autor

Editora

Ano da Edição

Páginas Consultadas

07

Anos fatais: design, música e tropicalismo

RODRIGUES, Jorge Caê

2AB

2007

Todas

08

Guia Politicamente Incorreto da América Latina

TEIXEIRA Duda; NARLOCH, Leandro

LeYa Brasil

2011

Todas

09

Vanguarda europeia e modernismo brasileiro

TELES, G.M.

Vozes

1982

Todas

10

Alegorias do subdesenvolvimento: cinema, novo, tropicalismo, cinema marginal

XAVIER, I.

Editora Brasiliense

1993

Todas

11

Tropicália ou Panis et circencis

OLIVEIRA, Ana de.

Iyá Omin

2010

Todas

Outras informações julgadas necessárias

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HISTÓRICO DO ENREDO “Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português” Erro de português – Oswald de Andrade

CARNAVALEIDOSCÓPIO TROPIFÁGICO Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia... Quando Pero Vaz Caminha descobriu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, escreveu uma carta ao rei: “tudo que nela se planta, tudo cresce e floresce”. Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. Aqui, o Terceiro Mundo pede a bênção e vai dormir entre cascatas, palmeiras, araçás e bananeiras. Alegria e preguiça. Pindorama, país do futuro. Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra as sublimações antagônicas trazidas nas caravelas, contra todas as catequeses, povos cultos e cristianizados: - Eu, brasileiro, confesso minha culpa, meu pecado. Minha fome. Revolução Caraíba, maior que a Revolução Francesa e o bon selvage nas óperas de Alencar, cheio de bons sentimentos portugueses. Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. Única lei do mundo. Sou Abaporu faminto. Tupi, or not tupi? That is the question. #somostodosmacunaíma. Contra o aculturamento. Contra os bons modos. Contracultura. Por uma questão de ordem. Por uma questão de desordem. Não anuncio cantos de paz, nem me interessam as flores do estilo. Tropical melancolia de uma terra em transe onde reina o rei da vela. A burguesia exige definições. Oh! Good business! 9

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No coração balança um samba de tamborim. Em Mangueira é onde o samba é mais puro e os parangolés incorporam a revolta. Eu me sinto melhor colorido. Quem não dança não fala. Faz do morro marginal Tropicália. Viva a mulata, ta, ta, ta, ta. Eu organizo o movimento com água azul de Amaralina, coqueiro, brisa e fala nordestina. Solto os panos sobre os mastros no ar. Aventura em busca do som universal. Os olhos cheios de cores. Pego um jato, viajo, arrebento. Com o roteiro do sexto sentido. Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia. Pela experimentação globalizada. Pela devoração psicodélica do rock’n’roll, da música elétrica, das conquistas espaciais, da cultura de massa. Pelo encontro dos extremos. Pela união da precariedade com o moderno, do folclore com a ciência, do cafona com a vanguarda, do popular com o erudito. São, São Paulo meu amor. Foi quando topei com você que tudo virou confusão. Dando vivas ao bom humor num atentado contra o pudor. Hospitaleira amizade. Brutalidade jardim. Ironia crítica do deboche sentimental. Porém, com todo defeito te carrego no meu peito. O avanço industrial vem trazer nossa redenção. Eu preciso cantar. Em cantar na televisão. Eu nasci pra ser o superbacana com a capa do Rei do Mau Gosto. A elegância de um dromedário. Você precisa saber de mim. Coma-me! Por entre fotos e nomes, jornais e revistas, nas paradas de sucesso. Por telas, formas e grafismos do folclore urbano. Coma-me! Minha terra tem palmeiras onde sopra o vento forte. Vivemos na melhor cidade da América do Sul. Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores. Tengo como colores la espuma blanca de Latinoamérica. Esse povo, dizei-me, arde! E no jardim os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis. Eles põem os olhos grandes sobre mim. Aqui, meu pânico e glória. Aqui, meu laço e cadeia. Mamãe, mamãe, não chore. A vida é assim mesmo. Eu quis cantar minha canção iluminada de sol. Você fica, eu vou. Quem ficar, vigia. Todo o povo brasileiro, aquele abraço! Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço enquanto meus olhos saem procurando por discos voadores no céu. Caminhando contra o vento vou sonhando até explodir colorido. A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama. Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. Não seremos belos, recatados e do lar. 10

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Eu oriento o carnaval. Eu vim para confundir e não para explicar. Buzino a moça, comando a massa, dou as ordens no terreiro. Minha Tropicália Maravilha faz todo o universo sambar. Todo mês de fevereiro, aquele passo... Viva a banda, da, da Carmen Miranda, da, da, da, da... Eu vou pelo mundo em milhares de cores. Eu vou! Porque não? Porque não? Porque não?

JACK VASCONCELOS Em Rio de Janeiro, ano 460 da deglutição do Bispo Sardinha.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:  ANDRADE, Oswald. A utopia antropofágica. São Paulo: Globo, 1990.  BUENO, André. Pássaro de Fogo no Terceiro Mundo – o poeta Torquato Neto e sua época. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005.  DUARTE, Rogério. Tropicaos. São Paulo: Azougue, 2003.  DUNN, Christopher. Brutalidade Jardim: a Tropicália e o surgimento da contracultura brasileira. São Paulo: Editora UNESP, 2009.  FAVARETTO, Celso F. Tropicália: alegoria, alegria. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996.  JACQUES, Paola Berenstein. Estética da Ginga – A arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica. Rio de Janeiro: Casa da Palavra/RIOARTE, 2001.  RODRIGUES, Jorge Caê. Anos fatais: design, música e tropicalismo. Rio de Janeiro: 2AB, 2007.  TEIXEIRA, Duda; NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da América Latina. São Paulo: LeYa Brasil, 2011.  TELES, G.M. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1982.  XAVIER, I. Alegorias do subdesenvolvimento: cinema novo, tropicalismo, cinema marginal. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO O ano de 2017 marcará o cinquentenário das apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no III Festival da Música Popular Brasileira, onde cantaram, respectivamente, “Alegria, alegria” e “Domingo no Parque”. Naquele momento, o país estava assistindo ao início do movimento musical que mudaria, de forma definitiva, o olhar do brasileiro sobre si mesmo: a Tropicália. A partir daí, para muitos, foi uma invasão de “objetos não identificados”. O que aquela gente colorida queria dizer causando tanta estranheza? Despertaram paixão e ódio, mas nunca a indiferença. Sacudiram as “relíquias do Brasil”. Sob os bigodes da Ditadura, escandalizaram “as pessoas na sala de jantar”. Proclamaram independência ao “bom gosto” e aos preconceitos intolerantes da padronização. O espírito modernista da Antropofagia Oswaldiana fez as mentes dos chamados “tropicalistas” roncarem de uma fome inquietante de revolução. Então, comeram. Deglutiram tudo que os cercavam culturalmente: o estrangeiro, o nacional, o intelectual, o popular, o moderno, o arcaico, o consumo, o folclórico... Nos colocaram defronte ao espelho e não refletimos um espelho liso, homogêneo. Mostraram que somos um caleidoscópio cultural, uma colagem de referências e influências, heterogênea, repleta de diversidade cuja identidade é marcada (justamente) por uma não identidade específica. Nosso enredo-manifesto, Carnavaleidoscópio Tropifágico, é uma grande alegoria sobre o conceito de Tropicalismo em homenagem ao cinquentenário do movimento tropicalista e uma declaração de amor ao Brasil. Uma Nação que nunca foi catequizada, fez foi carnaval! E sempre fará! Evoé! Setor 01 – “Ser” tropical De onde vem essa imagem tropicalista? O que é ser tropical? Começamos nosso enredo com a construção dessa “paisagem tropicalista”, exótica e colorida com as tintas fortes do exagero. O inverso do bom gosto comedido, equilibrado, sensato. Setor 02 – Antropofagia: a revolução anticolonialista “Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Só me interessa o que não é meu” - Oswald de Andrade. A “antropofagia” designa as práticas sacrificiais comuns em algumas sociedades tribais – algumas sociedades indígenas do Brasil, por exemplo -, que consistiam na ingestão da carne 12

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dos inimigos aprisionados em combate, com o objetivo de apoderar-se de sua força. A expressão foi utilizada por uma das correntes do modernismo brasileiro, querendo significar uma atitude estético-cultural de “devoração” e assimilação crítica dos valores culturais estrangeiros transplantados para o Brasil, bem como realçar elementos e valores culturais internos que foram reprimidos pelo processo de colonização. E é com esse mesmo espírito de “canibalismo” cultural e autonomia criativa, deglutindo informações tão díspares, que a contracultura tupiniquim dos anos 60 vai produzir e marcar, de forma original, a sua presença no cenário cultural brasileiro. Setor 03 – Neoantropofagia baiana: a revolução multicultural Diante do marasmo musical que imperava no Brasil e defronte a Neoantropofagia da contracultura, Gilberto Gil e Caetano Veloso pensaram em um movimento de ruptura que celebrasse a complexidade brasileira. Os baianos almejaram universalizar a linguagem da MPB incorporando elementos da cultura jovem mundial daquele momento, como o rock e a psicodelia, de forma sincrética e inovadora. Deglutir as influências contemporâneas para produzir algo novo, porém, brasileiro. Setor 04 – Os Reis do “Mau Gosto” Além de uma revolução na música popular brasileira, o tropicalismo foi uma ampla revolução cultural no Brasil dos anos sessenta. Através de transferências culturais, o movimento juntou diferentes vertentes artísticas hibridou gêneros em um multiculturalismo jamais visto antes. Uniu música às artes plásticas, moda e poesia. Também se uniu à publicidade para inserir o Brasil na indústria cultural moderna, estilos de vida e ideais cosmopolitas. O tropicalismo foi o avesso da atmosfera pomposa da bossa-nova e transformou o mau gosto em símbolo de contestação comportamental – através da paródia, do deboche, da extravagância Setor 05 – Resistir e existir Os tropicalistas tinham objetivos políticos e sociais, questões não apenas brasileiras como também latino-americanas, mas acreditavam que a experiência estética já era um instrumento social revolucionário. Com o e entrada em vigor do Ato Institucional n°5, o movimento tropicalista sofreria um duro golpe. Porém, como bons antropófagos, deglutiriam a tristeza e a transformariam em herança libertária para a cultura brasileira. Setor 06 – Nunca fomos catequizados, fizemos foi Carnaval! Calçada no Cafonismo, o Tropicalismo definiu a cultura nacional como uma ‘não definição’, algo heterogêneo e repleto de diversidade cuja identidade é marcada por uma não identidade, porém bastante rica. Para ilustrar esse caleidoscópio-carnavalesco-antropofágicotropicalista, homenagearemos quatro artistas de alma “tropifágica”: Chacrinha, o “Rei da Tropicália” que em 2017 completa 100 anos de seu nascimento; o carnavalesco Fernando Pinto; a obra da artista plástica Beatriz Milhazes, como exemplo em nossa arte contemporânea; e a musa maior do tropicalismo para todas as gerações: Carmen Miranda.

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ROTEIRO DO DESFILE SETOR 01 – “SER” TROPICAL Comissão de Frente “NUNCA FOMOS CATEQUIZADOS” 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Marquinhos e Giovanna Justo “ONÇAS NO MATAGAL” Ala 01 – Meu Tuiuti BORBOFLORES DE PINDORAMA Alegoria 01 (Abre-Alas) “PINDORAMA TROPIFÁGICA” SETOR 02 – ANTROPOFAGIA: A REVOLUÇÃO ANTICOLONIALISTA Ala 02 – Comunidade Show “MACUNAÍMA” Ala 03 – São Cristóvão “TARSILA DO AMARAL” Grupo 01 “ANTROPÓFAGOS COM ESTANDARTE-MANIFESTO” Ala 04 - Pavilhão “ANTROPÓFAGOS” Ala 05 – Te amo Tuiuti “O REI DA VELA” Ala 06 - Show “TERRA EM TRANSE”

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Ala 07 - Parangolé “PARANGOLÉS” Musa Mayara “ANTROPOFAGIA CULTURAL” Alegoria 02 “BRASIL CANIBAL: NEOANTROPOFAGISMO” SETOR 03 – NEOANTROPOFAGIA BAIANA: A REVOLUÇÃO MULTICULTURAL Ala 08 - Monarquias “PERNAMBUCO” Ala 09 – Coração Balançou “BLACK POWER” Ala 10 – Falta Você “SARGENT PEPPER’S” Ala 11 – Samba no Pé “FLOWER POWER” Ala 12 – Baianas “RELICÁRIO TROPICALISTA” Destaque de Chão Anderson Silva “EXU” Alegoria 03 “AS CUCAS BAIANAS” SETOR 04 – OS REIS DO “MAU GOSTO” Ala 13 – Imperial Tuiuti “FOLCLORROCK”

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Ala 14 – Tuiuti Show “CAIPIRONAUTA” Ala 15 – Paraíso “POPULAR E ERUDITO” Destaques de Chão Alex Coutinho e Valesca “TROPIMILICOS” Ala 16 – Passistas “REPÚBLICA DAS BANANAS” Rainha de Bateria Carol Marins “CORES DA LIBERDADE” Ala 17 – Bateria “DITADURA EMBANANADA” Ala 18 – Tudo Bem “TROPIGRAFISMO” Ala 19 – Tropicália “DROMEDÁRIO ELEGANTE” Ala 20 – Impossíveis “TELEVISÃO” Musa Milla Ribeiro “MUSICAIS TROPICALISTAS” Alegoria 04 “MANIFESTO TROPIPOP” Ala 21 – Caprichosos “POESIA CONCRETA”

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SETOR 05 – RESISTIR E EXISTIR Ala 22 – Sambalé “I’M CRAZY FOR YOU, AMERICA” Ala 23 – Damas “SOY LOCO POR TI, LATINOAMERICANA” Ala 24 – Pisa Forte “URUBUS ENTRE GIRASSÓIS” Ala 25 – Cheguei Agora “LONDON, LONDON” Musa Mel Britto “LONDON LONDON” Alegoria 05 “CAETANAVE” SETOR 06 – NUNCA FOMOS CATEQUIZADOS, FIZEMOS FOI CARNAVAL! Ala 26 – Amigos do Tuiuti “QUEM NÃO SE COMUNICA, SE TRUMBICA” Ala 27 – Maravilha “FON-FON!” Ala 28 – Sensação “TEREZINHAAA... UH-UUUUUUU!!!” Grupo 02 “CHACRETES” Tripé 01 “EU VIM PARA CONFUNDIR, NÃO PARA EXPLICAR!” 17

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Grupo 03 “ZIRIGUIDUM 2001” 2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Yuri Pires e Rebeca Tito “ZIRIGUIDUM” Ala 29 – Ritsamba “ALÔ, ALÔ: TAÍ, TROPICÁLIA MARAVILHA” Ala 30 – Zoeira “COMO ERA VERDE MEU TUPINICÓPOLIS” Ala 31 – Poeira Vai Subir “MAMÃE EU QUERO POP ART” Grupo 04 “ÍNDIOS PATINADORES” Tripé 02 “FERNANDO PINTO” Ala 32 - Compositores “SOUTH AMERICAN WAY” Grupo 05 “CARMEM MIRANDA COM FRUTAS” Ala 33 – Comunidade Forte “VIVA A BANDA CARMEM MIRANDA-DA-DA-DA-DA” Musa Monique Rizetto “FOLIA TROPICAL” Alegoria 06 “TROPICARNAVAFAGIA” 18

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Jack Vasconcelos Nº Nome da Alegoria 01

PINDORAMA TROPIFÁGICA

O que Representa Pindorama é um local mítico dos povos tupis-guaranis, uma terra livre de malefícios. Durante a era do nosso “descobrimento”, o mundo dito civilizado viu em nossa natureza exuberante uma tropicalidade exótica e nos vestiram de paraíso terrestre. A fartura de frutos, a abundância natural e a escassez de padrão nos deu uma imagem selvagem e sedutora a ser incompreendida. A alegoria traz animais híbridos em meio a frutas, flores e plantas para sintetizar o conceito de beleza e caos tropical que nos fora atribuído, pois o tropicalismo é uma junção de referências sem nenhuma distinção. Destaques: Samile Cunha – Borboleta Pindorâmica Quatro semidestaques – Borboíndios Charles Onofre – Araronça Composições – Hedoníndios

02

BRASIL CANIBAL: NEOANTROPOFAGISMO

A devoração da Antropofagia Oswaldiana feita pela contracultura dos anos 60 gerou a Neoantropofagia. A estética orgânica das favelas influenciou as artes plásticas, alimentada pela desigualdade social brasileira. Uma representação alegórica da favela deglute o Abaporu para sintetizar o Neoantropofagismo. Referências do cenário da peça O Rei da Vela, como o painel onde se lê “Criança...nunca, nunca verás nenhum país como este”, complementam a alegoria. Palafitas e folhagens tropicais estilizadas fazem alusão à obra de Hélio Oiticica que dará nome ao movimento musical: Tropicália. Destaques: Marcinho – Canibal cultural Flavio Rocha – Carcará do Cinema Novo Fabio Lima – Ditadura Predadora Composições femininas – Canibalistas Composições – Neoatropófagos

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Jack Vasconcelos Nº Nome da Alegoria 03

AS CUCAS BAIANAS

O que Representa O sincretismo cultural-religioso é a alma dos baianos e o projeto “Tropicália” visava unir o que havia de mais jovem e moderno no mundo com nossa cultura. A alegoria traduz esse conceito misturando a arquitetura religiosa cristã com elementos da afro-religiosidade baiana. No centro, uma escultura onde as cabeças de Gilberto Gil e de Caetano Veloso são unidas por um ‘headfone’ com formato de globo terrestre, de onde ouvem o que o mundo está tocando e falando. Nesse encontro do moderno com o tradicional, o colorido das formas psicodélicas toma conta das cucas de Gil e Caetano para fazer brotar a Tropicália. Destaques: Ana de Oliveira – Magia Marcelo de Almeida – Oxalá Velha-guarda – Povo de Axé Composições – Orixás

04

MANIFESTO TROPIPOP

A Pop Art dá o tom. O Dragão cor-de-rosa desenhado por Rogério Duarte para a capa do disco de Caetano Veloso coroa a alegoria como um símbolo do inusitado que a Tropicália representou. Aos seus pés, o destaque vestido de jornal “O Sol”, que foi cantado em “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, e era fonte de inspiração e divulgação das inquietações críticas dos brasileiros. As bandeirolas laterais trazem fotos dos participantes do movimento tropicalista com o grafismo característico. A parte de trás do carro alegórico faz alusão ao diálogo com as artes plásticas e com a poesia concreta, através de referências de obras de Rubens Gerchman, Claudio Tozzi, Carlos Vergara e Augusto de Campos. Nas laterais, a reprodução da letra da música “Batmacumba”, de Gilberto Gil, exemplifica o flerte da música com o concretismo. Destaques: Klayton Heller – Jornal O Sol Luiz Vigneron – Geléia Geral Junior Close – Geléia Geral Composições da varanda – Tropifantasilistas Composições laterais altas- Generais do cafonismo Composições laterais baixas – Tropigrafismo

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Jack Vasconcelos Nº Nome da Alegoria 05

CAETANAVE

O que Representa A alegoria reproduz o trio elétrico “Caetanave” envolvido pela alegria colorida do carnaval. Orlando Tapajós criou a “Caetanave”, com a carroceria de seu trio elétrico em forma de avião, para homenagear Caetano Veloso, que voltava do exílio com Gilberto Gil. A Tropicália havia sido oficialmente encerrada três anos antes, mas já estava entranhada no brasileiro e exalava sua liberdade através da explosão multicor da antropofagia carnavalesca. Seus herdeiros evocam a atitude tropicalista até os dias de hoje. Destaques: Claudio Hillary – Explosão Multicor Dida Borges – Cores da folia Ana Claudia – Folia Carnavalesca Composições femininas – Cores Carnavalizantes

Tripé 01

EU VIM PARA CONFUNDIR, NÃO PARA EXPLICAR!

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, dirigia seus programas de auditório num ambiente de liberdade cênica e espirito carnavalesco. Assumidamente tropicalista em sua essência, foi assumido pelo tropicalismo como uma espécie de símbolo pop e homenageado por Gilberto Gil em seu samba de despedida “Aquele Abraço”, na partida para o exílio. “Eu sou o Rei do Tropicalismo”, afirmou. Destaque: Leleco Barbosa – Chacrinha

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Jack Vasconcelos Nº Nome da Alegoria Tripé 02

FERNANDO PINTO

O que Representa O Carnavalesco Fernando Pinto consolidou seu estilo de carnaval na linha do deboche, da paródia, onde a mistura da natureza brasileira com elementos de modernidade resultava na concretização Modernista da Antropofagia Tropicalista. Destaque: Jorge Amarelloh – Fernando Pinto

06

TROPICARNAFAGIA

O Tropicalismo como identidade brasileira na figura de Carmen Miranda e nas formas e cores das obras de Beatriz Milhazes. Musa absoluta do Tropicalismo, presente nas letras das músicas, e maior símbolo de brasilidade conhecido no mundo, Carmen Miranda é tão antropofágica que é portuguesa. Sua figura é carnavalesca por excelência. O estilo extravagante continua a ser uma forte influência até aos dias de hoje, tendo sido reinventada ao longo das décadas. Reverbera nas cores, espirais, flores e rendilhados da exuberância pictórica da artista plástica carioca Beatriz Milhazes, onde o Tropicalismo se afirma e se renova. Destaques: Beatriz Milhazes Carla Blessy – Carmen Miranda Composições – Banda Carmen Miranda

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FICHA TÉCNICA Alegorias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Samile Cunha

Figurinista

Charles Onofre

Empresário

Flávio Rocha

Empresário

Fábio Lima

Cabeleireiro

Marcelo de Almeida

Figurinista

Klayton Heller

Professor e Empresário

Local do Barracão Rua Rivadavia Correia, nº. 60 – Barracão nº. 03 – Cidade do Samba – Gamboa – RJ Diretor Responsável pelo Barracão Júlio César e Renan Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe Gilberto e Josimar Robinho Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Marlon Marlon Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe Paulinho da Luz Fábio Chafin Outros Profissionais e Respectivas Funções

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 01

Borboflores de Pindorama

Cores vivas, borboletas e flores sempre foram alguns dos símbolos de ajudaram a construir as imagens tropicalistas. A fantasia funde essas referências para traduzir a natureza híbrida do “ser” brasileiro.

Meu Tuiuti (2016)

Mara

02

Macunaíma

A partir dos temas folclóricos e mitológicos, Mário de Andrade inaugura uma nova linguagem literária, saborosamente brasileira. “Macunaíma” utiliza provérbios populares e aproxima a língua escrita ao modo de falar, apresentando, assim, uma crítica à língua culta prestigiada no Brasil. Macunaíma quando nasce já manifesta sua principal característica: a preguiça.

Comunidade Show (2016)

Jair

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 03 Com influência cubista e forte São Cristóvão Sidney Tarsila do conceito de brasilidade, nas cores e (2016) Amaral nos temas, a pintora Tarsila do Amaral estilizava formas e volumes, fez história no movimento modernista brasileiro e influenciou Oswald de Andrade a criar o Movimento Antropofagista. A ala traz referências dos quadros “A Cuca” e “O Ovo” (Urutu), símbolos do conceito antropófago.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Antropófagos com EstandarteManifesto

O chamado “Manifesto Antropofágico” foi publicado por Oswald de Andrade em 1º de maio de 1928. Trazia desenhado o Abaporu, de Tarsila do Amaral, termo de origem tupi-guarani que significa "homem que come gente" (canibal ou antropófago).

Grupo 01 (2016)

Handerson Big

04

Antropófagos

O Movimento Antropofágico consistia na ideia de deglutição (consumo) das influências estrangeiras, incorporando-as na realidade brasileira para dar origem a uma nova cultura transformada, moderna e representativa de caráter nacional de vanguarda. Lança mão da paródia, da sátira, da anarquia para realizar a “canibalização” cultural das nossas fontes primitivas reprimidas e das experiências e informações estrangeiras.

Pavilhão (2016)

Maurício

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 05

06

O Rei da Vela

Escrita em 1933, foi pioneira na aplicação ao teatro dos conceitos mais radicais do vanguardismo estético defendido por Oswald de Andrade. Quando a contracultura dos anos 60 reviveu o conceito de antropofagismo modernista, ela foi encenada pelo grupo teatral Oficina, sob a direção de José Celso Martinez Correa, e causou uma verdadeira revolução na arte dramática brasileira. A fantasia da ala traz uma releitura de figurino e cenário desenhado por Hélio Eichbauer para a montagem citada.

Terra em Transe A adesão do Cinema Novo à teoria da antropofagia como fato histórico de interpretação da cultura brasileira se destaca em Terra em Transe, de Glauber Rocha, pela pratica intencional de seus fundamentos. A linguagem agressiva e carnavalesca de atitude anti-hierárquica e politicamente incorreta como crítica à desigualdade social fez de Terra em Transe, juntamente com a peça O Rei da Vela, um marco do movimento neoantropofágico.

07

Parangolés

Os Parangolés são “antiarte por excelência”, são bandeiras tupinambás da atual e universal antropofagia. O artista plástico Hélio Oiticica cria os Parangolés através do contato com a Estação Primeira de Mangueira e sua comunidade. O espectador veste a obra e a obra ganha vida através dele, é a capacidade de autocriação, de expansão das sensações e rompimento. Para Oiticica, o samba é uma desinibição intelectual.

27

Te Amo Tuiuti (2016)

Sandra

Show (2016)

Tarzan

Parangolé (2016)

Fred

Abre-Alas – G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Antropofagia Cultural

Representa a antropofagia contracultura dos anos sessenta.

08

Pernambuco

09

Black Power

Musa 01 (2016)

Renato Marins

Em uma viagem feita à Pernambuco, Gilberto Gil conheceu as cirandas e a Banda de Pífanos. A característica nordestina forte concentrada em Pernambuco o sensibilizou a buscar a diversidade da cultura brasileira.

Monarquias (2016)

Manoel

Movimentos de contracultura que contestavam o caráter social e cultural vigentes nos anos sessenta fizeram, literalmente, a cabeça dos baianos. O movimento Black Power, "Poder Negro", era uma forma de renascimento cultural da comunidade negra dos EUA que ganhou repercussão mundial e influenciou o comportamento.

Coração Balançou (2016)

Flávia

28

da

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 10

Sargento Pepper’s

Os Beatles lançaram o álbum Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band, que impressionou muito a Gil e Caetano pelo arrojo e experimentalismo. Despertou neles “uma sensação de compromisso coma ideia de transformação, de que a música ia além do que tinha se decantado em nós a partir do convencional”, segundo as palavras de Gilberto Gil.

Falta Você (2016)

Marcelo

11

Flower Power

O movimento Hippie coloriu as cabeças baianas tropicalistas. Nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos EUA. Basicamente formada de uma juventude que recusava as injustiças e desigualdades da sociedade, a segregação racial, o poder econômico-militar e defendia os valores da natureza. Pela “paz” e o “amor”. Tinham a flor como um dos seus símbolos e a expressão “Flower Power” chegou a nomear o movimento.

Samba no Pé (2016)

Almir

12

Relicário Tropicalista

A fantasia das baianas une uma releitura do traje tradicional de baiana ao colorido do multiculturalismo tropicalista como uma imagem alegórica da junção entre o sincretismo religioso com o sincretismo cultural proposto pela Tropicália. Um encontro da origem das cabeças baianas do movimento com seu resultado.

Baianas (1954)

Sandra

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Exu

Exu é o movimento, abre os caminhos e é o mensageiro entre Orixás e homens. Completa, no chão, o panteão dos santos africanos que compõem a alegoria 03.

Destaque de Chão (2016)

Marcelo de Almeida

13

Folclorrock

Uma das propostas da Tropicália era a junção de elementos da cultura popular com os de cultura de massa Como a modernidade do rock n’roll internacional (e suas guitarras elétricas) com o tradicionalismo folclórico popular, por exemplo.

Imperial Tuiuti (2016)

Vítor

14

Caipironauta

Os tropicalistas misturam referências sem nenhuma distinção e, até mesmo opostas, criando uma identidade híbrida e paradoxal. Como o saber matuto, popular, péna-terra, com a corrida espacial, satélites e foguetes dos noticiários internacionais.

Tuiuti Show (2016)

Flávio

30

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Popular e Erudito

O tropicalismo propunha uma junção e valorização de elementos das diferentes culturas existentes no Brasil e a abertura (sem reservas) para o novo possibilitou a colaboração com músicos eruditos de vanguarda, favorecendo o encontro entre as linhas mais avançadas da vanguarda musical e a música popular. Unir a linguagem erudita com o popular foi resultado natural dessa ideia como nos arranjos do maestro Rogério Duprat.

Paraíso (2016)

Shirley

*

Tropimilicos

Masculino: Representa o rigor da Ditadura envolvido pela irreverência tropicalista.

Destaques de Chão (2016)

Alex Coutinho

Feminino: tropicalismo Ditadura.

Representa florescendo

31

o da

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 16

República das Bananas

Atribuído ao Brasil por muitos, República das Bananas é um termo pejorativo para um país, normalmente latino-americano, politicamente instável, submisso a um país rico e (frequentemente) com um governo corrompido e opressor. Símbolo do movimento tropicalista, a banana invade o cenário ditatorial brasileiro.

Passistas (1954)

Alex Coutinho

*

Cores da Liberdade

Representa o multicolorido tropicalista colorindo a Ditadura.

Rainha de Bateria (2016)

Renato Marins

17

Ditadura Embananada

No final dos anos 60 a Tropicália chegava para subverter o cenário musical brasileiro com obras carregadas de ambiguidades. Era a primeira vez no Brasil que músicas exigiam explicações para ser entendida, o que acabou embaraçando os padrões dominativos da época. e deixou a ditadura de “calça-arriada” com suas paródias e deboches críticos.

Bateria (1954)

Ricardinho

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Tropigrafismo

Ao lado da experimentação musical, o movimento apresentou ao público um forte apelo visual em suas propostas e a imagem passava a ser tão importante quanto as ideias presentes em letras de música. Assim, as capas de discos (por exemplo) eram toques estratégicos para a formação desse visual tropicalista. Nesta ala unem-se referencias das ilustrações e grafismos de Rogério Duarte nas capas dos discos de Caetano Veloso e de Gilberto Gil de 1967.

Tudo Bem (2016)

Marinho

19

Dromedário Elegante

Influenciados por leituras de Marshall McLuhan, cujos escritos diziam que “o meio é a mensagem” e a roupa “é um prolongamento do corpo”, tropicalistas inserem na moda brasileira o toque de identidade. As roupas usadas em apresentações e aparições chocavam o público, mas foram fundamentais para o sucesso popular do movimento e construção de sua imagem. A casa “Ao dromedário elegante” foi a principal responsável por esse visual “Antimoda”.

Tropicália (2016)

Kenga

20

Televisão

Os tropicalistas ganharam grande repercussão com suas apresentações nos festivais da canção e a televisão se tornou meio fundamental de atuação do movimento ao ponto de Gilberto Gil e Caetano Veloso apresentarem um programa na TV Tupi, o “Divino, Maravilhoso”.

Impossíveis (2016)

Bira

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Musicais Tropicalistas

Representa as músicas tropicalistas nos festivais de música popular brasileira.

Musa 02 (2016)

Renato Marins

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Poesia Concreta

O tropicalismo significou a consolidação da poesia concreta como parte do repertório da música de massa e da cultura letrada. A fantasia faz referência à poesia de Augusto de Campos, "Viva Vaia" (duas palavras escritas em disposições geométricas com duas cores alternadas), inspirada no episódio ocorrido no Festival da Canção de 1968, quando o cantor Caetano Veloso foi vaiado pela canção "Proibido Proibir".

Caprichosos (2016)

Beto

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I’m Crazy For You, America

O imperialismo Americano (político-econômico-cultural) na América Latina nos anos sessenta foi alvo de sátiras e paródias dos Tropicalistas. Os foliões articulam bonecos que representam, de forma generalizada, as nações latinoamericanas.

Sambalé (2016)

Robinho

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Soy loco por ti, Latinoamerica

A fantasia ostenta bandeiras, cores e símbolos de países latinoamericanos para lembrar os movimentos populares de resistência e o orgulho étnico-cultural na América Latina que influenciaram a contracultura ativista da época.

Damas (1954)

Sandra

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Urubus entre Girassóis

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London, London

A fantasia faz alusão ao verso da música “Tropicália”, de Caetano Veloso, onde se ouve: e no jardim os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis, para ilustrar o período de endurecimento do regime militar e as intervenções do Departamento de Censura Federal. Canções tinham versos cortados, ou eram inteiramente proibidas. A oficialização do Ato Institucional nº 5 (o AI-5) decretaria de vez a repressão política aos ativistas sociais, intelectuais e artistas brasileiros.

Pisa Forte (2016)

Gilberto Gil e Caetano Veloso Cheguei Agora foram presos pela ditadura militar (2016) dias depois após o AI-5 entrar em vigor e exilados para Londres em meados de 1969, o que anteciparia o final do movimento tropicalista. A música “London, London” tornou-se símbolo desse período. Nela, Caetano Veloso diz em versos: “Estou solitário em Londres sem medo... Enquanto meus olhos saem procurando discos voadores no céu”.

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Alexandra

Paulo

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London London

Representa a canção de Caetano Veloso composta no exílio londrino, “London, London”.

Musa 03 (2016)

Renato Marins

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Quem Não Se Comunica, Se Trumbica!

Chacrinha era a antítese do astro televisivo. Sua linguagem carnavalesca fazia a alegria do povo. O disco telefônico que sustentava pendurado na fantasia sintetizava seu poder de comunicação com a massa, afinal, como ele mesmo dizia: “alô, alô, quem não se comunica se trumbica”.

Amigos do Tuiuti (2016)

Robson

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Fon-Fon!

O velho-guerreiro se tornou uma das figuras mais populares da tevê brasileira. Seus concursos de calouros eram acompanhados pela famosa buzina que, ao ser acionada, reprovava os candidatos antes do término de suas apresentações.

Maravilha (2016)

Juliana

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Terezinha... Uhuuuuuuu!!!

Apresentações de artistas eram marcadas pela algazarra de um auditório que era estimulado por arremessos de produtos, como o famoso bacalhau. A fantasia também traz o Troféu Abacaxi, que era a temida premiação dos calouros reprovados.

Sensação (2016)

Carlos

*

Chacretes

Ao lado de Chacrinha, as belas assistentes de palco incrementavam os programas com suas coreografias e trajes que misturava a figura de vedete às fantasias carnavalescas. As Chacretes marcaram época e permanecem no imaginário de muitos brasileiros.

Grupo 02 (2016)

Ricardo Silva

*

Ziriguidum 2001

O grupo faz uma releitura da comissão de frente do desfile do G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel de 1985, quando o carnavalesco Fernando Pinto “levou” o carnaval para o futuro com o enredo Ziriguidum 2001 – um carnaval nas estrelas.

Grupo 03 (2016)

Handerson Big

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Alô, Alô: Taí, Tropicália Maravilha

O figurino da ala une referencias de dois desfiles emblemáticos para a designação de “Tropicalista” ao trabalho do carnavalesco Fernando Pinto: “Alô, alô! Taí, Carmen Miranda!”, para o G.R.E.S. Império Serrano em 1972 e “Tropicália Maravilha”, para o G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel em 1980.

Como Era Verde O figurino faz alusão a dois enredos de ressignificação indígena Meu brasileira criados por Fernando Tupinicópolis Pinto para o G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel: “Como era verde meu Xingu”, de 1983, e “Tupinicópolis”, de 1987.

Mamãe Eu Quero Pop Art

Com seu estilo de carnaval tropicalista, Fernando Pinto fazia diversas referências de Pop Art, lançava mão de conceitos modernos de paródias e inversões para seus bem-humorados desfiles críticos como em “Mamãe eu quero Manaus”, para o G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel em 1984.

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Ritsamba (2016)

Israel

Zoeira (2016)

P.C.

Poeira Vai Subir (2016)

Helinho

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Índios Patinadores

O grupo faz referência aos emblemáticos índios patinadores do enredo de ficção científica tupiniquim e retro-futurista, “Tupinicópolis”, do G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel em 1987.

Grupo 04 (2016)

Handerson Big

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South American Way

Cores vivas, frutas e animais formaram um conceito de estilo, o Tropical Style, que se estereotipou como um certo “South American way”, um jeito de ser sul-americano.

Compositores (1954)

Aníbal

*

Carmem Miranda com Frutas

As frutas tropicais marcaram definitivamente a imagem de Carmen Miranda como ícone de cultura popular, expôs ao mundo uma visão caricata do Brasil e da imagem latino-americana que iam ao sentido inverso dos anseios do bom gosto padronizado.

Grupo 05 (2016)

Handerson Big

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Jack Vasconcelos DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 33

Viva a Banda Carmem Miranda-da-dada-da!

*

Folia Tropical

Carmen Miranda foi aclamada musa do movimento tropicalista e evocada na canção-manifesto de Caetano Veloso, “Tropicália”. Em sua forma mais antropofagicamente carnavalizada, a Banda Carmen Miranda saia pelas ruas do Rio de Janeiro com foliões vestidos em sua homenagem num exemplo de autoafirmação da identidade brasileira.

Representa a influência tropicalista no carnaval.

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kitsch

Comunidade Forte (2016)

Vitor

Musa 04 (2016)

Renato Marins

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadavia Correa, nº. 60 – Barracão nº. 03 – Cidade do Samba – Gamboa – RJ Diretor Responsável pelo Atelier Ricardo Alvarenga Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Marlene Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Ricardo Alvarenga Gomes Outros Profissionais e Respectivas Funções

Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Rafael Bernini, Carlinhos Chirrinha, Luís Caxias, Wellington Onirê, Fernandão e Alexandre Cabeça Presidente da Ala dos Compositores Aníbal Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 80 Jurandir Gabriel Russo (oitenta) 76 anos 22 anos Outras informações julgadas necessárias Autor(es) do Samba-Enredo

É Tropicália, olha ai... Meu Tuiuti Um Paraíso, não existe nada igual Ora pois, pois... Sou tupiniquim No Pindorama todo dia é Carnaval Brasil, riqueza da Mão Natureza Meu chão, morada da felicidade Se for pecado... Tô condenado Eu sou amante dessa liberdade Daquela lei surgiu um laço de união Macunaíma decorando a arte Coração balançou, muito samba no pé Lá no morro nasceu nosso parangolé A revolta se fez, a semente brotou Quem vestiu coloriu... Por ai se espalhou Ê, Bahia... É lindo o movimento musical E segue a massa pra viver essa aventura Quanta mistura... Intercâmbio cultural E na terra da garoa... Tropicalista Debochando numa boa... Salve o artista Degustar e consumir foi a opção Tantas flores no jardim Encarando a opressão Mas raiou o sol Iluminando os versos da canção Alô, povo brasileiro... Aquele abraço Caminhando deixo o sonho me levar A esperança que brilha no meu olhar É o segredo dessa vida

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Ricardo Stypurski Pereira Junior (Mestre Ricardinho) Outros Diretores de Bateria Rodrigo, Tadeu, Denilson, Iuri, Polinho, Fabiano, Leonardo Paulão, Feijão, Lion e Luiggi Total de Componentes da Bateria 250 (duzentos e cinquenta) componentes NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 10 10 12 0 01 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 92 0 42 0 22 Prato Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 01 12 24 0 24 Outras informações julgadas necessárias Currículo do Mestre de Bateria: Mestre Ricardinho começou no carnaval em 1995 tocando tamborim e desfilando pelas baterias da Lins Imperial e Vila Isabel. Teve passagens como ritmista também por inúmeras escolas como Caprichosos de Pilares, Beija Flor, Mangueira, Tuiuti, São Clemente, Império da Tijuca, responsável pela ala de tamborim da Estácio por três carnavais e diretor da ala de tamborins da Unidos da Tijuca de 2000 a 2005. Em 2003, a convite do presidente Thor, assumiu a bateria do Tuiuti no enredo em homenagem a Portinari, do carnavalesco Paulo Barros. Permaneceu no Tuiuti 2003, 2004, 2005 e 2006 sendo convidado a assumir o Arranco em 2007. Em 2008 comandou a bateria da Cubango e em 2009 a Paraíso do Tuiuti convidou-o a retornar e lá ficou nos carnavais 2009 e 2010. Após 2010 uma breve parada na história do carnaval por priorizar compromissos profissionais até que o convidaram a retornar em 2013 comandando a bateria do Jacarezinho. Em 2014, mais uma vez, a Paraíso do Tuiuti, através do presidente Renato Thor, convida-o a retornar como mestre de bateria onde está há três carnavais com notas máximas ajudando a escola a conquistar o seu objetivo que é estar no grupo especial.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Luiz Carlos Amâncio Outros Diretores de Harmonia Flávio e Tarzan Total de Componentes da Direção de Harmonia 40 (quarenta) componentes Puxador(es) do Samba-Enredo Oficial - Wantuir Apoio de carro de som – Diego Nicolau, Igor Vianna, Rafael Mendes e Washington Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Cavaco – Tico do Cavaco e Júnior do Cavaco Violão – Helinho Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Leandro Azevedo e Luiz Carlos Amâncio Outros Diretores de Evolução Flávio Total de Componentes da Direção de Evolução 40 (quarenta) componentes Principais Passistas Femininos Mari Ribeiro, Larissa Reis e Taiane Oliveira Principais Passistas Masculinos Jonata Silva, Edmar Andrade e Emerson Faustino Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Vice-Presidente de Carnaval Leandro Azevedo Diretor Geral de Carnaval Leandro Azevedo Outros Diretores de Carnaval Responsável pela Ala das Crianças Total de Componentes da Quantidade de Meninas Ala das Crianças Responsável pela Ala das Baianas Tia Sandra Total de Componentes da Baiana mais Idosa Ala das Baianas (Nome e Idade) Maria das Dores do Nascimento 80 78 anos (oitenta) Responsável pela Velha-Guarda Total de Componentes da Velha-Guarda

Quantidade de Meninos -

Baiana mais Jovem (Nome e Idade) Tayane Silva de Araújo 21 anos

Componente mais Idoso Componente mais Jovem (Nome e Idade) (Nome e Idade) Dona Ivone Dona Regina 84 anos 52 anos Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Beatriz Milhazes (Artista plástica), Ana de Oliveira (Escritora) e Leleco Barbosa (Apresentador e Empresário) Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Jaime Arôxa Coreógrafo(a) e Diretor(a) Jaime Arôxa Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 16 15 (dezesseis) (quinze) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos 01 (um)

Fantasia: Nunca fomos catequizados... O que representa: Satirizando o poema de Oswald de Andrade chamado “Erro de Português”, no qual diz que “Quando o português chegou, debaixo duma bruta chuva, vestiu o índio. Que pena! Fosse uma manhã de sol, o índio tinha despido o português”; abre-se o espaço onírico onde o mundo civilizado, representado por um navegador português, é “despido” de seus rigores ao ser seduzido pela beleza nativa brasileira. Do tronco de um Pau-Brasil, origem e nome de nosso país, a natureza tropical triunfa num exemplo de nossa vocação para absorção a constante transformação.

Jaime Arôxa É o criador de uma metodologia própria de ensino da Dança de Salão onde a mesma é tratada como expressão dos sentimentos do dançarino pelo movimento, a respeito de si próprio e da busca de um conhecimento maior sobre o outro. Em 1986, montou sua própria escola, o Centro de Dança Jaime Arôxa, pela qual já passaram mais de 30.000 alunos. Até hoje, formou mais de 100 professores de dança de salão e continua formando novos profissionais em todo Brasil. Além de professor, Jaime Arôxa trabalha como coreógrafo tendo atuado em peças, filmes, novelas e shows. Durante estes anos já realizou mais 50 trabalhos coreográficos nas mais diversas mídias das artes cênicas, incluindo coreografias de comissões de frente em diversas Escolas de Samba. Estudou salsa em Cuba e Costa Rica, fazendo intercâmbio na Escola Nacional de Cuba, Dança de Competição em vários países da Europa, entre eles: França, Itália e Alemanha. Estuda tango há mais de dez anos na Argentina, tendo feito aula com os melhores mestres de Tango de Buenos Aires. Introduziu a Lambada no Rio de Janeiro em 1989. Estudou Jazz com Enid Sauer e Ballet Clássico com Jean Marie. Possui grande experiência na área de contato e improviso. Desenvolveu amplo conhecimento teatral com trabalhos feitos para diretores importantes como: Mauro Rasi, Domingos Oliveira, Amir Haddad, Moacyr Góes, Paulo Betti, Henrique Dias, entre outros. Foi pioneiro, idealizou, dirigiu e coreografou Espetáculos de Dança de Salão e danças populares tais como: Salão Brasil, Lambada Alada, Com o Brilho do Teu Olhar, Viva Brasil, Rio de Vários Sambas, Cá Entre Nós, Um pouco de tudo muito de mim, Romance, entre outros.

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Outras informações julgadas necessárias Atua há mais de 10 anos no carnaval do Rio de Janeiro, como Coreografo de Comissão de Frente, tendo passado por:      

Porto da Pedra (2009) Mangueira (2010, 2011 e 2012) Mocidade Independente de Padre Miguel (2013) União da Ilha (2014) Vila Isabel (2015 e 2016) Paraiso do Tuiuti (2017)

Integrantes:  Amanda Quintanilha – 21 anos  Ana Flávia – 18 anos  Bruna Gonçalves – 22 anos  Carolina Dias – 32 anos  Daruã Góes – 25 anos  Eduarda Almeida – 21 anos  Elorrana Sousa – 24 anos  Hayane Larissa – 25 anos  Ingrid Soter – 22 anos  Isadora Nascimento – 25 anos  Jéssica de Souza – 20 anos  Kelly Souza – 18 anos  Marcela Faro – 20 anos  Melissa Lioy – 25 anos  Milena Lemos – 19 anos  Nadine Da Cruz – 22anos  Paula Lopes Ducap – 23 anos  Priscila Mendes – 36 anos  Raphael bercovitch – 27 anos

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Marquinhos 1ª Porta-Bandeira Giovanna Justo 2º Mestre-Sala Yuri Pires 2ª Porta-Bandeira Rebeca Tito Outras informações julgadas necessárias

Idade 45 anos Idade 38 anos Idade 18 anos Idade 18 anos

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Fantasia: Onças no matagal O que representa: A força da natureza brasileira está representada na fantasia através da onçapintada em meio à mata. Fauna e flora unidas pelo figurino do primeiro casal de mestre-sala e portabandeira. Giovana Justo Giovanna da Silva Justo ou simplesmente Giovanna Justo como é conhecida no mundo do samba, nasceu e foi criada no Morro da Mangueira, que dá nome a mais tradicional e importante escola de samba do Rio de Janeiro. É filha de Orlendi Justo e Djair da Silva. Ele foi vice-presidente da escola do GRESEP. Mangueira na década de 90 e ela se dedicou ao marido e criação dos filhos. Giovanna iniciou sua vida no mundo do samba nos anos 80, quando desfilava na ala mirim da Mangueira, que era dirigida pela saudosa Dona Neuma. Com o passar dos anos, tomou gosto pela arte de porta-bandeira, quando começou a ter aulas com o já falecido professor Dalmo José. No final dos anos 80, Giovanna passou a desfilar pela ala de mestre-sala e porta-bandeira mirim da Mangueira, que era composta por 15 casais mirins. Após se destacar na ala mirim de porta-bandeira, foi em 1994 que surgiu o primeiro convite para que desfilasse como a 1º porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira. Logo no ano seguinte em 1995 acontece seu primeiro desfile e com o excelente resultado de notas máximas, ela se torna a porta-bandeira oficial da Estação Primeira de Mangueira. Três anos após o início de sua carreira em 1998, vem seu primeiro campeonato, com todas as notas 10 e defendendo o pavilhão verde e rosa, Giovanna se consagra campeã do Carnaval pela primeira vez. Logo após muitos anos de notas 10, diversos convites para outras agremiações surgem reconhecendo o sucesso de um caminho brilhante e de muita garra, mas foi em 2004 que veio o grande reconhecimento de sua carreira o tão sonhado por todos do samba, o Estandarte de Ouro, o que a elevou mais ainda ao topo do mundo do carnaval. Este prêmio não se resumiu a apenas um ano, ela foi eleita pelo Estandarte de Ouro como melhor porta-bandeira em 2011 (Unidos da Tijuca) e 2014 (Vila Isabel). Em 2009, veio uma grande virada em sua vida. Com um convite da Agremiação Unidos da Tijuca, Giovanna deixa a escola onde desfilou 15 anos e assumi mais um desafio de sua vida, carregar o pavilhão azul e amarelo de mais uma grande e tradicional escola de samba do Rio de Janeiro. 50

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Logo no primeiro ano Giovanna junto com toda a equipe da Tijuca, conseguem alcançar o primeiro título da escola no Grupo especial, ano de 2010, dando início a uma nova fase da agremiação que hoje se mantém no grupo seleto das grandes do carnaval. Em 2012 a Unidos da Tijuca conquista mais um título do carnaval carioca com a ajuda do brilhante casal. Já em 2013, Giovanna e seu Mestre-sala, deixam a Tijuca para assumir mais um novo desafio. Passam a entregar a equipe da então campeã do carnaval de 2013, a azul e branca da Terra de Noel, Unidos de Vila Isabel para o carnaval de 2014. Após o carnaval de 2014, Giovanna deixa a Unidos de Vila Isabel e recebe um dos maiores baques de sua carreira, o carnaval de 2015 ela estaria fora da folia mesmo sendo vencedora de um dos mais importantes prêmios do Carnaval o Estandarte de Ouro. Porém, ela não se deu como derrotada e participou como comentarista de carnaval, por um famoso site especializado no assunto. Com uma brilhante reputação no carnaval e adorada por todos aonde passou, em 2015 logo após o término do carnaval, vem uma grande recompensa por todos os anos de luta, sucesso e profissionalismo, um convite para defender o pavilhão da Unidos do Viradouro, uma escola de tradição que passava pela série A. Em 2016, vem a grande virada novamente na carreira, o convite da grande campeã do Carnaval carioca da Série A, guerreira e arretada Paraiso do Tuiuti, não deixa este grande talento fugir e contrata como reforço para lutar no carnaval de 2017 o Casal Giovanna e Marquinhos. Resumo da Carreira Histórico Profissional 1995 até 2009 – Estação Primeira de Mangueira 2010 até 2013 – Unidos da Tijuca 2014 – Unidos de Vila Isabel 2016 – Unidos do Viradouro 2017 – Paraíso do Tuiuti Campeonatos 1998 – Estação Primeira de Mangueira 2002 – Estação Primeira de Mangueira 2010 – Unidos da Tijuca 2012 – Unidos da Tijuca Prêmios 2004 – Estação Primeira de Mangueira 2011 – Unidos da Tijuca 2014 – Unidos de Vila Isabel 51

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Marquinhos Marco Antonio Rodrigues, nascido e criado no Morro da Mangueira. Filho de Rosária Maria Rodrigues e Willian Lourenço Braga, mais conhecido como Lilico ex- Mestre-sala da Mangueira. Cresceu e deu seus primeiros passos na vida, na casa de Tia Neuma, onde aprendeu a ler e escrever a base de linha dura, método utilizado pela saudosa Neuma para estimular a leitura e estudo. Em 1981, Marquinhos iniciou sua vida na dança no grupo de Maculelê da Tia Alice, professora de atletismo e folclore. Neste mesmo ano, Tio Jair, Tia Alice e Dalmo José, criaram um projeto de socialização para jovens, o primeiro grupo de Mestre-sala e Porta-bandeira mirim da Mangueira. No ano seguinte em 1982, houve uma seleção para a ala e mesmo sendo filho do Mestre-sala Lilico, não teve jeitinho. Ele teve que participar da seletiva e passou logo nos primeiros testes. Assim foi dada origem de uma premiada ala de Mestre-sala e Porta-bandeira mirim, vencedora até mesmo de um Estandarte de Ouro. Muitos integrantes deixaram a Ala mirim e assumiram o posto de casal em outras agremiações, até que em 1986 por ter completado a idade de 15 anos, Marquinhos teve que deixar a ala e ceder a vaga para outro jovem da comunidade. Logo depois pouco anos, em 1990 devido ao destaque que teve na ala mirim, o então ainda jovem Marquinhos viria a se tornar 2º mestre Sala da Estação Primeira de Mangueira, juntamente com Ircleia neta da saudosa Vovó Lucíola. No ano de 1992, com o falecimento do Mestre-Sala Robertinho, o casal Marquinhos e Ircleia assumem o tão sonhado posto de Primeiro Casal da Mangueira, mas dois anos depois em 1994 sua parceira fica grávida e surge a grande dúvida de quem assumiria o posto, para defender o pavilhão verde e rosa no carnaval de 95. Foi então a grande surpresa do convite a uma Porta-bandeira que já se destacava e mostrava muito talento e amor pela arte da dança, se formava então a grande dupla Marquinhos e Giovanna. Três anos após o início de sua parceria com Giovanna em 1998, vem o primeiro campeonato do casal, com todas as notas 10 e defendendo um pavilhão de peso, a verde e rosa, se torna grande campeã do Carnaval. Os anos se passam e o casal consegue arrebatar muitas notas dez para a escola, mas em 2005 o casal sente uma necessidade de algo a mais e começam a ser ensaiados pelo renomado bailarino e coreografo Hélio Bejani até o ano de 2008, quando a também bailarina e esposa de Hélio, Beth Bejani assumi os ensaios do casal. Em 2009, veio uma grande virada em sua vida. Com um convite da Agremiação Unidos da Tijuca, após 20 anos de Mangueira o brilhante casal Marquinhos e Giovanna assumem o compromisso de carregar majestosamente o pavilhão azul e amarelo de mais uma grande e tradicional escola de samba do Rio de Janeiro. Logo no primeiro ano defendendo a bandeira azul e amarela da Tijuca em 2010, o casal pé quente ajuda a dar início a uma nova fase da agremiação o tão sonhado campeonato chega a Escola, que até hoje se mantém no grupo seleto das grandes do carnaval. Em 2012 a Unidos da Tijuca conquista mais um título do carnaval carioca com a ajuda do casal.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Mestre-Sala e sua parceira deixam a Tijuca em 2013 para assumir mais um novo desafio. Passam a entregar a equipe da então campeã do carnaval de 2013, a azul e branca da Terra de Noel, Unidos de Vila Isabel para o carnaval de 2014. Após o Carnaval de 2014, Marquinhos deixa a Unidos de Vila Isabel e recebe a notícia que mudaria a sua vida pessoa e profissional, o carnaval de 2015 ele estaria fora da folia. Em 2015 logo após o termino do carnaval, vem uma grande notícia por todos os anos de luta e profissionalismo, um convite para defender o pavilhão da vermelho e branca de Niterói, Unidos do Viradouro, uma escola de tradição que passava pela série A. Em 2016, vem a grande virada novamente na carreira, o convite da grande campeã do Carnaval carioca da série A guerreira e arretada Paraiso do Tuiuti, não deixa este grande talento fugir e contrata como reforço para lutar no carnaval de 2017 o Casal Giovanna e Marquinhos, com o apoio da grande bailarina Celeste Lima de ensaiadora do casal. Resumo da Carreira Histórico Profissional 1992 até 2009 - Estação Primeira de Mangueira 2010 até 2013 - Unidos da Tijuca 2014 - Unidos de Vila Isabel 2016 - Unidos do Viradouro 2017 – Paraíso do Tuiuti Campeonatos 1998 – Estação Primeira de Mangueira 2002 – Estação Primeira de Mangueira 2010 – Unidos da Tijuca 2012 – Unidos da Tijuca

Coreógrafa do 1º Casal: Celeste Lima Celeste Lima, natural de Fortaleza -CE, onde começa o meu primeiro contato com a dança clássica. Minha mãe era pianista de uma academia de dança e desde o início foi minha maior incentivadora. Com a mudança da família para o Rio de Janeiro passei a estudar no Ballet Dalal Achcar, renomada escola e referência no ensino de ballet Aos 18 anos fui contemplada com uma bolsa de estudos na prestigiada escola "American Ballet Theatre" em Nova York por 3 anos aprimorando o meu conhecimento e participando de espetáculos promovido pela escola. Retornando ao Brasil passei a integrar o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro atuando em todas as grandes produções da companhia. 53

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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G.R.E.S. ACADÊMICOS DO GRANDE RIO

MILTON

PRESIDENTE ABREU DO NASCIMENTO 55

“Ivete do rio ao Rio”

Carnavalesco FABIO RICARDO 57

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FICHA TÉCNICA Enredo Enredo Ivete do rio ao Rio! Carnavalesco Fabio Ricardo Autor(es) do Enredo Fabio Ricardo e Helenise Guimarães Autor(es) da Sinopse do Enredo Fabio Ricardo e Helenise Guimarães Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Fabio Ricardo e Helenise Guimarães

Editora 34

Ano da Edição 2000

Páginas Consultadas Todas

Ricardo Azevedo

Alpha.Co Ltda

2007

Todas

Os País do Carnaval Elétrico

Fred Góes

Corrupio

1982

Todas

04

Um Povo a Mais de Mil. Os frenéticos carnavais de baianos e caetanos

Rogério Menezes

SCRITTA Editorial

1994

Todas

05

O Negro e a construção do carnaval no Nordeste

Luiz Sávio de Almeida (Org.) Otávio Cabral e Zezito Araújo

Ed. UFAL

2003

Todas

06

EVOÉ – História do Carnaval das tradições mitológicas ao trio elétrico

Cláudia Lima

Editora Raízes Brasileiras

2001

Todas

Livro

Autor

Editora

01

A Trama dos Tambores – A Música Afro-Pop de Salvador

Goli Guerreiro

02

Axé-music O verso e o reverso da música que conquistou o planeta

03

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FICHA TÉCNICA Enredo

Zahar

Ano da Edição 2008

Páginas Consultadas Todas

Ivete Sangalo e Jorge Velloso

Agir

2014

Todas

O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro

Felipe Ferreira

Ediouro

2004

Todas

10

Abecê do Folclore

Rossini Tavares de Lima

Martins Fontes

2003

Todas

11

Folclore Brasileiro

Nilza B. Megale

Ed. Vozes

1999

Todas

12

Carrancas de São Francisco

Paulo Pardal

Martins Fontes

2006

Todas

13

Registros de Cultura Popular do Vale de São Francisco

Genivaldo do Nascimento (org.)

Ed. e Riográfica Franciscana

2007

Todas

14

Folclore do Brasil

Luís da Câmara Cascudo

Global Editora

2012

Todas

15

Mitologia dos Orixás

Reginaldo Prandi

Companhia das Letras

2001

Todas

16

Brasil Histórias, costumes e Lendas

Alceu Maynard Araújo

Editora Três

N/D

Todas

17

As Donas do Canto O sucesso das estrelas intérpretes do carnaval de Salvador

Marilda Santanna

EDUFBA

2009

Todas

18

Os Brasileiros

Joaquim Ribeiro

Pallas S.A./MEC

1977

Todas

Livro

Autor

Editora

07

Almanaque do Carnaval

André Diniz

08

Ivete Sangalo, Pura Paixão Minhas histórias, dicas, rotinas e inspirações

09

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FICHA TÉCNICA Enredo Outras informações julgadas necessárias Páginas e sites consultados para pesquisa: http://dicionariompb.com.br/ivete-sangalo/biografia http://dicionariompb.com.br/banda-eva/dados-artisticos http://dicionariompb.com.br/margareth-menezes/biografia http://dicionariompb.com.br/daniela-mercury/biografia http://dicionariompb.com.br/bloco-afro-ile-aiye/dados-artisticos http://dicionariompb.com.br/bloco-afro-olodum http://dicionariompb.com.br/timbalada/dados-artisticos http://www.ivetesangalo.com/biografia/ http://sertaodesencantado.blogspot.com.br/2014/03/mitos-e-lendas-do-rio-sao-francisco.html http://static.scielo.org/scielobooks/wnm5w/pdf/moura-9788523212094.pdf O Oriente é aqui - O Cortejo de referencias fantásticas de outros mundos no Carnaval de Salvador in “A Larga Barra da Baía”. http://www.scielo.br/pdf/pm/n22/n22a17.pdf - A. Castro, Axé Music Mitos Gestão e World Music http://www.revista.art.br/site-numero-15/05.pdf - M.Cunha Oliveira & M.Fatima hanaque Campos - Axé Music em Salvador (BA): Conceitos, identidade e Mercado. http://www.faculdadescearenses.edu.br/biblioteca/.../143-paulo-leandro-ferreira-de-sousa Os Marketings: Pessoal e de relacionamento e a comunicação publicitaria, como estratégias para a construção da imagem da carreira artística de Ivete Sangalo

DISCOGRAFIA E PRINCIPAIS TURNÊS DE IVETE SANGALO 1. IVETE SANGALO NA BANDA EVA BANDA EVA (1993) PRA ABALAR (1994) HORA H (1995) BELEZA RARA (1996) BANDA EVA AO VIVO (1997) EVA, VOCE E EU (1998)

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FICHA TÉCNICA Enredo Outras informações julgadas necessárias 2. CARREIRA SOLO IVETE SANGALO (1999) BEAT BELEZA (2000) FESTA 92001) SE EU NAÃO TE AMASSE TANTO ASSIM (2002) CLUBE CARNAVALESCO INOCENTE EM PROGRESSO (2003) MTV AO VIVO – 10 ANOS (2004) AS SUPERNOVAS (2005) MULTISHOW AO VIVO NO MARACANÃ (2007) A CASA AMARELA (2008) CD/DVD MULTISHOW - PODE ENTRAR MULTISHOW AO VIVO – IVETE SANGALO NO MADISON SQUARE GARDEN (2010) BALADAS DA IVETE (2012) CD/DVD ESPECIAL IVETE, GIL E CAETANO (2012). IVETE – REAL FANTASIA (2012) MULTISHOW AO VIVO – IVETE SANGALO 20 ANOS (2014) VIVA TIM MAIA! (2015) ACUSTICO EM TRANCOSO (2016) 3. COLETÂNEAS A ARTE DE IVETE SANGALO (2005) NOVO MILLENIUM – IVETE SANAGALO (2005) O MELHOR DE IVETE SANGALO (2006) PERFIL: IVETE SANGALO (2008) SEM LIMITES (2008) DUETOS (2010) AS NOSSAS CANÇÕES (2013) 4. TURNÊS Turnê Canibal (1999–01) Turnê Beat Beleza (2001–02) Turnê Festa (2002–03) Turnê Píer Bahia (2003–04) Turnê MTV Ao Vivo (2004–06) Live! Tour (2006) Turnê D'As Super Novas (2006–07) Turnê Maracanã (2007–09) Turnê Dalila (2009–11) Madison Tour (2011–12) Turnê Real Fantasia (2012–14) IS20 Tour (2014–16) Turnê Acústico (2016–presente) Turnê Viva Tim Maia (com Criolo) (2015) Turnê M.A.I.S. (2010) Ivete Canta (2012–16) Ivete Intimista (2013–15)

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FICHA TÉCNICA Enredo Outras informações julgadas necessárias Sobre Fabio Ricardo Até conquistar o respeito por sua atuação como carnavalesco do Grupo Especial, Fabio Ricardo, de 42 anos, (conhecido no jeito do samba como “Fabinho”) tem sua trajetória marcada por anos de experiência junto a grandes mestres da criação de desfiles das escolas de samba. Esta experiência lhe rendeu vários prêmios entre eles o de Melhor Carnavalesco (Revista Veja/2015), e pode ser creditada ao seu trabalho como assistente de carnavalescos no período de 1995 a 1998 como Joãozinho Trinta e Max Lopes. Com mais de uma década de intenso trabalho nos bastidores, cursando Artes Cênicas na Escola de Belas Artes da UFRJ, Fabio Ricardo em 2008 assinou seu primeiro desfile em carreira solo, no GRES. Acadêmicos da Rocinha, sendo então apontado como uma das novas revelações do cenário da folia carioca. Dali em diante sua trajetória foi marcada por diversos convites e desfiles de notável qualidade artística. Em 2011, Fabio Ricardo foi contratado pela GRES. São Clemente, no momento em que esta retornava ao primeiro grupo. Após três bem-sucedidos carnavais, foi contratado pela GRES Acadêmicos do Grande Rio, tendo sido apontado pela carnavalesca Rosa Magalhães em entrevista para Revista Veja Rio 20 anos como seu sucessor no carnaval. Fabio Ricardo em 2017, completa seu quarto carnaval na Acadêmicos do Grande Rio, trazendo a eletrizante estrela do carnaval baiano Ivete Sangalo, para conduzir pela avenida um encantador banho de axé, na expectativa de conquistar o primeiro título de campeã do Grupo Especial para Caxias e sua gente de fé.

Sobre Helenise Guimarães Professora da Escola de Belas Artes da UFRJ, pesquisadora de carnaval e cultura popular, é doutora em Artes Visuais e tem experiência com o campo do carnaval de escolas de samba desde 1987 quando teve sua primeira experiência no barracão da GRES Paraiso do Tuiuti. Em 1989 assinou o carnaval da GRES Unidos de Vila de Santa Tereza e daí mergulhou no campo da pesquisa, trabalhando também na introdução de alunos da EBA/UFRJ no campo profissional dos barracões, com três convênios realizados entre a EBA e a Liga Independente das Escolas de Samba - LIESA. Autora de artigos sobre festas urbanas e cultura popular, lançou em 2015 o livro “Batalha das Ornamentações: A Escola de Belas Artes e o Carnaval Carioca”, onde descreve oitenta anos de decorações carnavalescas do Rio de Janeiro. Em 2016 foi convidada por Fabio Ricardo para ser historiadora para a GRES Acadêmicos do Grande Rio, com o enredo “Ivete do rio ao Rio!”, para o qual desenvolveu a pesquisa baseada em entrevista com Ivete Sangalo e na bibliografia sobre os diversos elementos construtores da narrativa do desfile. Com Fabio Ricardo concebeu o roteiro do desfile, a sinopse e os textos descritivos de fantasias e alegorias.

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HISTÓRICO DO ENREDO O Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio em 2017 traz para a Marques de Sapucaí um enredo que tem por objetivo somar dois carnavais espetaculares: o carnaval baiano e o carnaval carioca, homenageando uma das grandes estrelas da música popular brasileira: Ivete Sangalo. Aclamada como uma das rainhas do axémusic, um dos ícones da cena musical brasileira e com uma trajetória de sucessos ininterruptos, tem sua vida aqui retratada servindo de fio condutor para nossas histórias. Assim como Ivete, a Grande Rio vem transbordando de energia, cultura e arte, e é Ivete quem faz a seguir a narrativa na sinopse do enredo...

SINOPSE DO ENREDO Meu nome é Ivete Sangalo, e em 2016 tive a honra de ser escolhida para enredo da Acadêmicos do Grande Rio, e é para vocês que eu conto a minha história, feita de amor e muita paixão... Eu nasci em Juazeiro na minha amada Bahia, e guardo na memória o chão rachado da caatinga, a poeira das estradas, o imenso Rio São Francisco, cheio de carrancas coloridas protetoras de seus pescadores. Desde pequena ouvi contarem a lenda da Serpente dos Olhos de Fogo que dizia: (...) Havia uma bela menina, que foi se admirar no espelho d’agua do rio São Francisco e surpreendida com sua beleza, esqueceu-se da hora da avemaria, e por isso foi transformada numa enorme serpente que mergulhou e foi se esconder na Ilha do Fogo. Esta serpente assusta pescadores, navegantes e lavadeiras, mas Nossa Senhora das Grotas amarrou a serpente em seu ninho com três fios de seus cabelos. Dois fios já se partiram criando inundações terríveis, e se o ultimo fio romper, inundará de vez a região de Juazeiro e Petrolina. Em meus sonhos, nossa Senhora colocou este último fio em minha mão para dominar a serpente e o mundo com meu canto e minha energia! O povo deste lugar reza muito em romarias, enfeita as barcas com carrancas para proteger pescadores e navegantes, e segurando este fio eu e a Grande Rio contaremos uma bela história, de festas, carnavais e das minhas muitas viagens pelo mundo. Lembro-me de meus pais como um casal apaixonado, ele caixeiro viajante, de origem espanhola, trazendo da Espanha belos violões cheios de fitas. Minha mãe era pernambucana, dona de uma voz afinada, do gingado do frevo e da paixão pela vida. Eles reuniam os filhos e amigos para saraus musicais. Nas festas de São João dancei quadrilha... E nos carnavais 64

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pulei na folia de clubes e blocos de caretas. Juazeiro me fez sertaneja de coração, e essa infância musical e festeira, junto com o amor de meus pais, guardo até hoje na memória. Guardei na memória o chão seco de Juazeiro, mas também as estrelas do céu azul que me acompanharam até Salvador, para onde me mudei para continuar meus estudos. Lembro bem do trio elétrico de Moraes Moreira, escutando “Pombo Correio” ao som daquela guitarra estridente... E fiquei sabendo que a “Fóbica” de Dodô e Osmar já arrastava o povo fazia tempo! Então me deixei levar pelo mar de ritmos, batuques dos blocos, bandas e trios elétricos, pois Salvador era um universo mágico, um caleidoscópio musical! As ruas de Salvador, na folia, tinham de tudo, a tradição dos blocos de índios, como o “Apaches do Tororó”. Os blocos de raízes africanas como o “Ilê Aiyê”, o “Olodum”, e o Afoxé Filhos de Gandhy com sua mensagem de paz. A cidade se vestia de cores e o ar se enchia com o som dos tambores, os mistérios dos orixás embalando os foliões, assim era a Bahia de Todos os Santos... Aquela cidade de lindas praias e ladeiras inclinadas, de gente tão bonita, me seduziu. E a majestosa Igreja do Senhor do Bonfim, a capoeira, o samba de roda, as baianas de acarajés, e tantas belezas amarradinhas nas fitas do Bonfim, abençoadas pela Mãe Preta, símbolo de amor e ternura maternal... Mergulhei inteira na folia baiana! Precisando ganhar dinheiro e ajudar a família, fui cantar com meu violão em barzinhos, no momento em que se difundia o fenômeno do axemusic. Todos cantavam “Fricote”, conhecida como “Nega do Cabelo Duro” de Luiz Caldas e também a música “Faraó” com Margareth Menezes, sucesso do grupo Olodum que falava de raízes negras e egípcias. E o axemusic tornou-se sucesso nacional com “Canto da Cidade” e sua rainha Daniela Mercury. Foi neste furacão musical que encarei a Micareta do Morro do Chapéu, no meu primeiro trio elétrico! Então fui convidada para ser cantora da Banda Eva no carnaval de Salvador, mergulhando no mar de sonoridades e ritmos que já conhecia, e encontrei a Timbalada, me embalando ao som daqueles tambores e timbaus melodiosos... O axemusic com o som das guitarras elétricas, berimbaus, agogôs e tambores já ecoava por todo Brasil! E decolamos com sucessos que até hoje estão aí na memória nacional e que revelavam um lado bem romântico, mas também a energia que levava nosso trio elétrico pelas ruas de Salvador... “Carro Velho” para brincar, “Flores” para todos encantar num voo cheio de emoção. A nave da pequena Eva cruzou os céus do Brasil levando o ritmo do axé music “além do infinito”, consolidando-se como um gênero musical poderoso. Na virada do milênio mais uma vez o destino me desafiava e da astronave reluzente pulei para pilotar minha carreira solo! Foi numa quarta-feira de cinzas que me desliguei da Banda Eva, em 1999, para emplacar sucessos como “Canibal” e ampliar meu repertório. O suingue da minha voz permitia me movimentar por vários gêneros, contando com parceiros musicais que até hoje são grandes 65

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amigos e companheiros de estrada! Em 2002 a música “Festa” seria um de meus maiores sucessos, e “misturando o mundo inteiro”, trazendo o povo do gueto, tornei-me uma estrela nacional. Iniciando mais um “Tempo de alegria”, comemorei meus dez anos vestindo imagens de mulheres poderosas como Carmem Miranda, cantando “Chica Chica Boom Chic” e fui buscar a mítica “Dalila” com seus véus de pura sensualidade, na magia luminosa de meus shows. E para divulgar nossa cultura, participei de grandes espetáculos internacionais reunindo multidões. E eu me revelei em novos papéis, ampliei meus horizontes atuando em filmes, novelas e programas de TV, sem abandonar meu universo musical e a energia do meu carnaval. Já são mais de 20 anos de estrada... Foi então que a Escola de samba Acadêmicos do Grande Rio me chamou! Reencontrei o Rio de Janeiro e suas belezas naturais e seguindo para a baixada fluminense, Caxias se tornou minha “Real Fantasia”! Aqui encontrei o forró da feira de nordestinos desta cidade, tão cheia de ritmos quentes... ...E juntos levaremos para a avenida os segredos da folia das culturas! Seduzida pelo calor desse povo cantei “Muito Obrigado Axé” saudando em terras cariocas a força dos orixás de minha Bahia tão amada! Encontrando o último trio elétrico encantado, senti que a “Sorte Grande” havia chegado! O amor que sinto pela música e que nunca me deixou, é o amor de meus fãs, meus querubins e foliões pipocas, que se misturam a esta multidão alucinada nas arquibancadas, celebrando a união feliz de dois universos musicais – no gingado do malandro carioca e no ritmo sensual baiano - sob os olhos da serpente que se transformou no símbolo do infinito, inundando a avenida de alegria e levantando a poeira de estrelas! Tudo isso é... ...Ivete do rio ao Rio!

Fabio Ricardo e Helenise Guimarães

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO O Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio em sua trajetória vem optando por enaltecer a cultura brasileira com enredos que revelam a pluralidade e a riqueza de nossas manifestações culturais. A escolha da homenagem à cantora Ivete Sangalo tem como objetivo não só contar a trajetória desta artista de reconhecido valor no cenário musical brasileiro, mas também através de suas estórias, memorias e viagens, trazer para a avenida, do rio São Francisco ao Rio de Janeiro, retratos de culturas regionais, com algumas de suas tradições, festas e folias. Desta forma construímos uma narrativa não só com dados biográficos e históricos, mas buscamos pontuar sua trajetória com elementos que constituem o seu universo afetivo, cultural e profissional. Ivete Sangalo nos concedeu uma longa e emocionada entrevista, contando de sua infância em Juazeiro da Bahia, a intensa relação com seus pais e irmãos, o mergulho em um mundo musical que vem de berço e moldou sua personalidade cheia de afetos, paixões, saudades e uma inegável fé no destino que a impulsionou sempre adiante. Sua mudança para Salvador nos revelou uma cidade frenética e sensual, embalada na forte onda gerada pelo axé-music e nos carnavais onde hoje ela reina em cima dos trios elétricos, percorrendo o circuito Barra Ondinas outros circuitos que organizam o carnaval baiano. Foi enriquecedor escuta-la para compreender seu voo solo, suas múltiplas faces que se alternaram nos palcos por onde passou, dos grandes shows internacionais aos programas de televisão e sua identificação com seu público. Dona de vitoriosas vendagens, inúmeras premiações e músicas de grande sucesso, Ivete Sangalo trouxe a sua “festa” para o Rio de Janeiro, abraçada pelo povo do gueto e pelo coração amoroso da comunidade de Caxias. Tendo Ivete Sangalo como a condutora de nossas estórias, seguramos juntos o fio mágico em suas mãos, nos permitindo o grande sonho de estar aqui, neste momento trazendo nosso “banho de axé”! DESENVOLVIMENTO DO ENREDO Olhos de fogo da Serpente encantada... Nosso enredo começa atendendo a um pedido da Ivete... Que revelássemos suas origens na cidade de Juazeiro da Bahia, assim chamada pela árvore do juá ou juazeiro, típica da região do Vale do São Francisco, extremo norte do estado da Bahia. Juazeiro é também conhecida como “terra das carrancas”, esculturas em forma de animais que adornam as embarcações para proteger os navegantes. Das muitas lendas pesquisadas, sobressaem-se a Mãe d’Agua e o Negro d’Agua, ambos os seres míticos do rio. É este rio que traz a alma do sertão, que liga as caatingas nordestinas as chapadas do planalto central, o majestoso Rio São Francisco. 67

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Porém a lenda mais impactante versa sobre a estória de uma menina de rara beleza que ao se mirar nas águas do Velho Chico, fascinada com seu reflexo, esqueceu-se da hora do ângelus e de sua família, e como castigo foi transformada numa enorme serpente de olhos de fogo, que mergulhou para se esconder numa ilha situada entre Juazeiro e sua vizinha Petrolina – a Ilha do Fogo. Conta ainda a lenda que Nossa Senhora da Grota teria amarrado a serpente com três fios invisíveis de seus cabelos, protegendo assim as duas cidades. E é com este cenário que iniciamos nossa narrativa, a terra seca do solo rachado margeando um rio cheio de carrancas e peixes, lendas, mistérios e a profunda religiosidade da devoção a Nossa Senhora das Grotas. Dois fios já teriam se partido, porém o terceiro fio simbolicamente é a história de Ivete Sangalo, e será o fio condutor de nosso desfile. Nossa Serpente foi transformada pela magia carnavalesca e se multiplica com várias cabeças em plena avenida, ganhando vida e energia para encantar a todos, vigiada serenamente por Nossa Senhora e o Divino Menino que abençoam nosso desfile. Menina Baiana do Juazeiro saudade mandou um cheiro... Na cidade de Juazeiro da Bahia, em 27 de maio de 1972 nascia Ivete Maria Dias de Sangalo, no seio de uma família que respirava música. Desde cedo seu pai a colocava para tocar violão e cantar com a mãe, numa comunhão que reunia em nos saraus os seis filhos do casal, os amigos e viajantes que em sua casa paravam para dois dedos de prosa. O pai de origem espanhola era comerciante, designer de joias e caixeiro viajante, “Seu” Alsus Ameida de Sangalo viajava vendendo suas criações e sempre retornava cheio de histórias e músicas. Da Espanha trouxe para casa belos violões afinados, roupas enfeitadas e coloridas, o calor e a dança espanhola e dele a adolescente Ivete ganhou seu primeiro violão despertando a paixão pela música. A mãe, pernambucana, é uma figura forte e amorosa, Dona Maria Ivete Dias deu a sua herdeira seu canto e proteção. E com a mãe veio também o frevo, o gosto pelos carnavais de rua e de clubes, a beleza luminosa e o amor pela família. Em Juazeiro da Bahia, as margens do Rio São Francisco viveu sua infância, com as lendas e o colorido da cultura sertaneja, os vaqueiros, os sanfoneiros das festas de São João onde dançou quadrilha, dos bailes de carnaval e blocos de caretas. Desta Juazeiro Ivete guardou a lembrança da terra rachada, seca e poeirenta, o olhar se perdendo no horizonte da caatinga, que a fez sertaneja de corpo e alma. E lá vou eu pé na estrada... O enredo prossegue contando a viagem de Ivete para Salvador com sua família, já adolescente, carregando seu violão e buscando trabalho. É neste momento que descobre a cultura baiana de uma cidade cheia de ritmos, cores e festas.

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A cidade de São Salvador, capital do estado da Bahia foi fundada em 1549, tendo sido a primeira capital colonial do Brasil e uma das mais antigas cidades da América. Famosa pela diversidade cultural, que mescla elementos de cultura africana, europeia e indígena. Célebre por sua arquitetura, gastronomia, música, dança e outras representações culturais, é rica de elementos simbólicos e religiosos africanos, mas também tem uma tradição católica historicamente reconhecida, sobretudo por suas belíssimas igrejas. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna o centro da cultura afro-brasileira. Este mergulho no universo cultural de Salvador serviu para a construção do setor referente ao carnaval da cidade. Sem priorizar cronologias ou datas especificas optamos por escolher aqueles que melhor construíssem nossa narrativa na sequência das alas, e com os quais Ivete Sangalo teve contato e retratou em algumas canções. Em seu primeiro carnaval Ivete encontra a efervescência do trio elétrico de Dodô e Osmar criado nos anos de 1950, e naqueles anos de 1990 a guitarra estridente ecoava vibrando novas sonoridades como a música Pombo Correio pelas ruas da cidade. A cidade oferecia um universo rico de ritmos, aqui representados por alguns dos mais importantes representantes da folia de salvador: os blocos do Afoxé Filhos de Gandhy, criado em 1949, os Apaches do Tororo (um dos mais conhecidos blocos de índios de Salvador), o bloco do Olodum (criado em 1979) e o bloco do Ilê Aiyê (criado em 1974). Segundo a tradição oral em Salvador, os primeiros blocos afros começaram a sair no início do século XX, não como blocos e sim como expressão religiosa dos terreiros de candomblés. Autorizados pelos Babalorixás e Yalorixás da época, os cortejos eram perseguidos pela polícia. Somente em 1949, com a fundação do bloco Filhos de Gandhi, pelos trabalhadores das docas do porto de Salvador, a pressão católica e policial foi amenizada, possibilitando, mais tarde, a fundação de novos blocos afros, entre os quais destacamos Ilê Aiyê, Badauê, Malê-Debalê, Olodum, Ara Ketu, Olori, Muzenza e Afreketê (1986). Historicamente, os blocos afro podem ser considerados a forma mais visível de expressão e mobilização afrobaiana, identificados como unidades culturais em defesa do negro e de sua cultura, onde as questões étnicas são evidenciadas, buscando a valorização do negro em termos estético e culturais. As tradições de Salvador também se revelam nas igrejas barrocas sincretizadas com a energia dos orixás da Bahia. Trazemos também elementos típicos como o casario das ruas, as igrejas, as fitas do senhor do Bonfim, os jogos de capoeira e as baianas dos tabuleiros de quitutes, mães de santo, eternas mães amorosas com seus filhos no colo. Sobre a paisagem urbana, imagens simbólicas do povo contemplam a alegria do carnaval, na forma de cabeças coloridas com elementos gráficos que encontramos tanto nas mortalhas e abadás quanto no desenho das cabaças dos berimbaus.

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Ivete Sangalo aos dezesseis anos explorava possibilidades como o curso de secretariado e a carreira de modelo, e é levada por sua irmã para o Bar Belisca, para cantar com seu violão nas noites quentes da cidade. Logo vem a primeira Micareta no Morro do Chapéu e o seu primeiro trio elétrico. Nessa época tem sua primeira vitória, o Troféu Caymmi, como cantora revelação, e numa de suas apresentações é convidada pelos integrantes de um grupo que, encantados com sua performance musical, fazem o convite que a torna vocalista da Banda EVA em 1992. Com a Eva encantei toda cidade, no trio arrastei as multidões... No início dos anos de 1990 afirmava-se um gênero musical nascido em Salvador ao final dos anos de 1980, que logo varreria o país de norte a sul - o axé music. Reconhecido como fenômeno da cultura de massa, que em 2015 completou 30 anos, segundo especialistas é fruto do encontro da música dos blocos de trio com a música dos bloco afro, ou seja, o encontro entre o “frevo baiano” e o “samba reggae”. É esta pluralidade que o torna um campo de possibilidades musicais bastante populares, representando o encontro de sonoridades percussivas e harmônicas. Salvador estava embalada pela música de Daniela Mercury, o “Canto da Cidade”, pelo sucesso de “Faraó”, de Margareth Menezes que glorificava raízes egípcias e negras, e pela frenética “Fricote”, ou como era conhecida, “Nega do Cabelo duro” de Luiz Caldas reconhecida desde 1985 como a primeira música a legitimar o axé music. Nesta ebulição de ritmos, Salvador conhece também a força da Timbalada de Carlinhos Brown e o crescimento das bandas de axé-music, logo transformadas em sucesso do show biz. E é pelo encontro entre guitarras elétricas e timbaus, cordas e percussão que Ivete Sangalo será arrebatada, para logo seduzir multidões. Os novos ritmos, sob a égide do axé-music, confirmam a pluralidade musical baiana, e é nesse embalo que a Banda Eva receberá sua nova cantora. Com a Banda Eva e sua astronave, rumo ao infinito Ivete transforma em uma das estrelas do axé-music, ganhando nos carnavais de Salvador um público fiel e apaixonado. Nos palcos do mundo, o estrelado a consagração... Em 1999 Ivete se despede da Banda Eva para investir em sua carreira solo, e o seu desafio é gerenciar a bem-sucedida imagem de rainha do axé-music transformando-se em estrela do show business nacional. No cenário da música popular brasileira, destaca-se a sua versatilidade e domínio de palco, como se comprova em 2002 com o sucesso de Festa, adotado como hino da seleção brasileira, pentacampeã na Copa do Mundo, mas também com sucessos como “Canibal”, música que marcou seu primeiro CD. Nos palcos do mundo, onde sua carreira alcança níveis de excelente qualidade musical e presença cênica, realiza shows como o do Madson Square Garden onde se apresenta com diversas fantasias como a de Carmem Miranda cantando “Chica Chica Boom Chic” e “Dalila”, com a sensualidade do oriente a flor da pele. Suas turnês internacionais sempre com grandes públicos, a levam para vários países tais como Estados Unidos, Canadá, Japão, 70

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Suiça Alemanha, França, Suécia, Reino Unido, Portugal (Rock in Rio – Lisboa) Espanha (Rock in rio – Madri), Uruguai, Angola e Itália. Suas experiências profissionais neste período a levam para atuar em filmes e novelas, como Gabriela no papel de Maria Machadão (2012), e em programas de televisão. É no gigantesco palco do mundo que multiplicamos as referências visuais tanto aos shows em Nova Iorque, quanto ao cenário do programa “The Voice Kids”, com suas cadeiras ocupadas por alegres covers que personificam a alegria e magia da televisão. Comunidade, povo do gueto eu sou, Caxias me abraçou! Finalmente chegamos ao Rio de Janeiro, com suas praias coloridas e seu magnifico carnaval, onde acontece o maior espetáculo da terra na Passarela do Samba – a Avenida Marques de Sapucaí. Abraçada pela Acadêmicos do Grande Rio, Ivete Sangalo liberta nossa “Real Fantasia”, onde fazemos referencias a personagens da folia como o pierrô, o rei e os diabinhos. Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense com grande tradição nordestina acolhe Ivete em sua feira nordestina de domingo com os vendedores de comidas típicas do sertão e os forrozeiros com suas danças arretadas, reatando assim seus laços sertanejos da distante Juazeiro da Bahia. Aproximando-se o final de nossa viagem e do desfile, apresentamos nosso “Muito Obrigado, Axé”, demonstrando nossa fé e gratidão por este espetáculo que colocará Ivete Sangalo no multicolorido trio elétrico da Grande Rio cujo nome “Sorte Grande” faz menção a um de seus maiores sucessos, mas também é a sorte que desejamos espalhar na avenida, oferecendo um belo espetáculo. Neste gigantesco Trio Elétrico decorado com máscaras carnavalescas, berimbaus e cds em movimento, retomamos os palcos mais celebrados de Ivete Sangalo, que comanda na folia baiana o Bloco Coruja desde 2002, nos circuitos Dodô Barra/Ondina e Campo Grande. Também relembramos o Bloco Cerveja & Cia, comandado por ela desde 2000, e um dos mais tradicionais blocos de trio alternativos, desfilando desde 1989 no circuito Dodô Barra/Ondina. Ao ser transportada para a Marques de Sapucaí, Ivete Sangalo e sua gente de fé celebram com garra e alegria a união dos carnavais baiano e carioca. E tudo isso é Ivete do rio ao Rio!

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SINTESE DO ENREDO POR SETORES 1º SETOR - A LENDA DA SERPENTE DA ILHA DO FOGO O primeiro setor do desfile remete as águas do Rio São Francisco, borbulhantes e cheias de peixes, com carrancas que protegem os navegantes e a população ribeirinha. Neste setor iniciamos com a Mãe D’Agua e o Nego d’Água e também com o mistério da lenda da gigantesca Serpente Encantada, com seus olhos de fogo, sob a proteção de Nossa Senhora da Grota. 2º SETOR - MEMÓRIA DE MENINA – JUAZEIRO MEU AMOR! Este setor narra a infância e adolescência da menina baiana de Juazeiro, as memórias cheias de saudade de seu pai viajante e tocador de violão e sua mãe com seu fervilhante frevo e o gosto pela folia. Dos carnavais dos caretas e dos forrozeiros com quem dançou quadrilha e também dos vaqueiros, viajantes que traziam sempre novas lendas e histórias para contar. As paisagens da caatinga sertaneja, com seus enormes calangos, se revelam coloridas e vibrantes, com figuras típicas da Juazeiro. É no colorido carro puxado por estes animais da caatinga que vão os sonhos pela estrada, com artesanatos, cerâmicas e rendas típicas do nordeste, com bonecas, bois e pombinhas do divino espirito santo. 3º SETOR - AS MAGIAS DA FOLIA DE SALVADOR Neste setor, apresentamos o carnaval e a cultura baiana com os quais Ivete se deparou ao se mudar com a família para Salvador. Idealizamos uma síntese de algumas tradições da folia desta cidade, iniciando com a música do trio elétrico personificado pelo “Pombo Correio” e a guitarra elétrica que o consagrou. Blocos típicos como Afoxé Filhos de Gandhi, blocos tradicionais de índios, como os Apaches do Tororó, o bloco do Olodum e o bloco do Ilê Aiyê, abençoados por Mãe Preta, nossa ala de baianas que embala no colo seus filhos bem amados. É síntese da festa baiana em que trios e blocos sacodem ladeiras e praças, onde o povo vai buscar as bênçãos dos orixás e do Senhor do Bonfim, e onde Ivete descobre o poder da fé de santos e orixás e a africanidade deste carnaval. 4º SETOR - NAS ASAS DO AXÉ-MUSIC O 4º setor apresenta três importantes momentos do axé-music, com sucessos que marcaram sua trajetória tais como “Canto da Cidade” de Daniela Mercury, falando da baianidade, “Faraó” de Margareth Menezes que traz a glorificação das raízes negras e egípcias, a frenética “Fricote” de Luiz Caldas, mais conhecida como “Nega do Cabelo Duro”. Com Carlinhos Brown temos o impacto da Timbalada para representar nossa bateria, e é nesta multiplicidade de ritmos que a banda Eva receberá sua nova vocalista, Ivete Sangalo. Faremos referência, portanto a sucessos como “Carro Velho” e “Flores” que abrem caminho para a nave da “pequena Eva” que irá rumo ao infinito, revelando na avenida a trepidante celebração de ritmos e cores do axé-music.

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5º SETOR- MISTURANDO O MUNDO INTEIRO! O 5º setor celebra os palcos do mundo e a carreira solo de Ivete Sangalo, e aqui nos deteremos em alguns momentos de seus shows e de sua trajetória em outros universos da comunicação. Na virada do milênio Ivete abraça a carreira solo apresentando sucessos como “Festa” que abre o setor com a alegria do “povo do gueto”, e também com “Canibal”, em seu primeiro CD solo, apresentando a força de paixões presentes em muitas de suas músicas. Este setor traz alguns momentos marcantes, como a “Chica Chica Boom Chic” em que Ivete traria Carmem Miranda para o palco do Madson Square Garden, a magia do espetáculo e “Dalila”, com a sensualidade das dançarinas orientais. Nos palcos do mundo ela encontra parceiros musicais, mas é também neste palco que relembra suas atuações em outros campos como o programa de TV The Voice Kids. É neste caleidoscópio que se revela a sua versatilidade com artista. 6º SETOR - CAXIAS MINHA REAL FANTASIA! O 6º setor apresenta a chega ade Ivete ao calor do Rio de Janeiro e o primeiro impacto com as praias cariocas onde se revela sua “Real Fantasia” num carnaval de reis, diabinhos e pierrôs. E do Rio seguindo direto para a Baixada Fluminense encontra a tradicional feira nordestina de domingo, a feira de Caxias com seus vendedores de comidas e artesanatos, mas também o forró quente e alegre do nordeste reencontrado por Ivete. Agradecendo a todas estas viagens, que entrelaçam sua vida, a Bahia e o Rio de Janeiro, trazemos o “Muito Obrigado Axé”, o para então subir no nosso trio elétrico Caxiense, conectando-se aos seus famosos blocos de trio, o “Coruja” e o “Cerveja & Cia”.

Fabio Ricardo e Helenise Guimarães

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ROTEIRO DO DESFILE 1º SETOR A LENDA DA SERPENTE DA ILHA DO FOGO Comissão de Frente DO RIO AO RIO Tripé Comissão de Frente Destaque de Chão Suzana Vieira LUMINOSA MÃE D’AGUA Tripé 01 ENCANTAMENTOS DA MÃE D’ÁGUA Ala 01 – Comunidade CARRANCAS DO VELHO CHICO Grupo Performático (integrado no meio da Ala 01) NEGO D’ÁGUA 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Daniel Werneck e Verônica Lima CASAL DA ILHA DO FOGO GUARDIÕES DO FOGO Alegoria 01 A SERPENTE ENCANTADA E NOSSA SENHORA DA GROTA

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2º SETOR MEMÓRIA DE MENINA – JUAZEIRO MEU AMOR! Ala 02 – Velha Guarda SERTANEJOS FILHOS DA CAATINGA Ala 03 – Ala Carol Sampaio TOCA VIOLA MEU PAINHO! Ala 04 – Comunidade É FREVO MINHA MAINHA! Ala 05 – Comunidade CDARETAS DO JUAZEIRO Ala 06 – Comunidade SANFONEIROS DE SÃO JOÃO Ala 07 – Comunidade VAQUEIROS RETIRANTES Destaque de Chão Monique Alfredo ESTRELA DO JUAZEIRO Alegoria 02 JUAZEIRO DOS MEUS SONHOS 3º SETOR AS MAGIAS DA FOLIA DE SALVADOR Ala 08 – Comunidade POMBO CORREIO DO MEU CORAÇÃO Ala 09 – Compositores FORÇA DOS FILHOS DE GHANDY Ala 10 – Comunidade SOU GUERREIRO APACHE DO TORORÓ 75

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Ala 11 – Comunidade CORES E MAGIA DO OLODUM Ala 12 – Comunidade – Ala Bira Dance ENERGIA AFRICANA DO ILÊ AIYÊ Ala 13 – Baianas MÃE PRETA Destaque de Chão Tayla Ayala A CHAMA QUE ABRE OS CAMINHOS Alegoria 03 CIDADE DE SÃO SALVADOR, BAHIA DE TODOS OS DEUSES, CORES E SONS 4º SETOR NAS ASAS DO AXÉ-MUSIC Ala 14 – Ala Paulo 10 OS (EN)CANTOS DESSA CIDADE SOU EU! 2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Andrey Barreto e Jéssica Barreto REIS DO EGITO Destaque de Chão Luciana Gimenez ESTRELA DO RIO NILO Ala 15 – Comunidade DEUSES, DIVINDADES, CHEGOU FARAÓ! Rainha de Bateria Paloma Bernardi DEUSA DO TIMBAU

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Ala 16 – Bateria Invocada REIS DA TIMBALADA Ala 17 – Ala de Passistas FRICOTE DA NEGA DO CABELO DURO Ala 18 – Ala Amar É VEM ANDAR DE CARRO VELHO, AMOR! Ala 19 – Grupo Performático FLORES DO MEU BEM QUERER Grupo Performático – Comunidade (integrado no meio da Ala 19) BORBOLETAS Destaque de Chão Juliana Trevisol AVE DO PARAÍSO Alegoria 04 A ASTRONAVE RUMO AO INFINITO 5º SETOR MISTURANDO O MUNDO INTEIRO! Ala 20 – Ala Tuiuiú FESTA DO POVO DO GUETO Ala 21 – Comunidade O MEU AMOR É CANIBAL Destaque de Chão David Brasil (o destaque estará interagindo com o Tripé) Tripé 02 EU SOU CANIBAL!

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Destaque de Chão Tatiana Monteiro CARMEM MIRANDA TROPICALÍSSIMA Ala 22 – Comunidade CHICA CHICA BOOM CHIC Ala 23 – Ala Comigo Ninguém Pode CHEGOU A MAGIA DO SHOW! Ala 24 – Comunidade VAI BUSCAR DALILA! Destaque de Chão Renata Kuerten MAGIA DA PAIXÃO Alegoria 05 OS MUNDOS NO MEU PALCO 6º SETOR CAXIAS MINHA REAL FANTASIA! Ala 25 – Comunidade VOU TE LEVAR PARA O RIO! Ala 26 – Comunidade MINHA REAL FANTASIA 3º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Filipe Vianna e Taciana Couto ESTRELAS DO NORDESTE APAIXONADO Destaque de Chão Ana Paula Mizrahy AMOR À CAXIAS

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Ala 27 – Comunidade SOU DA FEIRA DE CAXIAS – NORDESTE SIM SENHOR! Ala 28 – Comunidade FORROZEIRO DA BAIXADA Ala 29 – Comunidade SENHOR DO BONFIM – MUITO OBRIGADO AXÉ! Destaque de Chão Mônica Carvalho NOIVINHA DO ARRAIÁ Alegoria 06 O TRIO ELÉTRICO DA SORTE GRANDE DE CAXIAS

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria *

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O que Representa

A Mãe D’Água é a rainha das aguas dos rios, uma bela Tripé 01 ENCANTAMENTOS DA MÃE mulher de longos cabelos e corpo que as vezes toma a forma de peixe ou mostro marinho, que encanta os D’ÁGUA remeiros, os barqueiros, canoeiros e pescadores. Toda população ribeirinha a ama e escuta seu canto de longe. Ela aparece para encantar os homens e leva-los para seus domínios, mas também ajuda as lavadeiras em suas tarefas, e ensina a elas os dons da beleza e da sensualidade. Os tripés representam uma destas imagens da Mãe d’Água no momento em que arrasta seu escolhido para seu reino no fundo do rio.

A SERPRENTE ENCANTADA E NOSSA SENHORESA DA GROTA

O Rio São Francisco é rico em lendas e mistérios, todos associados as populações ribeirinhas e aos navegantes. Só em Juazeiro da Bahia encontramos a Ilha do Fogo e sua Serpente. Contam os mais velhos que... (...)Morava na cidade uma família cuja filha mais nova era a mais bela das donzelas, e nem mesmo ela se dava conta de sua beleza rara que a todos encantava. Um dia, foi a menina passear na beira do rio e mirando-se no espelho das aguas ficou extasiada com o próprio rosto, tão cheia de orgulho que se esqueceu das horas, de sua casa, seus pais e irmãos e até da hora da Avemaria! Quando o sino na igrejinha deu sua última badalada para o ângelus a menina se transforma numa gigantesca serpente, contorcendo seu corpo brilhante de escamas e com olhos de fogo. Imediatamente a serpente se joga para o rio e vai se esconder na Ilha do Fogo que fica bem no meio do rio entre Juazeiro e Petrolina! Nossa Senhora das Grotas, padroeira da cidade, prende a serpente com três fios de seu cabelo. "Estes fios garantem a segurança das cidades, pois se arrebentarem tanto Juazeiro quanto Petrolina poderão ser inundadas”.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 01

A SERPRENTE ENCANTADA E NOSSA SENHORESA DA GROTA (Continuação)

O que Representa O abre-alas da Acadêmicos do Grande Rio reconstrói de maneira fantasiosa esta lenda, criando uma serpente de múltiplas cabeças e de movimentos sinuosos que em sua ira devorará aqueles que duvidam de sua lenda. Presa a Ilha do Fogo, a Serpente tem os seres do fogo a sua volta, e em seu dorso seres míticos que representam as chamas, os olhos da serpente, a hora do ângelus a magia do fogo e os fios de cabelo da santa. Nossa Senhora da Grota, trazendo o menino Jesus no colo, compõe a segunda parte da alegoria, personificando a proteção e a fé, velando pela cidade de Juazeiro e sua vizinha Petrolina. Descendo a escadaria vemos personagens da cultura local, lavadeiras, romeiros, vaqueiros, beatas, noivinhas, o padre e o sacristão todos buscando as bênçãos e agradecendo a proteção da santa.

Destaques do Carro: Semi-destaque: Chamas da Ilha do Fogo Destaque Lateral Baixo: Olhos da Serpente Destaque Central Baixo: Hora do Ângelus - Luana Pires Destaque Central Meio: Magia do Fogo – Bruna Dias Destaque Central Alto Fios do Cabelo de Nossa Senhora – Moana Pires Composições: Guardiões do Fogo Grupo Teatral 01: Romeiros / Padre e Sacristão Grupo Teatral 02: Lavadeiras e Beatas Grupo Teatral 03: Povo da Cidade / Vaqueiros

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 02

JUAZEIRO DOS MEUS SONHOS

O que Representa Juazeiro do Norte fica ao extremo norte do estado da Bahia, vizinha da cidade de Petrolina, estado de Pernambuco, e é banhado pelas aguas cristalinas do Rio São Francisco. Rica em tradições culturais conjuga elementos do nordeste com a cultura da caatinga, em que sobressai a produção de artesanato, criação do gado e personagens como o vaqueiro, o sertanejo e o cangaceiro. A alegoria da sequência a narrativa do enredo, em que Ivete segue para Salvador com seus sonhos e suas memorias de infância e adolescência. O carro de boi consolida estas imagens e numa visão fantástica, é puxado por gigantescos calangos, animais da região seca da caatinga. Compõem a decoração do carro figuras de artesanato, bonecas vasos e galinhas, carrancas, a Pomba do Divino Espirito Santo e rendas do Nordeste.

Destaques do carro: Destaque Alto Central: Estrelas do Céu de Juazeiro Enoch Destaque Meio Central: A Estrela Guia - Nathalia Knaack Destaque Lateral: Artesanatos Cerâmica Semi-destaque: Sertanejas Composição: Família Sangalo Composição: Flor de Mandacaru Composição Lateral: Artesões – Velha Guarda Composição Lateral: Artesãs – Velha Guarda

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 03

CIDADE DE SÃO SALVADOR, BAHIA DE TODOS OS DEUSES, CORES E SONS

O que Representa A cidade de São Salvador, capital do estado da Bahia foi fundada em 1549, tendo sido a primeira capital colonial do Brasil e uma das mais antigas cidades da América. Sua área metropolitana é a mais rica do nordeste do país, e é famosa pela diversidade cultural, que mescla elementos de cultura africana, europeia e indígena. Celebre por sua arquitetura, gastronomia, música, dança e outras representações culturais, são ricas em elementos simbólicos e religiosos africanos, mas também tem uma tradição católica historicamente reconhecida por suas belíssimas igrejas. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna centro difusor de cultura afro-brasileira. O sincretismo religioso aproxima o catolicismo das religiões afro-brasileiras, com elementos que também vão integrar as manifestações carnavalescas. O terceiro carro alegórico personifica a cidade de Salvador, para onde Ivete Sangalo se dirige com a família, nos anos de 1990 para continuar seus estudos e onde daria prosseguimento a sua vocação para o campo da música. O carro é composto, na parte dianteira e traseira de duas fachadas de igrejas, com a reconstituição de casarios nas laterais, tendo como referência a paisagem urbana do centro histórico, com suas luminárias e o colorido característico do Pelourinho. Também adornam estas igrejas imagens de orixás, numa referência a convivência das religiões afro-brasileiras com o catolicismo. Sobre o teto da alegoria grandes cabeças estão decoradas com elementos gráficos que podem ser encontrados nos tecidos das mortalhas, dos abadas e nas cabaças dos berimbaus, e celebram a massa humana que toma a cidade nos dias de folia. As grades laterais são adornadas com fitinhas de Senhor do Bonfim amarradas pelo povo que se encanta com a cidade, seus santos e seus ritmos. Os destaques e composições fazem referência a personagens típicos da cultura urbana baiana: capoeiristas, baianas, tocadores dos blocos, meninas brejeiras e na cultura religiosa afro representamos alguns Orixás. Compõem também artistas da música baiana.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 03

CIDADE DE SÃO SALVADOR, BAHIA DE TODOS OS DEUSES, CORES E SONS (Continuação)

O que Representa Destaques do Carro: Destaque Lateral Frente Direito: Rosa Azul de Yemanjá - Mariana Destaque Lateral Atrás Esquerdo: Doce Ilusão de Obá Alessandra Destaque Lateral Atrás Direito: Estrela da Paz de Nanã - Marianny Destaque Lateral Frente esquerdo: Beleza Rara de Oxum Tais Destaque Centro Alto: Luz do Fogo de Oyá Sonia Soares Semi-destaque: Olhar Brilhante de Olorum Composição: Moço Lindo da Capoeira Composição: Negra da Ladeira Composição: Baiana da Ladeira Composição: Moço Rico do Pelô Coluna Central: Ala Ilê Aiyê Destaque Central Baixo: Personagem Mercury, representada por Karina Soares. Composições a Frente: Família Sangalo

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Daniela

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 04 A ASTRONAVE RUMO AO INFINITO

O que Representa O movimento do axé music iniciou sua trajetória nos anos de 1980, misturando ritmos e atraindo diversos grupos e tendências musicais sob o mesmo rotulo. Mais do que um “gênero” musical, constituiu-se um fenômeno de mídia, legitimo representante do carnaval de Salvador, impulsionado pelos modelos de blocos de trio e pelo mercado crescente da música pop. Nos anos de 1990, sempre em alta velocidade, abrigou um grande número de bandas e artistas. Neste cenário surgiria a Banda Eva, que agregou vários interpretes até que em 1992 Ivete Sangalo é convidada para ser sua principal vocalista. A quarta alegoria inspira-se na música “Eva”, trazendo para a avenida uma grande astronave que segue rumo ao infinito, levando o amor a novas dimensões. Representando uma cabeça feminina com um capacete de astronauta, na viseira passa um clip com a letra da música. A decoração da alegoria remete a elementos gráficos da Timbalada. A nave também é decorada com efeito de luz que remetem ao ritmo frenético do axé music, ritmo que aqui é identificado pela sua velocidade e energia. Voar pelo universo é a metáfora do impulso da carreira de Ivete Sangalo, que nesta banda deu seus primeiros passos rumo ao sucesso. Destaques do Carro: Destaque Central Alto: Criador do Universo Infinito Danyllo Gayer Destaque Lateral Baixo: Energia Ultrassônica Semi-destaque: Tripulantes da Nave Casal Performático: A Criação Destaque Central Meio: EVA – Xuxa Meneghel Teatro Performático: Habitantes da Terra Destaque Lateral Esquerdo: Vitoria Marques Destaque Lateral Direito: Tatiana Labão

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria *

Tripé 02 EU SOU CANIBAL!

O que Representa Este Tripé representa uma grande imagem de um canibal africano, fazendo referência à música do mesmo nome, antecedendo a ala “O meu amor é Canibal”. Com elementos africanos, trará um destaque enquanto os elementos cenográficos do tripé se movimentam. Os intensos coloridos das máscaras e dos escudos fazem referência as cores quentes do carnaval baiano, mas também ao toque selvagem de seus tambores e timbaus, a essência da festa carnavalesca, sensual e devoradora. Destaque Principal David Brazil, interagindo com o Tripé e o chão da Marquês de Sapucaí.

05

OS MUNDOS NO MEU PALCO

Em 1999 Ivete Sangalo abraça a carreira solo, com uma trajetória de grandes sucessos como interprete de músicas dos mais variados ritmos. Na primeira década do século XXI ficará em evidencia seu talento para domínio de grandes palcos, enquanto que no carnaval continuará comandando blocos de trio elétrico no circuito Barra Ondina em Salvador. Ficarão celebres suas participações em mega shows como o Rock in Rio no Brasil e em Portugal, seus shows em Nova Iorque e os grandes espetáculos realizados em estádios como a Fonte Nova em Salvador e no Maracanã no Rio de Janeiro. Diversificando suas atividades, atuando em novelas, filmes e comandando programas de TV, além de ter sua imagem associada a uma infinidade de produtos comercializados graças a empatia com um público cada vez maior e fiel. A quinta alegoria personifica, na sua parte dianteira, um carro de luxo que simbolicamente levaria a turnê pelo mundo e um grande palco onde se apresentam os amigos da cantora. Nas laterais foram reproduzidas as cadeiras do show The Voice Kids, ocupadas aqui por covers, numa visão bem humorada do show business do qual Ivete é um dos expoentes. A escultura da cabeça da estátua da Liberdade com os traços de Ivete simboliza a sua internacionalização “Nos palcos do mundo”, como afirma o samba.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 05

OS MUNDOS NO MEU PALCO (Continuação)

O que Representa Destaques de Carro: Destaque Central Alto: Divina Carmem Elétrica – Kate Guetta Destaque Central Baixo: Senhora do Show Business Destaques Laterais: Feiticeiras do Pop Music Semi destaques: Arco-íris Musical Composição: Dançarinos do Show (Teatro)

06

O TRIO ELÉTRICO DA SORTE GRANDE DE CAXIAS

O trio elétrico é um elemento típico e tradicional do carnaval de Salvador, e sua origem vem de 1938, com a criação de Dodô e Osmar, que uniu o frevo pernambucano as guitarras elétricas (ou paus elétricos) em cima de uma fobica, um carro Ford Bigode colorido onde os cantores se apresentavam arrastando multidões. A evolução do formato chegou ao gigantesco caminhão em cima do qual se apresentam as bandas de axé music e também as bandas de trio, que circulam nos circuitos criados para a folia baiana. Em Salvador Ivete Sangalo se consagrou como estrela dos trios elétricos, onde se apresenta com os Blocos Demolidor, Cerveja & Cia e Coruja. A sexta alegoria personifica um trio elétrico estilizado, de grandes dimensões, em cores fortes, decorado com máscaras carnavalescas, berimbaus e CDs que giram multiplicados como as vendas de sucesso de Ivete Sangalo. Complementa o carro os destaques representando a união do carnaval baiano e carioca, e sobre o totem erguida a grande altura uma coroa, vem coroar a Estrela do Desfile.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Fábio Ricardo Nº Nome da Alegoria 06

O TRIO ELÉTRICO DA SORTE GRANDE DE CAXIAS (Continuação)

O que Representa Destaques do Carro: Destaque Central Meio: Explosão de Luz do trio – Ivete Sangalo e Família Destaque Central Baixo: Senhora da Alegria do Trio Elétrico - Tabata Oliveira Destaque Central Alto: Folia Encantada de Caxias Tainá Oliveira Destaque Lateral Direito/Esquerdo: Senhor da Energia do Trio Composição Unissex: Guardiões da Folia Elétrica Destaque Central Coroa: Simone Oliveira

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FICHA TÉCNICA Alegorias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Bruna Dias

Corretora de imóveis

Enoque

Funcionário da Secretaria Mun. do Maranhão

Sônia Soares

Empresária

Danyllo Gayer

Diretor Financeiro

Xuxa Meneguel

Apresentadora de TV

Kate Guetta

Promoter de Eventos

Simone Oliveira

Empresária

Local do Barracão Rua Rivadavia Corrêa, nº. 60 – Barracão nº. 04 – Gamboa – Rio de Janeiro – Cidade do Samba Diretor Responsável pelo Barracão Jeferson Carlos e Sílvio Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe João Fabinho Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Marina, Flavinho e França Leandro Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe Fuka e Rogério Paulo Ferraz Outros Profissionais e Respectivas Funções João Torres - Projetista Junior Batata - Figurinista Márcio, Monalisa, Márcio, Adriano, Thiago e Márcia - Aderecista de Alegorias Alan Carvalho, - Iluminação a LED Formigão - Placas Zeli e Rossi - Estruturas metálicas e Movimentos Nilson e Claudinho - Fibras Grazi - Empastelação Vitor - Vime Batista - Unidades Hidráulicas Vaninha, Adriana, Morisa e Diego - Almoxarifado Vaninha - Compradora Murilho - Brigada de Incêndio Ademir, Márcio e João - Portaria Val Fran, Emerson e Mineiro - Serviços Gerais Tatiane e Denise - Secretária Executiva 89

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Luminosa Mãe D’Agua

A Mãe D’Água é a rainha das aguas dos rios, uma bela mulher de cabelos louros e corpo perfeito que encanta os remeiros, os barqueiros, canoeiros, pescadores e toda população ribeirinha a ama e escuta seu canto de longe. Suas roupas são adornadas com pedrinhas brilhantes e espumas dos rios. Ela aparece para encantar os homens e leva-los para seus domínios, mas também ajuda as lavadeiras em suas tarefas, e ensina a elas os dons da beleza e da sensualidade.

Destaque de Chão Suzana Vieira

Direção de Carnaval

01

Carrancas do Velho Chico

Representa as águas do velho rio São Francisco com seus peixes e suas carrancas rodopiando nas correntezas. Rio que corta o sertão baiano é como uma longa estrada em movimento, com suas lendas e mistérios. A carranca é um monstro mítico que colocado na proa dos barcos protege os navegantes dos espíritos maus. Os peixes são a fartura das aguas borbulhantes e profundas.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala Nego d’Água

O grupo representa o monstro da lenda do Nego d’agua, ser que habita rios como Tocantins e São Francisco. Esconde-se nas águas para assustar os pescadores com suas gargalhadas e virando embarcações quando não lhe dão peixes ou fumo de rolo. Protetor do rio e de seus habitantes das águas, toma várias formas, as vezes como um gigante de um olho só e pés como nadadeiras, movimentando-se rapidamente nas aguas turbulentas, e se assusta com as carrancas colocadas nas proas dos barcos. Aqui ele surge como um ser de escamas brilhantes, grandes olhos com barbatanas, mãos de nadadeiras e longas pernas que o fazem movimentar-se rápido nas águas.

Grupo Performático

Direção de Carnaval

02 Sertanejos Filhos A ala da Velha guarda da Grande Rio vem com muita dignidade e alegria da Caatinga representar o sertanejo, com roupas coloridas e o chapéu típico do cangaceiro. O casal vem elegantemente trajado com estampas floridas, detalhes em couro, ela carregando uma delicada sombrinha que a protege do sol, ele carregando um chicote. O sertanejo é uma figura típica do nordeste, de origem mestiça entre brancos e índios, enfrenta a aridez dos sertões com coragem, mostrando a força e a poesia de um povo que resiste corajosamente a fome, a falta de agua e aos perigos da caatinga.

Velha Guarda (1988)

Direção de Carnaval

*

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 03

Toca Viola Meu Painho!

Personificando o pai de Ivete Sangalo a primeira viola que ele trouxe para ela de suas viagens a Espanha, remetem ao amor paterno, as roupas coloridas cheias de fitas e babados, típicas da região ibérica. Alguns elementos trazem esta cultura espanhola, como o chapéu, e as botas de bico fino, bem como as mangas bufantes e cheias de babados. Em sua mão o primeiro violão, aqui enfeitado de fitas, herança dada à menina em sua infância com a música e o ritmo das cordas.

Ala Carol Sampaio (2010)

Carol Sampaio

04

É Frevo Minha Mainha!

A fantasia faz referência a mãe de Ivete Sangalo, pernambucana que amava se mascarar no carnaval. O frevo surgiu no recife, como um ritmo carnavalesco nascido a partir das marchinhas de Carnaval, com influência da polca russa, de alguns passos de ballet clássico, e de outras danças afro-brasileiras populares, como o maxixe e a capoeira. Representa neste setor a influência deste ritmo herdado por Ivete em sua infância no gosto pelo carnaval. O nome “frevo” vem da palavra “ferver”, relacionada com a agitação desta dança que é composta de gingados e malabarismos. A indumentária colorida com fitas e berloques tem a típica sombrinha dos dançarinos.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 05

Caretas de Juazeiro

Esta ala traz um bloco tradicional que encontramos em várias cidades da Bahia, o bloco dos Caretas, que tem em comum o uso de mascaras ou “caretas”. Em Juazeiro este bloco faz uma festa em Itamotinga numa tradição que se repete em cidades do vale do São Francisco durante e fora do carnaval. E é neste carnaval colorido de Juazeiro que Ivete recorda as máscaras ou “caretas” usadas por sua mãe, aqui representado por quatro máscaras diferentes com a mesma fantasia colorida de retalhos de chitão.

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Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 06

Sanfoneiros de São João

Trazendo uma bela sanfona, também conhecida como acordeon, esta ala faz referência as festas juninas onde Ivete dançava forró em sua juventude, pulando fogueira e cantando com a família. A fantasia reúne o colorido das festas juninas, o azul simbolizando o céu nas bandeirinhas, o chapéu de cangaceiro e o acordeon, instrumento típico destas festas e dos tocadores de forró. Homenageamos assim não só as memorias festivas de Ivete mas também a tradição musical de sua região natal.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

07

Vaqueiros Retirantes

Fantasia estilizada que representa os vaqueiros nordestinos que acompanham o gado nas caatingas, mas também aqueles viajantes contadores de histórias que visitavam a casa de Ivete, trazendo as lendas e as novidades das estradas. O vaqueiro traz nas costas objetos de seu uso como canecas e esteiras e na mão uma vara com sua trouxa de roupas. Sua vestimenta tem o coletinho e calça imitando couro e na cabeça o chapéu de cangaceiro típico do Nordeste.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Estrela Azul do Juazeiro

Representando a estrela que ilumina os caminhos dos viajantes e carrega energias dos céus luminosos do sertão.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

08

Pombo Correio do Meu Coração

A fantasia faz referência a música “Pombo Correio” de Moraes Moreira e marca o primeiro encontro de Ivete com a cultura baiana, quando chegando a Salvador teria escutado esta música no trio elétrico de Dodô e Osmar no início dos anos de 1990. Simboliza a efervescência dos trios, as guitarras elétricas e também o canto do amor apaixonado. A indumentária enfatiza, com um toque de humor, o pombo, animal que representa o mensageiro do amor, meio carteiro, meio guitarrista, com as cores e estampas que caracterizaram o final dos anos de 1980. Destacamos a importância para a cultura baiana o trio elétrico, criado desde 1938, com a famosa “Fóbica”, tornando-se um dos elementos musicais importantes na folia baiana.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 09

Força dos Filhos de Gandhy

A ala dos compositores vem vestida como o bloco de Afoxé “Filhos de Gandhy”, simbolizando a energia da paz que a música é capaz de construir. Foi fundado em 18 de fevereiro de 1949 por um grupo de estivadores de Salvador, inicialmente como um cordão composto só de homens, transformase em 1951 em bloco de afoxé, pela introdução de cantigas afro e a orientação religiosa de candomblé. Sua trajetória passou por crises e expansões, chegando a ter 14 mil desfilantes em 1999, ano de seu cinquentenário. A fantasia inspira-se no traje tradicional de turbante e túnica, e traz também os colares azuis e brancos que são uma reverência aos orixás Oxalá e Ogum. Na túnica pombas brancas simbolizando a paz, bem como os adornos do turbante que representam a pureza. É importante na cena cultural de Salvador pela tradição de seus desfiles e por pregar a paz e a harmonia entre os cidadãos.

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Compositores (1988)

Direção do Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 10

Sou Guerreiro Apache do Tororó

Fundado em 28 de outubro de 1970 no Bairro do Tororó, compunha a tradição na folia baiana dos “blocos de índio”, oriundos das escolas de samba de Salvador, entre eles, Comanches, Tupi, Pena Branca, Pele Vermelha. Inspirado nos Apaches dos filmes de faroeste americano teve a grafia de seu nome alterada por Carlinhos Brown, nos anos de 1990. Ivete Sangalo fez para este bloco uma música de sucesso com a Banda EVA, “Tributo ao Apache”. A fantasia traz a referência a vestimenta dos índios apaches americanos, com gigantescos cocares de penas de águia, plumagens e franjas nas mangas e pernas das calças.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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Cores e Magia do Olodum

Esta fantasia homenageia o bloco Olodum, com suas cores e sua magia, referência em muitas das músicas cantadas por Ivete Sangalo. Fundado como bloco em 1979, transformou-se numa das mais tradicionais bandas afro carnavalescas de Salvador, sempre abordando a temática africana e da cultura brasileira em seus desfiles. No cenário cultural de Salvador o Olodum registra uma imagem forte, não só na folia, mas por defender direitos sociais e a luta contra o racismo. Caracteriza-se sonoramente por misturar ritmos como batuques africanos, reggae, samba e ritmos latinos.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 12 Energia Africana A fantasia faz uma homenagem ao bloco Ilê Aiyê, outra referência na do Ilê Aiyê cultura baiana e importante representante da folia de Salvador. Segundo bloco afro da Bahia significa, em dialeto afro, "O mundo" ou "A Terra da Vida" ou ainda "Festa do ano-novo", referência à festa profano-religiosa que os negros sudaneses realizavam na Bahia. Identificado com movimentos negros e suas origens ancestrais é dono de grande riqueza plástica e sonora. Também é cantado por Ivete em músicas como Adeus Bye Bye e Ilê Aiyê.

Comunidade – Bira Dance (1988)

Bira Dance

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Mãe Preta

A ala das baianas vem como “Mãe Preta”, fazendo referência a música “Festa” “Mãe Preta de lá mandou chamar, avisou, avisou, avisou, que vai rolar a festa...” e também personifica a maternidade, embalando a criança em seu colo, o amor de todas as mães, retratado aqui na pureza da vestimenta branca. Traz no ombro um adorno colorido de flores e folhas simbolizando as energias ancestrais da natureza.

Baianas (1988)

Marilene e Regina

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A Chama que Abre os Caminhos

Exu vem representado em sua forma feminina, com traços africanos na roupa, asas de fogo e tridente, seno o mensageiro que abre os caminhos que levam a cidade de Salvador.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 14

OS (En)Cantos dessa Cidade Sou Eu!

A fantasia traz como referência o casario das ruas de Salvador, a paisagem urbana sempre em movimento e em construção. São os encantos da cidade, e é também simbolicamente a afirmação da energia de suas cores e magias, relembrando a música que consagrou Daniela Mercury como Rainha do Axé Music, O “Canto da Cidade” em que a força da fé, o amor e o toque o afoxé são celebrados nas ruas de Salvador. Na fantasia elementos gráficos remetem a cor do casario e a geometrização das estamparias da folia baiana. Ao se movimentar na dança simbolicamente registram a paisagem sempre multicolorida e mutante da cidade.

Ala Paulo 10 (1989)

Paulo 10

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Estrela do Rio Nilo

Este destaque personifica a estrela que paira sobre o Nilo, iluminando o Egito com sua graça e sensualidade. De seu corpo e seus gestos emana a luz divina, energia protetora da natureza e tudo que nele habita.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 15

Deuses Divindades, Chegou Faraó!

Esta fantasia tem como referência a música “Faraó”, lançada por Djalma de Oliveira e gravada por Margareth Menezes, tendo sido um dos sucessos que tornaria o axé-music nacionalmente conhecido. A música Faraó, Divindade do Egito integrava o primeiro LP do Bloco Olodum (1987), “Egito Madagascar”, retratando na letra a cultura egípcia, sua energia e seus deuses, e fazendo também referência ao Olodum. “Eu Falei Faraó êeeee Faraó Eu Clamo Olodum Pelourinho êeeee Faraó É Pirâmide Da Paz e Do Egito êeeee Faraó É Eu Clamo Olodum Pelourinho êeeee Faraó”. Ela também representa mais um dos elementos de “africanidade”, tendo em vista que chama a atenção para as raízes africanas da musicalidade baiana. Para o axé music reforçou a importância do diálogo com o samba reggae, um dos muitos ritmos que o constituem ao final dos anos de 1980. A fantasia personifica as divindades egípcias, com seus símbolos tradicionais, como o olho de órus e as asas coloridas, além da coreografia para a qual o movimento das asas intensifica sua identidade.

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Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

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Deusa do Timbal A deusa do Timbal, instrumento tradicional da folia baiana e do Bloco Timbalada, representa a riqueza e energia da percussão no cenário musical baiano.

Reis da Timbalada

A Ala da Bateria celebra a Timbalada, banda criada no início dos anos de 1990 por Carlinhos Brown, alcançando grande sucesso em todo pais pela diversidade de ritmos como o axé, o reggae, funk, samba, forró, rock, merengue, carimbó e frevo, utilizando instrumentos como timbal, guitarra, surdo, 'cowbell´, trombone, marimba, flauta, saxofone, clarineta, triângulo, xequerê, bongô, trompete, ganzá e teclado, demonstrando claramente a sua pluralidade de influências e elementos musicais. A fantasia da Bateria encarna a eletricidade e luminosidade da Banda Timbalada, com seus desenhos gráficos e cocares de penas multicoloridos.

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Rainha da Bateria

Direção de Carnaval

Bateria (1988)

Mestre Thiago Diogo

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 17

Fricote da Nega do Cabelo Duro

A ala das passistas faz referência à música “Fricote” de Luiz Caldas, originalmente definido como o ritmo “deboche”, tornou-se um dos primeiros grandes sucessos do axémusic nos anos de 1980, sempre animando os trios elétricos. Aqui é representada de forma bem humorada pela sensualidade e beleza das passistas e seus parceiros, nas roupas coloridas e perucas gigantes, que fazem referência por sua vez a letra da música “olha a nega do cabelo duro, que não gosta de pentear/quando passa na baixa do tubo/o negão começa a gritar/pega ela ai/pega ela ai/pra que? Pra passar batom (...)”.

Ala de Passistas (1988)

Direção de Carnaval

18

Vem Andar de Carro Velho, Amor!

Esta fantasia tem como referência à música “Carro Velho”, um dos primeiros sucessos de Ivete Sangalo com a Banda Eva, já legitimada como axé music. Fazendo referência ao amor e ao ritmo veloz do axé, a fantasia apresenta de forma bem humorada um motorista meio cupido, meio mecânico, com as flechas do amor atadas a um pneu de carro velho.

Ala Amar É (2004)

Paulo e Jorge

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 19

Flores do Meu Bem Querer

A ala é composta por uma fantasia que faz referência à música “Flores” cantada por Ivete Sangalo, outro sucesso com a Banda Eva, balada romântica que fala do bem-me-quer, flor que compõe a fantasia com diferentes cores, dando a ala um aspecto de jardim animado e colorido. Simboliza também antes do carro da nave, o paraíso da terra e seus jardins.

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Grupo Performático

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 20

Borboletas

Composto de borboletas de pernas de pau, este grupo simulará o voo das borboletas no jardim florido de Ivete, sua leveza levando o amor a cada uma das flores.

Grupo Performático Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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Ave do Paraíso

Trazendo as promessas do paraíso, em cores deslumbrantes personifica a mais bela ave do planeta terra.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

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Festa do Povo do Gueto

Uma das músicas de sucesso da carreira solo de Ivete Sangalo, a música “Festa” tem nesta ala a referência ao Povo do Gueto. De forma bem humorada retratamos dançarinos de funk, com seus óculos e suas roupas cheias de detalhes coloridos, tênis da moda e fones de ouvido, bem como os balões metálicos no formato de bolas e estrelas para simbolizar a celebração da alegria. Iniciamos com esta referência tendo em vista que a carreira solo de Ivete será projetada internacionalmente e a música Festa a coloca em evidencia como tema da torcida da seleção brasileira na Copa do Mundo. A expressão “misturando o mundo inteiro” remete a mistura de ritmos que marca a carreira e o estilo de Ivete Sangalo, sobretudo quando canta “Tem gente de toda cor/Tem raça de toda fé/Guitarras de rock'n roll/Batuque de candomblé”, evidenciando a diversidade de sua música.

Ala Tuiuiú (1990)

Quinzinho

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 21

O Meu Amor é Canibal

A fantasia faz referência a mais uma canção de sucesso de Ivete, “Canibal”, que tem o amor selvagem e devorador como tema central, fazendo alusão aos índios canibais que devoram corações. Retratando um selvagem canibal africano, com seu escudo e uma grande lança, traz os adornos característicos de ossos na cabeça, além de penas de pássaros e plumagens coloridas nos tons de vermelho.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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Carmem Miranda Tropicalíssima

O destaque personifica Carmem Miranda com sua indumentária típica, seus balangandãs, seus requebros e gingados carregados do clima tropical que a caracterizou e a lançou ao estrelato.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

22

Chica Chica Boom Chic

A fantasia personifica a imagem de Carmem Miranda, com elementos característicos – bananas, turbante, babados coloridos, corpete justo com a barriga aparecendo. A música “Chica Chica Boom Chic” faz parte do repertorio de Ivete Sangalo no show MTV ao Vivo, cujo álbum foi recorde de vendas (2,6 milhões de copias no mundo) e rendeu o primeiro prêmio Grammy na categoria Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras. Representamos também nesta fantasia a brasilidade de Ivete Sangalo, em sintonia com a imagem de estrela internacional de Carmem Miranda.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 23

Chegou a Magia do Show!

Esta fantasia tem como referência um figurino do show realizado no Madson Square Garden em Nova Iorque (EUA/2010), primeiro show internacional de Ivete Sangalo. A fantasia com cartola e varinha de mágico, traz o conteúdo simbólico da eterna magia dos shows, onde Ivete encanta e hipnotiza grandes multidões nos vários palcos onde se apresentou.

Ala Comigo Ninguém Pode (1988)

Denise Machado

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Vai Buscar Dalila!

A fantasia é uma interpretação da sensualidade e das muitas metamorfoses que Ivete Sangalo traz para os palcos. Escolhemos a personificação da odalisca com seus véus diáfanos e sua dança sensual, mas também exploramos o lado lúdico da música, que remete a energia do axé-music e sua batida rápida conforme diz a letra: “Lá vai, lá vai, lá vai,/Lá vai o trio e o povo/Levanta coração, sujeito carinhoso Vai buscar Dalila... vai buscar Dalila ligeiro...”.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Magia da Paixão

A Magia da Paixão simboliza o clima magico dos shows de Ivete, sua alegria e energia e o poder das transmutações da música, canto e dança.

Destaque de Chão

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Vou te Levar Para o Rio!

A fantasia faz referência a chegada de Ivete Sangalo ao Rio de Janeiro, encontrando as praias e o calçadão de Copacabana, o colorido das praias nos chapéus de sol, o alegre bailado das ondas e dos ventos, girando nos braços dos cariocas que a levarão para a Baixada Fluminense. Simboliza as curvas do calçadão e suas praias, mas também a alegria carioca de viver e receber a estrela do show.

Comunidade (1988)

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 26

Minha Real Fantasia

Fazendo referência à música “Real fantasia” de Ivete Sangalo, representando alguns personagens típicos da folia – diabinhos, pierrôs e reis, numa visão bem humorada destes personagens que são universais no carnaval brasileiro. Os diabinhos verde e vermelho trazem a energia das cores da Grande Rio, o pierrô revela a paixão dos foliões caxienses e o rei na cor amarelo é o ouro da realeza da agremiação. A ala também simboliza o encontro de Ivete Sangalo descobrindo sua Real Fantasia em Caxias.

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Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Amor à Caxias

Este destaque personifica o amor em sua energia pura de devoção e paixão nas cores verde e vermelho. Simboliza Duque de Caxias, uma cidade vibrante de emoção e desejos. Uma cidade onde o amor ao samba traz a paz a seus filhos apaixonados.

Destaque de Chão

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Sou da Feira de Caxias – Nordeste Sim Senhor!

Esta fantasia faz a ligação na viagem de Ivete Sangalo do rio ao Rio com suas raízes de Juazeiro e a feira de Domingo em Caxias. Na construção da indumentária encontramos comidas típicas, bebidas, utensílios e o traje do cangaceiro estilizado, elementos trazidos pelos viajantes do nordeste que em Caxias se estabeleceram, criando esta tradicional feira. Simboliza o povo que trabalha, mas que traz suas memorias e sonhos que renascem a cada semana no domingo ensolarado caxiense.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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Forrozeiro da Baixada

Esta fantasia faz referência as danças de forro nordestinas que em Caxias são tradicionais, mas que encontramos também nas festas juninas da Juazeiro de Ivete Sangalo. Numa visão bem humorada temos um casal “arretado” que dançara na avenida, fazendo complicados passos de forro, agarrados e muito animados, com roupas coloridas de caipiras, cheias de retalhos e babados. Simboliza também a cultura nordestina em suas danças e festas que em Caxias encontram campo fértil para criar novas raízes.

Comunidade (1988)

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Fábio Ricardo DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 29

Senhor do Bonfim – Muito Obrigado Axé!

Esta fantasia faz a referência à música de Ivete Sangalo “Muito Obrigado Axé”, aqui simbolizada com as fitas coloridas do Senhor do Bonfim compondo um traje típico do Candomblé, onde a referência é a paz e união de todos os orixás num único traje. É o agradecimento da comunidade pelo desfile, um canto de paz que precede o fervilhante trio de Caxias, levando as palavras da canção “Isso é pra te levar na fé/Deus é brasileiro/Muito obrigado axé!”.

Comunidade (1988)

Direção de Carnaval

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Noivinha do Arraiá

A Noivinha do Arraiá é figura típica das festas de São João e aqui simboliza a busca feminina pela paixão e o amor que estão resguardados na bela cidade de Caxias.

Destaque de Chão

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadavia Corrêa, nº. 60 – Barracão nº. 04 – Gamboa – Rio de Janeiro – Cidade do Samba Diretor Responsável pelo Atelier Leandro Pinheiro e Nete Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Nete Felipe, Carol, Gilmar, Terezinha, André, Rafael e Orlando Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Márcio Monalisa, Márcio, Márcia, Thiago e José Francisco (Seu Zé) Adriano Outros Profissionais e Respectivas Funções Edmilson

- Chefe de Atelier

Alex

- Chefe de Atelier

Bruno

- Chefe de Atelier

Fernandinho

- Chefe de Atelier

Outras informações julgadas necessárias O quesito Fantasia mereceu atenção especial da Diretoria da Acadêmicos do Grande Rio, visto que na cadeia produtiva do Carnaval é um dos itens que mais contribui para a geração de trabalho. Das 3.400 fantasias que estarão na Passarela do Samba, 2.920 foram confeccionadas nos 09 ateliês da própria Escola, na Cidade do Samba. Para tanto foram contratados a partir do mês de julho cerca de 90 pessoas em trabalho direto e indireto. Além da questão social e financeira, com o aproveitamento de mão de obra da própria Agremiação, a forma empregada permitiu o total controle de qualidade na reprodução dos figurinos. A presença da comunidade é motivo de orgulho na Escola, visto que das 24 alas, 19 são comunitárias, além dos principais segmentos que receberam fantasias, como as Composições dos Carros alegóricos, as Baianas, Bateria, Mestres salas e Porta bandeiras, Passistas, Velhas Guardas, todos de responsabilidade direta da agremiação. Este trabalho desenvolvido pelo jovem carnavalesco Fabio Ricardo nos últimos quatro anos tem o seu ápice neste carnaval. A pesquisa realizada permitiu que além da personagem central - Ivete Sangalo, os demais setores da agremiação fossem desenvolvidos com especial destaque para fantasias multicoloridas, característica inerente ao enredo. Fabio Ricardo mostrará no desfile da Grande Rio no Carnaval de 2017 belas e criativas fantasias, que permitirão perfeita identificação, traduzindo com lealdade e esmero a proposta contida no enredo "Ivete do rio ao Rio".

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Autor(es) do Samba- Paulo Onça, Kaká, Dinho Artigliri, Rubens Gordinho, Alan Vasconcelos e Márcio Moreno Enredo Presidente da Ala dos Compositores Licinho Jr. Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 120 Adilson Miranda Lucas Donato (cento e vinte) 79 anos 20 anos Outras informações julgadas necessárias Brilha minha estrela Alumia o meu caminhar Menina baiana do Juazeiro Saudade mandou um cheiro Velho Chico... Histórias fez lembrar Nossa Senhora sempre a me guiar Sol inclemente Terra seca era o sertão Adolescente, abraço o violão Forroziei, pula fogueira, viva São João Minha família, doce inspiração E lá vou eu, pé na estrada É la vou eu, meu amor Olhos de fogo da serpente encanta Iluminavam meu destino a Salvador Cantei a noite buscando o que eu queria Alegria! Alegria! Guitarra, frevo, tambores que têm magia Ê, Bahia! É, Bahia! Com a Eva encantei toda cidade No trio arrastei as multidões Canto a minha verdade, africanidade Mistura de emoções Meu timbau... Virou sucesso internacional Nos palcos do mundo o estrelato, a consagração Comunidade, povo do gueto, eu sou Caxias me abraçou A Grande Rio vem dar um banho de axé Salve toda essa gente de fé! O tambor da Invocada promete Levanta a poeira, Ivete 112

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Nesta homenagem a Ivete Sangalo, reunindo diversos elementos culturais, e sobretudo expondo a trajetória de uma das grandes estrelas da música popular brasileira e do gênero axé-music, buscamos um samba enredo que espelhasse a paixão e vivacidade que a tornaram reconhecida no cenário musical brasileiro. A letra nos convida a ir com Ivete pela estrada, conhecendo sua infância, as lendas de Juazeiro, musicalidades com as quais conviveu em sua formação profissional como cantora e com a Grande Rio prometendo o banho de axé, num duplo sentido de “paz” e “musica”. DEFESA DO SAMBA ENREDO A GRANDE RIO VEM DAR UM BANHO DE AXÉ SALVE! TODA ESSA GENTE DE FÉ O TAMBOR DA INVOCADA PROMETE LEVANTA POEIRA IVETE O refrão do samba apresenta a Grande Rio e seu desejo de dar um banho de axé na avenida – axé em duplo sentido, o axé que significa “paz” e o axé de “axé-music”. Salvando toda essa gente de fé, que representa a comunidade caxiense, mas também o público da Marques de Sapucaí, os tambores da Invocada, nossa bateria, vem com a promessa de “levantar poeira” com Ivete, fazendo também referência a música “Sorte Grande”. BRILHA MINHA ESTRELA ALUMIA O MEU CAMINHAR MENINA BAIANA DO JUAZEIRO SAUDADE MANDOU UM CHEIRO VELHO CHICO... HISTORIAS FEZ LEMBRAR NOSSA SENHORA SEMPRE A ME GUIAR O primeiro setor traz o brilho da estrela que ilumina Ivete, a menina baiana do Juazeiro evocando sua saudade, que manda um “cheiro” expressão carinhosa popular do Nordeste. Aqui ela relembra o rio “Velho Chico”, suas aguas rodopiantes e a lembrança das velhas histórias, contadas no primeiro setor com as carrancas, a Mãe D’Agua, o Nego D’Agua, a Serpente e a proteção de Nossa Senhora da Grota que a guia. SOL INCLEMENTE TERRA SECA ERA O SERTÃO ADOLESCENTE, ABRAÇO O VIOLÃO FORROZIEI, PULEI FOGUEIRA VIVA SÃO JOÃO MINHA FAMILIA DOCE INSPIRAÇÃO No segundo setor, sob o sol inclemente do sertão vem a velha guarda, os sertanejos da terra seca, filhos da caatinga. Ivete adolescente abraça seu violão, presente de seu pai, relembrando o forró, as festas de São João em Juazeiro, e as lembranças de sua família, aqui representadas também pelas imagens de seu pai, sua mãe, blocos de caretas e vaqueiros viajantes. São estas memórias a sua “doce inspiração”.

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias E LÁ VOU EU, PÉ NA ESTRADA E LÁ VOU EU, MEU AMOR OLHOS DE FOGO DA SERPENTE ENCANTADA ILUMINAVAM MEU DESTINO A SALVADOR O segundo refrão do samba representa a caminhada de Ivete pelas estradas rumo a Salvador (terceiro setor) faz-se uma dupla referência ao se reportar aos “olhos de fogo da serpente encantada”, como o animal mítico de muitas cabeças que representa a lenda, mas também a luz que iluminara seus caminhos em busca de seu destino e dos seus amores. CANTEI A NOITE BUSCANDO O QUE EU QUERIA ALEGRIA! ALEGRIA! GUITARRA, FREVO, TAMBORES QUE TEM MAGIA Ê BAHIA! Ê BAHIA! Ainda no terceiro setor, o samba narra a busca de Ivete pela alegria da música, quando saiu para cantar com seu violão nos bares noturnos, mas também quando entrou em contato com a cultura plural baiana, das guitarras dos trios elétricos, do frevo baiano e dos tambores que são a base da musicalidade do carnaval de Salvador. Esta magia esta simbolizada pela folia de Salvador nos vários blocos que compõem este setor: Pombo Correio (trio elétrico), os Filhos de Gandhy, o Apaches do Tororó, o Olodum e o Ilê Aiyê. A ala de Baianas é reverenciada aqui pela expressão “ê Bahia!”, onde carregam com amor os filhos desta terra. COM A EVA ENCANTEI TODA CIDADE NO TRIO ARRASTEI AS MULTIDÕES CANTO A MINHA VERDADE, AFRICANIDADE MISTURA DE EMOÇÕES No quarto setor dando sequência a narrativa, o samba conta como Ivete encanta a cidade com a Banda Eva, ao mesmo tempo em que arrasta multidões com seu sucesso nos trios elétricos que animam os circuitos do carnaval baiano. Já consciente de “sua verdade”, como cantora e interprete que se tornaria expoente do axé-music, segue embalada na “africanidade” que leva aos shows, cantando músicas que tornaram o axémusic nacionalmente conhecido. Esta multiplicidade de ritmos é a “mistura de emoções” trazidas por suas músicas, como por exemplo, “Carro Velho” e “Flores”. MEU TIMBAU... VIROU SUCESSO INTERNACIONAL NOS PALCOS DO MUNDO O ESTRELAO, A CONSAGRAÇÃO COMUNIDADE, POVO DO GUETO, EU SOU CAXIAS ME ABRAÇOU No quinto setor o sucesso internacional vem com os timbaus, elemento de percussão encontrado em praticamente todas as manifestações baianas. O samba faz referência a consagração de sua carreira solo com os inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo. E no sexto setor, o samba afirma “povo do gueto eu sou”, fazendo referência a identidade da comunidade, mas também a recepção de Ivete em um caloroso abraço de Caxias, aqui representada pelos carnavais, feira, forrozeiros e pela gratidão, novamente fazendo referência ao axé (Muito Obrigado Axé, música de Ivete Sangalo e última ala do desfile), retomando o primeiro refrão do samba.

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Thiago Diogo Outros Diretores de Bateria Paula, Fabiano, Norival, Igor, Renan, Hugo, Paulinho, Batalhão, Adenilson, Guilherme, Silvio, Da Lua, Thiaguinho, Fafá, Dinho, Sampaio, Lazaro e Jonny. Total de Componentes da Bateria 280 (duzentos e oitenta) componentes NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 14 14 14 0 0 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 120 0 38 0 26 Prato Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 0 0 24 0 24 Outras informações julgadas necessárias Além dos 274 ritmistas mencionados nas caixas dos instrumentos acima, teremos mais 6 (seis) Ritmistas tocando Timbal. Totalizando 280 Ritmistas. Bateria Acadêmicos do Grande Rio: Mais do que nunca a Invocada, nome dado a Bateria da Grande Rio, tem uma missão especial no próximo desfile, que através do seu ritmo deverá embalar seus componentes neste grande encontro de carnavais Carioca e Baiano. Embora de origem bastante tradicional, com o passar do tempo a Invocada foi criando sua identidade. Foi sob a batuta de Mestre Odilon que a bateria se tornou ousada, aliando sempre as complexas paradinhas com uma cadência e equalização perfeitas, fazendo com que o quesito fosse agraciado com notas máximas durante 8 carnavais consecutivos. Detentora de três Estandartes de Ouro e três Tamborins de Ouro, maiores premiações do Carnaval Carioca, a Bateria da Grande Rio foi comandada por grandes Mestres. Atualmente a juventude e a vontade de vencer fez com que o mestre Thiago Diogo resgatasse além da autoestima da Bateria, a nota máxima, aumentando ainda mais a responsabilidade e sede de ajudar a Escola no próximo carnaval na luta pelo título. Thiago Diogo: Mestre Thiago Diogo tem 34 anos e uma experiência que vem de muito cedo. De precoce ritmista aos cinco anos de idade se fez merecedor dos méritos que hoje lhe são conferidos após trilhar um belo caminho. Na Escola mirim Alegria da Passarela, hoje Aprendizes do Salgueiro deu os primeiros passos. Ainda adolescente integrou a bateria do Acadêmicos do Salgueiro e logo aos 16 anos assumiu o comando da Ala de Tamborins. Pelas mãos do consagrado Mestre Louro foi levado para a Caprichosos de Pilares, tornando-se seu assistente. Em 2007, acompanhando seu Mestre contribuiu para que a Porto da Pedra alcançasse a sua primeira nota 10 no quesito. Em 2009 com o falecimento de Louro, Thiago Diogo é convidado e assume o comando da bateria da agremiação de São Gonçalo. A excelência do trabalho e o consequente sucesso fez com que Thiago recebesse convite para um novo desafio, defender as cores da União da Ilha do Governador. A ousadia e o comprometimento refletiam o belo trabalho na carreira já vitoriosa do jovem Mestre que culminou em 2014, com o convite direção da Acadêmicos do Grande Rio para que Thiago Diogo assumisse o comando da bateria. Trabalhar sério e cada vez mais aprimorar o conhecimento são lemas que Thiago segue a risca e daí, após estudar piano clássico, ingressa na Escola de música Villa Lobos esmerando-se no aprendizado da leitura de partitura.

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FICHA TÉCNICA Bateria Outras informações julgadas necessárias Em 2017 Thiago Diogo com um staff de 30 apoiadores comandará 280 ritmistas com o objetivo principal de alcançar a nota máxima do quesito, atributo necessário que contribuirá para a plena realização do trabalho desenvolvido a frente da "Invocada" de Caxias.

Fantasia da Bateria: A Ala da Bateria celebra a Timbalada, banda criada no início dos anos de 1990 por Carlinhos Brown, alcançando grande sucesso em todo pais pela diversidade de ritmos como o axé, o reggae, funk, samba, forró, rock, merengue, carimbó e frevo, utilizando instrumentos como timbal, guitarra, surdo, 'cowbell´, trombone, marimba, flauta, saxofone, clarineta, triângulo, xequerê, bongô, trompete, ganzá e teclado, demonstrando claramente a sua pluralidade de influências e elementos musicais. A fantasia da Bateria encarna a eletricidade e luminosidade da Banda Timbalada, com seus desenhos gráficos e cocares de penas multicoloridos.

Rainha de Bateria Paloma Bernardi: Sou Grande Rio de coração há 5 anos! Já faço parte da Família! Já desfilei em cima do carro alegórico, como destaque de chão e agora, pelo segundo ano consecutivo, venho como Rainha da Bateria! Uma grande honra! Lágrimas escorrem pelo meu rosto toda vez que o desfile vai começar! Quando a Bateria começa a tocar... É de arrepiar! Não tenho palavras para descrever a emoção que é ser Rainha da Bateria da Grande Rio. Sinto que Eu, Mestre Thiago Diogo e a própria Bateria Invocada conquistamos uma sintonia única, onde nossos corações pulsam juntos sempre! Somos um só pulsando na batida dos corações de todos os componentes da Escola e de todos que estarão na Sapucaí para nos assistir! Grande Rio obrigada por me permitir viver essa grande performance artística! Essa grande festa carnavalesca! Juntos somos mais fortes! Vamos com foco, força, fé... e muito amor. Fantasia: A Deusa do Timbal, instrumento tradicional da folia baiana e do Bloco Timbalada, representa a riqueza e energia da percussão no cenário musical baiano.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Caca Santos, Paulo Santos, Cristiane Angelo e Amaury Martins. Outros Diretores de Harmonia Alan Tito, Alex Pereira, Alexandre , Andreza, Andrezinho, Anderson, Ailton, Batata, Borret, Barbeiro, Bruno, Carlos Gomes, Claudio, Carlinhos Professor, Diogo, Denilson, Dinei, Edvaldo Muniz, Germano, Guimaraes, Helinho Aguiar, Jorge Ramos, Jorge Tito, Joelson, Jorge Ribeiro, Joel, Luiz, Leandro, Limao, Mauro Luiz, Mazinha, Moacyr, Marcos Dj, Paulo Careca, Paulo Roberto, Pedro Paulo, Pastinha, Rodrigo Pimpao, Rodrigo Preto, Rosane, Rose, Rochele, Sr Antonio, Welligton, Wilson, Willian Ney, Wilmar, Wilma, Vitor, Vinicius, Cosme e Aline Total de Componentes da Direção de Harmonia 56 (cinquenta e seis) Diretores de Harmonia Puxador(es) do Samba-Enredo Intérprete Oficial: Emerson Dias Puxadores de Apoio: Evandro Malandro, Monstrinho, Charles, Lucas Donato, Lisandra, Rafael Santos, Amilton Camaleão e Ricardinho. Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Violão 7 Cordas – Andy Lee Cavaco – Vitor Nascimento, Davi e Xandão Outras informações julgadas necessárias “A Grande Rio vem dar um banho de axé, Salve toda essa gente de fé” Esta frase define realmente como será desenvolvido o quesito HARMONIA no desfile da Escola. Dos componentes da agremiação virá o Axé necessário para uma exibição homogênea, serena, mas com muita garra. O departamento de Harmonia com 56 Diretores, comandarão 3200 componentes, gente de muita fé e dedicação, que desde agosto de 2016 trabalham obedecendo um planejamento com metas e objetivos que leva ao perfeito entrosamento que o quesito exige. Desde agosto passado, através de reuniões, ensaios na quadra e os desfiles de rua, buscamos atingir o principal objetivo, uma perfeita harmonia entre os segmentos do desfile. O grau de dificuldade e complexidade define bem a importância do quesito Harmonia. Isto levou a direção de Harmonia da Escola a não medir esforços e se esmerar para que possamos alcançar o aperfeiçoamento que o quesito exige. A alegria estampada no rosto de cada componente da Grande Rio proporcionará um desfile harmônico, com a energia que certamente contagiará todo o público da Passarela do Samba. Acreditar na nota máxima é nosso desejo, é o "Axé de toda essa gente de Fé!"

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FICHA TÉCNICA Harmonia Outras informações julgadas necessárias Emerson Dias: Emerson Dias, tem uma longa trajetória no samba. No Acadêmicos do Salgueiro despontou como intérprete de apoio e suas apresentações fizeram com que fosse convidado e passasse a integrar o “carro de som” da Acadêmicos do Grande Rio. Uma longa história de quase doze anos, até que em 2013, assumiu a responsabilidade de ser intérprete da Agremiação. O "jovem veterano" estava abrindo a porta do sucesso, pois dali em diante, ano a ano, estudando e aprimorando cada vez mais a sua aptidão, fez com que conquistasse o Troféu Estandarte de Ouro, honraria concedida pelo Jornal O Globo. Emerson Dias agora consagrado na Tricolor de Duque de Caxias, tem a responsabilidade de através de seu canto, conduzir todos os segmentos da Escola num desfile épico, que certamente encantará o público na Passarela do Samba com seu inconfundível bordão: “Ei Psiu!” Emerson Dias é Grande Rio!.

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Dudu Azevedo Outros Diretores de Evolução Ailton Fiscal, Airton, Jorge Bento, Enila, Andréa, Luiz dos Santos, Luzimar, Edilcilene, Valdete, Simão, Joana D´arc, Jacaré, Vanuce, Silvano, Anita, Gil Negão, Walmir, Luiz Carlos Machado, Edson, Ediméia, Cafú, Vareta, Marilene, Madalena, Marinaldo, Anselmo, Walter Barbosa, Vandete, Maria Solange, Jeferson, Titoneli, Banana, Felipe, Kelly, Miltinho, Maria Regina, Ricardo Martins, Tunico, Café, Helenice, Sergio, Nunes, Walter 59, Paulinha, Jacy, Maria Helena, Karen, Vicente, Denaide, Jander, Miltinho de Campos, Chiquinho Caipira, Paulo Roberto, Serginho, Conceição, Catarina, Iracema, Chicão, Eduardo, Mila, Pedrinho Naval, Rosangela, Rosenilton, Aparecida, Clayton, Paulo Apocalipse, Carina, Rosivania, Fatima, Luiz Alberto, Naeli, Erny, Marilia, Reny, Jenifer, Miltola, Pedro Cirilo, Carlão Machado, Luiz Machado, Jean, Pablito, Luzinete, Lubec, Marcio, Juciana, Larissa, Luiz Negão, Vera Lucia, Eva, Demetrio, Robson Moratelli, Beto Baiano, Baiano, Harley, Dario, Cristiano Crema, Elaine, Fabio, Gilliard, Rafael Jamanta, Jeronimo, José Luiz Azevedo, Leandro, Leonnardo Araujo, Leo Ilha, Lima, Luis Claudio, Helton, Luiz Baleia, Marcelo Barbosa, Mazinho, Pará, Priscila Lima, Fabricio, Russo e José Carlos. Total de Componentes da Direção de Evolução 118 Diretores e Responsáveis de Alas Principais Passistas Femininos Mariza Furacão, Luciene Santinha e Dani Moreníssima Principais Passistas Masculinos André Drummond, Serginho Sambista, Avelino Ribeiro Outras informações julgadas necessárias O brilho da Estrela é a marca forte dos componentes da Grande Rio e que "alumiará o nosso caminhar", visto com clareza e estampado no olhar de cada um dos integrantes da Escola. Ao pisar na pista da Passarela do Samba veremos um desfile com evolução espontânea, coesa e alegre, que contribuirá para que o conjunto da obra seja de perfeita integração. O quesito definido nos movimentos elegantes e simultâneos da dança, foi alvo de muita atenção da direção da Escola, com trabalho realizado com os componentes, desde a ala de passistas, destaques de chão, alas comerciais e comunitárias, enfim, de todos os segmentos. Exigiu-se criatividade nos movimentos contínuos, cadência, regularidade e progressão, elementos básicos a unidade ao longo do desfile. Nos ensaios a Escola reuniu o maior número de pessoas, cuja assiduidade refletiu o bom trabalho realizado e que será expressado na Passarela do Samba com a alegria dos componentes que evoluirão cumprindo as normas inerentes ao quesito.

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Vice-Presidente de Carnaval -

Diretor Geral de Carnaval Dudu Azevedo Outros Diretores de Carnaval -

Responsável pela Ala das Crianças -

Total de Componentes da Ala das Crianças

Quantidade de Meninas

Quantidade de Meninos

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-

-

Responsável pela Ala das Baianas Marilene dos Anjos Total de Componentes da Baiana mais Idosa Baiana mais Jovem Ala das Baianas (Nome e Idade) (Nome e Idade) 90 Eloísa de Oliveira Dione Alves (noventa) 30 anos 78 anos Responsável pela Velha-Guarda Sr. Adailton Almeida Total de Componentes da Componente mais Idoso Componente mais Jovem Velha-Guarda (Nome e Idade) (Nome e Idade) 75 Milton Piedade Maria da Glória (setenta e cinco) 83 anos 50 anos Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Jayme Monjardim, Susana Viera, David Brazil, Monica Carvalho, Christiane Torloni, Monique Alfradique, Roberta Rodrigues, Raiane, Paloma Bernardi, Alexandre Cardoso, Thiago Martins, Aline Prado e demais personalidades que acompanham a Grande Rio há anos, desde a sua fundação Outras informações julgadas necessárias Segundo o ditado popular "o bom filho a casa retorna". Assim sendo, podemos afirmar que é o que ora ocorre com Dudu Azevedo. Foram oito anos no comando do Depto. de Harmonia da Acadêmicos da Grande Rio até que em 2011, para o Carnaval de 2012 fosse convidado a assumir o comando do Depto. de Carnaval do Acadêmicos do Salgueiro. Na agremiação realizou um trabalho dignificado que culminou com grandes desfiles e 3 vices-campeonatos em 5 anos. Mas "as voltas que o mundo dá", parafraseando um outro dito popular, fez com que após o carnaval de 2016, Dudu Azevedo fosse convidado pela presidência da Tricolor de Duque de Caxias para assumir a direção geral de Carnaval da Acadêmicos do Grande Rio. Com trabalho consolidado na "Academia", este convite na verdade era um novo e grande desafio, era na verdade um novo começo, uma nova história. Convite aceito, mãos a obra! Poucas mudanças na equipe, valorização da "prata da casa" e integração entre os segmentos foram práticas implantadas. Preparação, técnica em alto nível em todos os quesitos, Escola integrada e comunidade feliz, fazem com que o Diretor de Carnaval Dudu Azevedo possa dizer: "O tempo é Senhor da razão - Avante Grande Rio!"

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Priscilla Mota e Rodrigo Neri Coreógrafo(a) e Diretor(a) Priscilla Mota e Rodrigo Neri Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 15 07 (quinze) (sete) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos 08 (oito)

NOME DA COMISSÃO DE FRENTE: Do rio ao Rio. Rio... Ah... Quantas lembranças, quantas histórias. Quando eu era menina, molhava os pés em águas claras e rasas, contando estrelas ao som do canto das lavadeiras que faziam sua prece pedindo permissão para entrar no rio. Ainda sinto o balançar das águas que anunciava a chegada dos pescadores com suas redes em busca de fartura e dias melhores. Segui meu caminho com o coração cheio de sonhos e o peito repleto de saudade. Minha hora chegou! Percorri estradas e arrastei multidões espalhando minha alegria numa explosão de cores e emoções. A vida me deu muitos palcos pelo mundo, mas hoje estou aqui… no Rio… No rio cresci, no Rio cantei, pela Grande Rio me apaixonei… Hoje sou feliz e canto, Bateu a sintonia, é tempo de alegria, tão bom dividir com vocês. Sapucaí, vamos levantar Poeira! Caxias me abraçou! Muito obrigado, Axé. Ivete Sangalo.

Outras informações: Direção e Coreografia – Priscilla Mota e Rodrigo Negri Figurinista – Fábio Ricardo Cenografia – Altamir Junior Confecção de Figurinos – Atelier Avant Premiere Produção – Tenara Gabriela e Luis Kerche Maquiagem – Danilo Aranha (criação) e M.A.C Cosmetics

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Outras informações julgadas necessárias Priscilla e Rodrigo Primeiros solistas do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, os bailarinos Priscilla Mota e Rodrigo Negri se consagraram no Carnaval através do trabalho criativo e envolvente que marcou suas comissões de frente. Formada em balé clássico, jazz, tap dance e dança contemporânea, a dupla ganhou fama no cenário carnavalesco ao apresentar soluções irreverentes e ousadas no quesito que abre o desfile das escolas de samba. Nos últimos anos, Priscilla e Rodrigo, que já foram agraciados com a Medalha de Mérito Artístico do Conseil International de La Danse Cid, da Unesco, pela positiva contribuição à dança, receberam dezenas de prêmios pela atuação no Carnaval, entre eles o Estandarte de Ouro, honraria concedida pelo Jornal O Globo, em 2010, quando emprestaram seu talento à Unidos da Tijuca, ano em que fizeram seu elenco realizar uma eletrizante troca de roupas, que impressionou a todos. O feito ainda rendeu o título, em eleição também promovida pelo Globo, de “melhor comissão de frente da história”. O bom desempenho no Carnaval culminou numa série de convites para os coreógrafos que já abrilhantaram grandes eventos no Brasil e no exterior. Entre os projetos dos quais participaram, estão ações especialmente elaboradas para a Liga Mundial de Vôlei, o Prêmio anual da Confederação Brasileira de Futebol, o Mundial de Judô, a Copa das Confederações, as Olimpíadas do Conhecimento, a Festa de Peão de Barretos, Salão do Automóvel, entre outros. No extenso currículo, Priscilla e Rodrigo ainda incluem apresentações exclusivas para o ex-presidente Lula e para a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. A coreografia do Brazilian Carnival Ball - maior baile de Carnaval beneficente do mundo, que ocorre anualmente em Toronto, no Canadá – também leva a assinatura do casal de bailarinos, que ajuda o projeto pelo fato do mesmo arrecadar milhões de dólares para hospitais e fundações de combate ao câncer. O talento da dupla também encanta marcas mundialmente famosas, como Coca-Cola, Bradesco, Renault e Omega, que já contrataram os dois para grandes eventos. Foram os responsáveis pelo entretenimento das áreas VIPs da FIFA, durante a Copa do Mundo do Brasil. Nos jogos Olímpicos Rio de 2016, fizeram coreografia especial que foi apresentada ao longo dos Jogos em 30 apresentações. Seu grupo totaliza mais de 500 apresentações nacionais e internacionais, que se refletem nos desfiles através do bom entrosamento de toda a equipe que compõe a comissão de frente. No terceiro ano à frente do segmento na Acadêmicos do Grande Rio, Priscilla Mota e Rodrigo Negri usarão toda a experiência para ajudar a escola a conquistar o primeiro campeonato de sua história.

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Outras informações julgadas necessárias Altamir Junior Assina pelo terceiro ano a cenografia da Comissão de Frente da Grande Rio. Esteve ao lado de Abel Gomes na equipe de criação e desenvolvimento da Abertura e Encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Colabora entre outros para: Prêmio Multishow e Brazilian Day.

Atelier Avant Premiere Pelo terceiro ano, Vanessa Castro e Adriano Vasconcelos executam os figurinos da Comissão de Frente da Grande Rio. Com vasta experiência em Carnaval, também trabalham para teatro e televisão. Acompanham o dia-a-dia de ensaios do grupo, podendo perceber os movimentos e como a roupa pode ajudar na execução da coreografia.

Mac Cosmetics Make-up Art Cosmetics, mais conhecida como M·A·C ou MAC Cosmetics, com sede em Nova York, é maior Empresa de produtos de Maquiagem do mundo, que produz a maquiagem do Cirque du Soleil e todas as semanas de moda das principais capitais do mundo Fashion. Está mais uma vez presente no Carnaval através da Comissão de Frente da Grande Rio. Parceria exclusiva para o carnaval, a MAC Cosmetics colabora com Priscilla e Rodrigo desde 2010 trazendo os mais renomados make up artists para a criação do conceito de maquiagem para a Comissão de Frente.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Daniel Werneck 1ª Porta-Bandeira Verônica Lima 2º Mestre-Sala Andrey Barreto 2ª Porta-Bandeira Jéssica Barreto 3º Mestre-Sala Filipe Vianna 3ª Porta-Bandeira Taciana Couto Outras informações julgadas necessárias

Idade 28 anos Idade 36 anos Idade 22 anos Idade 27 anos Idade 18 anos Idade 16 anos

1º CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA Fantasia: Casal da Ilha do Fogo O casal de mestre sala e porta-bandeira personificam a serpente encantada com suas labaredas de fogo. Bailam de forma insinuante, vibrante e rápida como as chamas do fogo, mas também são elegantes e sinuosos como os movimentos da serpente e suas cabeças. Sua indumentária remete as labaredas do fogo, e o corpo como parte da serpente.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Verônica Lima: Nascida e criada em Duque de Caxias, Veronica Lima estreou a sua vida carnavalesca na Acadêmicos do Grande Rio, aos 14 Anos, como segunda Porta-Bandeira. Em 1998 estreou como primeira Porta-Bandeira da Grande Rio, e assim foi consolidando sua carreira, empunhando o nosso Pavilhão por 4 anos. Em outros anos Verônica Lima bailou por Imperatriz Leopoldinense e União da Ilha do Governador. Em 2012, nossa Porta-Bandeira retorna a sua escola de origem, nossa tricolor de Caxias. Ano a ano, trabalhando muito suas técnicas de dança e aprimorando seu Bailado através de acompanhamento com profissionais gabaritados no universo da Dança, com isso Verônica vem alcançando ótimos rendimentos nos desfiles. Em 2016 o sonho das 4 notas Dez chega para o nosso casal sobre aplausos e alegria imensa, condecorando este lindo trabalho que eles vem realizando. Para 2017 Verônica Lima repete o planejamento de 2016, iniciou os ensaios com seu companheiro em Julho de 2016, aumentou o tempo de ensaio com o Samba- Enredo, pois o Samba-Enredo foi escolhido em Setembro e espera novamente empunhar nosso pavilhão, bailar a Sapucaí e encantar a Avenida.

Daniel Werneck: Daniel Werneck encantou-se com o universo do Carnaval ainda muito jovem, quando uma vizinha o levou para a escola Mirim Aprendizes do Salgueiro. Ao passar dois anos como mestresala mirim, o próprio Salgueiro deu a oportunidade para vir como defensor do terceiro pavilhão da agremiação e, posteriormente, como segundo mestre sala, aonde conquistou o troféu "Estandarte de Ouro" do jornal "O Globo". A dança, a elegância e o garbo de Daniel o levaram a defender a Escola de Samba Estácio de Sá, no Grupo de Acesso, como primeiro mestre-sala. Em 2015 Daniel inicia sua trajetória na Acadêmicos do Grande Rio. Com ensaios, expressão corporal e muito “riscado no chão”, Daniel vem encantado todos os amantes do samba Em 2016 o sonho das 4 notas Dez chega para o nosso casal sobre aplausos e alegria imensa, condecorando este lindo trabalho que eles vem realizando. Para 2017 Daniel iniciou os ensaios de quadra com Verônica em Julho, os ensaios com o Samba Enredo tiveram início em Setembro de 2016, e com muito empenho e trabalho planeja bailar, cortejar e proteger nosso Pavilhão.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Coreógrafa 1° Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Ana Formighieri: É coreógrafa, professora e bailarina! Formada em dança pela UFRJ e pós-graduada em Conscientização do Movimento pela faculdade Angel Vianna. Tem formação técnica nas modalidades jazz, balé clássico e dança contemporânea. Ana fez parte da Cia Nós da Dança por 10 anos. Há sete anos desenvolve um reconhecido trabalho de coreografia e preparação corporal/artística para casais de mestre sala e porta bandeira. Ana Formighieri assumiu o trabalho de coreógrafa e preparadora corporal/artística do primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da Acadêmicos do Grande Rio em 2015 para o carnaval de 2016, nesta primeira oportunidade, esta parceria nos levou a nota máxima, trazendo reconhecimento ao trabalho sério e atento que a profissional realiza junto a agremiação. Ana se sente motivada com grandes desafios e a proposta da Grande Rio mais uma vez a motivou para conduzir o potencial deste casal. Daniel Werneck com sua dinâmica, disposição e qualidade técnica, e Veronica Lima com sua experiência, qualidade e atenção a todos os detalhes do trabalho! Para isto, em 2017 o trabalho de Ana Formighieri com Veronica e Daniel traz para a avenida uma apresentação que se fundamenta em uma dança que se preocupou em lapidar o talento do casal, buscando acabamento impecável sem deixar de se preocupar com a majestosa e tradicional forma de dançar o bailado do Mestre sala e da Porta Bandeira apresentando seu pavilhão!

2º CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA Fantasia: Reis do Egito O segundo casal de mestre sala e porta bandeira fazem referência a música Faraó, Divindade do Egito, citando o faraó Akhenaton, que traz para a avenida sua Rainha Nefertari e com ela baila e representa a poderosa energia das divindades e da realeza egípcia, que se transforma na própria energia dançante do axé music com suas raízes africanas.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Jéssica Barreto: Jessica Barreto sempre esteve relacionada com a Acadêmicos do Grande Rio. No início da sua vida no mundo do Carnaval ingressou na ala de mestre sala e porta bandeira mirim da Acadêmicos do Grande Rio. Ainda integrando a ala, Jéssica defendeu o primeiro pavilhão da Escola de Samba mirim Pimpolhos do Grande Rio. Não demorou muita para a jovem receber a proposta de assumir o posto de segunda Porta-Bandeira da nossa Escola. Com anos consecutivos desfilando como segunda Porta-Bandeira na Grande Rio, Jéssica estará novamente na Avenida Marquês de Sapucaí bailando com nosso pavilhão. Andrey Ricardo: Andrey Ricardo recebeu um impulso para o mundo do carnaval através da sua família sambista. Oriundo da Escola de Samba mirim Pimpolhos do Grande Rio, depois de alguns anos defendendo o primeiro pavilhão da escola mirim, a Acadêmicos do Grande Rio já o teve como terceiro mestre-sala e nos últimos anos, como segundo mestre sala. Andrey novamente desfila conosco, cortejando nossa porta-bandeira.

3º CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA Fantasia: Estrelas do Nordeste Apaixonado O 3º casal de MS e PB representam um casal de nordestinos pleno de amor, tendo os trajes elementos típicos da roupa sertaneja. Simbolizam a união da cultura nordestina que floresceu em Caxias nas danças e músicas e na paixão do povo que trabalha e sonha.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Taciana Couto: Apesar da pouca idade, Taciana Couto conta com grandes passagens na Marquês de Sapucaí. Desde muito jovem, ela se divide entre a escola mirim Pimpolhos do Grande Rio, no posto de primeira Porta-Bandeira e na ala mirim de mestre sala e porta bandeira da Grande Rio. Todo o seu talento rendeu a ela o convite para desfilar como segunda Porta-Bandeira da Acadêmicos da Rocinha em 2016. O carnaval de 2017 nossa jovem Taciana estreia como terceira Porta-Bandeira da Acadêmicos do Grande Rio.

Filipe Vianna: Filipe Viana tem um grande currículo em agremiações infantis, como Herdeiros da Vila e Pimpolhos do Grande Rio, escola aonde ele ainda defende o primeiro pavilhão. Todo o seu talento o rendeu o convite para estrear na Acadêmicos do Grande Rio, no desfile de 2017, como terceiro mestre sala.

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G.R.E.S. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

LUIZ

PRESIDENTE PACHECO DRUMOND 129

“Xingu, o clamor que vem da Floresta”

Carnavalesco CAHÊ RODRIGUES 131

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FICHA TÉCNICA Enredo Enredo “Xingu, o clamor que vem da Floresta” Carnavalesco Cahê Rodrigues Autor(es) do Enredo Cahê Rodrigues, Marta Queiroz e Cláudio Vieira Autor(es) da Sinopse do Enredo Cahê Rodrigues, Marta Queiroz e Cláudio Vieira Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Cahê Rodrigues, Marta Queiroz e Cláudio Vieira Ano da Edição

Páginas Consultadas

Instituto Socioambiental

2011

Todas

Orlando VillasBoas

Agência Estado Metalivros

2002

Todas

Xingu, Viagem Sem Volta

Julio Capobianco

Terceiro Nome

2003

Todas

04

A Marcha Para o Oeste – A Epopeia da Expedição Roncador-Xingu

Orlando e Cláudio Villas Bôas

Companhia das Letras

2012

Todas

05

Narrativas Sobre Povos Indígenas

José Vicente de Souza Aguiar

Fapeam

2012

Todas

06

Diários Índios – Os Urubu-Kaapor

Darcy Ribeiro

Companhia das Letras

1996

Todas

07

Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas

Padre João Daniel

Contraponto

2005

Todas

Livro

Autor

Editora

01

Almanaque Socioambiental Parque Indígena do Xingu 50 anos

Bruno Weis

02

O Xingu dos Villas Boas

03

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FICHA TÉCNICA Enredo Ano da Edição

Páginas Consultadas

Revista Planeta Ed 519 Abril

2015

Todas

Ulisses Capozzolli

Scientific American Ed. 44

2016

Todas

Cao Hamburger

Globo Filmes

2011

Todas

Livro

Autor

Editora

08

Xingu, 55 Anos – O que o Brasil tem a aprender

Renata Valéria de Mesquita

09

Patrimônio Cultural do Xingu

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Xingu (filme)

Outras informações julgadas necessárias Foram consultados também diversos vídeos no Youtube, exemplares das revistas National Geographic Brasil e Superinteressante, trazendo reportagens sobre etnias do Parque Indígena do Xingu, seus rituais, tradições, costumes e cultura. Agradecimentos: Associação da Terra Indígena do Xingu – ATIX; Fundação Nacional do Índio – Funai; Museu do Índio, Rio de Janeiro; Família Villas Bôas; às lideranças e etnias do Parque Indígena do Xingu – PIX. Anexo: Fac-Símile de Carta enviada pela Fundação Darcy Ribeiro.

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HISTÓRICO DO ENREDO APRESENTAÇÃO As Escolas de Samba constituem um capítulo à parte no Carnaval Carioca, um espaço democrático que liga os todos os cantos da cidade e celebra a diversidade. E falar de diversidade é falar da Imperatriz Leopoldinense. Considerada uma das Escolas de Samba mais tradicionais do Carnaval Carioca e uma das maiores campeãs da Era Sambódromo, a Rainha de Ramos – como é carinhosamente chamada por seus torcedores e comunidade –, tem na sua essência um compromisso com a cultura. Os enredos sobre a formação do povo brasileiro estão enraizados em nossa história. Aliás, gostamos muito de contar boas histórias. Orgulhamo-nos de nossa trajetória de grandes enredos com temática cultural. Fomos, inclusive, a primeira agremiação a fundar um Departamento Cultural, prática posteriormente adotada por todas as nossas co-irmãs, com o propósito é preservar nossas raízes e memórias. Colecionamos desfiles inesquecíveis e sambas que são considerados verdadeiros clássicos, que nos renderam prestígio, reconhecimento de importantes setores da sociedade e, claro, muitos campeonatos. Temos a marca do pioneirismo em nosso pavilhão. Conquistamos oito vezes o título de campeã do Carnaval Carioca no Grupo Especial, além de importantes prêmios nacionais e internacionais. Nestes quase 60 anos de fundação e de bons serviços prestados à cultura brasileira, a Imperatriz Leopoldinense teve em seu quadro grandes mestres do Carnaval, já celebrou importantes vultos de nossa rica Literatura, juntou o erudito com o popular, uniu o sagrado e o profano, cantou a mestiçagem e a fé de nossa brava gente brasileira, espalhada por todos os rincões deste país de dimensões continentais. O homem do campo é presença constante em nossos desfiles e exaltamos por muitas vezes na Avenida o solo brasileiro, este chão abençoado por Deus, onde tudo que se planta, dá. No Carnaval de 2016, ano em que, vencendo preconceitos, homenageamos a música sertaneja, adentramos no universo rural, trouxemos algumas riquezas do estado de Goiás e dedicamos um setor inteiro de nosso desfile à agricultura, por entendemos a importância deste segmento para nossa economia . Comprometida em dar voz à diversidade, a Imperatriz Leopoldinense, que já cantou em carnavais anteriores o Descobrimento do Brasil e celebrou as raízes africanas através da figura e do legado de Mandela, decidiu levar para a Marquês de Sapucaí em 2017 o enredo "Xingu - o clamor que vem da Floresta. Vamos falar da rica contribuição dos povos indígenas do Xingu à cultura brasileira e ao mesmo tempo construir uma mensagem de preservação e respeito à natureza e à biodiversidade. 135

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Segundo o relato da própria população que vive ali, a região do Xingu ainda é alvo de disputas e constantes conflitos. A produção muitas vezes sem controle, as derrubadas, as queimadas e outras ações desenfreadas em nome do progresso e do desenvolvimento, afetam de forma drástica o meio ambiente e comprometem o futuro de gerações vindouras. Os resultados, como sabemos, são devastadores e na maioria das vezes irreversíveis. Acreditamos que, para além do entretenimento, o Carnaval e a Escola de Samba – levando em consideração que os olhos do mundo se voltam para a nossa festa – têm um compromisso com o social e o desenvolvimento sustentável. A nossa mensagem é de preservação, respeito, tolerância e paz. Todos os que acreditam nesses valores estão convidados a celebrar conosco. Salve o índio brasileiro, o verde do Xingu, viva o Carnaval, a Imperatriz Leopoldinense e todos os trabalhadores do Brasil! Luiz Pacheco Drumond Presidente

INTRODUÇÃO O Parque Indígena do Xingu foi a primeira grande terra indígena reconhecida no país e também a abrigar várias etnias nativas – atualmente, são 16. Sua localização, praticamente no centro geográfico do país, na região de transição dos biomas Cerrado e Amazônia, associa de forma original sociodiversidade e uma riquíssima biodiversidade. A história do contato e convívio de seus povos com o restante da sociedade brasileira traduz e representa a longa saga, ainda em curso, de ocupação desse imenso território chamado Brasil. Criado há 56 anos (em 1961) pelo então presidente Jânio Quadros, visto como cartão de visita da política indigenista oficial durante muitos anos, o Parque localiza-se na região nordeste do Mato Grosso, na parte sul da Amazônia brasileira, e está totalmente inserido na bacia do rio Xingu. Sua criação se deu após uma longa discussão que mobilizou diferentes setores e instituições privadas e públicas. Seus limites foram contestados na época por interesses econômicos ligados ao mercado mato-grossense de especulação de terras e, posteriormente, por vários povos indígenas que tiveram parcelas significativas de seus territórios tradicionais excluídos da sua demarcação. O Parque significou a delimitação de um espaço privilegiado e incontestável de proteção para as etnias que lá viviam a para aquelas resistiam, ameaçadas. Na sua circunvizinhança, e que para lá foram levadas pelos Irmãos Villas Bôas – algumas debilitadas com um quadro drástico de redução populacional, à beira da extinção. 136

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Por outro lado, sua criação pode ser vista também como uma ação de ordenamento territorial por parte do Estado brasileiro, liberando territórios de ocupação tradicional de várias etnias ´para expansão e ocupação das frentes colonizadoras do Centro-Oeste e da Amazônia, confinando os índios em um território muito menor do que habitavam tradicionalmente. Apesar de falarem línguas diferentes, esses povos caracterizam-se por uma grande similaridade no seu modo de vida e visão de mundo, principalmente por estarem há séculos articulados em uma rede de trocas, casamentos e rituais. No entanto, mesmo que o intercâmbio cerimonial e econômico celebre a sociedade xinguana, cada um desses grupos faz questão de cultivar suas diferenças e identidade étnica. Cada povo xinguano possui um acervo milenar de conhecimentos peculiares sobre a Natureza e os processos tecnológicos para transformá-la a seu favor. Contudo, a demarcação do Parque deixou de fora uma parte significativa dos territórios tradicionais e seus respectivos recursos naturais, muitos deles estratégicos para a reprodução física e cultural desses povos. Este fato é mais grave para os grupos que sofreram transferência de outros locais, pois precisaram se ajustar às novas condições ambientais. O enfoque de nosso enredo está no Parque Indígena do Xingu, a maior reserva indígena do mundo!, alertando para a necessidade do respeito à sua demarcação, bem como à preservação de seus ocupantes e da Natureza que os cerca. Porém, não poderíamos deixar de abordar diversas questões que, ao longo dos séculos, afetam a população indígena como um todo. ETNIAS QUE HABITAM O PARQUE: Aweti – Ikpeng – Kalapalo – Kamaiurá – Kawaiweté (Kaiabi) – Kisêdje (Suia) – Kuikuro – Matipu – Meninako – Nafukuá – Naruvôtu – Tapayuna – Trumai – Waurá – Yawalapiti – Yudjá (Juruna) No coração do país, na maior reserva indígena do mundo, vivem 16 povos nativos que merecem o amor e o respeito de todos os brasileiros!

CONCEPÇÃO Uma Ópera Xinguana, carregada em dramaticidade e contrastes, feita para sensibilizar a plateia e mobilizar a sociedade, inaugurando um grande movimento em defesa dos povos nativos e da natureza do maior parque indígena do mundo. Afinal, uns dependem dos outros para dar continuidade a esta jornada, que a Imperatriz Leopoldinense orgulhosamente transformou em Carnaval e fará desfilar diante dos olhos – e da consciência – de todos nós. Cantemos, dancemos e compartilhemos momentos de alegria, beleza e reflexão.

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Xingu, o clamor que vem da Floresta foi pesquisado em livros, almanaques, vivido em documentários e vídeos. O estudo mais importante, porém, foi quando fizemos a mochila e partimos para o Parque Indígena do Xingu, onde apresentamos este mesmo enredo aos principais personagens da História. Representados por suas lideranças, índios que vivem no Parque tiveram a chance de opinar sobre o que a Imperatriz se propõe a falar a respeito de seu povo e da sua cultura. Foi o momento mais coerente do trabalho. Se as Escolas de Samba já fizeram diversas abordagens sobre a formação do povo brasileiro, não podemos negar que a História do Brasil sempre foi contada pelo branco, deixando o negro e, principalmente, o índio de fora desse contexto. Portanto, nada mais justo que submeter o enredo à análise dos xinguanos, antes mesmo de encaminhar a proposta para os julgadores que darão notas aos diferentes momentos do desfile. Os índios ouviram a leitura da sinopse e a gravação do samba de enredo; viram os desenhos das alegorias e dos figurinos. Em seguida, fizeram sugestões, quase todas voltadas ao seu nivelamento dentro da sociedade brasileira. Exigem que seus direitos de cidadania sejam respeitados, como qualquer um de nós está acostumado a exercer. A palavra “justiça” é uma das mais pronunciadas em seu vocabulário aportuguesado. Vários detalhes por eles considerados importantes serão levados para a Avenida, presentes nas cores, nos rituais e nos elementos da Natureza, com os quais mantém uma troca constante. Ensinaram passos de dança, algumas palavras e gestuais. Mas não deixaram de revelar as preocupações que os acompanham dia e noite. São as mesmas que os angustiam desde a criação do Parque, em 1961, e se pensarmos bem, algumas remontam ao dia em que as caravelas portuguesas aqui desembarcaram pela primeira vez. Temem que suas terras sejam invadidas, a devastação da natureza afete o seu território e a sede de progresso continue espalhando doenças, agrotóxicos em larga escala, promovendo derrubadas de árvores seculares, queimadas e, por fim, a catástrofe anunciada a partir do momento do funcionamento da usina de Belo Monte. Pediram que esses itens não fossem esquecidos. Para caracterizar ainda mais a participação dos povos da floresta no enredo que lhes pertence, dividimos a responsabilidade da movimentação de algumas alegorias com os engenhosos artistas de Parintins, que assinam a cenografia do festival amazonense do boi-bumbá. Feitos estes esclarecimentos, que ajudam a entender como foi criada a estrutura de desfile, passamos a focalizar a temática defendida em cada um dos seis setores do enredo. A Imperatriz vestiu a camisa do Xingu e o Xingu vestiu a camisa da Imperatriz 138

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ROTEIRIZAÇÃO Ao criar um roteiro cronológico, tendo o índio brasileiro e a natureza que o cerca como focos principais, procuramos facilitar o entendimento de toda a trama que será apresentada na Avenida. A letra do samba de enredo segue o mesmo sentido, reforçando a narrativa visual do desfile. O Parque Indígena do Xingu (PIX) é o cenário principal escolhido para o desenrolar da trama. Com suas demarcações físicas (veja o mapa no corpo do enredo) torna-se mais fácil materializar os problemas que mais afetam a vida das etnias indígenas, estejam elas sediadas no PIX ou não: invasões, contaminação química produzida por agrotóxicos, queimadas e devastação da floresta, com derrubada de árvores. Infelizmente, ações como estas também ocorrem na Amazônia e em outras áreas da região Centro-Oeste, vizinhas ao PIX. Procuramos relacionar elementos da flora e da fauna, bem como festas e rituais, traços de cultura, arte e tradições às 16 etnias que habitam o Parque. Cabe lembrar que vários desses povos habitavam outros territórios, como a Amazônia, por exemplo, e quando foram transferidos – para não serem extintos - levaram na bagagem as suas raízes culturais e, com elas, crenças, costumes e tradições. Cabem outros detalhamentos sobre os contextos que definiram cada setor. ABERTURA A Comissão de Frente – O Pássaro Sagrado e o Tesouro de Ramos – destaca a força mística das nações xinguanas. Dá início à narrativa do enredo, evocando a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense como porta-voz do clamor que vem da Floresta. SETOR 01 CELEBRAÇÃO TRIBAL Depois do ritual dos pajés, surge um novo, agora destacando a mística da natureza, através da Dança dos Tucanos, na performance do 1º casal de Mestre-Sala e PortaBandeira. Abertura e Primeiro Setor compõem um grande ritual, simbolizado no Kuarup, a principal manifestação xinguana. É, ao mesmo tempo, uma grande homenagem aos ancestrais e um evento que reúne toda a sociedade indígena, reforçando os laços de amizade e fraternidade entre as nações do Coração do Brasil. O grande momento fica guardado para o carro-abre-alas, transformado num grande templo ao ar livre, para a celebração.

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SETOR 02 O PARAÍSO ERA AQUI Este segmento retrata a natureza brasileira antes da chegada dos europeus, a representação lógica do Paraíso, de acordo com as primeiras comparações diante de tamanha exuberância. As alas que compõem este Setor possuem um objetivo muito claro: destacar a harmonia entre o índio e a Natureza, o seu respeito à fauna e à flora. Usar apenas o que é necessário para a sobrevivência. Os animais escolhidos para ilustrarem os figurinos pertencem à fauna local. Cada um deles possui um papel muito importante dentro do equilíbrio do ecossistema ou, até mesmo, na identificação do índio com as forças da Natureza. SETOR 03 OS OLHOS DA COBIÇA Os Setores 03 e 04 funcionam como as primeira e segunda parte de uma série de ataques à Natureza que começaram com a chegada dos colonizadores europeus no século XVI – e aqui também enumeramos as presenças de franceses e holandeses, além dos portugueses. Tão logo chegaram, os navegantes e degredados do Velho Mundo procuraram se apoderar do território “descoberto”, ignorando os habitantes. Inicialmente, seus interesses estavam voltados para os metais preciosos e o pau-brasil. Depois, tentaram escravizar o índio e, por fim, empreenderam diversas ações de extermínio – até mesmo pelo contágio, espalhando doenças, corriqueiras na Europa, incuráveis para os nativos. SETOR 04 DESTRUIÇÃO O tempo passou, mas o relacionamento dos novos colonos com o índio e a natureza não mudou. Ao contrário, a derrubada de árvores seculares passou a ser feita com a utilização de motosserras, colocando no chão não apenas as expectativas de sobrevivência de etnias indígenas, mas de todos que precisam de oxigênio para respirar. O uso indiscriminado de agrotóxicos polui rios e lagos, matando peixes, a vegetação aquática e, na outra extremidade, causa doenças gravíssimas aos índios que consomem estes alimentos. Os próprios lavradores que manuseiam produtos químicos também correm sérios riscos. Não esquecemos de chamar a atenção para o risco das queimadas, que limpam terreno para a instalação de grandes plantações ou de pasto para o gado. O fogo, porém, mata os nutrientes do solo, tornando-o estéril. Guardamos um capítulo especial para a usina de Belo Monte, situada na cabeceira do rio Xingu, símbolo de uma catástrofe anunciada. Com a expectativa de gerar mais energia para grandes cidades do Norte, suas represas alagarão diversas aldeias e, por outro lado, secarão vários rios, matando peixes e índios. 140

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SETOR 05 A CAUSA INDÍGENA A luta pela causa das nações indígenas de nosso país tem vários momentos importantes. Começa pelo trabalho incansável de um descendente dos Bororos, o marechal matogrossense Cândido Mariano Rondon. Percorrendo os sertões brasileiros para a instalação de linhas telegráficas, seu trabalho de aproximação com povos isolados serviu de exemplo para sertanistas de futuras gerações. Entre eles se destacam os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas, responsáveis diretos pela criação do Parque Indígena do Xingu e a transferência de diversas etnias ameaçadas de extinção. É de se destacar também a atuação do médico ucraniano Noel Nutels, que se dedicou à erradicação de doenças transmitidas pelo branco, em diversas aldeias. Também homenageamos o antropólogo Darcy Ribeiro, responsável pela criação do projeto que deu origem ao PIX. Mesmo não aparecendo em figurinos ou alegorias, é dever mencionar a atuação destemida dos antropólogos Heloísa Alberto Torres, Roberto Cardoso de Oliveira e Eduardo Galvão, que ajudaram a reformular as leis de proteção ao índio e a política indigenista do Brasil. Trata-se de um setor dedicado a justas homenagens a tão ilustres brasileiros! SETOR 06 PRESERVANDO A VIDA Para encerrar o seu desfile, a Imperatriz Leopoldinense deixará gravado no chão da Avenida o seu grande sonho. Assim como a arte incomparável de grafismos, na combinação de penas e plumas, na modelagem de máscaras, na tessitura da palha e do sisal; na leveza dos rituais, agradecendo aos deuses pela graça do pequi ou simplesmente tentando imitar o voo dos papagaios, esperamos que os índios continuem sendo um orgulho da nação brasileira por muitos e muitos anos, com a proteção de Mavutsinim. E torcemos para que este desfile nos ajude a repensar sobre a forma de viver. Precisamos ser mais unidos, amigos, irmãos e devolver o amor que a nossa terra merece. Como, aliás, o índio sempre nos ensinou. Kararaô!

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SINOPSE "O índio estacionou no tempo e no espaço. O mesmo arco que faz hoje, seus antepassados faziam há mil anos. Se pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua comunidade tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade social, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades! Uma tranquila, onde o homem é dono de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em convulsão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz." (Orlando Villas-Bôas, sertanista) INTRODUÇÃO A narrativa sugere o diálogo entre um velho cacique e um futuro guerreiro. - Hoje, não vamos falar apenas de lendas, nem alimentar mistérios que dependem de nossa imaginação. Você cresceu, guerreiro menino, não é mais um curumim. Teve coragem para enfrentar as tucandeiras, traz no rosto as marcas do gavião e já consegue enxergar além das curvas do caminho. Hoje, vamos falar da verdade. É preciso entender o passado para saber o que nos aguarda no futuro. Quando seus pés tocarem o chão, pise com a certeza de que ninguém ama tanto esta terra como a nossa gente. Somos o povo da floresta. Os espíritos de nossos ancestrais dormem nos troncos das árvores. A candura de nossas mães flutua no ar, e se espalha no perfume das flores. O amanhã resiste em cada semente carregada pela força do destino, conduzida pelos pássaros que enfeitam nossos cocares, orientam nossas flechas e repovoam essa gigantesca floresta. Nós somos a floresta e deixaremos que o vento leve este canto aos homens de boa vontade. Eles precisam nos ouvir. Sim, guerreiro menino, porque quando não existir mais floresta, nossa gente será apenas lembrança e o que eles chamam de país, já não terá nenhuma esperança...

1. CELEBRAÇÃO TRIBAL - Nossos irmãos vêm de canoa, dos lugares mais distantes da floresta. Fazem uma roda no centro da aldeia. Corpos pintados, iluminados pela lua cheia. É noite de festa. Vamos dançar ao redor da fogueira. Mavutsinim, o Criador, nos chamou para celebrar a paz e o amor. Tambores, flautas e maracás tocarão a noite inteira. E quando o dia clarear, nossa alma despertará: formosa, cabocla, guerreira... Verdadeiramente brasileira! Devemos encarar a vida com simplicidade. A terra aquecida pelo Sol é a mesma que a Lua protege com o véu da noite, guardando as surpresas para o novo dia. Sonhos existem, mas o destino somos nós que traçamos: colhemos o que plantamos. A morte faz parte da vida. Ela é o resultado de nossas experiências. É a colheita de nossa existência. 142

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Ao invocaros espíritos de nossos antepassados em troncos sagrados, criamos uma ponte para a eternidade, No Kuarup, o que era mito, vira realidade. Celebramos essa derradeira viagem com muita alegria, festejando a certeza de que raros são os que partem com tamanha serenidade – servindo de exemplo para os seus e a comunidade. Cantamos e dançamos, orgulhosos do nosso jeito de fazer parte da Humanidade. 2. O PARAÍSO ERA AQUI - Amamos esta terra muito antes de ela se chamar Brasil. Desde o tempo em que não havia fronteiras. Era céu e chão, até onde os olhos pudessem alcançar, percorrendo serras, florestas, rios, cachoeiras... Sobre o ventre da Natureza, nossos deuses estendiam um manto. Como por um encanto, do lago surgia um pássaro sagrado, protegendo a nação Kamayurá, fazendo a vida brotar... intensa, pujante, vibrante, com uma infinidade de cores. Nuvens de borboletas enfeitavam as flores. Surubins, matrinxãs e tucunarés povoavam os igarapés. Aranhas tecelãs bordavam suas teias, pirilampos faiscavam na aldeia. Do alto dos buritis, ecoava uma sinfonia. Cigarra cantava, acompanhando um coral de aves. O som grave dos bugios e o esturro da suçuarana alertavam para um risco permanente à nossa frente. Quem vem lá? Kayapó ou Kalapalo? Tatu ou tamanduá? Assim era a nossa floresta, casa de nossa gente. Não foi por acaso que, quando o caraíba aqui chegou, imaginou estar no Paraíso – um Jardim Sagrado, de onde o próprio Deus dele o expulsou. 3. OS OLHOS DA COBIÇA - Se perderam o seu Paraíso, os caraíbas partiram para conquistar o nosso, pequeno guerreiro – talvez, por vingança de um feiticeiro. Impulsionadas pelos ventos da cobiça, as naus aportaram em nossas praias, trazendo ensinamentos que os invasores nunca ousaram praticar. Nada mais seria como antes. Em vez de nos tratar como semelhantes, nos chamaram de selvagens e tentaram nos escravizar. Vinham do Velho Mundo e representavam a civilização. Chegaram arrogantes, se apoderando de nossas terras e riquezas. Levaram ouro, prata e diamantes, e uma madeira que tingia com sangue, lembranças de tantas belezas. Em troca, traziam espelhos, doenças e destruição. Sua missão era usar a cruz de um Deus que morava no céu, fincando marcos aqui e ali; usando palavras sagradas, deixaram nossa gente esmagada, como no abraço lento e mortal da sucuri. 4. DESTRUIÇÃO - Caraíba não mede consequências. Acredita na sua ciência, buscando o que chama de progresso. Derruba floresta, espalha veneno e acha o mundo pequeno para semear tanta arrogância. Invade nossas terras, liga a motosserra e no lugar dos troncos sagrados, planta ganância. Caraíba precisa de mais energia para alimentar os seus interesses. Cria verdadeiros monstros. Belos monstros... usinas que devoram rios, matam peixes, secam nascentes, inundam tabas e arrastam na lama o futuro de nossa gente. Não podemos deixar, guerreiro menino, que afoguem o nosso destino. Nossa casa é aqui! E não devemos nos curvar. Precisamos honrar cada dente do colar, cada palavra do irmão Raoni! 143

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5. CAUSA INDÍGENA - Também é justo lembrar de caraíbas que foram amigos. Eles se embrenharam pelo sertão para fazer do Brasil uma grande nação, criando picadas, abrindo estradas e campos de pouso para a aviação. Ficaram encantados com o nosso jeito de ser. Não conseguiam entender que para respeitar e ser respeitado, nenhum de nós precisa vigiar ou ser vigiado. Responsabilidade sempre foi um princípio honrado com a família e a comunidade. Fizemos um kuarup para saudar esses caciques brancos em nossos rituais. Eu ainda era rapaz, pequeno guerreiro, quando os vi no Roncador. Acompanhei suas expedições. Vinham em batelões, trazendo respeito e amor. Ficarão para sempre em nossos corações, protegidos por Tupã. Louvados sejam os irmãos Villas Boas, que nos ajudaram a encontrar a passagem para o Amanhã! 6. PRESERVANDO A VIDA - As nações xinguanas se reúnem para celebrar o orgulho de ser índio e pedem licença para falar: Enquanto o caraíba não recuperar o seu equilíbrio, a Natureza agonizará. E sem ela, sem a proteção da Mãe de todos nós, estaremos ameaçados – seja na terra dos civilizados, ou nos confins dos povos isolados. Já é tempo de o caraíba cultivar a humildade e aprender com o índio o que chama de sustentabilidade. Precisa esquecer os lucros, o progresso, o consumo e o desenvolvimento; zelar pelos sentimentos e os compromissos com a Humanidade, retirando da Natureza apenas o que basta para o seu sustento. Jovem guerreiro, voe nas asas do vento e espalhe estas palavras de Norte a Sul. Os povos não-índios precisam entender que é chegado o momento de ouvir o clamor do Xingu! GLOSSÁRIO Batelões – Embarcações de fundo chato, usadas para navegar em rios rasos. Bugio – Espécie de macaco também conhecido como guariba ou barbado. Buriti – Palmeira que dá um fruto do mesmo nome, rico em vitamina C e largo uso na cosmética. Caraíba – Segundo o índio, o branco. Kalapalo – Uma das 16 etnias do Parque Indígena do Xingu. Kamayurá – Uma das 16 etnias do Parque Indígena do Xingu Kayapós – Uma das etnias do Brasil Central. Kuarup – Ritual xinguano em homenagem aos mortos. Mavutsinim – Segundo a etnia Kamayurá, o primeiro homem, o Criador. Surubins, matrinxãs, tucunarés – Peixes do Brasil Central. Raoni – Líder indígena da etnia Kayapó. Roncador – Serra do Roncador, o ponto mais central do Brasil, situado entre os rios das Mortes e Araguaia, entre os rios Kuluene e o Xingu, no Mato Grosso. Suçuarana – Onça parda. Tucandeira – Formiga cuja picada é capaz de matar um homem. No ritual de iniciação, quando da passagem do menino índio para a adolescência, os jovens guerreiros provam a sua coragem colocando a mão em luvas de palha com várias dessas formigas, suportando as ferroadas durante 15 minutos. 144

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO “Respiramos todos um só ar, Bebemos todos a mesma água, Vivemos todos em uma só terra, Nós devemos protegê-la!” Carregadas de sabedoria e fraternidade, as palavras do cacique Raoni fundamentam o propósito de levar este enredo ao coração do grande público. Num momento em que vários exemplos de descaso e desamor ao país frequentam o cotidiano, convém voltar os olhos ao passado. Precisamos reaprender com os primeiros habitantes de nossa terra os princípios básicos de respeito ao próximo, à família, ao povo e à natureza. Distante do que chamamos de “civilização”, o índio sempre nos transmitiu ensinamentos, que insistimos em ignorar. Preocupados com a situação caótica das grandes metrópoles, provocando índices alarmantes de poluição no ar e na água, o índio já teme pelos reflexos que tantos desmazelos possam causar aos seus, isolados em aldeias situadas no interior do país. Mas ainda há esperança. Aprendamos com o índio. Sejamos mais humildes, companheiros, pacientes, honestos e amigos da natureza. Os Irmãos Villas Boas tiveram esta sensibilidade. Deixaram o seu legado, ensinandonos a compartilhar o Brasil com os verdadeiros brasileiros. Este enredo é uma homenagem a Orlando, Cláudio e Leonardo, e a outros irmãos, não-Villas Boas, e que, como eles, deram a vida pela causa indígena. Os limites do Parque Indígena do Xingu, seus habitantes e a natureza devem ser respeitados. É o nosso clamor.

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Fac-Símile de Carta enviada pela Fundação Darcy Ribeiro

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ROTEIRO DO DESFILE 1º SETOR – CELEBRAÇÃO TRIBAL Comissão de Frente O PÁSSARO SAGRADO E O TESOURO DE RAMOS 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Thiaguinho Mendonça e Rafaela Teodoro A DANÇA DOS TUCANOS Guardiões do Casal YAKUÍ KATU (MÁSCARAS SAGRADAS) Destaque de Chão Luiza Brunet A BELEZA DA MULHER INDÍGENA Grupo Show GUERREIROS KAMAYURÁ Destaque de Chão Waldir Santana PAJÉ Ala 01 – Comunidade NAÇÕES XINGUANAS Alegoria 01 – Abre-Alas TEMPLO SAGRADO – KUARUP 2º SETOR – O PARAÍSO ERA AQUI Ala 02 – Comunidade GAVIÃO-REAL, O PODER VEM DO CÉU Ala 03 – Comunidade TATU, O EQUILÍBRIO PERFEITO 147

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Ala 04 – Comunidade GUARIBA, SENTINELA DA MATA Ala 05 – Comunidade TUCUNARÉ, GUERREIRO DAS ÁGUAS Ala 06 – Comunidade A SOBERANA ONÇA-PINTADA Ala 07 – Baianas PANAPANÁ, CHUVA DE BORBOLETAS Alegoria 02 O ENCANTO DA FLORESTA 3º SETOR – OS OLHOS DA COBIÇA (A INVASÃO) Ala 08 – Comunidade CHEGADA DOS INVASORES Ala 09 – Comunidade OLHOS DA COBIÇA Ala 10 - Comunidade A “TERRA DO OURO” Destaque de Chão Chiquinho e Maria Helena DOR É A MINHA COR Ala 11 – Crianças CURUMIM E O PAU-BRASIL Ala 12 – Comunidade SERVIDÃO Ala 13 – Comunidade DOENÇAS

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Alegoria 03 O ABRAÇO MORTAL DA SUCURI 4º SETOR – DESTRUIÇÃO Ala 14 – Comunidade CHORA O VERDE Ala 15 – Comunidade O PERIGO DOS AGROTÓXICOS Rainha de Bateria Cris Vianna GUERREIRA KAIAPÓ Ala 16 – Bateria CACIQUE RAONI Ala 17 – Passistas AGITO NA ALDEIA Ala 18 – Comunidade MOTOSSERRA Ala 19 – Comunidade VIDA E MORTE NA FLORESTA Grupo Guardiões da Floresta PAJÉS, XAMÃS, LIDERANÇAS, ANTROPÓLOGOS, AMBIENTALISTAS E ARTISTAS QUE LUTAM PELA CAUSA INDÍGENA Alegoria 04 BELO MONSTRO 5º SETOR – A CAUSA INDÍGENA Ala 20 – Comunidade RONDON, O ÍNDIO MARECHAL 149

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Ala 21 – Comunidade DARCY RIBEIRO, O INDIGENISTA IMORTAL Ala 22 – Comunidade EXPEDIÇÃO AO XINGU Ala 23 – Comunidade A MEDICINA DE NOEL NUTELS Ala 24 – Comunidade ORLANDO VILLA BÔAS, O CACIQUE BRANCO Destaque de Chão Natália Nascimento ARARA VERMELHA Alegoria 05 OS SERTANISTAS (O LEGADO DOS VILLAS BÔAS) 6º SETOR – PRESERVANDO A VIDA Ala 25 – Compositores O SOM DA FLORESTA Ala 26 – Galeria da Velha Guarda SABEDORIA ANCESTRAL 2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Marcílio Diamante e Elaine Fernanda RELICÁRIO INDÍGENA Tripé SEMENTE DO AMANHÃ Ala 27 – Comunidade MÁSCARAS DA VIDA

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Ala 28 – Comunidade MAPULAWÁ, A FESTA DO PEQUI Ala 29 – Comunidade A FESTA DO PAPAGAIO Alegoria 06 O CLAMOR DA FLORESTA

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 01

Abre-Alas TEMPLO SAGRADO – KUARUP

O que Representa Na aldeia com flautas e maracás Kuarup é festa, louvor em rituais Para celebrar o respeito aos ancestrais e o eterno compromisso com a vida, o Kuarup é o principal ritual das nações xinguanas. É comemorado no centro da aldeia, com a participação de integrantes de todos os povos vizinhos. Os adolescentes em reclusão pubertária são apresentados à comunidade; as jovens recém-saídas do confinamento estão prontas para casar. Ao som de cânticos, cujos compassos são divididos com a batida dos pés no solo sagrado, o Kuarup assume proporções de uma verdadeira catedral indígena a céu aberto. No centro do primeiro módulo, vemos Mavutsinim, personificado na figura imponente de um gaviãoreal, símbolo de poder e liderança. Segundo os kamayurá, um dos povos locais, Mavutsinim é o início de tudo, ser que gerou todos os grupos que hoje compõem a família xinguana. Como o gaviãoreal, é soberano dos céus que cobrem o coração do Brasil. No centro do segundo módulo acoplado, vemos um gigantesco guerreiro carregando um tronco nas costas, com o orgulho e a responsabilidade de quem tem a missão de construir uma ponte para a eternidade, para onde seus companheiros farão a derradeira caminhada. Esta imagem de exaltação à ancestralidade fica bem clara na parte posterior deste módulo, onde guerreiros que já se foram ocupam o interior de troncos sagrados, que passam a representá-los. Outros troncos, ornados com cocares que trazem as cores características das nações xinguanas, ladeiam o primeiro módulo, como se estivessem delimitando o perímetro da aldeia. Oitenta composições representam as 16 nações do Parque Indígena do Xingu, ocupando o abre-alas em sua totalidade. O som de flautas gigantescas faz ecoar o clamor que vem de longe, somando-se ao clamor de toda a não brasileira, como se ainda vivêssemos na mesma floresta.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 02

O ENCANTO DA FLORESTA

O que Representa Na floresta, harmonia, a vida a brotar Sinfonia de cores e cantos no ar O Paraíso fez aqui o seu lugar Jardim sagrado o caraíba descobriu Quando os portugueses desembarcaram nas terras recém-descobertas no Novo Mundo, imaginavam terem chegado ao Paraíso – tamanha semelhança com as descrições que fantasiavam os textos religiosos. A pujança da Natureza e a ingenuidade dos habitantes levavam a crer que, se anjos não havia, aqueles seres que andavam despidos e se respeitavam mutuamente, se não eram completamente puros, eram quase. E eram felizes! O encanto era tanto que, ao voltarem para a Europa, os marinheiros inventavam histórias e afirmavam terem presenciado cenas extraordinárias. Contavam, por exemplo, que viram borboletas se transformarem em pássaros coloridos! E a cada ponto, aumentavam um conto. A segunda alegoria mostra um pedaço desse “Paraíso”, no coração do Brasil. Fauna e flora se harmonizam em beleza, cores e movimentos. Escolhemos três representantes da fauna xinguana, que ocorrem em diversos pontos da grande Reserva: o jacaré – em peça articulada, criação genuína dos artistas de Parintins, ocupando a base do carro em toda a sua extensão; os bugios, macacos de pelo ruivo, que se deslocam pelas copas das árvores; e a majestosa arara Canindé, que sobrevoa o nosso desfile, emprestando em suas cores a boa sorte para as nossas pretensões.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 03

O ABRAÇO MORTAL DA SUCURI

O que Representa Sangra o coração do meu Brasil O invasor carrega nos olhos a energia de sua ambição. Como uma Medusa da História Contemporânea, de sua cabeça surgem tentáculos que abraçam tudo o que podem: riquezas naturais, vidas humanas e o que se apresente como obstáculo ao seu domínio. O branco nasceu para ser dono, senhor, para mandar e desmandar. Agora, com a patente de conquistador, ele é o todo-poderoso dos trópicos! Mas, na verdade, não são tentáculos... são sucuris! Traiçoeiro como a cobra, o Caraíba envolve lentamente a presa, até o abraço mortal. Foi assim que os colonizadores tomaram posse das terras que não eram suas, exterminando seus primitivos habitantes e destruindo a natureza, para se aproveitar de tudo que possuísse valor de mercado. O Caraíba é o pior de todos os predadores. E a destruição continua. Ainda hoje, os nativos que habitam o Parque Indígena do Xingu vão dormir preocupados. As invasões continuam, assim como a degradação dos rios e das matas. Composições personificam o espírito corsário do invasor e a tentativa de arrastar os índios para o trabalho escravo. A bainha do carro é pontuada de crânios, fazendo menção ao holocausto tupiniquim.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 04

BELO MONSTRO

O que Representa O Belo Monstro rouba as terras dos seus filhos Devora as matas e seca os rios Tanta riqueza que a cobiça destruiu Dividida em dois momentos, a quarta alegoria mostra causa e efeito da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, na bacia do rio Xingu, no norte do Pará, próximo à cidade de Altamira. Como outros empreendimentos destinados a reforçar o abastecimento de energia elétrica de grandes cidades, as consequências para as populações indígenas serão trágicas. Por este motivo os ambientalistas a apelidaram de Belo Monstro – nome que também batiza o projeto artístico deste carro. No primeiro momento, vemos a tragédia anunciada. Com a construção da barragem, os cursos do Xingu e diversos afluentes serão alterados. Uns provocarão a inundação de igarapés, ilhas e cidades; outros secarão, deixando muitas famílias sem meios de subsistência, notadamente água e peixes, a principal fonte de alimentação. No segundo momento, comandados por Raoni, os índios lutam por seus direitos e tentam a todo custo fazer com que as obras sejam paralisadas. Sabemos que isso é quase impossível, pois o término da construção está previsto para 2019. Mas, no nosso desfile, este clamor também vencerá. E teremos a felicidade de ver nossos irmãos xinguanos novamente em comunhão com a natureza, como, aliás, sempre fizeram. Se haverá um perdedor no final dessa história será o Belo Monstro. Em homenagem ao cacique Raoni, as composições deste carro simbolizam guerreiros kaiapó – etnia à qual pertence o grande líder.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 05

OS SERTANISTAS O LEGADO DOS VILLASBÔAS

O que Representa Lembrar a coragem e o amor dos irmãos E outros heróis guardiões Aventuras de fé e paixão O sonho de integrar uma nação A quinta alegoria documenta o momento de aproximação de uma expedição sertanista com integrantes de uma nação xinguana que jamais tiveram contato com o branco. Um monomotor, canoas e, sobretudo, muita coragem são necessários nessa tentativa que pode levar dias, semanas, meses e até anos. Afinal, a tradição oral indígena vem transmitindo de geração para geração as atrocidades que os caraíbas fizeram em outras aldeias, no passado. Presentes e provas de amizade e paz são deixados pelo caminho. Os índios, no entanto, se mantém arredios e arremessam flechas para manter o invasor distante de sua gente. Misturadas às garças, índias levam para a aldeia informações sobre o avanço dos caraíbas em seu território. À frente do carro, os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas aparecem como nas fotos publicadas em jornais e revistas do mundo inteiro, nas reportagens que contavam detalhes dessas aproximações. Ouviram relatos de perigos, riscos e doenças que ameaçavam nações indígenas em vias de extinção. Foram eles os principais responsáveis pela criação do Parque Indígena do Xingu, reserva para onde esses povos foram levados. Os Villas-Bôas simbolizam a luta de sertanistas e antropólogos como o marechal Cândido Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Heloísa Alberto Torres, Roberto Cardoso de Oliveira e Eduardo Galvão, entre outros, responsáveis pela reformulação da política indigenista no Brasil e das leis de proteção ao índio. A parte frontal e as laterais do carro estão povoadas de sertanistas navegando pelo Xingu, acompanhados por cardumes de tucunarés. No fundo, um gigantesco cocar, brasão do verdadeiro dono da terra. 156

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria *

Tripé 01 SEMENTE DO AMANHÃ

O que Representa A semente do amanhã, herança Entre cerâmicas e artesanato Waurá, curumins, de mãos dadas, abraçam o globo terrestre – confeccionado em verde, como se fosse dessa forma que vissem o universo – todo ele sintetizado numa gigantesca Floresta. Com as crianças, filhotes de animais, igualmente adaptados a uma natureza que não precisava ser modificada - mas, infelizmente foi, continua sendo e tudo indica que ainda será. Essas crianças simbolizam a esperança de preservação não apenas do meio ambiente, mas principalmente, do amor pela terra em que nasceram. A pedido dos próprios xinguanos, que tiveram a chance de conhecer e opinar sobre figurinos e alegorias que contam a História de sua gente, o tripé sofreu um acréscimo: o relacionamento entre o branco da cidade grande e o índio, falando a mesma linguagem, antenados nos mesmos problemas, ligados no mesmo futuro. Afinal, são cidadãos nascidos no mesmo país. Foi uma das raras observações feitas pelos nossos homenageados e aí está.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Cahê Rodrigues Nº Nome da Alegoria 06

O CLAMOR DA FLORESTA

O que Representa Salve o verde do Xingu, a esperança (...) O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar… Preservar! Por mais fantasia que o Carnaval exija, os índios que compõem a sexta alegoria são de verdade, todos residentes e a grande maioria nascida no Parque Indígena do Xingu. Mais que uma alegoria, este carro é uma tribuna. É nele que os xinguanos soltarão a voz, para que um Brasil inteiro ouça e reconsidere os direitos destes cidadãos. E como são verdadeiros! Amparados pelas mãos da floresta, os líderes das nações indígenas abrem alas e pedem passagem para a sua gente, saudando o grande público do Sambódromo. Atrás deles, duas onças pintadas, as grandes guardiãs da mata, anunciam que é necessário muito respeito para ouvir o que os povos da floresta têm a dizer. Mais atrás, ladeando uma oca em construção, mostrando que a engenharia e a arquitetura indígenas não devem nada às que são ensinadas nas faculdades, duas índias acalantam o futuro, tecido em seus ventres. No alto do carro, um guerreiro coberto com a Bandeira do Brasil deixa uma mensagem que precisa ser refletida a cada momento do ano que vem pela frente. Curvado, de joelhos, como se estivesse diante da cruz fincada na areia para a Primeira Missa, seu gesto é muito claro. E parece nos dizer: “Irmãos, precisamos ter mais amor pelo nosso país!” E como assinaturas que legitimam este clamor, ficam 16 máscaras, simbolizando as etnias homenageadas em nosso enredo. Salve os Aweti, Ikpeng, Kalapalo, Kamaiurá, Kawaiweté (Kaiabi), Kisêdie (Suiá), Kuikuro, Matipu, Mehianako, Nafukuá, Naruvôtu, Tapayuna, Trumai, Waurá, Yawalapiti e Yudjá (Juruna)! Mavutsinim, Salve o Xingu! Fontes:Ipeax, Unifesp e Funai. 158

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FICHA TÉCNICA Alegorias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Simone Drumond

Empresária

Nathália Drumond

Empresária

Paola Drumond

Advogada

Elymar Santos

Cantor

Rodrigo Leocádio

Empresário

Neucimar

Estilista

Dona Elizabeth

Empresária

Luizinho 28

Estilista

Ray Menezes

Estilista

Eduardo Jr

Estilista

Marcelo Bimbi

Modelo

Maria Azedo

Foi por 10 anos, Cunhã-Poranga Boi Caprichoso

Brenna Dianá

Rainha do folclore do Boi Caprichoso

Cacique Raoni

Liderança Indígena

Leandra Bahia

Empresária

Karla Mead

Dançarina e Empresária

Amanda Djehdian

Modelo e ex-BBB

Local do Barracão Rua Rivadavia Correa, 60 – Barracão 14 – Gamboa – Centro Diretor Responsável pelo Barracão Regina Cairo Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe Alexandre “Xixi” Jorge Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Lael Daniel Soave Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe Kibe Franco Outros Profissionais e Respectivas Funções 12

Edward de Moraes Ana Marco Monte Daniel Soave Lael Jucelino Ribeiro

- Chefe de adereço - Almoxarife - Arte em Espuma - Pintura de Arte - Esculturas - Esculturas em movimento

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 01

Nações Xinguanas

LOCALIZAÇÃO: SETOR 01 CONTEXTO: GRANDE CELEBRAÇÃO MÍSTICA / TRADIÇÕES E FÉ Liderada pelo pajé Waldir Santana, de Parintins, esta ala traz em sua fantasia um pouco de cada uma das 16 etnias que vivem no Parque Indígena do Xingu. Fazendo os movimentos característicos para a celebração do Kuarup, índios exibem corpos pintados com urucum e jenipapo. Seus cocares sintetizam as cores tradicionais dos povos da região: amarelo, laranja, vermelho e preto, com destaque para as penas do gavião-real, na parte central. Usam amarrações na cintura, nos pulsos, joelhos e tornozelos. Exibem diversos adornos, como colares e brincos, além dos cocares, ressaltando a delicadeza e o encanto da arte plumária. Carregam troncos sagrados, homenageando seus ancestrais. Trazem nas mãos flautas Uruás que emitem sons graves, e ecoam à distância, convocando irmãos de outras aldeias para participarem da grande festa.

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Comunidade (2011)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 02 Gavião-Real, o CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE Comunidade Direção de O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA (1959) Carnaval Poder Vem do Céu Na verdade, o que chamamos de “gavião real” é a harpia, uma das mais poderosas águias do mundo. Símbolo de liderança, liberdade e altivez, o gavião-real impera nas florestas e cerrados do Xingu. Os índios o chamam de uiraçu. Em diversas etnias representa a soberania do cacique, o único que tem o direito de possuir uma ave dessa espécie. Em algumas aldeias xinguanas o gavião-real é mantido em cativeiro desde filhote para que, quando adulto, dele se retirem penas destinadas a ornamentos. Principalmente dos que são usados pelo cacique. A plumagem do gavião-real forma incríveis desenhos em preto e branco.

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Tatu, o Equilíbrio Perfeito

LOCALIZAÇÃO: SETOR 2 CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA / FOLCLORE É um animal corriqueiro no cotidiano do Parque. Nativo do continente americano, o tatu habita o cerrado, savanas, matas ciliares e florestas molhadas. Caracterizase por uma armadura que cobre o seu corpo. Tem grande importância ecológica, pois se alimenta de insetos, contribuindo para um equilíbrio de populações de formigas e cupins – daí o risco de ser caçado como alimento. Ganha diversos sentidos figurados, quando aparece em lendas e fábulas que revelam segredos e sabedoria dos povos da região. Na fantasia, índio e tatu (cuja cabeça é a parte central do cocar), filhos da mesma Floresta, trocam experiências e sabedoria para o equilíbrio que está acabando.

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Comunidade (1959)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 04

Guariba, Sentinela da Mata

LOCALIZAÇÃO: SETOR 2 CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA Os guaribas, bugios ou barbados – por causa da grande quantidade de pelos (castanhos) que cobrem a mandíbula - são velhos conhecidos dos índios e estão presentes na cultura de diversas etnias. Em algumas delas, as meninas aprendem a cantar usando o papo de um guariba pendurado no pescoço. Os indígenas acreditam que este hábito ajuda a voz a ficar mais grave, como a do macaco, e forte, como a dos guerreiros. A voz grave e possante é uma das principais características desse primata. O líder do grupo é quem grita mais alto, se comunicando com outros grupos e, assim, evitando confrontos; ou então, avisam sobre a presença de estranhos. A fantasia sintetiza a harmonia entre esses dois irmãos: o índio protege a floresta onde também vive o guariba, a sentinela da mata.

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Comunidade (1959)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 05

Tucunaré, Guerreiro das Águas

LOCALIZAÇÃO: SETOR 2 CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA / PESCA A palavra tucunaré se origina do tupi. Significa amigo (are) da árvore (tucun). Quanto mais próximo da superfície, suas escamas ganham um tom dourado, com listras verticais azuladas. Gosta de águas tranquilas. Vive em lagos, lagoas, rios e estuários. Costuma se alimentar de pequenos peixes ou crustáceos. É um caçador obstinado: persegue a presa até conseguir alcançá-la. É um valente guerreiro, pois enfrenta qualquer tipo de peixe da defesa de seu território. Talvez, por isso, o tucunaré sempre foi um dos alimentos prediletos dos índios. Com suas cores reluzentes, o tucunaré é um dos peixes de água doce mais bonitos do Brasil. A sua pesca depende da astúcia e da valentia do pescador. Na fantasia, peixe e pescador se confundem. São guerreiros determinados, irmãos na bravura e na vigilância de seus territórios.

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Comunidade (1959)

Direção de Carnaval

Abre-Alas – G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 06

A Soberana Onça Pintada

LOCALIZAÇÃO: SETOR 2 CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA É um dos maiores felinos do mundo, ficando atrás apenas do leão e do tigre. É o maior da América do Sul e pode ser encontrado em diversas partes do Parque. Animal de rara beleza, solitário e noturno, busca parceiro apenas na época do acasalamento. Possui unhas retráteis, capazes de abrir o casco de uma tartaruga para se alimentar. Sua mordida é precisa e mortal. Come qualquer tipo de animal que consegue capturar. É um exemplo de força e destemor em que os índios sempre se espelharam. É uma espécie considerada em vias de extinção. Na fantasia, o guerreiro se cobre com o manto da soberana, incorporando a sua energia e a coragem para enfrentar qualquer perigo.

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Comunidade (2011)

Direção de Carnaval

Abre-Alas – G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 07

Panapaná, Chuva de Borboletas

LOCALIZAÇÃO: SETOR 2 CONTEXTO: A COMUNHÃO ENTRE O ÍNDIO E A NATUREZA / FAUNA Panapaná é o coletivo de borboletas e, curiosamente deriva do tupi, panãma, que significa borboleta. A Natureza não seria perfeita se elas não existissem. Enfeitam as margens dos rios, colorem os igarapés, fazem com que as flores sejam mais bonitas ainda. Possuem um grande papel ecológico, pois além de polinizadoras, se alimentam de insetos nefastos. Algumas, como as monarca, migram a quilômetros de distância. Depois de passar pelas fases de ovo, lagarta e pulpo (casulo), as adultas vivem de duas semanas a três meses, apenas, embora existam fósseis que comprovem a existência dessa espécie há mais de 50 milhões de anos! A fantasia representa um show da natureza às margens do rio Ipavu, onde nuvens de borboletas colorem as terras dos kamaiurá.

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Baianas (1959)

Raul

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Chegada dos Invasores

LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 CONTEXTO: A CHEGADA DO HOMEM BRANCO/ DOMÍNIO

Comunidade (2011)

Direção de Carnaval

Comunidade (2000)

Direção de Carnaval

Traziam a palavra de Deus, as regras do Mundo Civilizado e, no coração, uma desmedida ambição. O falso sorriso amigo escondia a destruição que estava por acontecer. Era um abraço lento, sufocante, mortal, como o da sucuri. Aterrorizaram aldeias com o seu espírito maligno e não mediram consequências para dominar o território “descoberto”. Estão caracterizados de corsários, os aventureiros do mar, e sua presença fantasmagórica na costa brasileira.

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Olhos da Cobiça

LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 CONTEXTO: A CHEGADA DO HOMEM BRANCO/ INTERESSES ECONÔMICOS Espremido entre a Espanha e o Mar Tenebroso, Portugal logo apostou toda as suas expectativas nas riquezas naturais da terra brasileira. Era a esperança de novas receitas para abastecer o Tesouro e patrocinar o sonho de dominar a costa do Atlântico e os mares do Oriente. Era o “olho grande” numa terra que já tinha dono, embora isso não fizesse muita diferença.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 10

A “Terra do Ouro”

LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 CONTEXTO: A CHEGADA DO HOMEM BRANCO/ RIQUEZAS

Comunidade (2012)

Direção de Carnaval

Crianças (1988)

Direção de Carnaval

O ouro foi um dos primeiros assuntos sondados nos contatos dos navegantes portugueses com o índio brasileiro. Quando os nativos reconheceram o ouro em objetos mostrados pelos portugueses, estes imaginaram que a terra descoberta possuísse inúmeras jazidas do metal. Estavam enganados. Mas, em pouco tempo, transportaram para Lisboa todo o ouro que havia por aqui.

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Curumim e o Pau-Brasil

LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 CONTEXTO: A CHEGADA DO HOMEM BRANCO/ RIQUEZAS O pau-brasil, madeira rica em tintura vermelha, seria de grande serventia para abastecer o mercado europeu de corantes de tecidos e de fabricação de móveis. Em busca dessa madeira, os portugueses devastaram florestas inteiras. A importância dessa árvore é tão grande para a economia lusitana que acabou emprestando o seu nome ao nosso país.

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Abre-Alas – G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 12 Comunidade Direção de Servidão CONTEXTO: A CHEGADA DO (1983) Carnaval HOMEM BRANCO/ TRABALHO ESCRAVO Para conseguirem cortar tantas árvores de pau-brasil e transportar os troncos até as naus atracadas ao longo da costa, os colonizadores – e aqui também citamos franceses e holandeses, além dos portugueses – usaram toda a sua astúcia. Primeiro, aprenderam com o índio a melhor técnica para fazer o corte. Depois, escravizaram o próprio nativo para fazer o trabalho braçal, desde a derrubada até o carregamento das toras. Esta ala é composta por dois figurinos: o explorador e o índio aprisionado.

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Doenças

LOCALIZAÇÃO: SETOR 3 CONTEXTO: A CHEGADA DO HOMEM BRANCO/ CONTATO

Os primeiros colonizadores degredados para as nossas terras eram pessoas que a Coroa Portuguesa queria ver bem longe: homens e mulheres que tinham os mais variados problemas com a lei. Vir para o Brasil seria uma forma de sobreviver e, ao mesmo tempo, ocupar o território recentemente conquistado. E, possivelmente, até enriquecer! Foram os primeiros a se apoderarem de nossas riquezas, engravidarem as índias, e dominarem nossas terras. Em troca, deixaram os mais diferentes tipos de doenças que trouxeram da Corte, dizimando a população nativa. A fantasia simboliza vírus de doenças comuns na Europa e letais para os índios.

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Comunidade (1985)

Direção de Carnaval

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Chora o Verde

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ QUEIMADAS Aqueimada é uma prática primitiva da agricultura, trazida pelos primeiros colonizadores, destinada principalmente à limpeza do terreno para o cultivo de plantações ou formação de pastos, com uso do fogo de forma controlada. Mas quando se perde o controle do fogo, essa prática pode causar incêndios gigantescos, destruindo florestas, matas e grandes terrenos. Queimar a vegetação é mais fácil e barato do que contratar trabalhadores para fazer o preparo do solo – cujos componentes ficam seriamente comprometidos pela ação do fogo. Infelizmente, as queimadas vêm se alastrando pela Amazônia e no entorno do Parque, influindo no equilíbrio do ecossistema.

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Comunidade (2004)

Direção de Carnaval

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O Perigo dos Agrotóxicos

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ CONTAMINAÇÃO

Comunidade (2012)

Direção de Carnaval

Rainha de Bateria

Cris Vianna

O meio mais prático e veloz para controlar as pragas que destroem as plantações é o uso abusivo de pesticidas – componentes químicos que destroem o meio ambiente e vão matando o homem, lentamente. Isso vem acontecendo com lavradores, que manuseiam estes produtos sem o uso de equipamento de segurança adequado e, na outra ponta, com os índios da região central do país. Essas químicas, verdadeiros venenos, penetram na terra, escoam pelos rios, contaminam peixes e vão afetar as pessoas que consomem o pescado, às vezes bem distante dali – como no entorno do Parque Indígena do Xingu.

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Guerreira Kayapó

Tributo aos Caciques de Ramos

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Cacique Raoni

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ CLAMOR

Bateria (1959)

Mestre Lolo

Passistas (1959)

Direção de Carnaval

O Cacique Raoni Kayapó é uma das mais importantes lideranças xinguanas – e, com ele, saudamos os demais caciques do Parque. Sua luta e determinação estão representados no coração de nossa Escola, a Bateria! Serão os nossos Raonis que sustentarão o ritmo da Nação Leopoldinense na Avenida! O figurino foi inspirado em show que o cantor Sting homenageou Raoni. Os dois são amigos de longa data e parceiros na luta contra a construção da usina de Belo Monte, no Pará, o Belo Monstro. 17

Agito na Aldeia

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ CLAMOR Eles não conhecem a palavra medo e respondem com a arte que os deuses lhes deram o desafio de passar ao longo de toda a Sapucaí, dizendo no pé. Dançarão o samba no compasso de nossos Raonis. São esguios, performáticos e têm sangue frio para deixar na poeira qualquer Sucuri que atravesse em seu caminho. Salve a graça, o charme e o veneno leopoldinenses!

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Motosserra

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ DEVASTAÇÃO

Comunidade (2001)

Direção de Carnaval

Comunidade (2012)

Direção de Carnaval

Na ânsia de ampliar o domínio e a riqueza, madeireiros invadem reservas florestais para a derrubada de árvores. Os habitantes dessas regiões ficam vulneráveis. O índio e diversas espécies animais não têm para onde ir. Essa prática tem originado confrontos entre grupos indígenas e milícias de posseiros. Mas a motosserra não para, continua derrubando árvores e elevando o índice de desmatamento a níveis alarmantes. Como o índio conseguirá viver sem a sua floresta?

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Vida e Morte na Floresta

LOCALIZAÇÃO: SETOR 4 CONTEXTO: DESTRUIÇÃO DA NATUREZA/ TRANSFORMAÇÃO Não faz muito tempo, nossas matas formavam um “Terreal Paraíso” – como Pero Vaz de Caminha escreveu na Carta do Descobrimento enviada ao Rei. Com o passar do tempo, no entanto, o espírito de destruição foi-se apoderando de florestas, rios e cachoeiras, para saciar a sede de energia do Belo Monstro. Elefixa o olhar no futuro, calcula as vantagens que o progresso trará e se esquece que a sua voracidade poderá custar a sobrevivência de aldeias e, consequentemente, de muitos índios. Mas, preste bem atenção: de repente, isso poderá mudar!

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Rondon, o Índio Marechal

LOCALIZAÇÃO: SETOR 5 CONTEXTO: SERTANISMO DE CONTATO / POLÍTICA INDIGENISTA De sertanista a diretor de Engenharia do Exército, o matogrossense Cândido Mariano Rondon honrou o sangue de seus antepassados - seu avô era um Bororo e sua avó, uma Terena. Foi um dos primeiros brasileiros a se preocupar com a preservação de povos indígenas do Xingu e da Amazônia. Com a missão de instalar linhas telegráficas, foi um dos pioneiros no contato com etnias isoladas e outras que ocupavam parte das terras que hoje compõem o Parque Indígena do Xingu, entre elas: Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás, Macuporé, Guayara e Macurape. A fantasia estiliza uma antiga farda do Exército, complementada por um cocar, sintetizando o espírito de Rondon.

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Comunidade (2012)

Direção de Carnaval

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Darcy Ribeiro, o Indigenista Imortal

LOCALIZAÇÃO: SETOR 5 CONTEXTO: SERTANISMO DE CONTATO / POLÍTICA INDIGENISTA/ ANTROPOLOGIA Antropólogo, escritor e político, Darcy Ribeiro, que empresta seu nome à Avenida dos Desfiles, dedicou a maior parte de sua vida ao estudo dos povos indígenas, tendo escrito vários livros a respeito. Viveu um bom tempo entre os Urubu-Kaapor, no Norte do país. Atuou no Serviço de Proteção ao Índio, que antecedeu à Funai, e foi o autor do projeto de criação do Parque Indígena do Xingu. Levou a defesa da causa indígena para os salões da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira no 11, cujo patrono é Fagundes Varela. A fantasia lembra o fardão da Academia, ornado com a arte plumária das etnias que foram a razão de sua luta.

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Comunidade (2012)

Direção de Carnaval

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Expedição ao Xingu

LOCALIZAÇÃO: SETOR 5 CONTEXTO: SERTANISMO DE CONTATO / POLÍTICA INDIGENISTA A Expedição Roncador-Xingu foi acompanhada em ritmo de novela pela população brasileira durante os anos 1940. Uma grande agência internacional de notícias e a revista de maior circulação no país, na época, enviaram repórteres a pontos estratégicos do Centro-Oeste e ali recebiam informes regulares dos Irmãos Villas Bôas a respeito das incursões, principalmente sobre os contatos com as etnias xinguanas.

A Expedição tinha o objetivo de promover a integração nacional e dela acabou nascendo o ideal da criação do Parque Indígena do Xingu, para a proteção dos povos ameaçados de extinção. A fantasia mostra um sertanista se deslocando pelo Xingu em sua canoa, cercado por elementos da natureza.

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Comunidade (2003)

Direção de Carnaval

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 23

A Medicina de Noel Nutels

LOCALIZAÇÃO: SETOR 5 CONTEXTO: SERTANISMO DE CONTATO / POLÍTICA INDIGENISTA/ SANITARISMO Nascido na Ucrânia e de origem judia, Noel Nutels trabalhou como médico no Serviço de Proteção ao Índio e foi também o médico da primeira expedição RoncadorXingu. Idealizou e dirigiu o Serviço de Unidades de Saúde Aéreas para tratar de populações indígenas na Amazônia e, posteriormente, no Parque Indígena do Xingu. Dedicou a maior parte de sua vida à erradicação de doenças que infestavam as aldeias, oriundas de contato com o branco. Decorada com grafismos de arte nativa, a fantasia procura retratar o espírito idealista de Nutels, um verdadeiro guerreiro da medicina popular.

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Comunidade (2000)

Direção de Carnaval

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Orlando Villas Bôas, o Cacique Branco

LOCALIZAÇÃO: SETOR 5 CONTEXTO: SERTANISMO DE CONTATO / POLÍTICA INDIGENISTA

Comunidade (2003)

Direção de Carnaval

Compositores (1959)

Direção de Carnaval

Ao homenagear Orlando estamos exaltando também seus irmãos Cláudio e Leonardo Villas Bôas, que, com ele, abraçaram a causa das etnias indígenas ameaçadas de extinção, levando-as para o Parque do Xingu. O espírito de família e unidade fez com que essas 16 etnias que lá existem, aprendessem a conviver em paz e em busca de ideais comuns. Não foi à toa que os índios organizaram um kuarup em respeito à morte de Orlando, como se fosse um cacique de verdade. O mais velho dos irmãos Villas Boas teve duas vezes o seu nome indicado ao Prêmio Nobel da Paz. A fantasia destaca o amor do cacique branco à natureza e ao índio brasileiro, motivos de toda a sua luta. Ostenta, orgulhosamente, um cocar e traz no ombro a companhia de uma arara Canindé.

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O Som da Floresta

LOCALIZAÇÃO: SETOR 6 CONTEXTO: PRESERVAÇÃO NATUREZA

DA

O canto dos pássaros se mistura às vozes dos animais e ambos são levados no embalo do vento. O berro dos bugios preenche o espaço melódico entre solos de curiós, canários da terra, bicudos, trinca-ferros e coleiras. A cada momento a Natureza compõe uma sinfonia para saudar os compromissos com a Vida e o despertar de um novo amanhecer! Nossos poetas se vestem de inspiração para cantarmos a preservação da floresta!

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Sabedoria Ancestral

LOCALIZAÇÃO: SETOR 6 CONTEXTO: PRESERVAÇÃO DAS TRADIÇÕES

Galeria da Velha-Guarda (1959)

Direção de Carnaval

Comunidade (2005)

Direção de Carnaval

Ouvir mais do que falar... Prestar atenção nos detalhes de cada espécie e nas soluções encontradas para o desafio da sobrevivência... Amar a terra em que nascemos! Preservar as tradições, costumes e transmitir a responsabilidade para com o Futuro. Abram alas para a sabedoria da Galeria da Velha-Guarda!

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Máscaras da Vida

LOCALIZAÇÃO: SETOR 6 CONTEXTO: TRADIÇÕES RITUAIS XINGUANOS

E

Festas de Apapaatai são rituais de máscaras do Xingu, nos quais guerreiros em transe assumem formas não-humanas como o trovão, o sapo, a onça, a cobra, o macaco, etc. As máscaras formam um dos mais ricos acervos do artesanato indígena. São usadas habitualmente em festas, rituais e cerimônias, simbolizando divindades, antepassados e animais, personagens que integram o misterioso teatro da Floresta. Na fantasia, um índio Waurá esconde a sua identidade para saudar um ancestral.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Cahê Rodrigues DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 28

Mapulawá, a Festa do Pequi

LOCALIZAÇÃO: SETOR 6 CONTEXTO: TRADIÇÕES RITUAIS XINGUANOS

E

Comunidade (2003)

Direção de Carnaval

Comunidade (1998)

Direção de Carnaval

Para festejar o início da safra e, meses depois, a colheita do pequi, fruto comestível e do qual também é extraído um óleo aromático, etnias xinguanas celebram o Mapulawá – que significa beija-flor, o principal polinizador dos pequizeiros. Para homenagear o pássaro, chefes de família constroem esculturas de vime, representando este verdadeiro protetor da Floresta. Na fantasia, vemos o índio Waurá cultuando as imagens dos pássaros, moldados em vime, responsáveis pelo plantio do fruto sagrado.

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Festa do Papagaio

LOCALIZAÇÃO: SETOR 6 CONTEXTO: TRADIÇÕES RITUAIS XINGUANOS

E

A dança é uma das principais manifestações de alegria das etnias xinguanas. Imitam elementos da Natureza, sobretudo os pássaros, pela beleza do canto e a riqueza da plumagem. No compasso dos pés, reproduzem o movimento dos animais. Na Festa do Papagaio, os corpos são pintados. Os homens usam grandes saias e as mulheres, cintos de palha. Penas e folhagens adornam os braços. Os cocares são imensos. Penduradas nas costas, algumas aves servem de oferenda às divindades que protegem a aldeia. Na fantasia, vemos um guerreiro kamayurá simulando o voo da ave.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadavia Correia, 60 – Barracão nº. 14 – Gamboa – Centro Diretor Responsável pelo Atelier Ray Menezes e Mauro Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Cristiane Machado Rivelino Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Mauro Alberto / Regina Outros Profissionais e Respectivas Funções Ray Menezes

- Estilista

Marco Monte

- Arte em espuma

Daniel Soave

- Pintura de Arte

Paulo

- Armações em arame

Vitor

- Armações em Vime

Cristiane Machado

- Chefe de Costura

Rivelino

- Chapelaria

Mauro Ferreira

- Chefe de Adereços

Outras informações julgadas necessárias (*) Todas as Alas são da Comunidade, sob a responsabilidade direta da Direção de Carnaval. A Imperatriz Leopoldinense não estará levando nenhuma ala comercial para a Avenida.

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Autor(es) do Samba- Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Almir Sena Enredo Presidente da Ala dos Compositores Vitor Kacz Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 85 Zé Katimba Luizinho (oitenta e cinco) 84 anos 18 anos Outras informações julgadas necessárias Brilhou... A coroa na luz do luar! Nos troncos, a eternidade, a reza e a magia do pajé Na aldeia com flautas e maracás Kuarup é festa, louvor em rituais Na floresta, harmonia, a vida a brotar Sinfonia de cores e cantos no ar O Paraíso fez aqui o seu lugar Jardim sagrado o caraíba descobriu Sangra o coração do meu Brasil O Belo Monstro rouba as terras dos seus filhos Devora as matas e seca os rios Tanta riqueza que a cobiça destruiu Sou o filho esquecido do mundo Minha caro é vermelha de dor O meu canto é bravo e forte Mas é hino de paz e amor Sou guerreiro imortal, derradeiro Deste chão o senhor verdadeiro Semente eu sou, a primeira Da pura alma brasileira Jamais se curvar, lutar e aprender Escuta, menino, Raoni ensinou Liberdade é o nosso destino Memória sagrada, razão de viver Andar aonde ninguém andou Chegar aonde ninguém chegou Lembrar a coragem e o amor dos irmãos E outros heróis guardiões Aventuras de fé e paixão O sonho de integrar uma nação Kararaô... Kararaô... O índio luta pela sua terra Da Imperatriz vem o seu grito de guerra Salve o verde do Xingu, a esperança A semente do amanhã, herança O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar... Preservar!

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Xingu, o clamor que vem da Floresta, samba de enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2017, assume a grande responsabilidade de servir como porta-voz dos anseios das etnias do Xingu. Será o Clamor da Floresta. Para melhor entendimento da narrativa de desfile, a Escola optou por uma letra descritiva, que apresenta o enredo de forma poética, em ordem cronológica, individualizando os diversos setores que dividem o tema. A melodia acompanha a proposta da letra, atuando ora como um lamento, ora como uma afirmação dessas etnias que integram o Parque, ora como o brado de um guerreiro, mas sempre levando o ouvinte à reflexão, para que tantas palavras, em tão rara oportunidade, não sejam cantadas em vão. Para melhor ilustrar essa proposta, tomamos a liberdade de dividir a letra de acordo com os diversos momentos do enredo.

A LETRA DO SAMBA E O ENREDO ABERTURA / 1º SETOR – CELEBRAÇÃO TRIBAL Brilhou… A coroa na luz do luar! Nos troncos, a eternidade, a reza e a magia do pajé Na aldeia com flautas e maracás Kuarup é festa, louvor em rituais - Apresentação da Comissão de Frente (O Pássaro Sagrado e o Tesouro de Ramos) - O Kuarup, o maior ritual do Xingu. 2º SETOR – O PARAÍSO ERA AQUI Na floresta, harmonia, a vida a brotar Sinfonia de cores e cantos no ar O Paraíso fez aqui o seu lugar Jardim sagrado o caraíba descobriu - A Natureza brasileira antes da chegada do branco. - A comunhão entre Índio e Natureza

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias 3º E 4º SETORES – OS OLHOS DA COBIÇA / DESTRUIÇÃO Sangra o coração do meu Brasil O Belo Monstro rouba as terras dos seus filhos Devora as matas e seca os rios Tanta riqueza que a cobiça destruiu - A ganância do branco destrói o Paraíso descoberto. - E continua destruindo. A usina de Belo Monte (ex-Kararaô) é um exemplo. MENSAGEM DO ENREDO Sou o filho esquecido do mundo Minha cor é vermelha de dor O meu canto é bravo e forte Mas é hino de paz e amor Sou guerreiro imortal, derradeiro Deste chão o senhor verdadeiro Semente eu sou, a primeira Da pura alma brasileira - Apesar de tudo o que sofreu ao longo dos séculos, o índio continua dando exemplos de amor à natureza, à família, a seu povo e à terra onde vive. - O índio, o mais antigo habitante do território brasileiro, gostaria apenas de ser respeitado e de ver que se seus irmãos brasileiros amassem esta terra da mesma forma que ele. 5º SETOR – A CAUSA INDÍGENA Jamais se curvar, lutar e aprender Escuta, menino, Raoni ensinou Liberdade é o nosso destino Memória sagrada, razão de viver Andar onde ninguém andou Chegar aonde ninguém chegou Lembrar a coragem e o amor dos irmãos E outros heróis guardiões Aventurar de fé e paixão O sonho de integrar uma nação - Devemos ouvir o que os líderes xinguanos têm a dizer. - Os irmãos Villas Bôas, sertanistas e antropólogos reconhecem o valor e os direitos do índio. - Surge uma nova legislação de proteção a esses direitos. É criado o Parque Indígena do Xingu. - O Brasil também pertence ao índio.

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Kararaô... Kararaô... O índio luta pela sua terra Da Imperatriz vem o seu grito de guerra - Kararaô, que seria o nome inicial da usina, em homenagem a uma etnia do mesmo nome, acabou virando um grito de protesto. - A Imperatriz é a porta-voz desse clamor. 6º SETOR – PRESERVANDO A VIDA Salve o verde do Xingu, a esperança A semente do amanhã, herança O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar... Preservar! -A nossa esperança é que as futuras nações xinguanas tenham mais tranquilidade para tocar o seu futuro, sobretudo quando os brancos respeitarem a sua cultura, suas tradições e as terras onde vivem.

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Lolo – Luiz Alberto Outros Diretores de Bateria Andinho, Anderson, Clariana, Jean, Caio, Cabral, Tiquinho, Maurão, Júnior e Nego Ed. Total de Componentes da Bateria 270 (duzentos e setenta) ritmistas NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 12 12 15 0 01 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 100 0 36 0 40 Prato Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 0 0 30 0 24 Outras informações julgadas necessárias Pelo segundo ano consecutivo no comando da tradicional bateria gresilense, Mestre Lolo apresentará no desfile um ritmo forte e cadenciado, permitindo a perfeita combinação entre os diversos instrumentos, e unindo a tradicional identidade musical da Imperatriz aos elementos rítmicos versáteis, que prometem sacudir a avenida. Todas as bossas foram ‘desenhadas’ de maneira que pudessem destacar harmonicamente pontos fortes do samba-enredo, mas sem deixar de lado a cadência e a manutenção rítmica, no momento de suas execuções. Mestre Lolo estreou em 2016 no comando de uma bateria do Grupo Especial amplamente gabaritado e conquistando de primeira a nota máxima no quesito. Mestre Lolo trouxe consigo diversas premiações e, principalmente, notas 10 que fizeram dele um dos principais Mestres da nova geração do carnaval carioca. Sobre a Rainha da Bateria: Pelo quinto ano consecutivo à frente de nossa “orquestra de percussão” ocupando o cargo de Rainha de Bateria, a atriz Cris Vianna empresta sua beleza e simpatia ao desfile Leopoldinense.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Júnior Escafura Outros Diretores de Harmonia Pedro Leite, Dias, Dudu Falcão, Fábio, Jairo, Falcão, Régis, Thiago, Tony, Thiago, Vitor, Vitor Hugo, Cléber, Carlos Jorge, Alex, Sérgio, Vinícios, Ricardo, Valnei, André, Julinho, Haroldo, Antônio, Mauro, Jorge, Wagner, Léo, Wilmar, Elso, Ricardinho, Washington. Total de Componentes da Direção de Harmonia 30 (trinta) componentes Puxador(es) do Samba-Enredo Arthur Franco Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Primeiro Cavaco – Leandro Thomaz Cavaco Base – Vinicius Marques Violão de Seis Cordas – Pedro Marques Violão de Sete Cordas – Ismael Santos Pandeiro Tan Tan – PC da Imperatriz Surdo – Marcelão Outras informações julgadas necessárias O diretor geral de Harmonia Júnior Escafura chegou à Imperatriz em 2015 e já recebeu diversos prêmios no Carnaval carioca pela filosofia implementada na escola. Para ele, o componente deve brincar, estar solto e sua diversão é fundamental. A orientação para sua equipe é manter cordialidade, educação e respeito tanto com os componentes da agremiação quanto com o público, a imprensa e profissionais na pista. No Carnaval de 2016 todos os quesitos de chão e musicais foram gabaritados pela escola: harmonia, evolução, samba-enredo e bateria. Escafura teve uma importante participação nos últimos carnavais do G.R.E.S. Portela, onde foi cinco vezes campeão na disputa de samba-enredo, bem como produziu musicalmente a escola e dirigiu sua harmonia entre os anos de 2006 a 2013. Júnior também atuou como diretor de Carnaval na Caprichosos de Pilares (2012/2013), levando a escola ao campeonato do Grupo de acesso B em 2012, além de conquistar com a Estácio de Sá o vice-campeonato do Grupo A em 2014. Através de um trabalho coletivo com seus diretores auxiliares realizou incontáveis ensaios na quadra e na avenida. As segundas-feiras com carro de som, baianas e passistas e as quintas e domingos com toda a escola. Seu lema é que em 2017 ecoe na Marquês de Sapucaí a força da comunidade de Ramos com 3200 componentes e a bravura do “Kararaô”!

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FICHA TÉCNICA Harmonia Outras informações julgadas necessárias Intérprete A verde, branco e dourado de Ramos revela mais um prata da casa este ano: o cantor Arthur Franco. Professor de canto e com formação em Regência, ele é uma das apostas da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2017. Após alguns carnavais compondo o carro de som da agremiação, Arthur Franco foi alçado ao posto de intérprete oficial. Em paralelo a carreira no mundo do samba, Arthur é maestro e regente de coral. Ele atua como regente de coral em vários projetos como o Coral da Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes, entre outros. Disciplinado e empenhado em estrear com grande estilo no microfone principal da Imperatriz Leopoldinense na Avenida, o intérprete tem feito regularmente aulas de canto e preparação vocal com a fonoaudióloga Isabel Monteiro de Godoys.

Direção Musical O experiente produtor e diretor musical Milton Manhães teve algumas passagens pela Imperatriz Leopoldinense e em 2017 está de volta a Ramos depois de um hiato no carnaval carioca. Reconhecido dirigir grandes nomes do mundo do samba como Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto, Jovelina Pérola Negra, Reynado, Elymar Santos, entre outros, será dele a responsabilidade pela Direção Musical da Imperatriz. Sua principal missão será conduzir a harmonia vocal e instrumental produzida pelo carro de som para que este encontre o perfeito entrosamento com o ritmo impresso pela Bateria e o canto emitido pelo corpo de componentes da Escola.

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Júnior Escafura Outros Diretores de Evolução Pedro Leite, Dias, Dudu Falcão, Fábio, Jairo, Falcão, Régis, Thiago, Tony, Thiago, Vitor, Vitor Hugo, Cléber, Carlos Jorge, Alex, Sérgio, Vinícios, Ricardo, Valnei, André, Julinho, Haroldo, Antônio, Mauro, Jorge, Wagner, Léo, Wilmar, Elso, Ricardinho, Washington. Total de Componentes da Direção de Evolução 30 (trinta) componentes Principais Passistas Femininos Juliana Oliveira, Jéssica Lima e Tuany de Paula Principais Passistas Masculinos Jhonny Pereira, Amadeu, Philip e Alan Outras informações julgadas necessárias Evolução é um dos quesitos que a instituição Imperatriz Leopoldinense mais trabalha durante o período de ensaios técnicos. Júnior Escafura, diretor geral de harmonia e evolução da agremiação, compreende que o componente deve desfilar solto. O “desfilar solto” implementado por Escafura em uma escola famosa por rigidez em alinhamento fez faturar os prêmios de destaque do Carnaval carioca no ano de 2015 pelo site SRZD Carnaval e Gato de Prato. O intuito é que a compactação da escola seja mantida em uma espécie de “moldura” de ala a ala. Na verde e branco, o componente é ciente de sua responsabilidade do desfile. A Imperatriz possui uma comunidade de enorme doutrina. Assim, cientes da responsabilidade da qualidade de sua evolução para o sucesso do andamento de nossa apresentação oficial, nosso componente é capacitado para tornar-se o personagem principal de um espetáculo que se expressa de forma mais completa através do canto e da dança.

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Vice-Presidente de Carnaval Wagner Tavares de Araújo Diretor Geral de Carnaval Wagner Tavares de Araújo Outros Diretores de Carnaval Luiz Drumond Neto e Paulo César (PC) Responsável pela Ala das Crianças Direção de Carnaval Total de Componentes da Quantidade de Meninas Quantidade de Meninos Ala das Crianças 100 50 50 (cem) (cinquenta) (cinquenta) Responsável pela Ala das Baianas Raul Cuquejo Total de Componentes da Baiana mais Idosa Baiana mais Jovem Ala das Baianas (Nome e Idade) (Nome e Idade) 100 Neuza Nogueira Jenifer Cesário Genésio (cem) 80 anos 22 anos Responsável pela Velha-Guarda Solange Costa Total de Componentes da Componente mais Idoso Componente mais Jovem Velha-Guarda (Nome e Idade) (Nome e Idade) 72 Josina Braga Luciana Peçanha (setenta e dois) 88 anos 44 anos Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Luiza Brunet, Cris Vianna, Elymar Santos, Zico, Amanda (Ex-BBB) entre outros. Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Claudia Mota Coreógrafo(a) e Diretor(a) Claudia Mota Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 15 (quinze) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos 15 (quinze)

O PÁSSARO SAGRADO E O TESOURO DE RAMOS Tambores rufam ao longe. Ecoam por entre as árvores, anunciando que a terra, a água, o fogo e o ar precisam conversar. Desejam saber o que será da Floresta e dos povos que nela habitam. O destino de ambos é cada vez mais incerto. Perigos rompem o silêncio da noite, transformando sonhos em pesadelos. Onde está a paz que existia nessas lonjuras? Pajés se reúnem para obter uma resposta. Eles enxergam onde nossos olhos não conseguem alcançar. Sabem dos segredos da vida e da magia que existe nos elementos da Natureza. São médicos, xamãs, conselheiros e, sobretudo, magos, capazes de transformar fantasia em realidade num piscar de olhos! Os queixumes de Mãe Natureza são graves, não cabem no compasso dos tambores. Mas, o vento, porta-voz do grande Mavutsinim, Senhor de todas as coisas, traz um desafio aos sacerdotes da mata: será necessária uma revoada de gaviões-reais para revelar o segredo guardado na oca dos ancestrais. E, com ele, uma joia que brilha como o sol de um novo amanhã, o Tesouro de Ramos! Alguém, com poderes tão reais como os do gavião, precisa contar o que está acontecendo, e nutrir de esperança o povo da Floresta. Quem será?

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Outras informações julgadas necessárias A COREÓGRAFA CLAUDIA MOTA / PERFIL - Primeira Bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, formada pela Escola Estadual de Danças Maria Olenewa. - Prêmio de Melhor Bailarina da América Latina pelo Conselho Latino-americano de Dança e Membro do Conselho Internacional da Dança, UNESCO. - Bailarina convidada internacionalmente por diversas Companhias e Galas. Em 2016, representou o Brasil na GALA OF THE STARS, República Dominicana, que reúne as maiores estrelas mundiais da dança na atualidade. - No Carnaval, trabalhou como assistente de coreógrafo na Tradição, em 2005; Unidos da Tijuca, em 2006; na Unidos do Viradouro, nas temporadas 2007/ 2008/ 2009/ 2010. - Estreou como coreógrafa no Grupo Especial na São Clemente, em 2012. Em 2015, com a nota máxima, foi campeã na Estácio de Sá, Série A, e em 2016, também recebendo a nota máxima, teve a sua consagração com a comissão de frente do Império Serrano, também na Série A! - Este ano, aceitando o convite – e o desafio - do presidente Luiz Pacheco Drumond, defenderá o pavilhão da Princesinha de Ramos, Escola da sua família! Integrantes da Comissão de Frente: (Bailarinos)  Rafael Félix  Léo Miranda  Diego Dantas  Edcarlo Vieira  Hugo Lopes  Lucas Esteves  Matheus Brito  Robson Schmoeller  Willian Carelli  Matheus Souza  Felipe Viana  Lucas Leonardo  Paulo Pinna  Lucas Camilo  Thiago Santiago. Assistentes da Coreógrafa:  Mirna Nijs  Luiz Henrique  Cassio Felipe

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Thiaguinho Mendonça 1ª Porta-Bandeira Rafaela Teodoro 2º Mestre-Sala Marcílio Diamante 2ª Porta-Bandeira Elaine Fernanda Outras informações julgadas necessárias

Idade 28 anos Idade 24 anos Idade 32 anos Idade 32 anos

1º CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA A DANÇA DOS TUCANOS LOCALIZAÇÃO: 1º SETOR (CELEBRAÇÃO TRIBAL) Atrás da Comissão de Frente CONTEXTO: A NATUREZA TAMBÉM TEM OS SEUS RITUAIS Os tucanos estão entre os mais belos pássaros do Xingu, senão o mais belo de todos, razão pela qual a sua plumagem é a mais cobiçada para a confecção de adornos indígenas. Curiosamente, os cocares de quase todas as etnias xinguanas possuem as mesmas cores das penas dessa ave: amarelo, laranja, vermelho e preto. Estas características estão presentes na indumentária do casal, com destaque para o bico grande e oco, com o qual os tucanos conseguem pegar frutas e pequenos insetos situados a certa distância de seu corpo – bicos podem ser vistos na cabeça do mestre-sala e na cintura da portabandeira. São aves monogâmicas e vivem em pares isolados, construindo o seu ninho no oco das árvores. A Dança dos Tucanos revela este belo momento da natureza, quando o macho faz a corte, convidando a fêmea para o voo nupcial. Depois do acasalamento, se estabelece a divisão de responsabilidades do par. A fêmea chocará os ovos e, quando os filhotes romperem a casca, caberá ao macho a missão de alimentá-los. É importante frisar que as artes plumária e do grafismo das artes xinguanas estão presentes na indumentária do casal, sublinhando a perfeita harmonia entre nativos e Natureza.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias AINDA SOBRE O 1º CASAL: Formado em 2016 e pela primeira vez juntos em desfiles oficiais, o casal Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro representa a nova e talentosa geração do Carnaval Carioca. Durante oito meses de treinamentos, os dançarinos da Imperatriz Leopoldinense subdividiram a rotina de ensaios em três aspectos: o físico, o técnico e o psicológico. A condução do trabalho foi idealizada e conduzida pela coreógrafa Cláudia Mota, que também faz sua estreia como responsável pela comissão de frente da Imperatriz. Ao mesmo tempo em que dramatiza a Dança dos Tucanos, apresentando também alguns passos dos índios do Xingu, o desenho coreográfico é baseado no tradicional bailado de mestre-sala e porta-bandeira com giros para ambos os lados, meio giro, torneados, cortejo, riscado, rodopio, valseado, elegância, nobreza, sintonia e outras variantes. A vibração, a energia e a interpretação também estarão presentes na apresentação.

PERFIS Thiaguinho Mendonça, que estreia no Grupo Especial, iniciou a sua carreira no Projeto Escola de Mestre-Sala e Porta-Bandeira de Mestre Manoel Dionísio e já recebeu uma dezena de prêmios. Integrou o segundo casal da Portela em 2015. No último Carnaval, dançou pela Renascer de Jacarepaguá, na Série A, somando quatro notas 10. Foi apontado como uma das grandes revelações do Carnaval 2016 – o que o credenciou a ser convidado para defender o pavilhão da Imperatriz Leopoldinense. Rafaela Theodoro é uma das porta-bandeiras mais talentosas do Carnaval Carioca. Sua carreira se iniciou no conceituado projeto de dança comandado por Mestre Manoel Dionísio. A vitória obtida no concurso promovido pela Vila Isabel para escolher a segunda porta-bandeira da agremiação, projetou a jovem a outro patamar. Foi convidada para ocupar o cargo de primeira porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense em 2011. Em seu quarto Carnaval ostentando o pavilhão leopoldinense gabaritou o quesito com todas as notas 10. Vem recebendo ao longo dos anos o merecido reconhecimento em função da evolução e maturidade de sua dança. Coleciona 12 prêmios como melhor casal ou melhor porta-bandeira. Neste ano comemora 10 anos de carreira (todos no Grupo Especial) e passa a ser a segunda porta-bandeira com mais Carnavais pela Imperatriz Leopoldinense, sete ao todo, ficando atrás apenas da lendária Maria Helena.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias GUARDIÕES DO 1o CASAL – YAKUÍ KATU (Máscaras Sagradas) Estas máscaras simbolizam as aves e outros elementos da Natureza, personificados em rituais do grande teatro da floresta São 16 guardiões, delimitando o espaço para a dança do casal.

2º CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA RELICÁRIO INDÍGENA LOCALIZAÇÃO: 6º SETOR (PRESERVANDO A VIDA) Entre a Ala 26 (Sabedoria Ancestral/ Velha Guarda) e o tripé Sementes do Amanhã CONTEXTO: PRESERVANDO CULTURA E TRADIÇÕES A indumentária confeccionada com diversos tipos de pedrarias e contas, simbolizando as sementes que fazem o acabamento das mais diferentes peças do artesanato indígena, fundamenta a proposta de inserção do 2º casal no último setor de desfile, destinado a destacar a importância da preservação da arte e das tradições dos povos xinguanos – retratos vivos da natureza brasileira. A saia da portabandeira simboliza uma oca, exaltando a arquitetura nativa. A dança de Marcílio e Elaine, muitas vezes marcada no compasso de rituais indígenas, complementa este conjunto de manifestações que compõem as artes que identificam as etnias do Parque.

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G.R.E.S. UNIDOS DE VILA ISABEL

PRESIDENTE LEVI JUNIOR 195

“O Som da Cor”

Carnavalesco ALEX DE SOUZA 197

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FICHA TÉCNICA Enredo Enredo “O Som da Cor” Carnavalesco Alex de Souza Autor(es) do Enredo Alex de Souza Autor(es) da Sinopse do Enredo Alex de Souza Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Alex de Souza Livro

Autor

Editora

Ano da Edição

Páginas Consultadas

01

Os Sons dos Negros do Brasil Cantos, Danças, Folguedos: Origens

Denise Barata

Editora UERJ

2012

Todas

02

Samba e PartidoAlto: Curimbas do Rio de Janeiro

Florent Mazzoneleni (tradução de Andrea Gottlieb Castro Neves)

Companhia Editora Nacional

2012

Todas

03

As Raízes do Rock (Les Racines du Rock)

Vinícius de Moraes (Organização, prefácio e notas de Eucanaã Ferraz)

Companhia das Letras

2013

Todas

04

Jazz & Co.

Alceu Maynard Araújo e José Lanzallotti

Editora Três

1973

Todas

05

Brasil Histórias, Costumes e Lendas

Denise Barata

Editora UERJ

2012

Todas

06

Los Afroargentinos de Buenos Aires

George Reid Andrews

Ediciones de La Flor

1989

Todas

Outras informações julgadas necessárias Pesquisa: Alex de Souza (Carnavalesco)

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FICHA TÉCNICA Enredo Outras informações julgadas necessárias HISTÓRICO DO CARNAVALESCO Alex de Souza é estilista, trabalhou no ramo têxtil e assistência de figurinos para TV. Começou no carnaval como assistente de Renato Lage. Carnavalesco, desde 1996, trabalhou em diversas escolas do grupo de acesso, tendo um campeonato em 2005, ascendendo ao grupo especial, onde desde 2006 permanece. Passou pelas seguintes escolas: Acadêmicos da Rocinha; Mocidade Independente de Padre Miguel; União da ilha do Governador e Unidos de Vila Isabel (atual agremiação). Premiado inúmeras vezes, nas categorias: figurinos e alegorias; coleciona três Estandartes de Ouro do jornal O Globo de enredo e quatro Prêmios Sambanet, entre outros. Seus figurinos de 2014, foram selecionados para representar o Brasil na Costume at the Turn of the Century 1990 – 2015 (Figurinos na Virada do Século 1990 – 2015), no Bakhrushin State Theatre Museum, em Moscou, na Rússia, em 2015. Exposição que traz grandes figurinos do teatro contemporâneo, que se destacam pela criatividade. O curador geral do projeto é Dmitry Rodionov, com curadoria-chefe de Igor Roussanoff e curadoria brasileira de Rosane Muniz. Faz palestras sobre enredo e desenvolvimento em universidades nacionais e internacionais, além de centros de pesquisa como o CETE de Porto Alegre.

Sites Consultados:  http://www.afreaka.com.br/notas/america-dos-ritmosafricanos/http://www.topgyn.com.br/conso01/pernambuco/conso01a04.php  http://www.ueangola.com/criticas-e-ensaios/item/228-a-influ%C3%AAncia-africana-nam%C3%BAsica-popular  http://adiasporaafricananonovomundoufmg.blogspot.com.br/  http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/tango-danca-e-musica-de-matriz

Colaboradores: Handerson Big (Historiador) Assistente de Carnavalesco: Ilma Lima

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HISTÓRICO DO ENREDO “O Som da Cor” Ouço um tom de pele. Vejo a música que embala. Me arrepio no toque da batida, saboreando o ritmo que dela exala. Sinto cheiro daquela gente sofrida, no brilho da voz que não cala. Esta é a saga daqueles que migraram forçosamente, para um já velho novo mundo. Após séculos no cativeiro, tingiram estas Américas e as fizeram crioulas. Gerações que se seguiram colheram os frutos desta musicalidade, semeada por seus ancestrais. Vozes e percussão revelando seus ritmos, no bater do pé e na palma da mão. Instrumentos inventados ou adquiridos de outras culturas. De início, navego milhas, nas ondas latinas, aportando nas Antilhas, como os hispânicos reinóis, seus descobridores. Entre chocalhos e maracas, o canto e a dança, ao som da habanera cubana. Do culto ao etíope monarca africano, nasce o movimento rastafári caribenho, disseminado pelo reggae jamaicano. Seguindo para o sul da colônia, conhecemos a cúmbia, "dança dos escravos" da Colômbia. No Uruguai, a dança com atabaques tem como candombe seu codinome. Bantos, de origem, seguem para a prateada Argentina, muitos partindo do Brasil. Embarcavam, levando em si uma cultura genuína, que, transportada em cada cargueiro, chega ao porto de Buenos Aires vinda do Rio de Janeiro. Assim nascem a milonga e o tango, seu irmão, que no dialeto banto quer dizer círculo, baile, tambor ou reunião. Além das coroas ibéricas, outros reinos colonizaram o continente; ingleses e depois seus colonos americanos, que se proclamaram independentes, disputaram com espanhóis e franceses novos territórios. E neles aportaram navios negreiros; a mão de obra escrava, nos brancos campos de algodão, era despejada. Proibidos de falar, cantavam. Cantando, dividiam dor, amor e cânticos de louvor. Blues, ou “azuis”, era referência às pessoas de pele negra e à melancolia nas plantações. Pai do jazz, que contém um banzo, uma saudade. Nova Orleans foi o berço. Os instrumentos das bandas marciais, uma vez abandonados, após a derrota dos sulistas na guerra civil, foram reaproveitados. Segregados, os irmãos de cor dedilhavam o teclado em igrejas para os fiéis. Restava-lhes pouco espaço, somente em bares, clubes e bordéis. Assim o “ritmo” vai dominando o suingue do compasso. Do boogie-woogie e do jump blues, nasce um novo gênero que, ao som de guitarras, pelo mundo inteiro, a juventude conquistou: “Aumenta que isso aí é rock'n roll”. Está na alma, está no soul! Na pista disco. No funk e no techno. Negro é rap, é hip hop. Ser negro é ser pop. Agora ouço, das terras brasileiras, histórias que a memória traz. Bantos, iorubás, jejes, minas e hauçás, sobrevivendo entre a dor e a gana, na ex-colônia lusitana, deram início a uma íntima relação entre música e fé. E ao seu culto chamaram “calundu”, e em seus “batuques” na mata aberta, nos cafundós do sertão, uma cultura se manifesta. “Se negro festeja, não conspira", diz o amo branco, que assim permitia. Na roda dos negros, virou lundu, uma 201

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dança sensual que, junto à fofa e ao fado, atravessou o Atlântico e conquistou Portugal. Este último se une aos cantos dos mouros, às cantigas dos trovadores, da saudade inerente dos marinheiros. Consolida-se como canção solista, inspirada na dança estilizada. Revela-se que o grande orgulho luso, ora pois, tem um pé na senzala. Nas ruas daqui, o toque da zabumba chama o povo para o festejo, ao relembrar a coroação do rei do congo num sincrético cortejo, das embaixadas da nobreza negra, sua corte e seus vassalos. A devoção da irmandade negra católica à padroeira dos escravos. Salve Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, salve São Benedito. Batem tambores, marimbas e ganzás, nas batidas de caxambus. Dos reisados, de Chico Rei coroado e dos maracatus. Festejando em louvação, simulam lutas nos autos negros que saúdam a Divina Senhora da Purificação. Na tradição nagô, o “candomblé de rua”, na cadência do ijexá com seus xequerês e agogôs, é representado pelo afoxé. E nos trios elétricos brincam ao ritmo do axé. Dos grandes mestres e batutas, choram flauta e cavaquinho. As modinhas, polcas, maxixes, pilares do meu carinhoso chorinho. E nos grandes encontros se fez o jongo, conhecido como caxambu e corimá. E o samba, que vem de "semba", a angolana "umbigada", mexe e remexe nos seus requebrados. Sincopado e malandreado. Vem exibir, com as palmas e a resposta, os seus passos e rebolados. Meu tamborim de bamba, valorizando a batucada. Com as bênçãos de Ciata e das "tias baianas", na Praça Onze e na Pedra do Sal, na Pequena África carioca. “Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros”, que a negritude tem a primazia. E é dessa cor que falo, que meus sentidos expressam, naquele que é considerado o maior espetáculo. Trazendo os matizes de cada pavilhão, a escola que o samba fez. E ao som das cores da Vila, que é Azul, Branca e Negra também, vem kizombar mais uma vez.

Texto de Alex de Souza

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO ARGUMENTO A Unidos de Vila Isabel é uma escola muito identificada com a cultura negra e com os movimentos sociais. Em 2017, revelará a negritude na origem dos diversos gêneros musicais, surgidos em diversos países do continente americano, desde quando eram colônias europeias. 1º SETOR - ABERTURA: A TRAVESSIA A abertura do desfile faz referência à África e o comércio de escravos no Atlântico chamado de tráfico negreiro, entre os séculos XVI e XIX. Milhões de vidas foram levadas para o Novo Mundo, em navios negreiros, provindos da África Ocidental, para os impérios europeus ultramarinos. 2º. SETOR: NEGRA AMÉRICA CENTRAL E CARIBE Nesta viagem pelo continente americano faremos nossa primeira parada nas Antilhas e na América Central, outrora parte do Império Espanhol, fora dividida por britânicos, franceses e holandeses. O setor abre com a cultura do tabaco, que junto ao da cana-de-açúcar, representaram as principais economias locais que utilizaram de mão de obra escrava e segue com a influência negra nos gêneros musicais da região. Os primeiros africanos que chegaram ao Caribe trouxeram seus tambores e danças religiosas. Cuba se tornaria a principal exportadora de sons e danças latinas caribenhas, como a Rumba e o Mambo, acompanhados ao ritmo das maracas. O Reggae Jamaicano é um gênero musical moderno, não surgiu diretamente dos tempos coloniais, mas é uma mistura de vários ritmos africanos como: O Ska e o Calipso. Recebeu, sobretudo, uma forte influência do movimento rastafari, que defende a ideia de que os afrodescendentes devem ascender e superar sua situação através do engajamento político e espiritual. 3º SETOR: AFRO-HISPANOS DE SUDAMÉRICA Na parte hispânica da América do Sul, comunidades negras, descendentes dos escravos, misturaram musicalmente ingredientes espanhóis e ameríndios, resultando em diversos ritmos. Na Colômbia, a Cúmbia, conhecida como “dança dos escravos”, é um dos principais marcos da expressão africana na América. A palavra vem de cumbé, que significa festa. O Candombe é um ritmo proveniente da África, de raiz Bantú trazidos pelos negros chegados ao Rio de La Plata, tem sido parte importante da cultura uruguaia por mais de 200 anos. Sinônimo de “dança negra”, esta continua sendo ouvida e tocada nas ruas, nos becos e no carnaval do país. Os africanos recém-chegados chamavam seus tambores de tangó, e também usavam tangó para denominar o lugar onde realizavam suas danças candomberas. 203

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O Tango se desenvolveu simultaneamente em Montevideo e em Buenos Aires. Tradicionalmente considera-se uma criação de imigrantes italianos e espanhóis, os conhecedores opinam que a dança e a música africana influenciaram profundamente na música e nos movimentos da dança que se associam com o tango. O Tango evoluiu a partir do candombe africano, do qual herdou o ritmo; da milonga, que inspirou-lhe a coreografia; e da linha melódica da habanera. A Milonga é um estilo de canto, música e dança tradicional de várias partes da América Latina e da Espanha, derivada da habanera e da guajira cubana e flamenca. 4º SETOR: “ROOTS” (RAÍZES) Neste setor revelaremos como se formou a música negra nos Estados Unidos, a partir do sul das colônias britânicas, cujo sistema agrícola, era baseado na utilização de mão-de-obra escrava, conhecida como Plantation. Sobretudo a cultura do algodão, de onde originaram o “work songs”, música de trabalho, que sustentavam o ânimo dos escravos, na pesada jornada. Dele vieram gêneros musicais que caracterizaram a vida de negros norteamericanos antes e depois da guerra civil americana. Os gêneros principais incluem: Spirituals, blues, jazz e dos que surgiram ao longo do século XX. Faremos referência ao “Berço do Jazz”: Nova Orleans, no Estado da Louisiana, e o imponente Rio Mississippi. 5º SETOR: “SHOW” O setor que dá sequência à música negra norte-americana, vem com os modernos ritmos da segunda metade do século XX até os dias atuais. A “Black Music” se firma na indústria fonográfica mundial. O Rock and roll, nasce de uma mistura musical, cultural e étnica. O Rhythm and blues, o Soul e o Funk, conquistam adeptos. Dos “guetos” surgem: O Rap e a cultura hip-hop. E o Pop e o embalo da Dance Music, ganham palcos e pistas. 6º SETOR: AFRO- BRASILEIROS: DOS TEMPOS COLONIAIS ÁS SUAS HERANÇAS MUSICAIS Enfim chegamos ao Brasil, e neste capítulo do desfile, vamos aos primeiros séculos da nossa colonização portuguesa, com a chegada desta diversidade cultural, procedente da diáspora negra. Até o final do século XIX e até mesmo início do século XX, as manifestações, rituais e costumes africanos eram proibidos, pois eram vistos como retrato de uma cultura primitiva. Mostraremos a influência da raiz afro e o sincretismo religioso, nas festas folclóricas e no que isso representou para a música desde o Brasil colonial. 7º SETOR: NEGRITUDE CARIOCA - A MÚSICA URBANA E A FORMAÇÃO DO SAMBA Neste último setor, focaremos no Rio de Janeiro, com suas tradições musicais de forte influência negra. Começando pelo Choro, ou Chorinho, tido como a primeira música popular urbana típica do Brasil, cuja história está ligada com a chegada da Família Real. Com a corte vieram instrumentos de origem europeia como o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim e 204

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cavaquinho, bem como seus instrumentistas. Tendo como base o lundu, nasceu o choro, que juntamente com alguns ritmos africanos como o batuque, passaram a ser tocados de maneira abrasileirada, imprimindo uma genuína cultura afro-carioca. Joaquim Calado, a maestrina Chiquinha Gonzaga, o flautista Agenor Bens, todos afrodescendentes, foram os precursores do gênero. Sendo Pixinguinha, considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, um dos maiores colaboradores. Jongos, Calangos e Folias de Reis, são protagonizados pelos que descendem da última geração de escravos trazida da África para o Rio de Janeiro ao longo do século XIX. No desembarque clandestino de escravos para o Vale do Paraíba cuja presença do jongo foi encontrada em comunidades quilombolas, simboliza a resistência da cultura negra. Entre o fim do século XIX e o início do XX, era o ritmo predominante das favelas cariocas e diz-se até que, do jongo, nasceu o samba. Em seu possível desaparecimento, foi criado o Jongo da Serrinha, no final dos anos 60. O Rio, quando capital da República, recém-proclamada, recebeu milhares de negros que vieram da Bahia, motivando diversos movimentos artísticos e culturais. Os artistas dessa época, proibidos pela polícia de mostrar sua música em público, buscavam refúgio nas casas das tias baianas, (muitas delas, mães de santo que ganhavam a vida como quituteiras e costureiras), para forjar o samba carioca. Na casa de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, mais conhecida e importante das “Tias”, Ernesto dos Santos, o Donga e diversos músicos compuseram conjuntamente “Pelo Telefone”, primeiro a ser registrado e gravado como tal, o Samba faz oficialmente 100 anos no biênio 2016-17. Marcando oficialmente a entrada da cultura negra no Brasil, depois de 400 anos de massacre. É a imposição de uma cultura. A fase seguinte acontece no final dos anos 1920, na região próxima do bairro do Estácio. Em 1928, Ismael Silva fundou a primeira escola de samba do Brasil: A Deixa Falar. E em 1932 o primeiro desfile na Praça Onze. Samba de Roda; Samba de Breque; Samba de Gafieira; Samba de Partido-alto; Samba de Partido-cortado; Samba de Terreiro; Samba Sincopado; Samba-canção; Samba-chulado; Samba-corrido; Samba-exaltação; Samba-joia; Sambalanço; Samba-batido; Samba-raiado; Samba-Rock; Pagode; Bossa Nova; e por último o Samba-enredo... Em 1988, justamente no centenário da Abolição da Escravatura, a escola do bairro de Noel Rosa escolheu o enredo "Kizomba, a festa da raça", de Martinho da Vila, que rendeu um samba histórico, de autoria de Luiz Carlos da Vila, Rodolpho e Jonas. Kizomba significa o encontro de pessoas que se identificam em uma festa de confraternização da raça negra. A Vila foi pela primeira vez campeã. O enredo O SOM DA COR, é dedicado à memória de um povo, que transcende qualquer intolerância. KIZOMBA É A VILA !!!

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ROTEIRO DO DESFILE Comissão de Frente “ADORAÇÃO E LIBERTAÇÃO NA FORÇA DO TAMBOR” Guardiões Guerreiros AFRICANOS

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Raphael Rodrigues e Amanda Poblete “REALEZA AFRICANA” Ala 01 – Comunidade “AFRO” Ala 02 – Velha-Guarda (Comunidade) “SABEDORIA AFRICANA – VELHA GUARDA Destaque de Chão Raissa Santana “A FORÇA DA NEGRITUDE” Grupo de Marionetes “SONS DA ÁFRICA” Abre-Alas “O TUMBEIRO” A TRAVESSIA DO ATLÂNTICO Ala 03 – Comunidade “ESCRAVOS NAS PLANTAÇÕES DE TABACO NA AMÉRICA CENTRAL” Ala 04 – Comunidade “MAMBOS, CONGAS E RUMBAS” Ala 05 – Comunidade “REGGAE” Destaque de Chão Lexa “AFRO-LATINA” 206

Guardiões Guerreiros AFRICANOS

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Tripé 01 “CARIBE” Ala 06 – Comunidade “CUMBIA” Ala 07 – Comunidade “CANDOMBE” Ala 08 – Comunidade “TANGO” Destaque de Chão Andréa Andrade “TIERRA DE LA PLATA” Alegoria 02 “TANGOS E MILONGAS” Ala 09 – Baianas “NOS CAMPOS DE ALGODÃO” Grupo de Marionetes “ESCRAVOS NOS CAMPOS DE ALGODÃO” Ala 10 – Comunidade “BLUES” Ala 11 – Comunidade “PIANO EM NOVA ORLEANS” Destaque de Chão Nicole Bahls “ALL THAT JAZZ” Grupo de Marionetes “JAZZ BAND” Alegoria 03 “MISSISSIPI” Ala 12 – Comunidade “HOJE É DIA DE ROCK” 207

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Grupo Performático (integrado ao Tripé 02) “DISCO” Ala 13 – Passistas “O PODER NEGRO BLACK POWER – BLACK SOUL Rainha de Bateria Sabrina Sato “FUNK QUEEN” Ala 14 – Bateria MC SWINGUEIRA - RAP, HIP HOP Ala 15 – Comunidade “TECHNO” Destaque de Chão Luísa Langer “RAINHA DOS BAILES” Grupo de Marionetes “DJ’S” Alegoria 04 “THE BLACK MUSIC SHOW” Ala 16 – Comunidade “A ESCRAVIDÃO E AS RIQUEZAS DO BRASIL” Ala 17 – Comunidade “CALUNDU” Ala 18 – Comunidade “AS RAÍZES NEGRAS DO FADO”

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2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Jackson Senhorinho e Bárbara Martins “OS PADROEIROS” Ala 19 – Comunidade “A CONGADA E AS IRMANDADES NEGRAS” Ala 20 – Comunidade “AFOXÉ” Ala 21 – Comunidade “AXÉ” Destaque de Chão Ticiane Pinheiro “MARACATU”

Destaque de Chão Carla Prata “YORUBÁ NAGÔ”

Grupo de Marionetes “OLODUM” Alegoria 05 “RAÍZES AFRO-BRASILEIRAS” Ala 22 – Comunidade “CHORA CHORINHO” Grupo “JONGO DA SERRINHA” Ala 23 – Compositores (Comunidade) “NO MORRO OU NO ASFALTO” Ala 24 – Comunidade SAMBISTAS E PASTORAS “A PEQUENA ÁFRICA CARIOCA” Ala 25 – Comunidade Performático “TIAS BAIANAS” MÃES DO SAMBA

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Destaque de Chão Dandara “RAINHA WATUSI” Grupo de Marionetes “GUERREIROS DA KIZOMBA” Alegoria 06 “KIZOMBA É A VILA” Ala 26 – Comunidade VILA ISABEL – “A FESTA DA RAÇA”

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Alex de Souza Nº Nome da Alegoria 01

“O TUMBEIRO” A travessia do Atlântico

O que Representa O Abre-alas representa um navio negreiro, também conhecido como “Tumbeiro”, que em seus porões transportavam seres humanos como mercadoria. Eram “tumbas” flutuantes, que partiam de diversos portos da África, a caminho do desconhecido “Novo Mundo”. Ao aportar nas Américas, trouxe a essência para o surgimento de diversos gêneros musicais. Destaque Central frente baixo: Samira Lafeta – Africanidade Destaque Central frente alto: Tamara Justen – Águas de Olokun Composições femininas: Entidades das águas Composições performáticas (superior): Egressos da África Composições performáticas (inferior): Nos porões dos Tumbeiros.

Tripé 01

CARIBE

O Caribe ou Caraíbas, também é chamado de Antilhas é uma região da América Central. O tripé traz referencias á instrumentos musicais e uma atmosfera tropical. Ritmos Latinos e o Reggae Jamaicano. Destaque Central baixo: Darlin Ferrattry – La Cubana Destaque Central alto: Dill San – Rastafari - O Leão de Judá.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Alex de Souza Nº Nome da Alegoria 02

TANGOS E MILONGAS

O que Representa A pouco conhecida influência negra na cultura musical argentina, é revelada neste enredo. Especialmente nesta alegoria. Inspirada no Caminito, bairro de La Boca, em Buenos Aires, a alegoria remete à colorida e alegre região próxima do antigo porto e é considerado um dos berços do tango argentino. Destaque Central alto: Ednelson Pereira – Nuestros Hermanos Semi-Destaque masc. direita alto: Vander Gevu – El Arte del filetear Semi-Destaque masc. esquerda alto: Marcio Marinho – Fileteado Porteño Semi-Destaques femininos frente direito e esquerdo: Pa’ Bailar Composições Performance Alto: Tango Composições Laterais: El dia que me quieras

03

MISSISSIPI

O sul dos Estados Unidos e sua raiz musical negra, representado neste carro alegórico, em forma de barca, por onde navega do profano Ragtime, Pai do Jazz, ao sagrado Spiritual, Pai do Gospel. Destaque Central alto: Amaro Sergio - Nos tempos do Ragtime Semi-Destaque Central frente feminino: Surya – La Nouvelle -Orléans Composições frente baixo: Mississipi Boys; Mississipi Girls Composições frente alto: Músicos Composições laterais baixo teclado: Minstrels Composições laterais portas: Spirituals Sacred Choral

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Alex de Souza Nº Nome da Alegoria Tripé 02

DISCO

O que Representa A era das “Discothèques”, nos anos 70, foi um fenômeno mundial, com forte influência do funk dos anos 60 e 70; soul music, entre outros gêneros. O tripé representa uma grande bola de espelhos, um símbolo daqueles “dias dançantes”, com um casal de dançarinos, numa coreografia da época e cercados de um grupo de 60 pessoas que formam uma pista de dança. Casal de dançarinos: Viviane Santos e Felipe Edgar – “Dancing Days”

04

THE BLACK MUSIC SHOW

Terra do show business, os Estados Unidos dominam a cultura de massa no mundo, sobretudo a partir da segunda metade do século 20. A música negra norteamericana, também chamada de “Black Music”, teve na extinta gravadora Motown, uma importante lançadora de artistas negros, contribuindo assim, para o crescimento da indústria da música e do entretenimento. A alegoria traz referência a shows musicais e programas de televisão, como o Soul Train (19712006), que também teve uma importância para a Black Music, não só em seu país, mas influenciando o mundo todo, ao apresentar tantos artistas de enorme talento musical. Destaque performático alto: Rodrigo Teaser – Rei do Pop Destaques performáticos palco: Grupo Performático – J5 Samille Cunha – Tina Jorge Mendes Carneiro - Ray José Carlos Silva – Stevie Composições Performáticas: Plateia Composições Comerciais: Soul Psicodélico 213

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Alex de Souza Nº Nome da Alegoria 05

RAÍZES AFRO-BRASILEIRAS

O que Representa A música folclórica brasileira, através da cultura popular afrodescendente, vem representada nesta alegoria. O elefante simboliza o primeiro maracatu (Maracatu Nação Elefante fundado em 1800), que em seu cunho religioso, surgiu a partir das coroações e autos do Rei do Congo, relacionados à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, presente na igreja barroca na parte traseira do carro. Em meio aos festejos religiosos e os festejos carnavalescos, instrumentos de origem africana, como: tambores e berimbaus. Destaque Central: Marcelo Moreno – Fantasia: A Coroação do Rei Negro. Composições Comerciais: Raiz Afro-brasileira Composições Performáticas: Batuqueiros do Ilê Aiyê

06

KIZOMBA É A VILA

O setor que encerra o desfile retrata estilos musicais de ascendência negra, nascidos ou introduzidos no Rio de Janeiro, como o samba. Entre suas diversas categorias, o SAMBA ENREDO, será representado por um dos mais consagrados do carnaval carioca: KIZOMBA, A FESTA DA RAÇA, de 1988. Primeiro campeonato da UNIDOS DE VILA ISABEL, que no centenário da abolição da escravatura, exaltava a importância da cultura negra, na formação do povo brasileiro. Uma homenagem à própria escola. Destaque Central frente baixo: Martinho da Vila – Homenagem à Paulo Brazão, fundador da Vila Isabel. Convidados – Personalidades do mundo do samba Casal Performance no alto do carro: Rafael Gomes e Brunna Camila - Homenagem ao primeiro casal de 1988- Mariazinha e Carlinhos Brilhante Composições Performáticas: Mumuílas (mulheres que fazem parte da tribo Mumuíla, na província de Huíla, no Sul de Angola, que foram representadas numa ala no desfile de 1988).

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FICHA TÉCNICA Alegorias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Alegoria 01 (Abre-Alas) Samira Lafeta – Fantasia: Africanidade

Empresária

Alegoria 01 (Abre-Alas) Tamara Justen – Fantasia: Águas de Olokun

Empresária

Tripé 01 (Caribe) Darlin Ferrattry – Fantasia: La Cubana Dill San – Fantasia: Rastafari – O Leão de Judá

Empresária Empresário

Alegoria 02 Ednelson Pereira – Fantasia: Nuestros Hermanos

Psicólogo

Alegoria 03 Amaro Sergio – Fantasia: Nos Tempos do Ragtime

Radioterapeuta

Alegoria 04 Rodrigo Teaser – Fantasia: Rei do Pop Samile Cunha – Fantasia: Tina

Cantor e Dançarino Figurinista

Alegoria 05 Marcelo Moreno – Fantasia: A Coroação do Rei Negro

Empresário

Local do Barracão Rua Rivadavia Corrêa, nº. 60 – Barracão nº. 05 – Gamboa – Rio de Janeiro – Cidade do Samba Diretor Responsável pelo Barracão Junior Schall Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe Roberto Romário Futica Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Flávio Polycarpo Gilmar e Cássio Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe Fabiano Paulo Ferraz Outros Profissionais e Respectivas Funções Tiago Vaz

- Projetos 3D e Autocad

Janaína e Luiz Martins

- Compras

Renato Emetério

- Laminação de Fibra de Vidro 215

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FICHA TÉCNICA Alegorias Outros Profissionais e Respectivas Funções André

- Almoxarifado

Mauro

- Gerador

Zé Carlos

- Pet

Batista

- Hidráulico

André

- Hidráulico

Delfim

- Decoração (Carro 01)

Bruno Cardoso

- Decoração Carro 02 e Tripé 01)

Rany

- Decoração (Carro 03)

Célio

- Decoração (Carro 04 e tripé 02)

Wellington

- Decoração (Carro 05)

Anderson Fulgêncio

- Decoração (Carro 06)

Rossi

- Movimentos

Adson

- Movimentos

Michel

- Movimentos

João Tatuagem e Equipe

- Movimentos

Thiago

- Efeitos Especiais e Led

Esnad

- Neon

Handerson Big

- Coreógrafo do Carro 01 e 03

Grupo Bira Dance

- Coreógrafo do Carro 02 ( casais de tango), 05 e 06

Coreógrafos de Alas: Rita de Cássia

- Ala 01, Grupo Performance e Tripé 02 – “Disco”, ala 25 e Marionetes

Grupo Bira Dance

- Ala 08

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas)



DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Fantasia Representa Ala pela Ala

01

Afro

Figurino estilizado de guerreiros africanos, cuja ala, faz a abertura do enredo, representando a chegada ao continente americano.

Comunidade (2015)

Harmonia

02

Sabedoria Africana

Costumes, hábitos e crenças são de maneira geral o que se entende por CULTURA. A velha guarda, que por si só, é o exemplo maior da tradição e da manutenção dos fundamentos da escola de samba, representa toda esta sabedoria ancestral.

Velha-Guarda (Comunidade) (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Sons da África

Primeiro grupo performático, com batuques, representando os ritmos trazidos da África.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

03

Escravos nas Plantações de Tabaco na América Central

Uma das atividades de mão de obra escrava, predominante na América Central e região do Caribe.

Comunidade (2015)

Harmonia

218

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 04 Mambos, Congas O contingente negro que se estabeleceu na região caribenha foi e Rumbas responsável entre outros, pela origem do mambo, conga e rumba; ritmos estes que de maneira geral são muito presentes em Cuba e que também podem ser considerados como manifestações carnavalescas. A fantasia representa estes três importantes ritmos caribenhos.

219

Comunidade (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 05

Reggae

Gênero musical Jamaicano, surgido na década de 1960, por influência do movimento Rastafári que prega um retorno cultural dos negros à África.

Comunidade (2015)

Harmonia

06

Cumbia

Tradicional música colombiana e também encontrada no norte da Argentina, a Cúmbia é uma mistura de influencias negra e ameríndia.

Comunidade (2015)

Harmonia

07

Candombe

Dança com atabaques muito conhecido, principalmente no Uruguai, mas também no Brasil e Argentina. O termo candombe, a princípio, referia-se genericamente às danças praticadas pelos escravos.

Comunidade (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 08 A origem negra da Milonga e do Comunidade Harmonia Tango Tango, ainda é controvertida entre (2015) os historiadores, mas há indícios claros de sua influência africana desde o século 19. A ala é coreografada e dançarinos farão duetos com bonecas articuladas.

09

Nos Campos de Algodão

Nossas matriarcas abrem o setor norte-americano, trazendo a força através do “work song” (canção do trabalho), essência de superação e origem do “Spiritual”, nos brancos campos do sul dos Estados Unidos.

Baianas (2015)

Harmonia

*

Escravos nos Campos de Algodão

Bonecos representam escravas na colheita do algodão.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 10

“Blues”

Surgiu a partir dos cânticos de fé religiosa, chamadas spirituals e de outras formas parecidas, cantados pelas comunidades dos negros libertos.

Comunidade (2015)

Harmonia

11

“Piano em Nova Orleans”

Ragtime e jazz em seus primórdios, na boêmia Nova Orleans, onde os negros só podiam tocar piano em bordéis. Homenagem a Scott Joplin, o Rei do Ragtime.

Comunidade (2015)

Harmonia

*

Jazz Band

Bonecos gigantes formam uma banda de Jazz em sua performance.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 12

Hoje é Dia do Rock

A influência negra no Rock, representada na fantasia como um “Elvis Afro”, seu melhor representante, que começa a fase de aceitação da música negra americana ao mercado dito branco.

Comunidade (2015)

Harmonia

*

“Disco”

A Disco Music, dos anos 70, com sua presença negra em muitos dos seus grupos e interpretes. A Ala fará uma coreografia, formando uma pista de dança.

Grupo Performático (integrado ao Tripé 02) (2015)

Harmonia

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Abre-Alas – G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 13

“O Poder Negro” Balck Power – Black Soul

O Soul é um gênero musical dos Estados Unidos que nasceu do rhythm and blues e do gospel durante o final da década de 50 e início da década de 60, juntou-se com a estética de resistência negra da época: o movimento Black Power, que visava romper com os padrões eurocêntricos que dominavam o mundo ocidental. Os passistas vem caracterizados por figurinos que remetem ao final dos anos 60 e 70, da Black Music, lembrando figuras como Tina Turner e James Brown.

224

Passistas (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 14

Mc Swingueira Rap, Hip Hop

A musicalidade das periferias norte americanas se faz presente nos gêneros: Rap e Hip Hop Os percursionistas representam os MC’s (music composers) com um traje bem característico dessa geração.

Bateria (2015)

Mestre Wallan

15

Techno

Em meio a efervescência do rock e da disco music, nasce em Detroit um estilo musical: O Techno. Sua mistura de elementos consiste em sintetizadores, música africana, funk, eletro e jazz. Ao longo dos anos, se transformou em vertentes do tipo: Hard-techo, Minimal techno, Acid techno e muitas outras variações. É um estilo de música eletrônica essencialmente dançante, de ritmo acelerado e melodia monótona e se assemelha ao estilo house.

Comunidade (2015)

Harmonia

*

Dj’s

O grupo de bonecos trazem “pickups” onde encenam o trabalho do disc jockey eletrônico.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 16

“A Escravidão e as Riquezas do Brasil”

A fase brasileira do enredo, com as principais atividades econômicas de mão de obra escrava no Brasil, como a cana de açúcar, o café, a extração de ouro, etc.

Comunidade (2015)

Harmonia

17

“Calundu”

A mais antiga manifestação de culto africano no Brasil colônia, sua batucada e dança, é a semente dos ritmos negros em nossa terra.

Comunidade (2015)

Harmonia

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Abre-Alas – G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 18 As Raízes Negras De dança do Brasil à música de Portugal, o fado atravessou o do Fado Atlântico para constituir-se em um gênero, que deixou para trás, o movimento sincopado de uma dança sensual, praticada em algumas casas de entretenimento da cidade do Rio de Janeiro no século XVIII. O argumento que sustenta a origem afro-brasileira do fado está ligado ao período em que o Brasil era colônia de Portugal, quando ocorreu a mistura cultural entre europeus, americanos e africanos que resultou no aparecimento de novos movimentos culturais, artísticos e religiosos em terras brasileiras.

Comunidade (2015)

Harmonia

A coroação do Rei do Congo ou Congada, é uma festividade que surgiu no Brasil Colônia e contava com a presença das irmandades católicas, em devoção à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito. Ainda presente no interior do Brasil. Envolve ritos, música e dança.

Comunidade (2015)

Harmonia

19

A Congada e as Irmandades Negras

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Abre-Alas – G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 20

Afoxé

Um ritmo, de origem ioruba, seria uma forma diversa do Maracatu. É também um instrumento e também conhecido como candomblé de rua no carnaval baiano, como cortejo ou bloco. O mais famoso é o Afoxé Filhos de Gandhi.

Comunidade (2015)

Harmonia

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Axé

Ritmo baiano que surgiu nos anos 80 do século XX, tem na fantasia elementos que remetem ao grupo Timbalada e ao famoso musico baiano Carlinhos Brown.

Comunidade (2015)

Harmonia

*

Olodum

Banda-afro de percussionistas baianos, que virou uma referência internacional, tendo participado de trabalhos com grandes nomes da música internacional.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 22

Chora chorinho

Considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira, tem como origens estilísticas o lundu, ritmo de inspiração africana à base de percussão, com gêneros europeus. A composição instrumental dos primeiros grupos de choro era baseada na trinca flauta, violão e cavaquinho. Tem na fantasia a figura do grande Pixinguinha.

Comunidade (2015)

Harmonia

*

“Jongo da Serrinha”

Dança brasileira de origem africana praticada ao som de tambores, como o caxambu. É considerado o pai do samba. Do Vale do Paraíba ao subúrbio carioca de Madureira, o famoso grupo de jongo da Serrinha fará sua dança ao público da Sapucaí, como em 1988, ano da primeira vitória da Vila Isabel.

Grupo (2015)

Harmonia

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“No Morro ou no Asfalto”

Nossa ala de compositores representa os grandes sambistas, pais do samba carioca.

Compositores (Comunidade) (2015)

Harmonia

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Sambistas e Pastoras “A Pequena África Carioca”

Nos anos 20, a população mais pobre que não desfilava nos ranchos devido ao custo das fantasias, saía nos blocos e nos cordões, moradores do bairro da Saúde, Gamboa e adjacências, se apresentavam na Praça Onze, ao som da batucada, com elementos do candomblé. Os passos do samba, já riscavam o chão.

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Comunidade

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 25

"Tias Baianas” Mães do Samba

Mães de santo da Bahia se instalaram no Rio de Janeiro, entre elas, a mais famosa, Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, considerada umas das “fundadoras” do samba carioca. A ala encarna o personagem das yalorixás que se transformam em porta-bandeiras, como se representasse a origem e no que resultou: As Escolas de Samba.

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Comunidade Performático

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Alex de Souza DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala *

Guerreiros da Kizomba

Comissão de frente de 1988, representada por bonecos gigantes.

Grupo de Marionetes (2015)

Harmonia

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Vila Isabel “A Festa da Raça”

Homenagem ao ritmo SAMBA ENREDO, e a Vila Isabel, em um dos seus momentos mais marcantes: seu primeiro campeonato, KIZOMBA. Onde evidencia a relação forte da escola com a negritude e sua cultura.

Comunidade (2015)

Harmonia

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadavia Corrêa, nº. 60 – Barracão n.º 05 – Gamboa – Rio de Janeiro – Cidade do Samba Diretor Responsável pelo Atelier Tia Tânia e Leide Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Equipe de Barracão Equipe de Barracão Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Equipe de Barracão Seu José Outros Profissionais e Respectivas Funções Janaína e Luiz Martins

- Compras

Gilmar e Cassio

- Pintor de Arte

Badú

- Placas

Almir e Paulo

- Arames

Wellington, Eliane de Oliveira, Maurício, - Atelier reprodução de alas Marcinho, Shiela, Beto, Célio, Ewerton, Rosângela, Ranny, Bruno, Anderson Fulgêncio, Dudé, Mônica, Jefferson e Marcinho Delfim, Sandro Carvalho, Eliana e Leandro

- Atelier reprodução de composições de carro

Leide

- Almoxarifado de fantasias

Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Autor(es) do Samba- Artur das Ferragens, Gustavinho Oliveira, Danilo Garcia, Braguinha, Rafael Zimmerman, Julio Alves Enredo Presidente da Ala dos Compositores Eduardo Katata e Cláudia Nel Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 100 Jaime Machado Thales Henrique (cem) 78 anos 25 anos Outras informações julgadas necessárias A minha vila chegou Ouça essa voz A pele arrepia ao som da batida Força dos meus ancestrais Herança que fez ressoar o rufar do tambor... Ô, ô, ô Pra gente dançar assim, feliz Maracas encontram tamborins O reggae celebra mensagens de paz Oh, minha flor, quero você em meus braços Bailando no mesmo compasso Um tango de drama e amor Vila “Azul” que dá o tom à minha vida Um “sopro” de esperança na avenida Eu faço um pedido em oração Ouvi-la pra sempre no meu coração Um solo de guitarra a embalar “Soul” a mais perfeita forma de expressar Eu vou, eu vou... Onde fez raiz a tradição nagô Eu vou, eu vou, foi... O povo do samba quem me chamou Ginga no lundu... Morena Negro é o rei...É o rei Toque de ijexá... Afoxé Pra “purificar”... Minha fé Gira, baiana, deixa a lágrima rolar Quando no terreiro novamente ecoar Ô, ô, Kizomba é a Vila Firma o batuque no som da cor Valeu, Zumbi, a lua no céu É a mesma de Luanda e da Vila Isabel

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Introdução da justificativa do samba: A parceria fez a opção por um samba que mexesse com os brios da escola. Entendemos que a musicalidade negra, e a herança africana são a alma e a identidade da Vila Isabel, e o caminho escolhido foi buscar valorizar isso. Somos torcedores da Vila Isabel e procuramos fazer um samba com letra e melodia que a escola tenha facilidade e prazer em cantar. A comunidade da Vila Isabel é muito forte e a grande estrela do nosso samba é ela. Essa justificava foi organizada da seguinte maneira: Trecho da sinopse, citação do samba, e justificativa. Justificativa por trechos: Trecho da sinopse: “Ouço o tom de pele. Vejo a música que embala. Me arrepio no toque da batida, saboreando o ritmo que dela exala. Sinto cheiro daquela gente sofrida, no brilho da voz que não cala. Esta é a saga daqueles que migraram forçosamente, para um já velho mundo. Após séculos no cativeiro, tingiram estas Américas e as fizeram crioulas. Gerações que se seguiram colheram os frutos desta musicalidade, semeada por seus ancestrais. Vozes e percussão revelando seus ritmos, no bater do pé e na palma da mão. Instrumentos inventados ou adquiridos de outras culturas.” Citação no samba: A MINHA VILA CHEGOU OUÇA ESSA VOZ A PELE ARREPIA AO SOM DA BATIDA FORÇA DOS MEUS ANCESTRAIS HERANÇA QUE FEZ RESSOAR O RUFAR DO TAMBOR... ÔÔÔ Justificativa: Iniciamos o samba fazendo referência e reverência a toda herança da ancestralidade negra, que hoje se faz sentir no tom da pele e na emoção que da pele aflora. A comunidade da Vila Isabel hoje encarna a musicalidade que se ouve na voz, que se sente na pele, que traz a força que atravessa gerações e que ressoa em cada toque de tambor. Trecho da Sinopse: “De início, navego milhas, nas ondas latinas, aportando nas Antilhas, como os hispânicos reinóis, seus descobridores. Entre chocalhos e maracas, o canto e a dança, ao som da habanera cubana. Do culto ao etíope monarca africano, nasce o movimento rastafári caribenho, disseminado pelo reggae jamaicano. Seguindo para o sul da colônia, conhecemos a cúmbia, "dança dos escravos" da Colômbia. No Uruguai, a dança com atabaques tem como candombe seu codinome. Bantos, de origem, seguem para a prateada Argentina, muitos partindo do Brasil. Embarcavam, levando em si uma cultura genuína, que, transportada em cada cargueiro, chega ao porto de Buenos Aires vinda do Rio de Janeiro. Assim nascem a milonga e o tango, seu irmão, que no dialeto banto quer dizer círculo, baile, tambor ou reunião.”

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Citação no samba: PRA GENTE DANÇAR ASSIM, FELIZ MARACAS ENCONTRAM TAMBORINS O REGGAE CELEBRA MENSAGENS DE PAZ OH, MINHA FLOR, QUERO VOCÊ EM MEUS BRAÇOS BAILANDO NO MESMO COMPASSO UM TANGO DE DRAMA E AMOR Justificativa: Nessa parte do samba, começamos a mostrar a influência da musicalidade africana nas Américas. Todo esse ritmo que pulsa em nossa gente é um convite a dança e a felicidade. As maracas e chocalhos, símbolos da habanera, que é um ritmo cubano, se unem ao tamborim, símbolo do samba, no desfile da Vila Isabel. A paz, um dos ideais do movimento rastafari, é tema das letras do reggae, um famoso ritmo jamaicano. O amor, a paixão, a sensualidade que exalam da rosa do tango, nos fazem querer ter um par nos braços, para bailar ao som dramático e apaixonado desse ritmo.

Trecho da Sinopse: “Além das coroas ibéricas, outros reinos colonizaram o continente; ingleses e depois seus colonos americanos, que se proclamaram independentes, disputaram com espanhóis e franceses novos territórios. E neles aportaram navios negreiros; a mão de obra escrava, nos brancos campos de algodão, era despejada. Proibidos de falar, cantavam. Cantando, dividiam dor, amor e cânticos de louvor. Blues, ou "azuis", era referência às pessoas de pele negra e à melancolia nas plantações. Pai do jazz, que contém um banzo, uma saudade. Nova Orleans foi o berço. Os instrumentos das bandas marciais, uma vez abandonados, após a derrota dos sulistas na guerra civil, foram reaproveitados. Segregados, os irmãos de cor dedilhavam o teclado em igrejas para os fiéis.” Citação no samba: VILA, “AZUL” QUE DÁ O TOM À MINHA VIDA UM “SOPRO” DE ESPERANÇA NA AVENIDA EU FAÇO UM PEDIDO EM ORAÇÃO OUVI-LA PRA SEMPRE NO MEU CORAÇÃO Justificativa: Nessa parte do samba, começamos a nos referir a América Inglesa. É mais um momento em que aproximamos o enredo à Vila Isabel, a partir da coincidência do gênero “blues”, com a cor da escola. Ao mesmo tempo em que dizemos que é o “blues” quem dá o tom da música, também dizemos que azul dá o tom da cor de tantas pessoas que vivem o bairro e a escola Vila Isabel. Os instrumentos de sopro são a principal marca do gênero musical jazz. A palavra oração se refere as músicas que os negros cantavam em igrejas, músicas que fazem tão bem à alma quanto ao coração.

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Trecho da sinopse: “Restava-lhes pouco espaço, somente em bares, clubes e bordéis. Assim o "ritmo" vai dominando o suingue do compasso. Do Boogie-woogie e do jump blues, nasce um novo gênero que, ao som de guitarras, pelo mundo inteiro, a juventude conquistou: "Aumenta que isso aí é rock'n roll". Está na alma, está no soul! Na pista disco. No funk e no techno. Negro é rap, é hip hop. Ser negro é ser pop.” Citação no samba: UM SOLO DE GUITARRA A EMBALAR “SOUL” A MAIS PERFEITA FORMA DE EXPRESSAR Justificativa: Continuamos a citar dois gêneros norte-americanos, muito conhecidos. O rock´n roll, representado pelos embalos dos solos de guitarra. Quem se expressa com a alma se expressa melhor. Se é assim, não existe melhor forma de expressão que o “soul”. O duplo sentido “soul”/sou também mexe com a comunidade. Cada componente pode bater no peito e dizer “sou a mais perfeita forma de expressar”.

Trecho da sinopse: Agora ouço, das terras brasileiras, histórias que a memória traz. Bantos, iorubás, jejes, minas e hauçás, sobrevivendo entra a dor e a gana, na ex-colônia lusitana, deram início a uma íntima relação entre música e fé. E ao seu culto chamaram "calundu", e em seus "batuques" na mata aberta, nos cafundós do sertão, uma cultura se manifesta. "Se negro festeja não conspira", diz o amo branco, que assim permitia. Na roda dos negros, virou Iundu, uma dança sensual que, junto à fofa e ao fado, atravessou o Atlântico e conquistou Portugal. Este último se une aos cantos dos mouros, às cantigas dos trovadores, da saudade inerente dos marinheiros. Consolida-se como canção solista, inspirada na dança estilizada. Revela-se que o grande orgulho luso, ora pois, tem um pé na senzala. Citação no samba: EU VOU, EU VOU… ONDE FEZ RAIZ A TRADIÇÃO NAGÔ EU VOU, EU VOU, FOI... O POVO DO SAMBA QUEM ME CHAMOU GINGA NO LUNDU... MORENA Justificativa: Nesse trecho do samba, voltamos ao país onde a tradição do povo nagô (ou iorubá) fez raiz. Ou seja, o Brasil. O Povo do Samba é quem convida pra nos familiarizarmos com os diversos ritmos que fazem parte da nossa cultura. E se o Povo do Samba é quem chama, o canto do Povo do Samba é valorizado nessa parte, pois é o início do contracanto, com as perguntas e respostas, que, na avenida, certamente pode proporcionar boas notas em harmonia. O primeiro ritmo citado no Brasil é o lundu, uma dança cuja sensualidade é representada na letra do samba pela ginga da morena.

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Trecho da Sinopse: Nas ruas daqui, o toque da zabumba chama o povo para o festejo, ao relembrar a coroação do rei do congo num sincrético cortejo, das embaixadas da nobreza negra, sua corte e seus vassalos. A devoção da irmandade negra católica à padroeira dos escravos. Salve Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, salve São Benedito. Batem tambores, marimbas e ganzás, nas batidas de caxambus. Dos reisados, de Chico Rei coroado e dos maracatus. Festejando em louvação, simulam lutas nos autos negros que saúdam a Divina Senhora da Purificação. Na tradição nagô, o "candomblé de rua", na cadência do ijexá com seus xerequerês e agogôs, é representado pelo afoxé. E nos trios elétricos brincam ao ritmo do axé. Citação no samba: NEGRO É O REI... É O REI TOQUE DE IJEXÁ... AFOXÉ PRA “PURIFICAR”... MINHA FÉ Justificativa: Nesse trecho do enredo, são citadas diversas manifestações culturais onde se faz referência a realeza do negro. O cortejo que celebra a coroação do Rei do Congo, e reisados, maracatus, relacionados a Chico Rei. Também se faz referência a religiosidade negra. Religiosidade em sua matriz africana, através do candomblé, representado por seus ritmos, ijexá e afoxé. Ou religiosidade de matriz cristã, como nas saudações a Nossa Senhora da Purificação, purificando nossa fé.

Trecho da Sinopse: Dos grandes mestres e batutas, choram flauta e cavaquinho. As modinhas, polcas, maxixes, pilares do meu carinhoso chorinho. E nos grandes encontros se fez o jongo, conhecido como caxambu e corimá.E o samba, que vem de "semba", a angolana "umbigada", mexe e remexe nos seus requebrados. Sincopado e malandreado. Vem exibir, com as palmas e a resposta, os seus passos e rebolados. Meu tamborim de bamba, valorizando a batucada. Com as bênçãos de Ciata e das "tias baianas", na Praça Onze e na Pedra do Sal, na Pequena África carioca. "Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros", que a negritude tem a primazia. Citação no samba: GIRA, BAIANA, DEIXA A LÁGRIMA ROLAR QUANDO NO TERREIRO NOVAMENTE ECOAR

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias Justificativa: Citamos nessa parte Tia Ciata e todas as mães baianas, em especial as baianas da Vila Isabel. Fazemos alusão ao choro, ritmo, quando falamos de lágrimas. Citamos os terreiros, que eram os palcos do jongo, e de todas as influências que formaram o samba. Além disso, esse verso é uma preparação para o refrão, prevendo a emoção que será no dia do desfile quando, depois de quase 30 anos de espera, pela segunda vez ecoar a melodia do samba que representa tanto na história do carnaval, da Vila Isabel, da cultura negra e do Brasil: Kizomba. (Vale ressaltar que 1988 foi o único ano em que não houve desfile das campeãs, por causa das chuvas que atingiram a cidade do Rio de Janeiro, o que fez muita gente dizer que Kizomba foi algo tão mágico que só poderia acontecer uma vez. Mas nós acreditamos que a Vila em 2017 tem capacidade de fazer outro desfile tão mágico e inesquecível quanto esse.)

Trecho da Sinopse: E é dessa cor que falo, que meus sentidos expressam naquele que é considerado o maior espetáculo. Trazendo os matizes de cada pavilhão, a escola que o samba fez. E ao som das cores da Vila, que é Azul, Branca e Negra também, vem kizombar mais uma vez. Citação no samba: ÔÔ, KIZOMBA É A VILA FIRMA O BATUQUE NO SOM DA COR VALEU, ZUMBI, A LUA NO CÉU É A MESMA DE LUANDA E DA VILA ISABEL! Justificativa: Queríamos fazer um refrão que mexesse com o orgulho da escola. O “ôô” é uma referência melódica do samba de Kizomba. Todo componente da Vila Isabel gosta de ser identificado com esse desfile e esse samba. A Vila é Kizomba e Kizomba é a Vila. Colocamos o título do enredo no refrão para celebrar a negritude que está na alma da Vila Isabel. Fazemos referência ao verso mais marcante daquele samba, que simboliza, através de zumbi, a força, a raça, a bravura da nossa comunidade. E por fim, a referência poética, depois de citarmos tantos elos entre África e América durante o samba, às semelhanças entre os dois continentes. A lua que ilumina nossos irmãos de cor do outro lado do mar é a mesma lua que ilumina o bairro de Vila Isabel e todo o continente americano.

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Wallan Conceição Amaral (Mestre Wallan) Outros Diretores de Bateria Rafael (Tamborim), Macaco Branco, Mangueirinha, Paulo Henrique, Clebinho (Instrumentos Graves), Guilherme Titinho (Chocalho), Jorge Pedro, Juan, Alanzinho, Tiago Xavier, Marcão e Fábio Buba Total de Componentes da Bateria 275 (duzentos e setenta e cinco) ritmistas NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 12 12 22 0 01 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 50 57 36 0 35 Prato Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 1 0 24 01 24 Outras informações julgadas necessárias Mestre Wallan: Iniciou como componente da bateria mirim da Vila Isabel, no fim dos anos 1980 (ainda não existia a “Herdeiros da Vila”). Em 1995, Wallan tornou-se ritmista da Unidos de Vila Isabel. Em 2007, tornou-se diretor de bateria, a convite de Mestre Mug, que então comandava a “Swingueira de Noel”. Dividiu, com o Mestre Paulinho, em 2012, a direção geral da bateria, assumindo o comando no ano seguinte. Em 2017, segue à frente da bateria, prometendo arrepiar a Passarela do Samba. Presidente de Honra da Bateria: Mestre Mug Padrinho da Bateria: Marcos Peçanha Diretores Administrativos da Bateria: Thiago Gegê, Cláudio Rocha e Cléber Pastor.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Décio Bastos Outros Diretores de Harmonia Tio Júlio, Alair, Faquir, Chicão, Nina, Joelma, Chico Branco, Gilberto, Sapatinho, Cosme e Ed da Vila Total de Componentes da Direção de Harmonia 40 (quarenta) componentes Puxador(es) do Samba-Enredo Intérprete Oficial: Igor Sorriso Auxiliares: Pablo, Digão, Gera e Gustavinho Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Cavaquinho – Douglas Violão – Caio César Outras informações julgadas necessárias Diretor Geral de Harmonia Décio Bastos participou por mais de vinte anos de comissões de frente de diversas agremiações. Em 2005 fez parte do grupo de diretores de harmonia da Unidos do Porto da Pedra. No ano seguinte, compôs a vitoriosa equipe de diretores de harmonia da Unidos de Vila Isabel. Para 2016, Décio Bastos e seus colaboradores terão missão de conduzir a Vila Isabel a um grande desfile. Intérprete Oficial Vencedor do Estandarte de Ouro 2011, como revelação, entre outros prêmios, Igor Sorriso começou sua história na Mocidade Unida de Santa Marta, em 2004. Passou pela escola mirim Aprendizes do Salgueiro. Em 2009, teve uma passagem pela Vizinha Faladeira, como intérprete oficial. A partir de 2006, fez parte do time de cantores da São Clemente, onde se tornou em 2010, o intérprete oficial. Com sua simpatia característica, que o levou a ser conhecido com o codinome “Sorriso”, estreou em 2016, como a voz principal da nossa Unidos de Vila Isabel.

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Décio Bastos Outros Diretores de Evolução Bolinha, Cátia, Suelen, Euza, Lenira, Bruno, Silvinha, Mandacaru, Verinha, Bruno e Edson Total de Componentes da Direção de Evolução 66 (sessenta e seis) componentes Principais Passistas Femininos Vanessa de Oliveira, Kelly Amaral, Ana Carolina, Michelinha, Nina Passos, Mayara do Nascimento e Roberta Glória. Principais Passistas Masculinos Luiz Manoel, Adilson, Hudson, Pedro Henrique, Valter Falcon e Clóvis Costa Outras informações julgadas necessárias A Ala de Passistas do G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel é dirigida por Edson Santos Cunha e Claudinha Chocolatte.

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Presidente Levi Junior Vice-Presidente Evandro Bocão Presidente de Honra Martinho da Vila Comissão de Carnaval Junior Schall, Décio Bastos e Evandro Bocão Responsável pela Ala das Crianças Total de Componentes da Quantidade de Meninas Quantidade de Meninos Ala das Crianças Responsável pela Ala das Baianas Alair Farias Total de Componentes da Baiana mais Idosa Baiana mais Jovem Ala das Baianas (Nome e Idade) (Nome e Idade) 80 Luzinete Taparica Geysa Pereira (oitenta) 82 anos 26 anos Responsável pela Velha-Guarda Manso, Cheila e Tereza Total de Componentes da Componente mais Idoso Componente mais Jovem Velha-Guarda (Nome e Idade) (Nome e Idade) 72 Therezinha de Jesus Cardoso Marco Antônio da Silva (setenta e dois) 85 anos 55 anos Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Martinho da Vila, Sabrina Sato, Martinália, Lexa, Serginho; JP; Felipe Adekobuto; entre outros. Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Patrick Carvalho Coreógrafo(a) e Diretor(a) Patrick Carvalho Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 15 01 (quinze) (um) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos

DEFESA DA COMISSÃO DE FRENTE: ADORAÇÃO E LIBERTAÇÃO Na Força do Tambor Ao longe trovejam tambores retumbantes ressoam oriundos de negras almas que incentivam movimentos de dança e que, inversamente, o corpo acalma E vai ecoando por todas as Américas por rodas e batuques pela noite inteira com vigor e energia arrepiantes pulsando também nas veias brasileiras Sons que também têm toques de libertação e energizam os entes humanos com amor enaltece rituais e movimentos artísticos simbolizados na figura do tambor Da música negra advém as danças dos rituais, energia que se eleva ao céu nossa comissão nos remete à nobreza e ao brilho da coroa da Vila Isabel

Direção e Coreografia: Patrick Carvalho. Desenho de alegoria e figurino: Alex de Souza. Confecção de figurinos: Fernando Magalhães. Objeto de cena: Sérgio Marimba, Cláudia Torres e Mirella Lima. Assistentes: Henry Antero, Washinton Silva e Carlos Alves.

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Outras informações julgadas necessárias ELENCO:  Maryam Kaba (mulher)  Allan Jaime  Brendo Ferreira  Dadinho Martins  Evandro Machado  Geovani Carvalho  Kriollo Reis  Iago Jesus  Yago Custódio  Junior Theomon  Nanâ Foltz  Rafael Balbinot  Wallace Ferreira  Welton Miranda  Washington Silva

ELEMENTO CENOGRÁFICO: Como apoio cenográfico a comissão de frente contará com um quadripé que tem a função de complementar o conceito coreográfico criado para tal.

HISTÓRICO DO COREÓGRAFO: PATRICK CARVALHO Patrick Carvalho: Coreógrafo e bailarino, começou sua carreira no carnaval quando criança em uma escola Mirim “Golfinhos da Guanabara”. Formou-se em dança e fez seu primeiro trabalho como assistente de Marcelo Misailidis nos anos de 2009 e 2010 na Unidos de Vila Isabel, depois assumiu a comissão de frente da G.R.E.S. Alegria da Zona Sul em 2011, sendo campeão e recebendo o prêmio de melhor comissão de frente. Em 2012, na Inocentes de Belford Roxo conduziu a escola ao grupo especial do carnaval carioca. Trabalhou em seguida na Beija-flor de Nilópolis e ingressou na União da Ilha do Governador, em 2015, com uma comissão de frente premiada. No ano de 2016, Patrick ganhou sete prêmios do carnaval carioca, como melhor comissão de frente, inclusive com o “Tamborim de Ouro”. Patrick também já foi duas vezes finalista do quadro “Dança dos Famosos” da Rede Globo, como professor e coreógrafo.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Raphael Rodrigues 1ª Porta-Bandeira Amanda Poblete 2º Mestre-Sala Jackson Senhorinho 2ª Porta-Bandeira Bárbara Martins Outras informações julgadas necessárias

Idade 32 anos Idade 20 anos Idade 31 anos Idade 17 anos

1º.Mestre-Sala da Unidos de Vila Isabel – Raphael Rodrigues Desde os oito anos de idade, se encantou pela dança de mestre-sala. Formado pela escola do Mestre Manoel Dionísio, ao completar a maior idade, recebeu o convite para ser o primeiro mestre-sala do GRES Unidos de Vila Isabel em 2005. Em 2006 sagrou-se campeão com o título da escola e conquistou o Estandarte de Ouro concedido pelo júri do jornal o Globo. Com passagens pelo GRES Unidos do Viradouro e pelo GRES Mocidade Independente de Padre Miguel, Raphael esteve na Estação Primeira de Mangueira de 2010 a 2016, onde se sagrou campeão. Neste período, tornou-se discípulo do lendário mestre-sala Delegado, passando a incorporar ao seu bailado alguns dos passos eternizados pelo mestre. De volta à Azul e Branco, Raphael mostrará toda a sua experiência e competência para garantir ao lado de Amanda Poblete, a nota máxima.

1ª Porta-Bandeira da Unidos de Vila Isabel - Amanda Poblete - Seu primeiro desfile foi em 2009, onde desfilou na abertura do Carnaval pelo projeto mestre Manoel Dionísio. No ano seguinte, com apenas 12 anos, assumiu como segunda Porta-bandeira do G.R.E.S. Sereno de Campo Grande. Com passagens pela: Unidos de Padre Miguel; Mocidade Unida de Jacarepaguá; Renascer de Jacarepaguá; Difícil é o Nome e Paraíso do Tuiuti, foi convidada em 2015 para ser a segunda Porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel. Para o carnaval de 2017 terá a honra de defender o pavilhão, em sua estreia como primeira Porta-bandeira.

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Abre-Alas – G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias DEFESA DO 1º CASAL: Fantasia: “Realeza Africana” O casal demonstra a altivez e a nobreza de reis negros que aportaram no Novo Mundo, mesmo na condição de cativos. Representam com ricos detalhes, a ourivesaria de diversas regiões africanas. As cores revelam as profundezas do oceano atlântico, e fazem emergir na saia da porta-bandeira, a coroa, símbolo da escola.

DEFESA DO 2º CASAL: Fantasia: “Os Padroeiros” O casal representa a devoção pelos santos católicos, padroeiros das irmandades negras, nos tempos coloniais. O ouro dos altares, as guirlandas de rosas nas berlindas e o esplendor barroco, estão caracterizados nas fantasias.

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G.R.E.S. ACADÊMICOS DO SALGUEIRO

REGINA

PRESIDENTE CELI DOS SANTOS FERNANDES 249

“A Divina Comédia do Carnaval”

Carnavalescos RENATO LAGE E MÁRCIA LAGE 251

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FICHA TÉCNICA Enredo Enredo A Divina Comédia do Carnaval Carnavalesco Renato Lage e Márcia Lage Autor(es) do Enredo Diretoria Cultural do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro Autor(es) da Sinopse do Enredo Diretoria Cultural do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Diretoria de Carnaval, Diretoria de Harmonia e Diretoria Cultural do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. Ano da Páginas Livro Autor Editora Edição Consultadas 01

A Divina Comédia

ALIGHIERI, Dante.

Scipione

1996

Todas

02

Carnaval, Seis Milênios de História

ARAÚJO, Hiram.

Gryphus,

2003

Todas

03

Explode, Coração: Histórias do Salgueiro

BRUNO, Leonardo.

Arqueiro

2013

Todas

04

Salgueiro: Academia do Samba

COSTA, Haroldo.

Record

1984

Todas

05

O Sagrado e o Profano

ELIADE, Mircea.

Martins Fontes

1992

Todas

06

O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro

FERREIRA, Felipe.

Ediouro

2004

Todas

07

O Brasil é um Luxo: Trinta Carnavais de Joãosinho Trinta

GOMES, Fábio. VILLARES, Stella.

Axis Produção e Comunicação

2008

Todas

253

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FICHA TÉCNICA Enredo Ano da Edição

Páginas Consultadas

Secretaria Municipal das Culturas

2007

Todas

GUIMARÃES, Helenise.

Editora Rio Book’s

2015

Todas

O Brilho como Êxtase do Imaginário Coletivo: Sistemas Simbólicos de Encantamento na Articulação com o Sagrado

GUIMARÃES, Maurílio.

Revista Digital Art&, número 15, nov.2014

2014

Todas

11

Desvendando Inferno: o Guia Essencial para os Mitos e Mistérios de Dan Brown

HAAG, Michael.

Editora Planeta

2013

Todas

12

O Deus da Idade Média: Conversas com Jean-Luc Pouthier

LE GOFF, Jacques.

Civilização Brasileira

2007

Todas

13

Os Tenentes do Diabo: Carnaval, Lazer e Identidades entre os Setores Médios Urbanos do Rio de Janeiro (1889-1932)

REIS, Carlos Frederico da Silva; PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda (orientador).

Dissertação de Mestrado Departamento de História, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro *

2012

Todas

Livro

Autor

Editora

08

Os Ranchos Pedem Passagem: o Carnaval no Rio de Janeiro no Começo do Século XX

GONÇALVES, Renata de Sá.

09

A Batalha das Ornamentações: a Escola de Belas Artes e o Carnaval Carioca

10

254

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FICHA TÉCNICA Enredo Livro

Autor

Editora

Ano da Edição

Páginas Consultadas

14

Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos

SIMAS, Luiz Antonio; FABATO, Fábio.

Mórula

2015.

Todas

15

Teoria Cultural e Cultura Popular: uma Introdução.

STOREY, John.

Editora Sesc

2005.

Todas

Outras informações julgadas necessárias * Disponível em http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/21918/21918.pdf Carnavalescos e carnavalescas. São eles os responsáveis pela concepção, execução e desenvolvimento do enredo. São eles os responsáveis por dar o pontapé inicial naquele ritual que dura quase um ano inteiro e vai desembocar lindamente na avenida iluminada. São eles que trabalham – sozinhos, em dupla ou em comissões - todo o aspecto visual da escola. Alguns contam com a ajuda de equipes numerosas; outros (espécie em extinção) ainda cumprem o passo a passo do ritual dos desfiles solitariamente. Descrever a história, roteirizar, desenhar figurinos, criar cenários, fazer a produção, dirigir o show, ver o trabalho pronto na avenida e assistir à catarse coletiva de quatro mil componentes. Algo fascinante para esse verdadeiro artista da folia. Sem dúvida. Após muitos carnavais, a função do carnavalesco cresceu em proporção direta ao processo de transformação de alguns aspectos dos desfiles das escolas de samba. Na corda bamba entre a consagração e o fracasso de uma escola, os carnavalescos se enveredam em bibliotecas, na internet ou situações do dia-a-dia na busca de ideias para seus desfiles. Cabe a eles encontrar soluções visuais que causem tamanho impacto para agradar componentes, jurados, comentaristas e público. Berço das revoluções estéticas que mudaram para sempre o modo de fazer de carnaval, o Salgueiro se orgulha de ter dado início a essa profissão. Foi do visionário Nélson de Andrade, expresidente da escola, a ideia de convidar artistas plásticos - primeiro o casal Dirceu e Marie Louise Nery, em 1959, e, depois, Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, em 1960 - para se aventurarem na doce delícia de fazer carnaval. Estes professores iniciaram outros carnavalescos – Joãosinho Trinta, Renato Lage, Rosa Magalhães, Maria Augusta Rodrigues e Max Lopes -, que beberam na fonte salgueirense para espalhar a luminosidade vermelha e branca por outras escolas e, eternamente, por outros carnavais.

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HISTÓRICO DO ENREDO A DIVINA COMÉDIA DO CARNAVAL “Carnaval do Rio, vendaval de sentidos! (...) Tu és o espasmo da fera na civilização”. (João do Rio)

Quem sou eu nessa selva de ilusões que se ergue quando o mundo real acaba em cinzas para renascer vibrante nas chamas de mais um Carnaval? Muito prazer! Sou um aventureiro errante, passageiro do delírio. Mas podem me chamar de poeta... Embarco numa viagem desvairada pelos três reinos místicos de Momo, navegando por um rio de escaldantes tentações. “Se ‘essa barca’ não virar / Olê, olá... Eu chego lá!” De mente aberta e alma liberta, lá vou eu! ALEGRIA INFERNAL No “Balancê, Balancê”, a embarcação avança pelas águas assombradas de onde se avistam as loucas fantasias dos que se entregam sem temor às garras da folia. São milhares de vozes que ecoam pelos abismos mais profundos, entoando uma ladainha profana, hino de tantos carnavais: “Mas que calor ô-ô-ô-ô-ô-ô”! Estou em pleno Inferno, ardendo numa incontrolável febre de alegria. No rebuliço dos salões subterrâneos, o Bloco dos Mascarados arma as trincheiras para uma intensa batalha de confetes e serpentinas, libertando as feras que se escondem dentro de cada um de nós. É hora de extravasar as fúrias diárias que nos assombram. No decorrer do trajeto, vejo uma procissão pagã inundando de beleza a Avenida das Labaredas, onde ressoam alto os clarins pedindo passagem para os “Tenentes do Diabo”. Numa triunfal aparição, é carregado em glória o Senhor das Profundezas, que uma vez por ano segue a comandar o soberbo desfile das Grandes Sociedades do Além-Túmulo. Nessa euforia aterradora, a ordem do Rei do Mundo Inferior é lavar a alma num irresistível transe coletivo, como se fosse o último Carnaval sobre a face das trevas.

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Mas sinto que é hora de partir, ainda que atraído pelas fogosas tentações espalhadas no caminho maligno que tanto me seduz. Sigo, então, a minha trajetória. Ainda há muito Carnaval para pular. PECADO É NÃO SE ENTREGAR... Depois de abandonar as veredas infernais, eis que estou aos pés do imponente monte Purgatório, onde o Cordão dos Penitentes se divide em sete grupos de foliões, cada qual com seu pecado capital. Em um cortejo alucinante, sacodem a ladeira sem culpa, sem juízo e sem medo de ser feliz. Afinal, não há castigo para pecados cometidos em nome do prazer. Mas que folião sou eu nesse reino entre o Inferno e o Céu? Para avançar pela trilha da temperança, é preciso mergulhar nas águas que purificam e seguir o caminho da salvação. “Vê? Estão voltando as flores...”. O cenário se modifica e dá lugar a um gracioso cortejo de sonhos e recordações. Abram alas para o esplendor dos Ranchos e suas deslumbrantes flores, aves exuberantes e borboletas telúricas. É a natureza se revelando em um suntuoso Jardim do Éden, bordando de beleza a travessia rumo às portas do reinado derradeiro de Momo. A DIVINA FOLIA Purificado, cruzo a grande entrada que me defronta com a visão divinal do firmamento, onde estrelas giram como um carrossel místico suspenso no infinito. Ao seguir o rastro de poeira cósmica, vou percorrendo um universo magnífico e reluzente. Nos altos círculos celestiais, um Corso espacial desfila encanto e lirismo: “E a lua anda tonta... com tamanho esplendor!” E a minha alma caminhante sorri diante da vastidão do espaço ornamentado de saudade. Assim, flutuo em glória rumo à Apoteose que encerra esta jornada foliã. Chego, enfim, ao meu destino final! No último portal do Paraíso, sinto o pulsar da magia dos tambores que emanam o axé das divindades. Iluminado, adentro o templo da divina criação, na dimensão afro-cósmica dos reis, heróis e deuses de Yorubá. Nesse plano superior, ponho-me diante da Santíssima Trindade do Carnaval, que molda em arte tudo o que nasce do coração do povo. Pai, Filho e Espírito Santo... Juntos de novo na missão de interpretar a alma da nossa gente. Assim, celebro, extasiado, a beleza criada pelas mãos do gênio Arlindo, o eterno querubim arlequinal, a trançar a Divina festança entre 257

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rendas e fitas; contemplo a obra magistral de Joãosinho, o menino que virou rei, a tecer em luxo e brilho o maior espetáculo do universo; e, por fim, reverencio o Deus com voz de trovão: Fernando Pamplona! Salve o grande mestre de muitas artes que enfeita, nas altas esferas de Orum de Todos os Deuses, a grande Festa para os Reis Negros da Academia do Samba, o meu sagrado Paraíso. Em estado de graça, completo a minha Odisseia carnavalesca. É hora de revelar em poesia todas as maravilhas que vi e que senti ao longo do percurso. Meu nome é Dante! Sou poeta peregrino que anuncia o grande aprendizado desta Divina Comédia: A REAL FELICIDADE ESTÁ EM NOSSA INADIÁVEL MISSÃO DE CARNAVALIZAR A VIDA. Há um Dante dentro de você. Liberte-o!

Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage Enredo: Diretoria Cultural G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO A Divina Comédia é um poema épico escrito pelo italiano Dante Alighieri há mais de 700 anos. É dividido em três partes: INFERNO, PURGATÓRIO e PARAÍSO. Mesmo publicado há tanto tempo, a Divina Comédia tem inspirado diversas obras artísticas até os dias atuais. Escrita em dialeto toscano, e não em latim, como era comum na época, a obra é uma grande alegoria. Cada uma das três partes é formada por 33 cantos, além de um canto inicial. A criação do ímpeto narrativo se dá com a invenção da terza rima, isto é, um esquema de rimas entrelaçadas que está sempre puxando o ritmo de leitura para a frente. Escrito em primeira pessoa, é como se estivéssemos diante de um grande relato de uma viagem imaginária. Tamanha originalidade e destreza narrativa contribuíram para a difusão dos textos de Dante, considerado um mestre das imagens, um escritor dramático, irresistivelmente fantástico e fascinante. Sua impressionante descrição do Inferno levou vários fiéis a renovarem a fé na Igreja Católica, tamanho o pavor detalhado em cada um dos círculos da morada de Lúcifer. Repleto de símbolos, números e misticismo, a Divina Comédia é uma obra intrigante, que nos inspira a viajar nas imagens poéticas e metáforas. E por que não a adaptar para um enredo de escola de samba? A ideia desta proposta de desfile é que cada componente seja um Dante, ou seja, um aventureiro, que se entrega aos prazeres e delícias do carnaval. Pronto para embarcar nessa Odisseia carnavalesca? Então lá vamos nós. “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”. DESENVOLVIMENTO DO ENREDO Dividido em três partes, o enredo traça um paralelo entre a obra de Dante e o carnaval carioca. Assim, nosso herói viaja numa barca imaginária que navega sobre um rio repleto de tentações escaldantes num tórrido verão. Em plena folia, Dante desembarca na cidade em pleno período momesco, em busca de uma felicidade utópica. No Inferno, o viajante se entrega aos prazeres da carne, vagando pela selva escura, e encontra, em meio à perdição do abismo dos desejos incontidos, uma legião de condenados à loucura eterna, imersos na mais demoníaca euforia. São seres místicos e sombrios, embriagados e delirantes: morcegos, serpentes, mascarados, caveiras, fantasmas e até a própria morte. Na região mais profunda da face maligna do reinado de Momo, Dante é conduzido aos terríveis domínios dos Tenentes do Diabo, onde se deslumbra com a beleza sedutora e fascinante das Grandes Sociedades. Extasiado, cai na folia como se fosse a última coisa a fazer sobre a face das trevas. A viagem de Dante continua rumo a um espaço intermediário entre o céu e o inferno, onde recebe a missão de deixar para trás todos os espíritos malignos para continuar a sua jornada. Ao subir pelos círculos do Purgatório, depara-se com os blocos dos foliões que vagueiam errantes vestidos cada um em seus Sete Pecados Carnavais: vaidade, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria. Até que no monte Purgatório, passa por um processo de purificação. 259

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A cada passo rumo ao topo, ele se depara com espíritos cada vez mais elevados. Em seguida, nosso aventureiro se vê diante de um ruidoso cortejo que pede passagem ornado de flores, borboletas, fadas e pastoras: são os maravilhosos ranchos. No belo e idílico Jardim do Éden, o paraíso terrestre, ele se vê diante de uma mulher que logo reconhece como a sua amada Beatriz. Recebido pelo som divino dos tambores, Dante se eleva aos domínios do Paraíso. Flutua entre astros que deslizam suave no firmamento, que gira em esplendor entre pierrôs enluarados, colombinas estelares e arlequins solares. Em pleno paraíso material, ele sente a energia pulsante de um corso feérico que segue a poeira cósmica rumo ao infinito. Lá, nosso folião adentra nos últimos círculos celestiais, o paraíso espiritual, onde avista, num intenso e cintilante irromper de brilhos e luzes, a Santíssima Trindade das escolas de samba: Arlindo Rodrigues, envolto entre suntuosos querubins; Joãosinho Trinta, que derrama na passarela dos sonhos celestes os frutos de sua imaginação, criando o luxuoso e alucinante Paraíso da Loucura; enfim, no espectro superior, surge Fernando Pamplona, que comanda os seus discípulos na missão de enfeitar a festa no orum, o reino sagrado das divindades, a grande morada dos reis, heróis e deuses de Iorubá. E lá no ápice das sublimes esferas carnavalescas, o folião aventureiro contempla a grande Apoteose da mais divina das criações. Maravilhado, Dante volta à Terra para contar o que viu. Era noite de carnaval. E, finalmente, recebe por meio da inspiração de um poeta, a explicação definitiva sobre o real sentido do seu retorno à Terra e o sentimento que é ver sua escola na avenida: “É nossa missão carnavalizar a vida”. Portanto, que cada um de nós, como Dante, cumpramos nosso destino: espalhar beleza, alegria e arte.

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ROTEIRO DO DESFILE 1º SETOR – A TRAVESSIA Comissão de Frente SOLTE SUAS FERAS

Guardiões ARLECHINNI MASCHERATO

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Sidclei Santos e Marcella Alves VOU ME PERDER PRA TE ENCONTRAR... Alegoria 01 – Abre-Alas UMA BARCA PARA O INFERNO Ala 01 – Ala dos Negões A SELVA DE TENTAÇÕES Ala 02 – Ala Tati MORCEGOLIÕES Ala 03 – Ala Juntos e Misturados SERPENTEANDO NAS TREVAS Ala 04 – Ala Minha Paixão, Minha Raiz BALANÇANDO O ESQUELETO Ala 05 – Ala Zuk FOLIA FANTASMAGÓRICA Ala 06 – Ala Fúria Salgueirense MASCARADOS NOS SALÕES SUBTERRÂNEOS

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Guardiões ARLECHINNI MASCHERATO

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2º SETOR – ALEGRIA INFERNAL 2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Vinícius Pessanha e Jackeline Pessanha MENSAGERIOS MACABROS DA FUZARCA Destaque de Chão Rafaela Dias FATÁLICA Elemento Cenográfico CÉREBRO Ala 07 – Ala Furacão A MORTE PEDE PASSAGEM Destaque de Chão Carlinhos Salgueiro ESPECTO DEMONÍACO DA FOLIA Ala 08 – Ala do Maculelê REBULIÇO INFERNAL Rainha de Bateria Viviane Araújo IMPETUOSA SEDUÇÃO Ala 09 – Bateria INTENDENTES DO DIABO Ala 10 – Ala de Passistas SAMBARDENTE Ala 11 – Ala Família Salgueirense BATE-BOLANDO NO ALÉM TÚMULO Ala 12 – Ala dos Estudantes CARNAVAL NO FOGO

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Destaque de Chão Fernanda Figueiredo DIVINDADE NEFASTA Alegoria 02 OS TENENTES DO DIABO 3º SETOR – O CORDÃO DOS PENITENTES – OS SETE PECADOS CAPITAIS Porta-Estandarte VAIDADE Ala 13 – Ala Pura Simpatia VAIDOSOS DO MUNICIPAL (VAIDADE) Porta-Estandarte INVEJA Ala 14 – Velha-Guarda BLOCO DOS MANDIGUEIROS CONTRA O OLHO GRANDE (INVEJA) Porta-Estandarte IRA Ala 15 – Ala Gaia CORDÃO DOS ÍNDIOS IRADOS (IRA) Porta-Estandarte PREGUIÇA Ala 16 – Ala Depois Eu Digo FOLIA PREGUIÇOSA (PREGUIÇA) Porta-Estandarte AVAREZA

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Ala 17 – Ala Show de Bola CORDÃO DOS PIRATAS AVARENTOS (AVAREZA) Porta-Estandarte GULA Ala 18 – Ala Zé Carioca BLOCO DOS REIS DA GULA (GULA) Porta-Estandarte LUXÚRIA Ala 19 – Ala do Lalá BLOCO EROTISMO É QUASE AMOR (LUXÚRIA) Destaque de Chão Bianca Salgueiro FOLIA PAGÃ Alegoria 03 O MONTE PURGATÓRIO 4º SETOR – RANCHOS – A PURIFICAÇÃO Ala 20 – Ala Os Reis da Boemia MEU BEM, MEU MAL Ala 21 – Ala Com Jeito Vai O CORTEJO DAS FLORES Ala 22 – Ala das Mariposas NINFAS DO ÉDEN Ala 23 – Ala dos Compositores RANCHEIROS

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Ala 24 – Ala Fina Estampa AVES DO PARAÍSO Destaque de Chão Milena Nogueira e Elaine Caetano A LUZ NO FIM DA TRILHA E VISÃO DO PARAÍSO Alegoria 04 O JARDIM DO ÉDEN – RANCHOS 5º SETOR – O CORSO ESPACIAL Ala 25 – Ala Skindô, Skindô COLOMBINA ESTELAR Ala 26 – Ala Raça Salgueirense PIERRÔ ENLUARADO Ala 27 – Ala Amigos que Amam o Salgueiro ARLEQUINÁLIAS Ala 28 – Ala Narcisa ENERGIA CÓSMICA Ala 29 – Ala Pega no Ganzá FOLIA ESPACIAL Destaque de Chão Mônica Nascimento ARREBATAMENTO ASTRAL Alegoria 05 O CORSO ESPACIAL 6º SETOR - TRINDADE NA ORUM DE TODOS OS DEUSES Ala 30 – Ala DNA Salgueirense ARAUTOS DO PARAÍSO AFRICANO

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Destaque de Chão Tia Glorinha SARUÊ, BAIANA! Ala 31 – Ala das Baianas SACERDOTISAS DE ORUM Ala 32 – Ala Inflasal O DEUS DO PARAÍSO DA LOUCURA – JOÃOSINHO TRINTA Ala 33 – Ala Odisseia O DEUS DO PARAÍSO BARROCO – ARLINDO RODRIGUES Ala 34 – Ala dos Guerreiros O DEUS SUPREMO DE ORUM – FERNANDO PAMPLONA Destaque de Chão Edcléia Escafura A AURORA DOS DEUSES Alegoria 06 EMPÍREO: O ORUM DE TODOS OS DEUSES

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Renato Lage e Marcia Lage Nº Nome da Alegoria 01

UMA BARCA PARA O INFERNO

O que Representa Embarcando em ilusões, Dante, ao lado de seu guia e mentor Virgílio, se entrega aos prazeres de um Carnaval de tentações numa barca comandada por Caronte e tripulada por almas carnavalizantes. São os espectros dos foliões que espalham, no caminho rumo às profundezas, uma felicidade de arrepiar. Elementos e adereços carnavalescos, como o tradicional tubo de lança-perfume, se misturam ao cenário aterrorizante da embarcação, que segue viagem na direção dos infernais domínios da folia. Destaque: Maurício Pina – Caronte Personagens: Luiz Fernando Vianna – Dante; e Luís Henrique Oliveira - Virgílio Composições Femininas: No Balancê, Balancê – Embarque Imediato Para a Folia Composições Masculinas: A Morte é Passageira

*

Elemento Cenográfico CÉRBERO

Em plena travessia pelo inferno, Cérbero - o temível cão de três cabeças - guarda a entrada dos domínios mais profundos da folia. Sua missão é afastar os que não entregaram verdadeiramente suas almas ao poder avassalador do Carnaval. Os que conseguirem ultrapassá-lo, estão prontos para avançar nessa odisseia em busca da infernal felicidade. Personagem: Cristiane Alves – A Domadora de Cérbero

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Renato Lage e Marcia Lage Nº Nome da Alegoria 02

OS TENENTES DO DIABO

O que Representa Nos mais profundos domínios infernais, Dante se vê diante de uma macabra celebração foliã: o desfile dos Tenentes do Diabo, que celebra o Senhor das regiões sombrias, ardendo no calor extremo do carnaval. No delírio do poeta nesta Divina Comédia, os foliões são acometidos por uma “epidemia”, chamada carnaval. Ao centro, a alegoria apresenta uma escultura do Diabo inspirada na ilustração do pintor francês Gustave Doré para uma das edições da Divina Comédia. Destaque: Ronaldo Barros – O Supremo Senhor das Profundezas Semidestaques: Delma Barbosa e Daniele Ribeiro Infernizantes Composições Femininas: Endiabradas Composições Masculinas: Diabólicos

03

O MONTE PURGATÓRIO

A viagem de Dante pelos domínios da folia chega ao seu ponto intermediário: o monte Purgatório. Trata-se de uma região de passagem entre o Inferno e o Paraíso. Aqui, o poeta avista os foliões que tentam alcançar, enfim, a purificação depois de muitos excessos festivos. Em completa catarse, pecadores se encontram num estágio de transição entre o bem o mal, os vícios e as virtudes, dualidades que se manifestam dentro de cada um de nós. São almas destemidas que se jogam no carnaval com pecado... e sem nenhum juízo! Destaque: João Hélder – Anjo Purificador Personagem: Guardião do Portal dos Arrependidos Composições performárticas: Penitentes em Purificação

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Renato Lage e Marcia Lage Nº Nome da Alegoria 04

O JARDIM DO ÉDEN – RANCHOS

O que Representa As esferas malignas ficaram para trás. Um cenário paradisíaco se revela ao poeta, que se vê diante de borboletas, pássaros e flores, elementos presentes nos desfiles dos Ranchos, manifestação carnavalesca que floresceu com todo esplendor num Rio de Janeiro que exalava criatividade popular por todos os seus recantos. Segundo Joãosinho Trinta, os ranchos seriam uma espécie de porção “feminina” do carnaval, que se apresentavam com uma visualidade delicada e com enredos suntuosos, ligados ao imaginário e a histórias épicas. E assim, nesta aventura dantesca pela folia, o nosso viajante vê a imagem de Beatriz, sua amada, como uma linda borboleta que traz consigo todo o colorido e o esplendor à beira do jardim banhado pelas águas do Lete, o rio do esquecimento e do perdão dos pecados. Assim, abrem-se os portais do paraíso na Terra para que a viagem prossiga rumo a uma nova dimensão carnavalesca. Destaque: Monique Lamarque – A Última Tentação Composições Femininas: Flores do Éden

05

O CORSO ESPACIAL

No infinito, Dante contempla uma antiga e animada forma de brincar o carnaval: o Corso. Antes da invenção do automóvel, foliões desfilavam pelas ruas de grandes cidades em carros movidos por tração animal. Na visão do poeta, esta romântica tradição dos Corsos é revivida de forma surrealista, com brincantes tripulando uma nave interestelar puxada por cavalos siderais, desfilando entre astros, estrelas e planetas que flutuam no firmamento. Destaque: Maria Helena Cadar – Colombina Sideral Composições Femininas: Foliãs nas Estrelas Grupo: Batalha de Confete

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Renato Lage e Marcia Lage Nº Nome da Alegoria 06

EMPÍREO: O ORUM DE TODOS OS DEUSES

O que Representa Numa dimensão além da existência física, Dante entra no Empíreo – A morada dos bem-aventurados – ou o Orum de Todos os Deuses, a mais alta esfera celestial, o paraíso supremo. E é lá, onde a arte das escolas de samba se manifesta em todo o esplendor, que Dante se vê diante de anjos que anunciam que a nossa grande missão é carnavalizar a vida. E que é na avenida, em vermelho e branco, que encontramos nosso verdadeiro céu em pleno chão. Terceiro Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Guardiães do Amor Maior – Representando o encontro de Dante com o grande amor em vermelho e branco, o terceiro casal baila no mais alto círculo do paraíso. É a pura manifestação do espírito dos grandes artistas que fizeram da nossa Academia o mais sagrado dos templos. Destaque: Elton Oliveira – Tributo às Divindades Personagens (Djalma Sabiá e Iracema Pinto): Apoteose aos Deuses do Samba Composições: Deuses de Ébano

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FICHA TÉCNICA Alegorias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Maurício Pina – Alegoria 01 (Abre-Alas)

Cabelereiro

Ronaldo Barros – Alegoria 02

Colorista

João Hélder – Alegoria 03

Cirurgião Plástico

Monique Lamarque – Alegoria 04

Atriz

Maria Helena Cadar – Alegoria 05

Empresária

Elton Oliveira – Alegoria 06

Bancário

Local do Barracão Rua Rivadávia Correa, 60, - Barracão 08 – Gamboa, Rio de Janeiro – RJ – CEP 20.220-290 Diretor Responsável pelo Barracão Alexandre Couto Leite Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe Sandro Chaves Maciel Edson de Lima Miguel (Futica) Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Levi Sales de Moraes, Jair Mendes Filho e José Gilberto Lima Alberto Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe Allan Carvalho Marcos Paulo do Nascimento Outros Profissionais e Respectivas Funções Adalberto Ferreira (Salsicha), Reginaldo e Maximiliano Alan Carvalho Crystiane Fontes (Carlos das Placas) João Thomas de Aquino Jair Mendes Filho Jeferson Luis Vitor

- Aderecista de Alegorias - Iluminação - Placas - Fibras - Movimentos - Empastelação - Vime

Hildemberg Batista Hélio da Silva Santiago Paulo Henrique Caetano Flavia Cirino Sidney e Henrique Marcos Amendola, André Anderson e Kléber Daniel

- Talhas Hidráulicas - Almoxarife - Comprador - Assessora de Imprensa - Brigada de Incêndio - Portaria - Serviços Gerais

Aline Sundin Aline Sundin

- Secretária Administrativa - Secretária Executiva 271

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Renato Lage e Márcia Lage DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 01

A Selva de Tentações

A viagem por esta insólita odisseia carnavalesca começa quando Dante passa a vagar por uma selva de tentações. Lá, o poeta ouve vozes que o atraem para uma irresistível aventura pela folia, onde irá conhecer os prazeres e as delícias do carnaval carioca.

Ala dos Negões (2004)

Nivaldo Rosa Ferreira

02

Morcegoliões

Neste momento, Dante segue a jornada pelos círculos infernais do carnaval, onde encontra foliões vestidos com sombrias fantasias, exorcizando os medos que nos cercam no cotidiano. Assim, no primeiro círculo, o poeta avista brincantes trajados de morcegos, que surgem pelo caminho numa assombrosa aparição.

Ala Tati (1997)

Janete Ribeiro

03

Serpenteando nas Trevas

De boas tentações, o inferno está cheio... Diante de um cenário sombrio, o poeta encontra um bloco de serpentes, que lança sobre ele o “gostoso veneno do beijo” e o faz seguir pelas profundezas desse reino que tanto aterroriza e seduz.

Ala Juntos e Misturados (2003)

Nilo Sérgio Coutinho

272

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Renato Lage e Márcia Lage DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 04

Balançando o Esqueleto

Nos domínios da infernal felicidade, Dante se depara com uma procissão de macabros foliões, que seguem o caminho de um ruidoso cortejo balançando o esqueleto e sacudindo a ossada num transe coletivo de arrepiar.

Ala Minha Paixão, Minha Raiz (2003)

Carlos Cézar Bonfim Campos

05

Folia Fantasmagórica

Sombras assustadoras acompanham Dante no seu desfile pelos vestíbulos infernais. São os fantasmas invadindo a cena carnavalesca, que chegam para mexer com a imaginação do poeta.

Ala Zuk (1999)

Roberto Vasconcellos Dias

06

Mascarados nos Salões Subterrâneos

Enquanto isso, uma nova horda de brincantes se entrega aos prazeres mais secretos. As máscaras ocultam a face dos condenados à alegria eterna, trazendo à tona a euforia carnavalesca que se manifesta na alma de todo folião.

Ala Fúria Salgueirense (2003)

José Carlos Ferreira Cardoso

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Renato Lage e Márcia Lage DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 07

A Morte Pede Passagem

Ao adentrar ainda mais no abismo escuro dos festejos infernais, Dante se depara com aquela que ninguém quer encontrar: a morte! Inspirada no colorido da festa dos mortos do México, a cruel ceifadora de vidas dá um tempo nos afazeres mórbidos e cai no samba desfilando sua felicidade aterradora pela avenida do Além-Túmulo.

Ala Furacão (1997)

Flávio Figueiredo

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Rebuliço Infernal

E no meio de um furdunço dos diabos, surge o séquito de Satã fazendo um rebuliço infernal em plena Avenida. Eles querem se jogar nos braços da folia como se fosse o último carnaval sobre a face das trevas.

Ala Maculelê (2008)

Carlos Borges (Carlinhos Coreógrafo) e Odilon da Costa

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Intendentes do Diabo

Nas profundezas do inferno sem fim, Dante se depara com os Intendentes do Diabo, aqueles que, em nome de Satã, comandam toda a alegria infernal no reino subterrâneo. Endiabrados, batucam o furioso cortejo de almas carnavalizadas, fazendo tremer a morada do senhor das profundezas.

Bateria (1953)

Marco Antônio Silva (Mestre Marcão)

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Sambardente

Ao se aproximar da parte mais terrível e sedutora do inferno carnavalesco, Dante se deixa enfeitiçar pelos foliões que ardem como fogo na Avenida das Labaredas, no passo eletrizante que deixa em brasa o chão da sinistra passarela.

Ala de Passistas (1953)

Carlos Borges (Carlinhos Coreógrafo)

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Bate-Bolando no Além Túmulo

A presença dos bate-bolas chama atenção do poeta. No delírio folião de Dante, o grupo surge ardendo em cores quentes, em uma louca aparição em meio ao calor que se espalha próximo à chegada ao centro do inferno.

Ala Família Salgueirense (2003)

Willian Faria Ramos

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Carnaval no Fogo

“Mas que calor-ô-ô-ô-ô”. O calor abrasador do verão carioca se confunde com as chamas que queimam no inferno de Lúcifer, o verdadeiro “Hell” de Janeiro. São as labaredas que aquecem o corpo e a alma de Dante, num carnaval escaldante, muito além dos 40 graus.

Ala dos Estudantes (1960)

Joaquim Jaime Santos Fróes Cruz

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Vaidosos no Municipal (Vaidade)

Depois de se entregar às garras da folia infernal, Dante chega a outro estágio da sua saga. Do jeito que o pecado gosta, ele segue na busca na intensa alegria do carnaval. No caminho, depara-se com os foliões que exibem sem culpa os seus pecados. O primeiro grupo é o dos desfilantes dos antigos concursos de fantasia do Theatro Municipal. Representados pelos pavões, símbolo da vaidade, os componentes vestem fantasias luxuosas que deslumbram o poeta.

Ala Pura Simpatia (2008)

Regina Celi dos Santos Fernandes

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Bloco dos Mandingueiros Contra o Olho Grande (Inveja)

Na trilha da purificação, Dante se encontra com a sabedoria ancestral do Bloco dos Mandingueiros, que protege a alma do poeta contra o olho grande e abre os caminhos para a odisseia rumo ao paraíso.

Velha Guarda(1953)

Maria Aliano (Caboclinha)

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Cordão dos Índios Irados (Ira)

“Ê Ê Ê Ê / Índio quer apito / se não der, pau vai comer”. O cordão dos índios irados vem brincar com toda a fúria, como descrito na marchinha de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira. É a mais guerreira das tribos do carnaval, que surge na avenida em um ritual de purificação cheio de alegria e de alto astral.

Ala Gaia (2003)

Antônio Sérgio G. Freire (Da Bahia)

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Renato Lage e Márcia Lage DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 16 Folia Preguiçosa O Carnaval é a época propícia para Ala Depois Eu Júlio Marcos exercitar um dos pecados favoritos Digo Schittini (Preguiça) da massa foliã: a preguiça. No (2003) caminho para a purificação, Dante se depara com o bloco dos penitentes, aqueles que não têm pressa nenhuma para abandonar a grande festa. No ritmo do “é hoje só, amanhã não tem mais”, o bloco da Folia Preguiçosa segue aproveitando cada momento do breve êxtase carnavalesco. 17

Cordão dos Piratas Avarentos (Avareza)

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Bloco dos Reis da Gula (Gula)

Chega o cordão dos piratas avarentos, a “galera” que vem para saquear riquezas entoando uma famosa marchinha “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí. Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão...” São os foliões dos sete mares da alegria que acumulam tesouros incalculáveis nas batalhas travadas nesta festa repleta de prazeres mundanos.

Ala Show de Bola (2001)

E o cordão dos penitentes cada vez Ala Zé Carioca aumenta mais... Desta vez, sua (2003) majestade, Momo, chega para comandar a todos os que se esbaldam nos dias “gordos” de carnaval. A ordem do rei é se entregar irremediavelmente ao pecado da gula, cometido sem culpa pelos que fogem das privações da “magra” quaresma. 278

Renato Duran

José Ricardo da S. Casemiro (Cadinho)

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Bloco Erotismo é Não tem jeito... É paixão de carnaval! É o momento de Quase Amor “enlouquecer, morrer de amar”. O (Luxúria) bloco do “Erotismo é Quase Amor” sai pelas ruas da cidade com a sua mira certeira, flechando os foliões que se entregam à paixão e aos prazeres da carne, nos dias em que a luxúria se manifesta com todo fulgor.

Ala do Lalá (1990)

Jaime Shurur

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Meu Bem, Meu Mal

Ao avançar pelo estágio intermediário da odisseia carnavalesca, Dante desfila entre o bem e o mal, opostos que se encontram nesta fase de transformação da Divina Comédia. Após a purificação dos pecados da folia, o poeta se vê em plena transição para um novo cenário que se descortina diante de si.

Ala Os Reis da Boêmia (2003)

Gilmar Velasco

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O Cortejo das Flores

“Vê... estão voltando as flores...” Salve o grupo florido que se aproxima! No compasso da marcharancho, desfila o belo cortejo das flores enfeitando o caminho que levará o poeta rumo ao Jardim do Éden, o paraíso na Terra. É o encontro de Dante com o esplendor e o colorido dos antigos ranchos.

Ala Com Jeito Vai (1989)

Tarcísio Gonçalves dos Santos

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Ninfas do Éden

Depois de se deslumbrar com as flores, Dante se deixa encantar pelas belas ninfas, espíritos naturais dotados de notável leveza e de terna delicadeza. Traduzem a pureza dos antigos ranchos, no esplendor de um carnaval repleto de saudade. Em cada uma delas, Dante vê refletida a imagem da amada Beatriz.

Ala das Mariposas (2010)

Roberto Moreira Barcelos

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Rancheiros

Prestes a chegar ao portal do paraíso terrestre, Dante ouve uma canção feita pelos músicos às portas do Jardim do Éden. É uma marcharancho em homenagem à Beatriz, o grande e inesquecível amor do poeta.

Ala dos Compositores (1953)

Nilda Salgueiro Baptista Ferreira

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Aves do Paraíso

Completando o caminho rumo ao paraíso na Terra, chegam, em revoada, as aves do paraíso. São donas de uma coloração exuberante, que anuncia o esplendor dos ranchos revelado às portas do Jardim do Éden.

Ala Fina Estampa (2007)

Claudio Azevedo

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Colombina Estelar

O paraíso na Terra ficou para trás e é hora de partir rumo ao paraíso físico, material, ou seja, o firmamento. Flanando pelo espaço, nosso poeta delirante ascende aos céus e encontra personagens clássicos da folia fazendo um grande carnaval sideral. A famosa colombina - a imagem e semelhança da amada Beatriz - cintila entre as estrelas, conduzindo Dante pelas esferas celestiais.

Ala Skindô, Skindô (2003)

Reginaldo Ferreira (Naldo)

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Pierrô Enluarado

“... E a lua anda tonta... com tamanho esplendor...”. Envolvido pelo mais puro amor à folia, Dante se encontra em meio a um grupo de pierrôs banhados de luar, que seguem em romântico cortejo pelo infinito, derramando sua paixão pela colombina, que agora brinca entre as estrelas.

Ala Raça Salgueirense (1989)

Luís Rogério Cordeiro Moreira

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Arlequinálias

O terceiro vértice do famoso triângulo amoroso surge iluminado pelos raios do Sol, que brilha no firmamento aquecendo a alma e o coração dos foliões. No paraíso celestial, o arlequim flameja no calor do amor e chega para completar o desfile de um fascinante Corso no espaço.

Ala Amigos que Amam o Salgueiro (2003)

Alexandre Dutra Diogo

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Energia Cósmica

Antes de alcançar o centro do paraíso celeste, Dante se deixa invadir pela energia cósmica que se dissipa no universo. É a magia do carnaval materializada em forma de alegria espalhada por todo o espaço neste penúltimo estágio da viagem do poeta pela folia carioca.

Ala Narcisa (1990)

Luiz Fernando Martins Kaden

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Folia Espacial

E lá no infinito, Dante se vê entre os astros que bailam em órbita no Sistema Solar, numa grande explosão de alto astral. O poeta descobre que o paraíso no firmamento é feito da mais louca e etérea folia que se faz presente nos dias de carnaval.

Ala Pega no Ganzá (2003)

Anderson Nobre

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Arautos do Paraíso Africano

Dante chega ao último estágio desta Divina Comédia carnavalesca. É a apoteose de fato (apoteose, que quer dizer “incluir alguém entre os deuses”). Na entrada do reino sagrado das divindades do carnaval, o poeta é recebido por arautos que anunciam a sua chegada ao Orum, a morada dos deuses na mitologia iorubá.

Ala DNA Salgueirense (2003)

Paulo Cezar Evangelista Junior

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Sacerdotisas de Orum

Consagradas ao culto das divindades, as sacerdotisas de Orum, incorporadas pelas baianas, representam o mais puro espírito do samba. É a sabedoria acalentada por mulheres que guardam os segredos da mais alta esfera do Paraíso. Fazendo do céu um terreiro, o girar das saias de cada uma delas evoca as formas ancestrais de louvar as raízes salgueirenses, no momento em que Dante encontra o amor em toda a plenitude.

Ala das Baianas (1953)

Maria Glória Lopes de Carvalho (Tia Glorinha)

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O Deus do Paraíso da Loucura – Joãosinho Trinta

Eis que surge no supremo empíreo africano o genial Joãosinho Trinta: o Deus do Paraíso da Loucura. No primeiro dos três últimos círculos, a criatividade do eterno menino maranhense é louvada por meio de uma das suas obras: o Paraíso da Loucura, apresentada pela BeijaFlor de Nilópolis no carnaval de 1979. A pureza e a luz são representadas pelos cisnes, elemento bastante presente naquele desfile. Em êxtase, Dante se vê refletido na mente delirante desse notável artista que reinventou o carnaval carioca.

Ala Inflasal (1989)

Paulo Soares da Silva Carvalho

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Renato Lage e Márcia Lage DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 33

O Deus do Paraíso Barroco – Arlindo Rodrigues

Ao prosseguir o caminho pela morada dos deuses, Dante se põe diante da obra de Arlindo Rodrigues, que esculpe anjos para adornar a divina folia. Uma das marcas mais presentes do carnavalesco é o requinte em formas e elementos barrocos, consagrando-se na história das escolas de samba como um devoto da beleza e cultura da nossa gente.

Ala Odisseia (2003)

Robson Santana

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O Deus Supremo de Orum – Fernando Pamplona

No último círculo do paraíso, Dante se vê frente a frente com supremo Deus de Orum do carnaval. Criador, mestre e revolucionário da arte foliã, Pamplona mostra para Dante o segredo da verdadeira essência humana: “É nossa missão carnavalizar a vida”. E com sua inconfundível voz de trovão, revela ao poeta a sua grande verdade: “Dessa paixão que encanta o mundo inteiro, só entende quem é Salgueiro. Eu sou Salgueiro... E fim de PAPO!”.

Ala dos Guerreiros (2003)

José Roberto Sabino (Beto)

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadávia Correa, 60 – Barracão 08 – Gamboa, Rio de Janeiro – RJ – CEP 20.220-290 Diretor Responsável pelo Atelier Paulo Henrique Caetano da Silva Dias Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Arlete Miranda Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Daniel dos Santos, Marta Cristina, Paulo Cesar José Rosa da Silva, Andréia Veloso Marques. Outros Profissionais e Respectivas Funções Roberto Benevides e Belizário Cunha (Chefes de Ateliê) Outras informações julgadas necessárias

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- Ateliês

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Autor(es) do Samba- Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino Enredo Presidente da Ala dos Compositores Nilda Salgueiro Baptista Ferreira Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 100 Djalma Sabiá Antonio Gonzaga (cem) 92 anos 22 anos Outras informações julgadas necessárias Vou embarcar em ilusões À loucura me entregar Prazer... (Ô, prazer...) Sou poeta delirante, o amante Na profana liberdade Devoto da infernal felicidade Quero o gostoso veneno do beijo Saciar o meu desejo Me embriagar Nos braços da folia me jogar Vou me perder pra te encontrar Enlouquecer, morrer de amar! Pra que juízo, amor? A noite é nossa... Do jeito que o pecado gosta! Sinto minh’alma se purificar Vislumbrar... O Paraíso, no firmamento Três “com sagrados” talentos “Vê, estão voltando as flores...” Lá, onde ressoam tambores Toca, batuqueiro, dobre o rum Aos presentes de Orum... Gira, baiana, e faz do céu um terreiro Tinge essa Avenida de vermelho É nossa missão carnavalizar a vida... Que é feita pra sambar! Dessa paixão que encanta o mundo inteiro Só entende quem é Salgueiro... Só entende quem é Salgueiro...

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Outras informações julgadas necessárias O enredo no samba Os Acadêmicos do Salgueiro tingem de vermelho a Avenida das ilusões para cantar o delírio épico do poeta-filósofo Dante Alighieri, imerso em sua viagem ao além pelo amor não-realizado. Um aventureiro errante que peregrina do imaginário do artista ao imaginário popular, escancarando os portais que fazem renascer sempre vibrantes as chamas de mais um Carnaval. Os compositores contemplam no samba-enredo o olhar do autor-poeta ao cingirem a composição em primeira pessoa do singular, enunciando o protagonismo de quem canta – o folião - alçado à criação do instante profano e fugaz de fantasiar-se e ir à rua para contar histórias em uma louca entrega de carnavalização da vida e devotada ao encontro da “infernal felicidade”, nos “braços da folia”, purgando o amanhã. O refrão de meio da obra realiza profundamente a adequação entre o clássico da literatura e sua original adaptação ao enredo nos versos “vou me perder/pra te encontrar” ao retratar a viagem do personagem que se perde em seu reino para encontrar a si próprio personificado na amada (“enlouquecer/morrer de amar”), evidenciando a linguagem de traço significativo e alegórico do Carnaval, que é, como no texto de Dante, a simbologia do sonho. Perder-se numa fantasia para se purificar. Nesse delírio, os poetas-foliões da linguagem carnavalesca articulam: “pra que juízo, amor?”. O pecado aqui é não se entregar. Ou se entregar sem culpa e sem juízo. Na segunda estrofe do samba de enredo, sentimento e visão onírica ao vislumbrar, no firmamento, os três consagrados carnavalescos de nossa Academia – Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta – como possuidores de talentos “sagrados”. O trio é, então, abstratamente considerado como a Santíssima Trindade do Carnaval, centrando o Paraíso na espiritualidade, assento teológico fundamental na obra-referência concebida numa simetria baseada no número três. Uma forma que, originalmente, gira em torno de Deus e, ora, funda a força trina salgueirense. Por eles ressoam os tambores da Academia à magia de transformar céu em terreiro, a quem se dobra à missão superior de carnavalizar manifestada religiosamente no giro da saia da baiana, nossa ancestralidade. Legaram-nos o nosso sagrado Paraíso na missão de interpretar a nossa gente. Tal qual a obra de Alighieri, que se finda com um verso isolado após os tercetos, os autores do samba de enredo do Salgueiro sintetizam, com sutileza, o que nos une a essa ancestralidade comum inspirada pela Santíssima Trindade: a pertença sublinhada no indecifrável “só entende quem é Salgueiro”, devidamente bisado por recurso de estilo e orgulho. No que diz respeito à melodia, a obra musical acompanha perfeita simetria e síncope do gênero, que deve respeitar compassos de um samba de enredo autêntico e legítimo, unindo alegria, leveza e beleza. Só entende quem é Salgueiro cantam os que nunca regressaram do Paraíso.

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Mestre Marcão (Marco Antonio da Silva) Outros Diretores de Bateria André Luiz de Lima (Perereca), Bruno Monteiro (Marfim), Clair da Silva Basílio, Emilson Matos da Silva (Showa), Eduardo José (Dudu), Evandro de Souza (Vando), Guilherme dos Santos Oliveira, Gustavo dos Santos Oliveira, Kleber da Silva Basílio, Leonardo G. Araújo (Léo), Luciano Oliveira (Japa), Luiz Carlos Irineu (Orelha), Marcelo de Paula (Celão), Marcos Antonio da Silva Júnior (Markinhos Jr.) e Mariana Cristina Total de Componentes da Bateria 285 (duzentos e oitenta e cinco) componentes (15 diretores e 270 ritmistas) NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 12 12 14 0 0 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 81 40 36 0 30 Repique Mor Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 05 0 20 0 20 Outras informações julgadas necessárias A Bateria do Salgueiro – A Furiosa, como é conhecida a Bateria do Salgueiro, é uma das grandes orquestras do carnaval e uma das mais premiadas na história da folia carioca. É ela que acelera a batida dos corações e arrepia os salgueirenses a cada vez que se posiciona na avenida para abrir os caminhos do cortejo da Academia. Comandada em sua trajetória por grandes Mestres, como Dorinho, Tião da Alda, Bira, Branco Ernesto, Almir Guineto, Arengueiro, Mané Perigoso, Louro e Marcão, a Furiosa, recebeu incontáveis notas dez e diversas premiações, entre elas, nove Estandartes de Ouro, maior prêmio do carnaval carioca. Mestre Marcão - Nascido e criado no morro do Salgueiro, Marco Antônio da Silva, o Mestre Marcão, é o comandante da Furiosa bateria Salgueiro. Marcão começou a tocar no bloco “Moleque É Tu”, que congregava as crianças do morro. Anos depois, passou a desfilar na bateria da escola mirim Alegria da Passarela (atual Aprendizes do Salgueiro). Cada vez mais íntimo da batida do samba, Marcão ingressou na bateria da vermelho e branca, tocando tarol, repique e surdo. Em 1999, Marcão foi convidado para ser um dos diretores da Furiosa e, cinco anos depois, assumiu o apito da bateria do Salgueiro. Sua missão é dar continuidade ao ritmo firme, que sempre caracterizou a agremiação, temperando a batida com o mais puro molho do samba do morro do Salgueiro. Em 2008, Marcão teve seu talento reconhecido pelos jurados, conquistando as quatro notas 10, e do Estandarte de Ouro. No comando de 270 ritmistas, Mestre Marcão conta com o auxílio de Apoio de Bateria, componentes da Velha Guarda da Bateria do Salgueiro, que o ajudarão na entrada e saída dos boxes e levarão peças (baquetas) sobressalentes, e com seus diretores - Clair, Celão, Dudu, Guilherme, Gustavo, Japa, Kleber, Léo, Marfim, Mariana, Markinhos Jr., Orelha, Perereca, Showa e Vando - para mostrar ao público o ritmo firme, temperado com o mais puro molho do samba do morro do Salgueiro.

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FICHA TÉCNICA Bateria Outras informações julgadas necessárias Fantasia – Intendentes do Diabo - Nas profundezas do inferno sem fim, Dante se depara com os Intendentes do Diabo, aqueles que, em nome de Satã, comandam toda a alegria infernal no reino subterrâneo. Endiabrados, batucam o furioso cortejo de almas carnavalizadas, fazendo tremer a morada do senhor das profundezas. Rainha de Bateria – Viviane Araújo Verdadeiro fenômeno do carnaval, Viviane Araújo é uma das maiores rainhas da história das escolas de samba. Após sua estreia, em 1995, no Império da Tijuca, Viviane passou por Mocidade Independente, União de Jacarepaguá e pela paulistana Mancha Verde, até chegar ao Salgueiro, após o carnaval de 2007. Desde então reina absoluta à frente da bateria da escola. Referência quando o assunto é rainha ou madrinha de bateria, Viviane reúne todos os atributos necessários para o posto: é bonita, carismática, tem gingado de sobra e ainda desfila tocando tamborim. Predicados mais que suficientes para enfeitiçar e hipnotizar o público que vai ao delírio a cada passagem de Viviane pela avenida. Há dez anos à frente da Bateria Furiosa do Salgueiro, Viviane Araújo virá vestida como Impetuosa Sedução.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Comissão, formada por Alda Anderson Alves, Jomar Casemiro (Jô) e Siromar de Carvalho da Silva (Siro de Carvalho). Outros Diretores de Harmonia Alexandre Dutra Diogo, Anderson Nobre, Antônio Sérgio G. Freire (Da Bahia), Carlos Cézar Bonfim Campos, Claudio Alves, Edilberto Rosa Moraes, Edson Alves dos Santos, Fagney Lins da Silveira, Gilmar Velasco, Gilson Orozimbo da Silva, Gilson Carlos de Assis (Gaguinho), Ivaldo Jesus Caetano da Silva, Jairo Pereira da Silva, João Batista Costa (João Do Bar), Joel Pereira da Silva, Joelmo Casemiro (Elmo), Jomilson Casemiro, Jorge Da Conceição (Caduza), Jorge Dias (“Seu” Jorge), José Carlos Ferreira Cardoso, José Marinho de Lima Neto, José Ricardo da S. Casemiro (Cadinho), José Roberto Sabino (Beto), Júlio Marcos Schittini, Lourenço Lúcio A. De Souza, Luiz Onofre dos S. Silva (Luizinho), Marcelo Cabral, Marcelo Marques da Silva, Marcelo Moura, Nilo Sérgio Coutinho (Nilo), Nivaldo Rosa Ferreira, Odilon da Costa, Paulo Cezar Evangelista Junior, Reginaldo Ferreira (Naldo), Roberto Moreira Barcelos, Robson Santana, Rodrigo Carvalho e Willian Faria Ramos. Total de Componentes da Direção de Harmonia 41 (quarenta e um) diretores (03 diretores gerais e 38 diretores de harmonia) Puxador(es) do Samba-Enredo Oficiais: Leonardo Bessa, Serginho do Porto e Xande de Pilares. Auxiliares: Eduardo Dias, Tuninho Jr. (Antonio Wilson), Hugo Junior e Julia Alan. Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Cavaco – Diego Moura, Leonardo Antunes e Carlos Augusto Violão de Seis Cordas – Raphael Gravino Violão de Sete Cordas – Nilson Outras informações julgadas necessárias Harmonia – Para o carnaval de 2017, a Comissão de Harmonia do Salgueiro preparou os componentes do Salgueiro em diversos ensaios e reuniões realizados na quadra da escola, na Marquês de Sapucaí e na Cidade do Samba, a partir da última semana de setembro de 2016. O objetivo dos responsáveis pela Harmonia do Salgueiro (e dos 40 integrantes da Harmonia de Ala) foi ajustar o entrosamento e o canto dos componentes – Alas de Comunidade, Composições de alegoria, Destaques, Semi-destaques e Destaques de Chão – com o ritmo do samba-enredo da escola. Para que cada componente compreendesse seu papel no desfile, foram feitas reuniões para apresentar a fantasia com que cada um se apresentará na Marquês de Sapucaí, e para dar conhecimento do enredo, da letra do samba-enredo e do roteiro de desfile da escola. Em 5 de fevereiro, a escola também realizou um ensaio técnico oficial na Avenida Marquês de Sapucaí, que serviu para simular as apresentações de Comissão de Frente, Mestre-Sala e PortaBandeira e Bateria para cabine de julgadores, e entrada e saída da bateria dos boxes.

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Comissão, formada por Alda Anderson Alves, Jomar Casemiro (Jô) e Siromar de Carvalho da Silva (Siro de Carvalho) Outros Diretores de Evolução Alexandre Dutra Diogo, Anderson Nobre, Antônio Sérgio G. Freire (Da Bahia), Carlos Cézar Bonfim Campos, Claudio Alves, Edilberto Rosa Moraes, Edson Alves dos Santos, Fagney Lins da Silveira, Gilmar Velasco, Gilson Orozimbo da Silva, Gilson Carlos de Assis (Gaguinho), Ivaldo Jesus Caetano da Silva, Jairo Pereira da Silva, João Batista Costa (João Do Bar), Joel Pereira da Silva, Joelmo Casemiro (Elmo), Jomilson Casemiro, Jorge Da Conceição (Caduza), Jorge Dias (“Seu” Jorge), José Carlos Ferreira Cardoso, José Marinho de Lima Neto, José Ricardo da S. Casemiro (Cadinho), José Roberto Sabino (Beto), Júlio Marcos Schittini, Lourenço Lúcio A. De Souza, Luiz Onofre dos S. Silva (Luizinho), Marcelo Cabral, Marcelo Marques da Silva, Marcelo Moura, Nilo Sérgio Coutinho (Nilo), Nivaldo Rosa Ferreira, Odilon da Costa, Paulo Cezar Evangelista Junior, Reginaldo Ferreira (Naldo), Roberto Moreira Barcelos, Robson Santana, Rodrigo Carvalho e Willian Faria Ramos Total de Componentes da Direção de Evolução 41 (quarenta e um) diretores (03 diretores gerais e 38 diretores de harmonia) Principais Passistas Femininos Amanda de Moraes Lima, Ana Carolina do Nascimento Gonçalves, Ana Flavia Barcelos, Bruna Souto da Costa, Caroline Henae dos S. Conceição, Cecília da Costa, Debora Oliveira, Diene Rodrigues da Conceição Pedro, Eloah da Conceição Rosa, Escarlet da Conceição, Fabiely Martins da Rocha, Fernanda Rodrigues Florentino, Gabriella da Silva Pereira, Gleyce Kelly Teles, Heloise Heleine da Silva Ferreira, Ingrid da Silva Machado, Isabela Ramos de Oliveira, Joyce Castelo Garcia, Joyce Elias .Osorio dos Santos, Kellyn Yasmim da Rosa Tavares, Larissa Lorraine Reis, Larissa Miguel Bezerra, Laryssa Bayer de Paula Silva, Lorrany Peçanha Alves, Luana Estrela Seixas Oliveira, Maria Eduarda Duarte da Silva, Maria Carolina Antunez, Mariana Ribeiro de Oliveira, Mariane Villela Marinho, Marline Alves da Silva, Maryanne Hipólito da Costa, Mayara de Lima Barros, Megumi Kudo, Michelle Alves Nunes, Mirna Martins Moreira, Raiane dos Santos Gomes Marques, Raiane Menezes de Souza Ribeiro, Rayane da Silva Ferreira, Rebeca Alves Louriçal, Rebeca Pinheiro da Silva, Rhuanda Monteiro Risso, Sabrina Bárbara de Souza, Sandreline Regina da V. Chaves, Stephanie de Oliveira Timóteo, Suellen da Silva de Oliveira, Tais Luiza Moreira Bezerra, Tais Santos de Oliveira, Thamara Regina Oliveira de Almeida, Vanessa Passos do N. Madeira, Wanessa Matheus da Silva. Principais Passistas Masculinos Alexandre Pereira dos Santos, Amauri Leonardo dos Santos, Bruno Silva Saldanha Dias, Carlos Alberto José Annes, Emerson Faustino N. Dos Santos, Gabriel Gomes da Silva, Igor Batista Lima Peçanha, Henrique D. Gerônimo Lameiras, Jonathan Santos, Lucas José dos Santos Fernandes de Souza, Marcio Elias Osório dos Santos, Marcos Correa Castanheira, Paulo Roberto de Sousa Filho, Roberto Passos de Souza e Thiago Reis Cavalcante. Outras informações julgadas necessárias Alvo de bastante atenção no Salgueiro, o quesito Evolução foi amplamente trabalhado pelas diretorias de Harmonia e de Carnaval durante os preparativos para o desfile de 2017 nos ensaios técnicos, que aconteceram na quadra da escola, em ruas próximas à quadra e na Avenida Marquês de Sapucaí.

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FICHA TÉCNICA Evolução Outras informações julgadas necessárias O objetivo da escola foi o de resgatar a espontaneidade para deixar os componentes livres para “brincar” o carnaval com vibração e empolgação e resgatem a alegria dos antigos desfiles das escolas de samba, mais “soltos”, sem coreografias ou amarras que prejudiquem a alegria dos componentes. Também foram alvos de ensaios para os integrantes da escola os movimentos em conjunto e a dança dos integrantes, sempre de acordo com o ritmo do samba e a cadência da bateria. Apenas a tradicional Ala do Maculelê (Ala 8) com a fantasia Rebuliço Infernal, sob o comando de Carlinhos Coreógrafo, apresentará uma coreografia e, por isso, teve atenção especial e redobrada durante os ensaios para o carnaval. O termo Passista surgiu com Paula do Salgueiro. Foi por causa de seus passos miudinhos que aqueles que "diziam no pé" passaram a ser chamados de passistas. Além de Paula, a primeira de todos, Narcisa, Roxinha, Vitamina, Damásio, Gargalhada, Flávia, Carlinhos e tantos outros passistas da Academia do Samba brilharam na avenida, mobilizando o público com seus passos durante os desfiles do Salgueiro e mostrando toda a ginga dos passistas da Academia do Samba. A Ala de Passistas - Vencedora do Estandarte de Ouro em sete oportunidades e detentora de diversos prêmios no carnaval, a Ala de Passistas do Salgueiro é coordenada por Carlos Borges, o Carlinhos Coreógrafo, detentor de alguns prêmios de melhor passista no carnaval carioca. Em 2017, a Ala de Passistas do Salgueiro se apresenta com a fantasia Sambardente. Fantasia – Sambardente – Ao se aproximar da parte mais terrível e sedutora do inferno carnavalesco, Dante se deixa enfeitiçar pelos foliões que ardem como fogo na Avenida das Labaredas, no passo eletrizante que deixa o chão em brasa.

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Vice-Presidente de Carnaval Regina Celi dos Santos Fernandes Diretor Geral de Carnaval Alexandre Couto Leite Outros Diretores de Carnaval Responsável pela Ala das Crianças Total de Componentes da Quantidade de Meninas Quantidade de Meninos Ala das Crianças Responsável pela Ala das Baianas Maria da Glória Lopes de Carvalho (Tia Glorinha) Total de Componentes da Baiana mais Idosa Baiana mais Jovem Ala das Baianas (Nome e Idade) (Nome e Idade) 90 Marilda Fonseca Carolina Fróes (noventa) 80 anos 31 anos Responsável pela Velha-Guarda Maria Aliano (Caboclinha) Total de Componentes da Componente mais Idoso Componente mais Jovem Velha-Guarda (Nome e Idade) (Nome e Idade) 100 Jacaré Maria Helena (cem) 88 anos 56 anos Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Eri Jhonson (ator), Edmundo (comentarista esportivo), Thiago Rodrigues (ator) e Dani Barros (atriz). Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Hélio Bejani Coreógrafo(a) e Diretor(a) Hélio Bejani Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 15 04 (quinze) (quatro) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos 11 (onze)

O Coreógrafo – A estreia de Hélio Bejani no carnaval foi como componente da comissão de frente da União da Ilha em 1991. Em 2004, fez o trabalho coreográfico do 1º Casal de Mestre-Sala e PortaBandeira da Mangueira. Em 2006 e 2007, foi assistente da bailarina e coreógrafa Ana Botafogo nas comissões de frente da Mocidade Independente e Vila Isabel, respectivamente. No ano seguinte, o ex-primeiro bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi convidado pelo Salgueiro para assumir o comando da comissão de frente da escola. Com um trabalho baseado na união entre a dança e o teatro, Bejani já apresentou algumas das melhores e mais criativas comissões de frente do carnaval. Ele e sua equipe – formada por Elizabeth Tinoco, Alex Rangel, Marcelo Ferreira e Marcus Spagolla – receberam diversas notas máximas e vários prêmios por seu trabalho na avenida, entre eles, o cobiçado Estandarte de Ouro de melhor Comissão de Frente nos carnavais de 2013 e de 2016. A Fantasia – Solte Suas Feras O Carnaval é o “espasmo da fera na civilização”. A definição do cronista João do Rio não poderia ser mais poética para dar significado a uma festa que rompe com a normalidade do cotidiano. São dias e noites onde é possível exorcizar os nossos demônios, soltar as feras e extravasar angústias, medos e frustrações. Nesse cenário de desvario, dois lados vêm à tona e passam a conviver numa dimensão erguida sob o domínio da fantasia. Tendo como ponto de partida essa dualidade, o Salgueiro propõe-se a abrir o desfile com uma “peleja” entre o bem e o mal, oposição que existe em nós, numa constante batalha interior. A intenção é soltar as feras que se ocultam no dia a dia em busca da “profana liberdade” manifestada com todo o vigor nos tempos de folia. Assim, vamos beber na fonte da própria Divina Comédia, repleta de referências a personagens e seres mitológicos que despontam ao longo da travessia de Dante. Nos domínios subterrâneos infernais, há o encontro de monstros carnavalizantes com as três Fúrias, que perturbam a alma e o juízo dos pecadores, todos conduzidos pela temida e sedutora Medusa. Neste contexto, os demônios representam as almas a serem salvas neste fantasioso “auto” carnavalesco. Durante a apresentação, evoca-se um anjo que representa a ancestralidade dos que lutaram pela afirmação do samba, ritmo que venceu os demônios da perseguição e do preconceito para alcançar, enfim, ao paraíso no reino do carnaval. Desta forma, vamos abrir alas para a saga de Dante nesta Divina Comédia do Carnaval. Boa Viagem!

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Sidclei Santos 1ª Porta-Bandeira Marcella Alves 2º Mestre-Sala Vinícius Pessanha 2ª Porta-Bandeira Jackelline Pessanha Outras informações julgadas necessárias

Idade 40 anos Idade 32 anos Idade 28 anos Idade 29 anos

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Sidclei Santos - 1º Mestre-Sala Sidclei começou no carnaval aos sete anos, como Mestre-Sala do bloco “Vai Quem Quer”, do Estácio. Ainda criança, participou da escola mirim Corações Unidos do Ciep e, em 1991, ingressou na escola de samba Império da Tijuca. Após um intervalo de dedicação à carreira militar, Sidclei voltou ao carnaval em 1994, nos Acadêmicos do Salgueiro, como segundo Mestre-Sala e, três anos depois, conquistou o posto de principal Mestre-Sala da escola. Em 1998, a consagração maior: a conquista do Estandarte de Ouro de melhor Mestre-Sala do carnaval carioca. Para encarar novos desafios, Sidclei deixou o Salgueiro e desfilou na São Clemente e, no ano seguinte, nos Acadêmicos da Grande Rio. Em 2011, Sidclei retornou ao Salgueiro e no próximo carnaval completará seu sétimo carnaval como primeiro Mestre-Sala da Academia. Marcella Alves - 1ª Porta-Bandeira Bailarina, formada em Educação Física, Marcella Alves está no carnaval desde 1993, quando estreou na avenida, aos nove anos de idade, como segunda Porta-Bandeira da Lins Imperial. Três anos depois, mesmo com a pouca idade, já assumia, o posto de primeira Porta-Bandeira da escola, ainda nos grupos de acesso. Em 1998, desfilou pela primeira vez no Grupo Especial, defendendo o pavilhão da Caprichosos de Pilares. Seu talento começou a chamar atenção das grandes escolas e, em 2000, aos 17 anos, assumiu o posto de primeira Porta-Bandeira do Salgueiro, quando ganhou seu primeiro Estandarte de Ouro. Após o carnaval de 2005, deixou a escola e foi convidada pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Ainda defendeu a bandeira da Mangueira por quatro carnavais, onde recebeu mais um Estandarte de Ouro. Retornou ao Salgueiro para o carnaval de 2014. No carnaval passado, Marcella brilhou na avenida e, além das quatro notas dez ao lado do parceiro Sidclei, foi premiada também com seu segundo Estandarte de Ouro. Em 2017, Marcella Alves conduzirá, mais uma vez, o pavilhão salgueirense na avenida.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias A Fantasia – Vou Me Perder Pra Te Encontrar... Envolvidos no espírito da “divina” Commedia Dell’Arte, Dante e Beatriz celebram um enlace imaginário, criado em um clima de desejo infernal incontrolável. Na fantasia do poeta Dante Alighieri, apaixonado pela sua eterna Beatriz, ele vê a si mesmo e a sua amada como os famosos personagens do teatro europeu que ganharam a cena carnavalesca: o romântico Pierrô e a sensual Colombina. Envolvidos em uma dança marcada pela entrega e pela cumplicidade, tudo, na verdade, não passa de um delírio diabólico do poeta. Beatriz é uma lembrança maligna que o acompanha durante toda a existência. Mas, para encontrá-la de fato, é preciso se perder em uma viagem pelo mais profundo universo da folia.

Guardiões – Arlechinni Mascherato A guarda de honra do Pierrô Dante e da Colombina Beatriz é feita por malignos arlequins mascarados, representando o terceiro vértice do mais famoso triângulo amoroso do carnaval.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias 2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Vinícius Pessanha - 2º Mestre-Sala e Jackellyne Pessanha - 2ª Porta-Bandeira Os irmãos Vinícius e Jackeline começaram no samba cedo, em 1999, como 3º casal de MestreSala e Porta-Bandeira do Império da Tijuca. No ano seguinte, a dupla foi para os Aprendizes do Salgueiro para formar o 1º casal da escola mirim dos Acadêmicos do Salgueiro, escola de coração dos irmãos. Ficaram na vermelho e branca até 2006, quando foram convidados para desfilar na Caprichosos. Em 2010, a dupla ainda continuava em Pilares, mas Vinicius também desfilou em outra escola de samba: Beija-Flor de Nilópolis. No ano seguinte, os irmãos retornaram ao bairro da Tijuca, desta vez para defender o pavilhão da Unidos da Tijuca, onde ficaram até 2015, como 2º casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Foi na escola tijucana que a dupla comemorou o título de campeão do carnaval em duas oportunidades: 2012 e 2014. Para retomar a história interrompida em 2006, quando deixaram a escola mirim da vermelho e branca para alçar novos voos, bastou um convite feito pela presidente do Salgueiro para que os irmãos assumissem o posto de 2º casal da escola para o carnaval de 2016. Em 2017, a dupla continua a reescrever sua história na escola de coração. A Fantasia – Mensageiros Macabros da Fuzarca Eis que no caminho, Dante encontra uma dupla de mensageiros, que, numa macabra e etérea visão, anunciam ao poeta que ele está prestes a entrar na parte mais assustadora e excitante desta aventura pelo reino oculto do carnaval.

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PRESIDENTE FARID ABRÃO DAVID 299

“A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”

Carnavalescos LAÍLA, FRAN SÉRGIO, BIANCA BEHRENDS, VICTOR SANTOS, ANDRÉ CEZARI, CRISTIANO BARA, RODRIGO PACHECO, WLADIMIR MORELLEMBAUM, BRENDO VIEIRA, GABRIEL MELLO, ADRIANE LINS E LÉO MÍDIA 301

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FICHA TÉCNICA Enredo Enredo “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema” Carnavalescos Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Autor(es) do Enredo Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Autor(es) da Sinopse do Enredo Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Elaborador(es) do Roteiro do Desfile Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Ano da Páginas Livro Autor Editora Edição Consultadas 01

Iracema

ALENCAR, José de Alencar

Panda Books

2015

Todas

02

Vocabulário TupiGuarani – Português

BUENO, Francisco da Silveira.

Éfeta Editora

1998

Todas

03

Dicionário TupiPortuguês e ViceVersa.

MASUCCI, Oberdan.

BED – Brasilivros Editora e Distribuidora Ltda.

1978

Todas

04

Literatura Brasileira

CEREJA, William Roberto; e MAGALHÃES, Thereza Cochar.

Atual Editora

1995

Todas

05

Libretto da Ópera “O Vôo do Condor”

CANTI, Mario.

Editado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, Secretaria de Cultura

2005

Todas

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FICHA TÉCNICA Enredo Ano da Edição

Páginas Consultadas

Editado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, Secretaria de Cultura

2006

Todas

BARROSO, Oswald.

Fortaleza: Terra da Luz Editorial, Impressão RR Donnelley América Latina

2002

Todas

De Corpo e Alma, Theatro José de Alencar

GUNTHER, Eliza; FALCÃO, Andréa; SALOMON, Alexandre; e SARAIVA, Elisângela

MCE Gráfica

-

Todas

09

O Inimigo do Rei

NETO, Lira.

Editora Globo

2006

Todas

10

Catimbó: Magia do Nordeste

RIBEIRO, José.

Editora Pallas

1991

Todas

Livro

Autor

Editora

06

Libreto da Ópera Andrea Chénier

Giordano, Umberto.

07

Theatro José de Alencar: o Teatro e a Cidade

08

Outras informações julgadas necessárias Links de vídeos com referências virtuais: https://www.youtube.com/watch?v=p2cl4mj-Bto https://www.youtube.com/watch?v=20YgX5k_FQk https://www.youtube.com/watch?v=Cc6HzwW_-ic https://www.youtube.com/watch?v=o00GmljHr0g https://www.youtube.com/watch?v=iK2ijznX15Q https://www.youtube.com/watch?v=O9hIvOpchTQ http://www.dicionariotupiguarani.com.br/?s=anema&post_type=st_kb http://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2013/04/conheca-o-significado-de-algumas-palavrasindigenas http://www.cambito.com.br/linguaindio_dic.htm http://www.secultipu.com.br/2013/10/ipu-terra-de-iracema-virgem-dos-labios.html#.V9mIT2dRHcs http://piquiri.blogspot.com.br/2007/03/tupi-guarani.html http://dicionarioindigena.blogspot.com.br/

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FICHA TÉCNICA Enredo Outras informações julgadas necessárias Links de vídeos com referências virtuais: http://dicionariosvarios.blogspot.com.br/2009/06/dicionario-guarani-tupi-tupiantigo.html#!/2009/06/dicionario-guarani-tupi-tupi-antigo.html http://www.museudamusicaitu.com.br/download/mostras/07.pdf https://pt.wikipedia.org/wiki/Iracema http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/06/cultura/1475783173_431412.html?id_externo_rsoc=FB_B R_CM https://raizculturablog.wordpress.com/2008/03/14/o-jureme-o-jurema/ www.youtube.com/watch?v=glp_vbxs8v4 https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93pera http://betoquintas.blogspot.com.br/2015/01/tupa-o-medianeiro.html www.dicionarioinformal.com.br https://www.significados.com.br https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_ind%C3%ADgena_brasileira https://pt.wikipedia.org/wiki/Jurema_sagrada http://perdido.co/2015/05/deuses-indigenas-do-brasil/

* Bianca Behrends – Cientista Social (UFF) com Especialização em Cultura Popular Brasileira e Festas Populares – Carnaval, Festas Regionais e Festas Religiosas (UFF); Pesquisadora e Historiadora de Carnaval; ex-colunista do Site Bastidores do Batuk. Prêmio Plumas e Paetês 2008, 2014 e 2015 – Categoria Melhor Pesquisadora; Medalha Edson Cordeiro, categoria Melhor Sinopse – 2014; Homenagem no Livro “Artesãos da Sapucaí”, de Carlos Feijó e Andre Nazareth – Ed.Olhares (2011). * Gabriel Mello – Pesquisador de Carnaval, com formação técnica em História pela Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU); estudante de Publicidade da FIAM / FAAM.

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HISTÓRICO DO ENREDO “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema” Uma Adaptação da Obra de José Martiniano de Alencar

ESCRITO PRELIMINAR Carta aos Jurados e Leitores MANIFESTO INDIANISTA Ímpeto Carnavalesco LIBRETO DA ÓPERA POPULAR INDIANISTA “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema” Inspirado e Adaptado da Obra de José Martiniano de Alencar       

PRÓLOGO DE ABERTURA – Início do Desfile ATO I – Introdução à Iracema ATO II – O Encontro Entre Martim Soares Moreno e Iracema, a Joia Tabajara ATO III – O Romance Proibido na Aldeia Tabajara ATO IV – Traição, Fuga e Conflito ATO V – O Milagre da Vida e a Triste Despedida EPÍLOGO – A Herança de uma História de Amor

EXTRO Ímpeto Literário Resenha da Nação Beija-Flor POSFÁCIO Continuação da Carta aos Jurados e Leitores

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ESCRITO PRELIMINAR Carta aos Jurados e Leitores

Prezados Amigos, Encontramos registros históricos oficiais onde José de Alencar afirmou que “...Finalmente, tendo sido o meu desejo, escrevendo isto, somente o ver uma ópera nacional de assunto e música brasileira, cedo de bom grado todos os meus direitos de autor àquele que a puser em música o mais breve possível.” (José de Alencar) Considerando essa declaração do autor de “Iracema – a Lenda do Ceará”, e consoante o cuidado, a minudência, e a paixão com a qual desenvolvemos o nosso carnaval, almejamos fazê-lo, de fato, com o consentimento e as bênçãos póstumas de Alencar, abraçando a oportunidade ímpar de enaltecer a literatura brasileira e reverenciar a história do Ceará. É imprescindível explicitar a ideia de concepção e realização de nosso projeto carnavalesco: através de uma inspiração adaptada do romance indianista nacionalista de José de Alencar, a Nação Beija-Flor, na Aldeia Sapucaí, cantará / contará a história de amor entre a índia nativa da América (anagrama de Iracema) e um branco europeu, o português Martim Soares Moreno e, por conseguinte, a história das nações Tabajara e Pitiguara, que povoaram o território e deram origem à Lenda do Ceará. De um clássico da literatura brasileira, nasceu um projeto carnavalesco. De uma criação original, uma nova inspiração. “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema” é uma adaptação do romance escrito por José Martiniano de Alencar, em 1865 (data da primeira publicação). Ópera (que em italiano significa trabalho; em latim, plural de "opus", obra) é um gênero artístico músico-teatral que consiste em um drama encenado acompanhado de música; ou seja, composição dramática em que se combinam música instrumental e canto, com a presença ou não de diálogo falado / encenado e dança, sendo que os cantores são acompanhados por um grupo musical, ao qual damos o nome de orquestra. Além disso, as Óperas apresentam cenários e figurinos, com as cenas destacando os momentos-chave da história contada. O Desfile da Escola de Samba apresentado no carnaval, que é a maior festa popular genuinamente brasileira, também é um gênero artístico músico-teatral, que consiste em um tema (enredo) retratado acompanhado de música; ou seja, composição em que se combinam música instrumental e canto: cantores / coristas (são os componentes que dão vida à Nação Beija-Flor), e solistas (intérpretes) – com a presença de dança (passistas), sendo que os cantores e dançarinos são acompanhados por dois grupos musicais, o primeiro composto pelos musicistas do carro de som, e o segundo chamado de Bateria, onde os instrumentistas compoem a nossa Orquestra Popular Indianista. 307

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Vislumbramos então um romance entre as artes. A Ópera nos emprestará os Atos encenados, e o carnaval dará à Ópera sua variedade de cenários (elementos alegóricos) e figurinos (fantasias), indispensáveis para o teatro, além de um alcance popular inquestionável. Desse romance, nascerá na Avenida uma Ópera Popular Indianista, manifestação máxima da versatilidade carnavalesca e da capacidade infinita de nosso povo na arte da reinvenção e da superação por meio da originalidade. O tema (enredo) é o profundo sentimento que nasce de forma simultaneamente gradativa e avassaladora entre a índia Tabajara Iracema e o guerreiro forasteiro, aliado dos Pitiguaras. O retrato da vida indígena é apresentado em forma de samba, ópera e poesia. A apresentação ocorre no palco da Aldeia Sapucaí, e narra a Lenda do Ceará em seis Atos (Setores), utilizando sete cenários alegóricos, sendo um cenário alegórico de abertura (Proscênio / Tripé) e seis carros alegóricos. A atuação dos artistas – cujos protagonistas são o povo de pena – que fazem parte deste elenco apresenta a Ópera enquanto um perfeito casamento entre a música (samba-enredo) e o teatro (encenação / evolução). A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a história de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos. E por falar em licença, pedimos agora que apreciem o espetáculo carinhosamente preparado. Ao final, voltaremos a conversar sobre as coisas que até o momento tratamos aqui.

MANIFESTO INDIANISTA Ímpeto Carnavalesco “O Carnaval no Rio é o Acontecimento Religioso da Raça Pau Brasil.” (Oswald de Andrade, 1922) O carnaval nasce dos fatos. A pluma, o forro e as alas, são fatos estéticos. O povo emerge do emaranhado de colagens e traquitanas, tomado de sua interpretação da história, para convencer populares e eruditos sobre algumas verdades. O povo é um fato nosso. A pluralidade étnica rica, a lágrima, o suor, o sangue, a pele e a dança. Fatos comoventes! O Diretor veste terno de linho e comanda como um maestro a horda de populares, agora devidamente vestidos para se apresentar em público. As Baianas imitam os bailes, as cerimônias e suas tradições. Isso faz parte do lado glamour, o lado destaque, o lado nomenclatura. 308

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Os homens de camisa buscam a perfeição, como se fosse possível transformar o vagalhão de corpos numa argamassa, compacta e deslizante, no desnível de relevo e temperatura da Avenida. Tudo reverte em riqueza! São índios banhados à ouro, escravos de resplendores e tortuosas florestas artificiais. O lado doutor reclama a fatalidade: - Eruditaram tudo! Esqueceram-se do gavião de penacho! Há, agora, um rompimento que se apropria da regra, uma transgressão permitida. Os manuais que tudo sabiam, se deformaram. As receitas desandaram e tudo se tornou óbvio. Eles, os doutores, desejam nesse momento, arrebentação. Abraçamos a inversão de tudo: o erudito se transformará em popular, e assim, teremos a riqueza do povo, contada pelo povo, e para o povo. Findam as linhas que amarram os artistas na angustiante teia da inexistente perfeição. Disformes, gordos, magros, negros, índios, pardos. A poesia não carece de rima e a beleza não carece do belo. Há, enfim, uma nova perspectiva! A Sapucaí abandonará os trajes de Marquês e se vestirá de aldeia. A tribo, formada pelos coristas, preservará as tradições orais; evocando, com a força do canto, a história proposta, cercando de energia os personagens que se apresentarão no desenrolar do desfile. Será tudo como Alencar sonhou! Feita para olhos livres! Coisa regional e pura! As cores surgirão nos mais variados matizes, como na maravilhosa desordem orgânica da natureza, organizada naturalmente pelo instinto de seus componentes. Inutilizaremos as mordaças através da originalidade nativa, enterrando junto com os conceitos ultrapassados, a visão do Imperador. Será a visão de quem vive às margens do Rio, de Janeiro e Fevereiro, sobre o acontecido de nossa gente. A inocência no lugar da dissimulação. O ato visceral no lugar do passo bem marcado. O índio nu e selvagem, bárbaro e sábio, com pés de tacape e mãos de borduna. Manifestamos: — Pelas terras! Pelas serras! Pelos rios! Pelas matas! — À Liberdade de Iracema! — Pelo povo! Pela arte! Pela festa! Pelo samba! —À Liberdade da Beija-Flor! *Inspirado em Poesia Pau-Brasil, do Manifesto Modernista de Oswald de Andrade 1922. 309

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LIBRETO DA ÓPERA POPULAR INDIANISTA “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema” Inspirado e Adaptado da Obra de José Martiniano de Alencar PRÓLOGO DE ABERTURA Início do Desfile A fase indianista do Romantismo Brasileiro encontrou no índio a mais autêntica expressão da identidade nacional. Celebrando a pureza e a originalidade dos habitantes nativos de nossas terras, e retratando o encontro destes com a civilização europeia, José de Alencar propôs um novo conceito de país, num tempo onde o Brasil recém-republicano buscava novos ares. De relevância histórica ímpar, a obra abordou o surgimento do povo brasileiro a partir de matizes singulares. A apropriação de conceitos cristãos (e por ventura mitológicos), no trato da obra, foi um recurso utilizado por José de Alencar para que a densa proposta poética fosse atingida pelos leitores. A história de amor entre a índia Tabajara Iracema e o guerreiro português Martim, resultou no germinar de uma nova nação, numa narrativa que, carregada de momentos singelos e cenas comoventes, tornou-se um marco da literatura nacional. ATO I Introdução à Iracema Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, inocente criatura, cujo sorriso era mais doce que o favo da jati, nasceu no paraíso intocado, berço da terra selvagem. Filha da floresta, cujos cabelos eram mais negros que as asas da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira, era a grande vestal da aldeia Tabajara, a quem se atribuía a missão de guardar o segredo da Jurema e o mistério dos sonhos. Cunhã-Porã Itereí, desde a infância sentia a presença dos guardiões da mata e dos encantados celestiais, os mentores que transmitiram à ela os ensinamentos dos sagrados rituais. Sob o olhar vigilante de Tupã – Deus Indígena dos Relâmpagos e dos Trovões, percorria os Campos do Ipu, sempre acompanhada da jandaia, que cantava seu nome no alto das palmeiras, em sinal de companheirismo e afeto. ATO II O Encontro Entre Martim Soares Moreno e Iracema, a Joia Tabajara Acredita-se que as vestais exerçam fascínio sobre os homens ao longo do tempo. A energia que emana do espírito destas mulheres, segundo as crenças culturais, é capaz de atrair os mais longínquos viajantes, que sem entender a magnetismo inexplicável que os conduzia, deparam-se com as sacerdotisas. 310

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Um dia, enquanto repousava em um claro na floresta, brincando com a doce ará, sua companheira e amiga, Iracema pressentiu a presença de um estranho. A contemplá-la em meio à mata frondosa de um verde estonteante, na sinuosa Mata da Ibiapaba, estava um guerreiro branco. Martim Soares Moreno, soldado militar português, estava perdido na região após uma expedição fracassada com seus compatriotas. Afastado da região costeira, onde os Pitiguaras – tribo inimiga dos Senhores das Aldeias, a tribo de Iracema – bem recebiam os portugueses, ele não sabia o que a sorte o reservava. Diante dele, natural e casta, a bela índia era emoldurada pela presença dos pássaros e da exuberante flora do lugar. Rápido como o olhar foi o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu e atingiu o rosto do estrangeiro. Tal qual nas antigas mitologias, o encontro entre a ponta e o alvo, iniciou a paixão.

ATO III O Romance Proibido na Aldeia Tabajara Surpreso e já encantado, Martim sorriu. Percebendo o olhar amigo do estranho, Iracema se arrepende do ato e decide levar o estranho a sua Aldeia, onde ele teria proteção contra os perigos da mata. Feito isso, levou o estrangeiro ao domínio Tabajara, onde o Pai – O Grande Pajé Araquém – aguardava a volta de sua filha. Iracema apresentou o estrangeiro, que logo foi abençoado pelo líder espiritual e chefe da Nação Tabajara. Araquém recebia o amigo de Iracema como se amigo dele fosse. Tratou de lhe oferecer alimento e proteção. Nada deveria faltar ao hóspede de Araquém. Irapuã, chefe dos Guerreiros Tabajaras, não gosta da chegada do estrangeiro e reclama ao Pajé, que tomado de fúria pela falta de trato do zangado, bate seu cajado no chão e impõe sua decisão, sem imaginar que sua filha estava apaixonada pelo estrangeiro e o mal que estava por vir. Martim aceitou a hospitalidade do Pajé. Na cabana, uma fortaleza onde Irapuã não podia lhe ofender, ele desfrutou da entrega proibida de Iracema.

ATO IV Traição, Fuga e Conflito Os apaixonados desfrutavam, acreditando estarem sós no bosque que se desenrolava ao fundo da aldeia, do mais puro amor. Cercado de seus homens, Irapuã surpreendeu Iracema e Martim trocando carinhos. Temendo pela vida do amado, Iracema lançou mão do Segredo da Jurema e do Mistério do Sonho, hipnotizando os guerreiros para que pudesse fugir com Martim. O Branco, sabendo do perigo que corriam, rezou em sua crença pedindo proteção. 311

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Como se atendesse o chamado, Poti – seu amigo índio das terras litorâneas – avançou com seus guerreiros em direção aos Tabajaras. Ele sentiu o perigo que rondava Martim e tratou de assanhar seus homens em direção ao salvamento do amigo. A pocema da guerra ecoou e o combate se deu face-a-face. Os índios, feito feras, se enfrentaram na arena formada pela batalha naquele campeado. E assim como o lobo massacra o gato, os Pitiguaras massacraram o povo de Iracema. Vitoriosa, mas ciente de sua traição, ela triunfou com Martim. Tupã já não tinha sua virgem no berço da terra selvagem, agora manchada do sangue vermelho de seus filhos.

ATO V O Milagre da Vida e a Triste Despedida Iracema agora podia viver com o esposo. Ele, tido com grande apresso pelos Pitiguaras, tornou-se Coatiabo (guerreiro pintado). Ela, antes virgem, agora é tida como esposa gentil. Iracema anuncia que está grávida, para a surpresa e a felicidade de Martim. Porém, sabendo de sua dívida de gratidão com Poti e da necessidade do amigo em combater os constantes invasores de sua terra, Martim parte em expedição com o guerreiro. Triste, Iracema aguarda a volta do esposo, enquanto o procura em vão entre os homens que ficaram para protegê-la. Iracema dá a luz a Moacir, o primeiro brasileiro-nato, mameluco cearense! Entre a alegria trazida pelo filho e a saudade do marido e de sua tribo, a força de Iracema se esvai. Tomada pela saudade, ela definha, precisando recorrer às iraras para que o leite flua no seu formoso seio e alimente Moacyr. De saudade e fraqueza, a jovem heroína sucumbe. Martim chega a tempo de receber a criança em seus braços e, ali naquela planície onde os dois imaginavam construir a eterna morada do amor, Martim rezou pela alma da esposa, como numa espécie de fundação da Mairi Cristã. Era da santa cruz a Terra de Iracema.

EPÍLOGO A Herança de uma História de Amor Quase três séculos após a morte de Iracema e o nascimento do menino Moacir, encontramos o Ceará: resultado dos amores e dores da saga contada por Alencar. Os descendentes, que carregam na alma a marca deixada pela matriarca, e seguem oferecendo ao nosso país a originalidade da qual Iracema era feita. Os artesãos e artesãs, com o trabalho em barro e as famosas garrafinhas, continuam a exibir a arte feita à mão como identidade da terra. Os rendeiros e as rendeiras, com seus trançados florais, continuam a vestir os filhos da terra, embalando o vestuário como a rede embalou Iracema. Os pescadores continuam a buscar o alimento naquelas águas – doces ou salgadas – povoando a costa como os Pitiguaras um dia fizeram. Os jangadeiros que um dia trouxeram 312

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Martim a Terra da Luz, ainda passeiam ao sabor do vento, acompanhando as gaivotas como o índio que se guia pelo canto do pássaro. Os cordelistas continuam a contar histórias através da fala, preservando a memória cultural do lugar, como era característica dos indígenas. Os atores, esses eternos servos das histórias, continuam a encenar a vida onde o enredo é a fantasia, tal qual Iracema, uma lenda que é possível sentir e tocar. Por fim, os mais velhos encerram o cortejo dos descendentes de Iracema, lembrando que as histórias passadas de Pai para Filho – como Alencar ouvira sobre Iracema na infância – são a segura fortaleza da sabedoria, a eternidade da história. O Theatro, que recebeu o nome do mais ilustre filho do Ceará, serve agora de entrada para que se aprecie e reverencie a herança de Iracema.

EXTRO Ímpeto Literário O Romantismo brasileiro encontrou no índio uma de suas mais autênticas expressões. O índio vivo nas matas brasileiras, identificadas como “paraíso perdido, intocado”, que nem mesmo nós conhecíamos até então. O Romance Indianista se propôs a celebrar tanto o estado de pureza e inocência, quanto a formação mestiça da raça brasileira. Mergulhar nas tradições indígenas – seus mitos, lendas, vocabulário, festas, e costumes, é explorar a história do Brasil sob o ponto-de-vista dos legítimos donos da terra, e como a cultura do povo de pena colaborou na construção de nossa identidade nacional. Iracema é a narrativa tocante do sentimento de uma selvagem virgem indígena; sua história de amor e seus infortúnios, costurada pelas tradições culturais da raça nativa. A Lenda do Ceará é revisitada, adaptada, cantada e contada envolta à liberdade de expressão permitida e propiciada pela arte, do mesmo modo que os índios viviam livremente; e da mesma forma que a história e as lendas indígenas se perpetuam, com o passar do tempo, através da história oral. Iracema é uma vestal indígena consagrada à luz de Tupã, guardiã do segredo da Jurema e do mistério do sonho. É um complexo de graças e de paixão, de beleza e sensibilidade, de casta reserva e amorosa dedicação, de valentia impulsiva e fragilidade impensada. Eis o que é a virgem dos lábios de mel: uma criatura copiada da natureza, idealizada pela arte, que demonstra, através da rusticidade dos costumes, uma alma própria para amar e sentir. Embora haja, até hoje, quem afirme que os “selvagens nativos” não têm / não tinham alma... Infâmia, ignomínia!

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Ao entrar em contato com o homem civilizado e atirar nele uma flecha(da) certeira, a menina-moça de pele vermelha, dotada de formosura, vê o amor despertar de forma inusitada. Que simplicidade e que interesse! Martim cede a pouco e pouco à influência invencível daquela amorosa solicitude... Todavia, Iracema é Tabajara. Entre a sua nação e a nação Pitiguara (“comedores de camarão”) há um ódio de séculos... E Martim era aliado dos Pitiguaras que, andando erradio, entra no seio dos Tabajaras, onde é acolhido com a fraqueza própria de uma sociedade primitiva. É estrangeiro, é sagrado; pois a hospitalidade selvagem crê que o hóspede fora trazido por Tupã. O europeu abriga-se na cabana do Pajé Araquém, pai de Iracema, onde a solicitude da jovem prepara-lhe algumas horas de folgada ventura. Cândida, pura, reservada na missão sagrada que lhe impõe os ritos religiosos de seu povo. Mas nem por isso Iracema resiste à invasão de um sentimento novo para ela, e que a transforma de vestal em mulher. Não resiste, não questiona, não indaga. Apenas se entrega àquela paixão súbita que incendeia, domina; metaforicamente, uma doce escravidão. A joia Tabajara se vê inebriada por um sentimento incondicional, sem limites, descomunal, avassalador. O encanto da linda menina moça pelo forasteiro português desperta o ódio de Irapuã – valente e temido chefe Tabajara. Então, uma paixão guerreira bate à porta da cabana de Araquém (“o pássaro que dorme”), o Pajé dos Senhores das Aldeias. Os amores da filha da floresta e o branco europeu acirram ao extremo as adversidades, os embates e os conflitos de duas nações inimigas. Nos vales do Ceará, troa e retroa a pocema de guerra. A beleza selvagem é realçada pelo poder do amor que procede da virgindade da natureza, participa da independênciados bosques, cresce na solidão, alenta-se do ar agreste da montanha. Os sabores de mel e fel são sentidos longo da narrativa. Com o abandono do amante, a selvagem se depara com o abismo e precipício; entristece, falece de desgosto e de saudade... Mas jamais oporia ao volúvel mancebo nenhuma súplica, nenhuma ameaça. Pronta a sacrificar-se por ele, não pediria a mínima compensação pelo dissabor, renúncia e sacrifício. Iracema, dentre suas múltiplas facetas, também era resiliente, devotava em uma perfeita combinação do sentimento humano com a educação selvagem. Como não se apaixonar pela cunhã-porã itereí Iracema, natural delicada e graciosa, que finca sua imagem de modo sólido e definitivo na nossa memória e no nosso coração??? A narrativa de uma história de amor no carnaval da Beija-Flor.

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Resenha da Nação Beija-Flor Quando Guaracy desperta no horizonte infinito, é um grito à caeté verdejante de Tupã, que bronzeou com lindos raios do céu, a pele da virgem dos lábios de mel. A filha da floresta, linda demais cunhã-porã itereí, tinha os cabelos negros feito a noite escura, asas de graúna sob o firmamento, e o riso mais doce que o favo de jati. Vestal consagrada pelo Criador, e guiada pela luz do trovão, a menina faceira da pele vermelha, cujo arco era enfeitado na cor do guará, era a guardiã do segredo da Jurema. Tinha aura de sacerdotisa, se tornando símbolo de uma grande pureza e da raça nativa no esplendor da vida. Inesperadamente, floresceu no seio da floresta um amor proibido. Bem no coração dessa nossa terra, o encontro da menina moça e o homem de guerra. Ele sente a flecha, ela acerta o alvo; índia na floresta, branco apaixonado. Flor e espinho no ermo da mata: o português altivo Moreno no nome (Martim), e a joia do Senhor da Aldeia (Iracema), morena na pele. O homem estrangeiro foi levado ao encontro do Pajé Araquém, que quando bate no chão, a aldeia toda estremece. Pelo verde das matas, sob a luz das estrelas, sedução se manifesta na aldeia Tabajara. Paixão de duas raças arde em fogo na floresta... Desabrochou uma história de amor!!! Mas o ódio de Irapuã - chefe dos Tabajaras, despertou quando a virgem de Tupã se encantou com o europeu... Caiu a noite, em meio à magia, a rede embala o romance embebido pelo feitiço lançado pela bela mulher, que na fuga, ao desejo se entrega. Bate forte o tambor; prenúncio de dor. Um chamado de guerra; duas tribos em conflito. Sangue, luta e decepção se misturam ao som do siará. Tabajaras e Pitiguaras mancham o verde da floresta... Um oceano de mágoas no olhar, mas o pranto foi molhar pra semear nossa raiz. Emoção: lusa semente no ventre Tupi, bate o coração de Moacir, o milagre da vida, mestiço fruto a germinar. Pulsando nas veias, um só coração. Floresce um belo matiz, o primeiro mameluco desponta pro mundo; é a miscigenação da nossa gente!!! O adeus à flor. A linda Iracema morreu de saudade... Entre o mel e o fel, é fundada a mairi dos cristãos em terras indígenas. Legado dos nossos ancestrais, a herança e a esperança de filhos iguais, semeada na terra das areias bordadas pelo mar. Iracema, poema que nos faz sonhar... A força da mata é de arrepiar!!! Batendo o pé no chão, chegou a nação. Um povo imponente, de azul e branco, tacape e cocar. Uma gente valente e guerreira, isso é a Tribo Beija-Flor!!! Que vai cantar Juremê e contar Juremá nesse dia de Ajucá, para mostrar, com as bênçãos de Alencar, como, de um romance tão bonito, começou meu Ceará!!! 315

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POSFÁCIO Continuação da Carta aos Jurados e Leitores “As tradições dos indígenas dão matéria para um grande poema que talvez um dia alguém apresente sem ruído nem aparato, como modesto fruto de suas vigílias.” (José de Alencar) Eis-me de novo, conforme o prometido. Agora que o espetáculo foi encerrado, voltemos a conversar. Os mais antigos devem se recordar que essa não foi a primeira vez que o povo da Baixada derramou versos de Alencar no Carnaval. Em 1963, apresentamos na Avenida o enredo Peri e Ceci, baseado na obra O Guarani, do familiar escritor cearense. Mais tarde, já em 1968, voltamos a visitar o célebre filho da terra onde canta a jandaia, com “Exaltação à José de Alencar”. Posto que nada seja por acaso, Alencar tinha por costume escrever seus romances em trilogias, às vezes formadas por histórias distintas sobre um mesmo tema, e às vezes formadas por histórias semelhantes dispostas em temas distintos. Isso torna a acontecer aqui. E para que o quadro de coincidências se torne ainda mais visível, faz-se necessário lembrar que ao escrever seus romances indianistas, Alencar pretendia lançar um novo olhar sobre a literatura nacional, dando ao índio o devido cuidado narrativo e respeitando seus aspectos linguísticos e organizacionais. Quando evocamos o contingente de desfile em forma de coro, nos arremetemos diretamente ao que há de mais rico na entrega do componente: a dedicação, por vezes insana, aos ensaios de canto e dança. Quando damos identidade individual a cada um destes componentes, estamos lembrando que tal qual nos coros – em que os diferentes timbres compõe o equilíbrio – os índios brasileiros são, por excelência, pluri-estéticos e dotados de características particulares, aquelas tão bem observadas e reclamadas por Alencar. Se pensarmos que cada um dos pavilhões tem seu estilo, constataremos que, de fato, torna-se impossível encaixotar tanta diversidade num mesmo formato. O Manifesto Indianista, agora, deve fazer todo sentido. Não se trata de uma crítica, nem explícita e nem velada, à festa ou aos seus resultados. Trata-se da aura de liberdade que um dia permitiu que Alencar reescrevesse a identidade do país através da cultura nativa, e que possibilitou que as Escolas de Samba se tornassem objeto de admiração, despertando múltiplas paixões de acordo com a identificação dos torcedores aos seus perfis. 316

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Por falar em escrever, deve ter chamado atenção aos olhos dos senhores o fato de termos adaptado a obra. Assim como no cinema, teatro e televisão, a Escola de Samba carece das adaptações para tornar inteligível a informação que deseja transmitir ao grande público. Transformar uma Ópera em Espetáculo Popular perpassa pela espinhosa missão de compreender seus signos e simbologias, a fim de diluir a erudição carregada das ribaltas clássicas e colocar, de modo claro, objetivo e palpável, as impressões necessárias para que o público absorva a mensagem. Quanto à esse assunto, vale evocar mais uma vez os paradoxos. Alencar se preocupou em buscar o vocabulário indígena e suas tradições para que sua obra ficasse o mais próxima possível da realidade. Nós, cientes do tempo em estamos, buscamos traduzir de modo alcançável todo esse completo conjunto de construções poéticas. Sabe-se que hoje os ritos da fé indígena são acessíveis ao grande público apenas por meio das cerimônias do Catimbó, que é uma prática religiosa que combina fundamentos africanos com a ritualística indígena. Em nosso samba, cantamos Juremê e contamos Juremá, numa referência aos cantos dos catimbozeiros que são, de maneira geral, os reminiscentes da parte mágica do indianismo, os últimos representantes dos pajés e sacerdotisas, os últimos semelhantes de Iracema, na tentativa de aproximar o público presente do ambiente criado pela chegada da vestal à Passarela. No Manifesto, nos apropriamos da linguagem inflamada ao dizer que a Avenida deixará as vestes de Marquês e se converterá em aldeia. Pensando nisso, voltamos ao samba, que chama a Avenida de Casa de Caboclo, numa metáfora interessante do próprio nome da via, uma junção do tratamento “Marquês” – importado da fidalga hierarquia portuguesa – com o termo Sapucaí – palavra vinda do Tupi que significa “rio que canta”. Trata-se de uma despedida das vestes da temporada passada e o desejo de envolver à todos no amerê – fumaça sagrada – tal qual fazem os índios nas cerimônias do Ajucá, no intuito de elevar a condição interior dos participantes para que possam absorver as energias presentes. Concluídas as considerações, agradeço à todos que nos acompanharam até aqui. Na expectativa de um reencontro o mais breve possível, Atenciosamente, BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS A Deusa da Passarela.

Guanambi auaiú-aiapé cemo aisó Iracema! Beija-Flor bate o pé e canta forte formosa Iracema! 317

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JUSTIFICATIVA DO ENREDO INTRODUÇÃO O projeto carnavalesco inspirado na obra que descreve o encontro entre o português Martim Soares Moreno, e a Virgem dos Lábios de Mel, a índia da tribo Tabajara, de nome Iracema, tem o Ceará como palco principal; e como cenário, a natureza exuberante deste lugar paradisíaco, de verdes matas, onde cantam jandaias nas frontes de carnaúba. Índia morena, serena, bela como uma flor, és tu, Ó formosa Iracema! Sua pureza provoca encantamento e seduz ao mesmo tempo. E foi essa magia, soprada pelo vento, que deixou Martim Soares Moreno sem alento... Ela, de pele morena. Ele, Moreno no nome... E esse encontro amoroso entre duas civilizações distintas, é bem mais salutar que um romance literário e nacionalista, onde, suscintamente, Iracema representa a cultura brasileira, e Martim Soares, o branco europeu. A narrativa, repleta de detalhes, pontua magistralmente a história do Ceará, o nascimento de um fruto miscigenado, o primeiro mameluco nato, e entrelaça, de modo singular, a história do nosso imenso Brasil plural.

IRACEMA EM POESIA – SINOPSE Poema em prosa. Romance, poesia, heroísmo, lirismo, história. Vestal consagrada à luz de Tupã – o Deus Criador, Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, inocente criatura, cujo o sorriso era mais doce que o favo da jati, nasceu no paraíso intocado, berço da terra selvagem. Filha da floresta, mais rápida que a ema silvestre, cujos cabelos eram mais negros que as asas da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira, a sacerdotisa é símbolo da mais cândida pureza.

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Em meio ao verde das matas, à natureza exuberante, sob a luz das estrelas, no meio do caminho, o esplendor do encontro da natureza com a civilização – Iracema e Martim, a flor e o espinho. Iracema... Menina mulher, sinuosa e faceira; é ela quem atira a flecha certeira. Em seu semblante resplandece a face de uma típica nativa da América*. Bela tal qual uma pintura, ainda casta e pura, revela quase ingênua sensualidade desnuda, desenhada nas curvas perfeitas de seus seios e quadris. A joia do Senhor das Aldeias, guardiã do segredo da Jurema, se resguarda, se preserva, se mantém intacta, até encontrar o mais sublime amor. Então, apaixonada, enfim, se entrega. Entoam acordes dissonantes, explode a paixão pulsante. Mas registre-se: não se trata só do prazer da carne; é um momento mágico, ansiado, aguardado, desejado. Uma questão de se perder para se encontrar... Então, o fogo do entusiasmo acende um interesse vivo, a vontade de realizar, o ardor do querer, satisfazer de prazer. Até onde uma mulher é capaz de chegar por amor??? Duas raças se unem. Ele, o lenço; ela, o vento. Sedução, ternura, encanto. O despertar de ardentes desejos viris... O sangue correndo nas veias revela fertilidade. De dois, faz-se um só ser. Tabajaras, Pitiguaras, europeus. Lanças, lástima, conflito e batalha. Pele branca e pele vermelha; terra branca, sangue vermelho... Uma mistura de tons e sons, de mel e fel. Essa ópera indianista de rara beleza, revela a semente fecunda, o milagre da vida, o nascimento de Moacir, o primeiro brasileiro mestiço. Iracema não resiste... Mas nada de tristeza, Iracema persiste!!! Existe em cada pedacinho de terra, e nas veias de cada filho desse chão. É a história viva, signo de um povo! O Ceará sempre será Iracema!!! E nós, somos uma legião de guerreiros da tribo Beija-Flor!!! Temos uma fé inabalável, e cremos na força de Tupã!!! Respeitamos a magia do som do trovão, o rufar dos tambores, e a marcação dos passos no chão, legado deixado pelos nossos ancestrais, valentes e legítimos donos da terra. E assim, com bravura, iremos saudar Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, a Lenda do Ceará!!! (*) Iracema é um anagrama de América.

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ARGUMENTO HISTÓRICO Nós somos, terminantemente, um país indígena, e ainda assim, a história dos índios no Brasil – os legítimos donos da terra – quase não tem registros; o nosso legado é, bem dizer, preservado quase que integralmente através da história oral. Iracema (que em Tupi significa “Lábios de Mel”), é a Lenda do Ceará; tornou-se símbolo do Estado. Em uma mesma história, uma narrativa visceral, que agrega paixão, registro histórico, suspense, ficção, guerra, alucinação, abstração. O romance nacionalista indianista – que é um clássico da literatura brasileira – é a fonte de inspiração para o nosso projeto carnavalesco. Trata-se de uma história de amor. Uma linda história de amor!!! E também, uma história do Brasil. Do nosso Brasil brasileiro; o surgimento do primeiro mameluco, caboclo brejeiro, contado, magistralmente, por José de Alencar. A obra traduz a memória afetiva do autor, e a saudade latente de sua terra natal e suas origens, daí ser tudo muito vivo, muito colorido, primorosamente detalhado. A história de amor de uma vestal indígena, dotada de pureza, limpidez e castidade, fonte de mel consagrada à Tupã, que se apaixona incondicionalmente por um guerreiro estrangeiro. Um relato sobre o encontro de duas raças, e o fruto dessa paixão, que resulta no nascimento do primeiro brasileiro mestiço, um legítimo filho do Ceará. Aceitamos o desafio de, com originalidade, transmutar letras em fantasias, poesia em alegorias, musical em carnaval. Transformar uma história, em espetáculo nacional, uma autêntica ópera popular indianista à céu aberto. Esse é o compromisso assumido ao conceber e desenvolver “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”. “A arte existe para que a realidade não nos destrua”. É com muita felicidade que abraçamos Iracema! Uma obra que é um marco na descoberta de nossa identidade. Uma narrativa que merece ser, sempre que possível, vista, visitada, divulgada, sentida, absorvida. Iracema é, e sempre será, a Lenda do Ceará!

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ROTEIRO DO DESFILE Comissão de Frente PRÓLOGO DE ABERTURA – IRACEMA 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Claudinho Souza e Selminha Sorriso DE UM ROMANCE TÃO BONITO COMEÇOU MEU CEARÁ Proscênio – Elemento Alegórico de Abertura (Tripé) “A JANDAIA CANTOU NO ALTO DA PALMEIRA O NOME DE IRACEMA, A VIRGEM DOS LÁBIOS DE MEL” Crianças PUREZA DOS CURUMINS Duo – Destaques de Chão Cássio Dias e Chalene Costa GUARACY E JACY Grupo Coreográfico Beija-Flor I – Cena 01 A PRESENÇA DOS ENCANTADOS Cenário Alegórico 01 (Carro Abre-Alas / Alegoria 01) “À LUZ DO PANTEÃO INDIANISTA, O OLHAR VIGILANTE DE TUPÔ Baianas O ENCANTO DAS VESTAIS Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Grupo Coreográfico Beija-Flor II – Cena 02 MARTIM CONTEMPLA IRACEMA E SENTE A FLECHA – PÁSSAROS AMEIGAM O CANTO 321

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Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Cenário Alegórico 02 (Alegoria 02) “ELE SENTE A FLECHA, ELA ACERTA O ALVO” Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Grupo Coreográfico Beija-Flor III – Cena 03 ÍNDIA NA FLORESTA, BRANCO APAIXONADO – A CHEGADA DE MARTIM À ALDEIA TABAJARA Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Passistas BALLET POPULAR INDIANISTA – UM RITUAL DENTRO DE UMA CERIMÔNIA SAGRADA Rainha de Bateria Raíssa Oliveira REGENTE INDIANISTA Bateria / Músicos ORQUESTRA POPULAR INDIANISTA Corifeus CORIFEUS POPULARES INDIANISTAS Cenário Alegórico 03 (Alegoria 03) “A CABANA DE ARAQUÉM, O PAJÉ DA GRANDE NAÇÃO TABAJARA – O REFÚGIO DA PAIXÃO PROIBIDA” Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS 322

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Grupo Coreográfico Beija-Flor IV – Cena 04 O ÓDIO DE IRAPUÃ E A PERSEGUIÇÃO AOS APAIXONADOS Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Cenário Alegórico 04 (Alegoria 04) “UM CHAMADO DE GUERRA, DUAS TRIBOS EM CONFLITO – TERRA BRANCA MANCHADA DE SANGUE VERMELHO” Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS Grupo Coreográfico Beija-Flor V – Cena 05 BATE O CORAÇÃO DE MOACIR, FILHO DO AMOR E DA DOR – PRIMEIRO MAMELUCO, CABOCLO BRASILEIRO Tribo Beija-Flor / Coristas Populares VOZES INDÍGENAS 2º, 3º, 4º e 5º Casais de Mestres-Salas e Porta-Bandeiras David Sabiá e Fernanda Love Hugo César e Naninha Fidellys Yúri Balss e Emanuelle Martins Tuan Matheus e Mayara Bombom QUADRA DE DUOS – AS FLORES DAS QUATRO ESTRAÇÕES Damas FLORES DE UM NOVO MATIZ Cenário Alegórico 05 (Alegoria 05) “O MEL, O FEL E A MAIRI DOS CRISTÃOS – ONDE GERMINOU A PALAVRA DO DEUS VERDADEIRO NA TERRA SELVAGEM”

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Ala Amigos do Rei A IDENTIDADE DO ARTESANATO CEARENSE – A ARTE FEITA À MÃO DOS MIMOS REGIONAIS Ala Dá Mais Vida / Ala Young Flu Ala Nessa Que Eu Vou A BELEZA DAS RENDAS FLORAIS Ala Signus / Ala Vamos Nessa Ala 1001 Noites OS PESCADORES E O QUE AS ÁGUAS DO CEARÁ PODEM OFERTAR Grupo Coreográfico Beija-Flor VI – Cena 06 O ROMANCE ENTRE A AVE E A JANGADA – UMA IMAGEM QUE FAZ LEMBRAR DE IRACEMA Ala Dos Cem / Ala Amar é Viver Ala Tudo Por Amor ARTISTAS CONTAM O CEARÁ NA TELA E EM COEDEL Ala Borboletas / Ala Tom e Jerry Ala Cabulosos THEATRO JOSÉ DE ALENCAR – A CASA DOS ATORES Ala dos Compositores UMA PENA, BELAS OBRAS Velha-Guarda TUDO PASSA SOBRE A TERRA Cenário Alegórico 06 (Alegoria 06) “O CEARÁ SEMPRE SERÁ IRACEMA”

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa *

Proscênio – Elemento Alegórico Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais de Abertura (Tripé) longos que seu talhe de palmeira, nasceu muito além da Serra da Ibiapaba, num lugar paradisíaco, onde os “A JANDAIA CANTOU NO troncos da Jurema emolduram a redentora visão, onças ALTO DA PALMEIRA O selvagens passeiam na natureza exuberante e cantam NOME DE IRACEMA, A jandaias nas frontes de carnaúba. Seu pé era grácil e VIRGEM DOS LÁBIOS DE nu; e a formosa índia emplumava as flechas de seu MEL” arco com as penas do gará. Iracema, a joia do Senhor das Aldeias, por ser a virgem consagrada à luz de Tupã, e por ser ela a guardiã do segredo da Jurema e do mistério do sonho, por ser sua a mão que fabrica para o Pajé a bebida de Tupã, devia se manter casta, intacta, o que fazia da sacerdotisa, um símbolo da mais cândida pureza. Bela tal qual uma pintura, a filha da floresta revela quase ingênua sensualidade desnuda, desenhada nas curvas perfeitas de seus seios e quadris. * Essa imagem é do croqui original e A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto serve apenas como referência, pois dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama foram realizadas modificações de a virgem pelo nome... Iracema!!! estética e de cor na execução da Alegoria.

(1) Iracema em Guarani significa lábios de mel, de ira – mel, e tembe – lábios. Tembe na composição alterase em ceme; (2) Graúna é o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem por corrupção de guira – pássaro, e una, abreviação de pixuna – preto; (3) Ibiapaba quer dizer “terra aparada”; denominação do lugar onde nasceu Iracema; (4) Gará ou Guará é o nome dado a uma espécie de aves de penas vermelhas; (5) Senhor das Aldeias é a tradução na língua portuguesa para o nome Tabajara, que denomina a etnia de Iracema; (6) Ará e jandaia são denominações de periquito. 325

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa Tupã, na língua Tupi significa trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu01 “À LUZ DO PANTEÃO pana, golpe/baque estrondante), daí seu conceito estar INDIANISTA, O OLHAR relacionado ao som do trovão, um efeito, cuja causa os VIGILANTE DE TUPÔ

índios desconheciam e, por isso mesmo, temiam e respeitavam. A voz de Tupã se faz ouvir nas tempestades: Tupãberaba, o relâmpago, cujo reflexo sonoro é Tupãcinunga, o trovão. Deus Tupã, o Deus indígena da natureza, o Deus Criador, a luz, está aqui, numa terra que é sagrada, a Aldeia Sapucaí. Foi à ele a quem Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, foi consagrada, de modo que a alma de Iracema pertence à Tupã desde que ela fora escolhida para se tornar a sacerdotisa dos Tabajaras. Cercado pelas almas encantadas que o serviram quando * Essa imagem é do croqui original e encarnadas, a divindade exibe o seu poder colossal e a serve apenas como referência, pois magnitude de sua energia, como sinal de alerta à todos foram realizadas modificações de aqueles que ousarem desafiar seus preceitos. Faz-se então, estética e de cor na execução da o arauto da própria presença. Ergue-se sob a forma de indomável guerreiro celeste, e irrompe o acalanto silencioso Alegoria. dos mortais. Feito a luz que anuncia a aurora, projeta seu olhar em todas as direções, invadindo a escuridão que só triunfa pós-arrebol. Tupã é uma entidade medianeira, que se manifesta através de raios, trovões, relâmpagos, ventos e tempestades. Representa um ato divino, o sopro, a vida. Do celeste ao índigo, faz das nuvens que empurra, os penachos de seu cocar; e da coroa do firmamento, o altar onde reina soberano, do ponto mais alto do Panteão Sagrado dos indígenas, de onde só ele se faz enxergar. (1) Na cultura indígena, quanto maior o cocar, maior deve ser o respeito. Tupã, como cacique dos deuses e mentor dos pajés e espíritos encarnados, tem como coroa o próprio céu. Alegorizando, seria como se o azul que paira sobre a terra compusesse o esplendor da divindade máxima; (2) O espírito ou entidade mediadora tem uma proximidade e intimidade com os humanos, serve não apenas como intermediário entre o mundo humano e o divino, mas também protege o humano de espíritos e entidades malfazejas. Intervenções abruptas ou novidades inexplicáveis costumavam ser atribuídas ao Deus dos Relâmpagos, seja como presente, seja como castigo.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa 02

“ELE SENTE A FLECHA, ELA ACERTA O ALVO”

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

“Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido... Sofreu mais d’alma que da ferida.” A selvagem Tabajara estava bem no coração dessa nossa terra, onde araras sobrevoam colorindo a floresta, e guerreiros indígenas ficam à espreita, demarcando o território, e onde as águas míticas da Bica do Ipu orvalham pequenas quedas entre as árvores, repousando à sombra da oiticica, quando rumor suspeito quebrou a doce harmonia da sesta de Iracema. A densa mata, onde o aljôfar d’água ainda roreja, emoldura o encontro das duas civilizações: Iracema, a índia Tabajara de pele morena; Martim, o guerreiro estrangeiro Moreno no nome. Dá-se o encontro da menina-moça e o homem de guerra. Ele sente a flecha, ela acerta o alvo; índia na floresta, branco apaixonado. E assim, tem início a história de amor retratada no carnaval da Beija-Flor. (1) Ipu é como chamam até hoje no Ceará certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas nos tabuleiros e sertões, e é de preferência procurada para a cultura. Daí se deriva o nome dessa comarca da província. Ali encontra-se a Bica do Ipu, uma queda d’água localizada aos pés da Mata da Ibiapaba. Pela altura de seu desague, ela umedece a vegetação que se estende território abaixo. A localidade é utilizada pelos Tabajaras enquanto local de banho e descanso, em meio ao calor escaldante da região. O referido território do encontro compreende a última porção da Mata da Ibiapaba no sentido litoral. Era uma região de natureza estonteante, onde Iracema costumava passar durante as tardes quando saia da aldeia. Por ser um local limítrofe entre as aldeias Tabajara e Pitiguara – adversários declarados – a região era sempre guardada por guerreiros, e a própria Iracema não se atrevia a perambular por aquelas sertanias sem posse de seu arco e suas flechas;

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa (2) Oiticica é uma árvore frondosa, apreciada pela 02 “ELE SENTE A FLECHA, delicioso frescor proporcionado pela sua sombra; ELA ACERTA O ALVO” (Continuação) (3) O português Martim Soares tinha “Moreno” como seu último sobrenome; (4) O atitude de flechar, desde as mitologias mais antigas, está ligada ao amor. Alencar se apropria disso para selar a paixão entre duas almas predestinadas ao encontro. Iracema, idealizada como símbolo de pureza e beleza feminina, age instintivamente quando se depara com o desconhecido. * Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

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“A CABANA DE ARAQUÉM, O PAJÉ DA GRANDE NAÇÃO TABAJARA – O REFÚGIO DA PAIXÃO PROIBIDA”

“No meio da mata dalém Ibiapaba, a grande taba (aldeia) erguia-se no fundo do vale, e mais longe, a cabana do Pajé, iluminada pelos fachos de alegria. Rugia o maracá; ao quebro lento do canto selvagem, batia a dança em torno a rude cadência...”

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

Araquém, pai de Iracema, é o Pajé da Grande Nação Tabajara. A cabana, sua morada e fortaleza, é o reduto do poder dos líderes espirituais nas aldeias indígenas. Próxima à denso bosque, era um território respeitado por todos os Senhores das Aldeias, e justamente por isso, enquanto Martim lá estivesse, na condição de hóspede, estaria seguro. A aldeia, é um retrato do cotidiano indígena e das provisões necessárias para a sobrevivência da tribo. O local era farto, e habitado por homens, mulheres e crianças selecionados pelo Pajé, notando-se também a presença dos pupilos e discípulos de Araquém, que praticavam os ensinamentos sagrados em locais específicos.

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“A CABANA DE ARAQUÉM, O PAJÉ DA GRANDE NAÇÃO TABAJARA – O REFÚGIO DA PAIXÃO PROIBIDA” (Continuação)

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

Enquanto sumia a vida nos olhos cavos e nas rugas profundas do ancião, a cabana do Pajé era o refúgio da paixão proibida, guardando o amor de Iracema e Martim, que naquele território, encontravam-se protegidos pelo temor dos índios ante a fúria de Araquém, que quando bate no chão, a aldeia toda estremece.

(1) No fundo da alegoria, a cobra (boia, mbói, piramaia) é um signo que traz a força para nos adaptarmos às mudanças impostas pela vida. Ciente de que terá que trocar de pele e se deixar transmutar, aceita o que lhe acontece de novo. Simboliza o momento de transformação de Iracema, de modo que, de forma discreta e respeitosa, ilustramos através dela a perda da pureza da vestal Tabajara; (2) O temor de uma represália do Pajé dava-se pelo fato do Grande Senhor das Aldeias ter o poder de evocar a fúria do Deus Tupã. Dizia-se que, quando inflamado, Araquém transfigurava-se, e a ira da própria divindade indígena saltava aos seus olhos. Assim, uma ordem do Pajé era determinante como uma lei divina. Cientes de que ele saberia se tivesse suas ordens desobedecidas, os índios mantinham-se comportados e respeitosos, ainda que discordassem de suas decisões.

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“UM CHAMADO DE GUERRA, DUAS TRIBOS EM CONFLITO – TERRA BRANCA MANCHADA DE SANGUE VERMELHO”

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

A tribo de Iracema, a grande nação Tabajara, Senhores das Aldeias, (de taba – aldeia, e jara – senhor) dominava o interior da província das terras do Ceará, especialmente a região da grande Serra da Ibiapaba; enquanto a nação Pitiguara, Senhores dos Vales, amigos e aliados de Martim, habitava o litoral da província. Os guerreiros indígenas são selvagens, e em absoluta comunhão com a natureza, exacerbam seus instintos e identificam-se com diversos animais. Os Tabajaras são barulhentos e querem voar alto como as araras, além de serem ágeis como as onças; já os Pitiguaras, avançam como o cardume do peixe quando corta a correnteza do rio, e caçam como o lobo que margeia os vales a espreita da vítima. Uma mistura de tons e sons anuncia que os guerreiros indígenas levam a guerra nos punhos de seus tacapes, e o terror que eles inspiram voa com o ronco do boré. O toque dos tambores é um prenúncio de duelo. “O ódio de Irapuã (o maior chefe da nação Tabajara) quando a virgem de Tupã se encantou com o europeu” sintetiza o ciúme e a ira despertados pelo romance entre Iracema e o guerreiro branco, e anuncia um chamado de guerra: Tabajaras X Pitiguaras, duas tribos em conflito. Rugem vinganças contra o estrangeiro audaz. Lanças, bordunas, rivalidade exacerbada. Cores quentes (amarelo, laranja e vermelho), associadas ao fogo, sinalizam que “a temperatura esquentou”, e os ânimos ardiam feito labaredas. Soa a pocema, estreita-se o espaço, e a luta se trava face a face. Olhares abrasados de fúria e armas valentes ávidas para serem empunhadas pelas almas ferozes dos guerreiros inimigos. Feroz batalha... Sofrimento, lástima, dor, suplício e morte. Um massacre é desencadeado pela revolta perante o amor proibido entre Martim e Iracema; terra branca manchada de sangue vermelho.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa 04

“UM CHAMADO DE GUERRA, DUAS TRIBOS EM CONFLITO – TERRA BRANCA MANCHADA DE SANGUE VERMELHO” (Continuação)

(1) A alegoria se apresenta como o pé de uma montanha por ter sido O Vale do Acaraú o local do conflito sangrento entre Tabajaras e Pitiguaras; (2) Os adversários se referiam aos Pitiguaras os chamando de Potiguaras (comedor de camarão, de poty e uara), nome que por desprezo davam os inimigos que habitavam as praias e viviam em grande parte de pesca. A ortografia de Pitiguara deriva de iby, que significa terra; iby-tira – veio a significar serra ou terra alta. Aos vales, chamavam os indígenas iby-tiracua – cintura das montanhas. A desinência jara – senhor, acrescentada, formou a palavra biticura, que por corrupção deu Pitiguara – Senhores dos Vales;

(3) Pocema é o grande alarido que faziam os selvagens * Essa imagem é do croqui original e nas ocasiões solenes, como em começo de batalha. serve apenas como referência, pois Vem de po – mão, e cemo – clamar; foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

(4) Os tambores são utilizados na cultura de guerra indígena para perturbar o espírito dos guerreiros a fim de que se atinja o estado de violência máxima.

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“O MEL, O FEL E A MAIRI DOS CRISTÃOS – ONDE GERMINOU A PALAVRA DO DEUS VERDADEIRO NA TERRA SELVAGEM”

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

Do romance da índia Tabajara Iracema, uma pele vermelha, com Martim Soares Moreno, um português de pele branca, dá-se o encontro amoroso entre duas civilizações distintas e a união das duas raças. O sangue correndo nas veias revelou fertilidade; de dois, fez-se um só ser, e da semente fecunda, o milagre da vida: Bate o coração de Moacir – um filho do amor e da dor... O primeiro brasileiro mestiço, miscigenado, o primeiro mameluco, caboclo brejeiro. O fruto dessa paixão é o nascimento de um legítimo filho do Ceará. Após longa ausência de Martim, que partira em missão, Iracema definhou de tristeza, de solidão, de saudade. Ao enfim reencontrá-lo, “a triste esposa e mãe soabriu os olhos, ouvindo a voz amada. Com grande esforço, pôde erguer o filho nos braços, e apresenta-lo ao pai, que olhava extático em seu amor. – Recebe o filho de teu sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe! (a índia, tomada pelo desespero e instinto maternal de defender bravamente a sua cria, chegou ao ponto de colocar iraras abocanhando os mamilos, na esperança de fazer vir à tona o leite que nutriria seu filho). Pousando a criança nos braços paternos, a desventurada mãe desfaleceu, como a jetica (batata doce), se lhe arrancam o bulbo. O esposo viu então como a dor tinha consumido seu belo corpo; mas a formosura ainda morava nela, como o perfume na flor caída do manacá. Iracema não se ergueu mais... O doce lábio emudeceu para sempre.” A linda Iracema morreu de saudade, não resistiu... Mas ainda assim, persiste através do tempo e da história; por que Iracema é a raiz da Lenda do Ceará. Muitos guerreiros acompanharam o chefe branco, para fundar com ele a mairi (cidade, refúgio) dos cristãos.

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“O MEL, O FEL E A MAIRI DOS CRISTÃOS – ONDE GERMINOU A PALAVRA DO DEUS VERDADEIRO NA TERRA SELVAGEM” (Continuação)

Vieram também sacerdotes de sua religião, para plantar a cruz na terra selvagem. A partir de então, índios e brancos deviam ter ambos um só Deus, como tinham um só coração, filosofia sutilmente representada pelos anjos com rostos indígenas e asas de pássaros. A mairi que Martim erguera medrou, cresceu, prosperou, progrediu. Germinou a palavra do Deus verdadeiro na terra selvagem; e o bronze sagrado ressoou nos vales onde rugia o maracá. Cenário que retrata o final de uma história de amor, lembrada sempre com emoção, mas que também representa a catequização imposta pelos jesuítas, que sobrepuseram sua religião para facilitar o contato e a dominação do povo indígena pelo europeus. É como se a morte da guerreira Tabajara simbolizasse a morte * Essa imagem é do croqui original e de um povo e suas crenças, sua cultura nativa e serve apenas como referência, pois genuína. foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

(1) Irara é a denominação indígena para ariranha.

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“O CEARÁ SEMPRE SERÁ IRACEMA!”

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

O Ceará sempre será Iracema!!!. Está presente na memória afetiva do cearense e no imaginário popular. É a história viva, signo de um povo! E em meio à multiplicidade que caracteriza o Ceará contemporâneo, até mesmo os olhos menos atentos são capazes de observar e identificar a força dos traços e costumes indígenas, e o legado de Iracema, protagonista imortalizada por José de Alencar; que traduziu magistralmente a saudade latente de sua terra natal e suas origens, e conseguiu um feito mágico: fez com que todos nós nos apaixonássemos pela terra da luz, do mar e do sol, e por seus filhos, igualmente solares. Dentre os monumentos do Estado, destaca-se o Theatro José de Alencar, ponte simbólica entre o passado e o presente, o Theatro se reacende, brilha no palco central da cidade, abraça todas as gentes, agita a alma do artista, preserva a memória do Estado, e nas cores de seus vitrais, aviva a alegria do cearense. O Theatro foi assim nomeado em homenagem ao expoente escritor romântico cearense, nascido em Messejana; e é na Lagoa do bairro que localiza-se a maior estátua de Iracema da capital. No que se refere à beleza do artesanato regional, que revela-se manifestada nas mais diversas formas, e naquilo que se refere à produção de objetos classificados enquanto pertencentes à chamada cultura popular, também é possível estabelecer uma correlação com Iracema: se a selvagem índia dos lábios de mel usava o uru de palha matizada para guardar seus pertences, hoje os diferentes tipos de balaio usados como utilitários e objetos de decoração. Se Iracema utilizava os alvos fios do crautá e as agulhas da juçara para tecer a renda, hoje as renomadas tecelãs cearenses produzem rendas de beleza e a qualidade inigualáveis, que conquistaram não só o Ceará, mas o Brasil e o mundo. Se na tribo Tabajara a água era ofertada em igaçabas, hoje temos jarros de cerâmica utilitária que são verdadeiros mimos cearenses.

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FICHA TÉCNICA Alegorias Criador das Alegorias (Cenógrafo) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia Nº Nome da Alegoria O que Representa 06

“O CEARÁ SEMPRE SERÁ IRACEMA!” (Continuação)

* Essa imagem é do croqui original e serve apenas como referência, pois foram realizadas modificações de estética e de cor na execução da Alegoria.

Além disso, é possível afirmar que a joia Tabajara persiste em cada pedacinho de terra, e nas veias de cada filho desse chão, carinhosamente representados nos enfeites das garrafinhas de areia que guardam um pouquinho da magia dessa terra; enquanto as esculturas de bonecos instrumentistas representam a musicalidade e o som mestiço do genuíno caboclo brejeiro. Já as jangadas, têm sido indispensáveis ao longo do tempo, na relação entre os homens e as águas dos mares bravios. Os descendentes de Iracema que habitam e compõem o Ceará contemporâneo carregam na alma e na representatividade da cultura popular a marca de Iracema, retratada tão habilmente através das mãos arteiras dos artesãos regionais, que assim como Alencar, procuram fazer seus trabalhos de forma primorosamente detalhada. E foi assim, que de um romance tão bonito começou meu Ceará!!!

(1) Crautá é uma bromélia vulgar, de que se tiram as fibras tão ou mais finas que as do linho; (2) Juçara é uma palmeira de grandes espinhos, dos quais se servem ainda hoje para dividir os fios da renda.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Nomes dos Principais Destaques

Respectivas Profissões

Fabíola David Fran Sérgio Santos Alessandra Pirotelly Marcos Oliveira Ana Cristina Pinto Zezito Ávilla Lú Pittigliani Maurízio Médici Linda Conde Jussara Calmom Marquinho Jasmim Claudia Aidim Paulo Robert

Advogada Comissão de Carnaval da Beija-Flor Empresária Cabeleireiro Empresária Estilista Ex-modelo Bacharel em Moda Fotógrafa Atriz Produtor de Eventos Artista Plástica Cabeleireiro

Local do Barracão Rua Rivadávia Corrêa, 60 (Cidade do Samba – Unidade 11) – Zona Portuária – Rio de Janeiro/RJ Diretor Responsável pelo Barracão Luiz Fernando Ribeiro do Carmo – Laíla (Artístico – Diretor Geral de Carnaval e Harmonia); Almir José dos Reis (Administrativo – Vice-Presidente Financeiro e Administrador Geral). Ferreiro Chefe de Equipe Carpinteiro Chefe de Equipe Cláudio José Fernandes e Paulo Roberto Halano Wikens Quirino Escultor(a) Chefe de Equipe Pintor Chefe de Equipe Elson Cardoso, Wagner Amaral, Willian Kennedy Prata Moraes Mansour e João “Sorriso” Eletricista Chefe de Equipe Mecânico Chefe de Equipe André Reis – Dedé “Light City” José Claudio Outros Profissionais e Respectivas Funções Marcos Reis Fernandes e Alexandre Esposito “Jiló”

- Administrador

José Jorge “Baiano” e Hilton “Niltinho”

- Laminadores / Chefes de Equipe

Mauro Francisco da Silva

- Almoxarife / Chefe de Equipe

Mauro “Cara Preta”

- Empastelação / Chefe de Equipe

Renato da Cruz Cavallari e Ricardo “Cacá” Reis Belém

- Eletricista e Manutenção Técnica

Elizabeth Barcelos

- Copeira

Mário Sérgio e Rogério Wiltgen

- Iluminadores Artísticos / Chefes de Equipe

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 01

Pureza dos Curumins

Curumim é uma palavra de origem Tupi usada para designar as crianças indígenas. Possui ainda algumas variantes, tais como colomim, culumim, colomi, curumi e culumi, todas empregadas para se referir ao estado de pureza e inocência intrínseco à infância. A cultura indígena espelhada no olhar das crianças.

Crianças (1948)

Luciana Araújo

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Duo: Guaracy e Jacy

Guaracy é o Sol, a luz, o dia, e Araci ou Jacy, a Lua, a noite, a magia. Elementos essenciais e demasiadamente cultuados nas tradições e nos rituais indígenas, que cruzam o céu despertando encantamento e renovando as energias daqueles que reclamam a pureza da pele vermelha.

Destaques de Chão

Cássio Dias e Charlene

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 03

A Presença dos Encantados

(*) Este protótipo é tão somente uma base para as demais roupas do Grupo, que variam de acordo com o perfil de cada entidade representada e seu contexto espiritual.

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O Encanto das Vestais

As vestais, desde a juventude, eram acompanhadas pelos espíritos encantados que servem ao Deus Tupã; eram eles que ministravam os ensinamentos e procedimentos sagrados para elas. Esses espíritos, nada mais são do que as almas de pajés e vestais ancestrais. Na Avenida, eles trazem a luz, vestindo-se de branco e espalhando, através da dança, a energia mística que cerca Iracema.

Grupo Coreográfico Beija-Flor I – Cena 01 (1948)

Valéria Brito

Segundo as crenças, as vestais eram alvo de admiração desde os povos mais antigos. Seus encantos eram capazes de atrair os mais longínquos viajantes que, sem saber ao certo o rumo que deveriam seguir, acabavam entrando no destino das escolhidas dos deuses. Nossas Baianas, assim como as vestais, são admiradas pelo povo, e também são capazes de atrair os olhares dos mais longínquos viajantes, girando na Avenida e resguardando os encantos do samba. Respeitadas e reverenciadas, consideradas intocáveis, elas vestem o saiote de palha utilizado pelas preparadoras de encantamento na tradição indígena.

Baianas (1948)

Comissão de Diretores

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 05

Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

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Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala Num clarão em meio à mata, Iracema 06 Grupo Alessandra Martim brincava com sua doce companheira e Coreográfico Oliveira Contempla amiga ará. No entorno, o sinuoso verde Beija-Flor II – Iracema e Sente a Cena 02 Flecha – Pássaros estonteava o local, enquanto os pássaros ameigavam o canto. Rumor suspeito (1948) Ameigam o quebrou a doce harmonia. Ao todo, a Canto contempla-la estava um guerreiro (Continuação) estranho, que tinha na face o branco das areias que cercam o mar e nos olhos o azul triste das águas profundas. Era Martim Soares Moreno, militar português amigado das tribos litorâneas – inimigos mortais da tribo de Iracema. Ele estava perdido no local após se separar de seus companheiros na saída de uma expedição fracassada; A Virgem, surpreendida pela presença invasiva, lançou sua flecha em direção ao rosto do rapaz, que não reagiu. A jovem, arrependida do ato correu para aparta-lo e, quebrando a flecha e oferecendo a haste, sentiu pela primeira vez seu coração bater mais forte. Araras Verdes, Araras Azuis e Araras Vermelhas: As Araras são aves encontradas em abundância no Brasil desde o tempo da colonização. Elas coloriam as matas da Ibiapaba em tempos imemoriais e sempre foram objeto de fascínio por sua característica romântica. As Araras são conhecidas por jamais abandonarem seus parceiros durante a vida. Na cena, elas ameigam o canto mavioso da virgem, levando cor e vida ao cenário do encontro, como se simbolizassem o amor eterno que nasceria naquele lugar.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala Martim 06 As cores foram selecionadas Grupo Alessandra Contempla cuidadosamente, baseando-se nas Coreográfico Oliveira Iracema e Sente a pesquisas a respeito da fauna do Beija-Flor II – Flecha – Pássaros local nos tempos coloniais. Hoje, as Cena 02 Ameigam o Canto araras e algumas outras aves (1948) (Continuação) descritas na região desapareceram, sendo encontradas apenas em outras regiões de forma isolada, numa visível demonstração do quanto o toque da civilização transformou o paraíso intocado, apresentado aqui em sua forma original. Mata Sinuosa: A Mata Frondosa da região, sinuosa e verdejante, compunha com os pássaros a moldura para o encontro entre a Índia Tabajara e o Português Martim. Diz-se popularmente que a mata é traiçoeira e seus caminhos se abrem e se fecham, sendo quase impossível voltar atrás pelo caminho da vinda. Iracema: Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. Ela traz no ombro sua companheira e amiga ará (jandaia) e porta o arco e a flecha com a qual atingiu Martim.

*Os figurinos do Grupo irão interagir formando um quadro único, não havendo uma ordem sequencial de visualização dos mesmos durante a apresentação da cena.

Martim Soares Moreno: Em missão pela Coroa Portuguesa, Martim se perdeu na mata enquanto buscava o rumo de seus companheiros. O figurino apresenta o traje colonial português do guerreiro, trajando o vermelho da corte imperial lusitana.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 07 A licença poética nos permite Tribo Comunidade Coristas afirmar que a pena com a qual José Beija-Flor Populares – (1948) Vozes Indígenas de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado *A imagem acima é um cultural indígena (preservado quase esboço da ideia, servindo integralmente através da apenas como referência que para o jurado entender a oralidade), cantam Juremê e contam multiplicidade e diversidade de figurinos; Juremá, e assim, imortalizam a uma vez que foram estória de amor de Iracema. Bardo respeitadas as contado aos irmãos características individuais indígena de cada índio contemporâneos. (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

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Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

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Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

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Índia na Floresta, Branco Apaixonado – A Chegada de Martim à Aldeia Tabajara

Encantada pelo olhar do europeu, Iracema decide leva-lo para a sua Aldeia, onde Martim estaria protegido de qualquer perigo. Na chegada, a índia da floresta apresenta o branco ao Pajé Araquém – Seu Pai e Chefe da Nação Tabajara. Entre os agrados hospitaleiros e o desejo já sentido por Iracema, Martim descobre a proteção do Pajé quando Irapuã – Chefe dos Guerreiros Tabajaras reclama sua presença no lugar. O Velho Ancião bateu com seu cajado ao chão, num intimidador sinal de seu apreço pelo visitante, sem imaginar o que estaria por vir. Ocas Tabajaras: Os Tabajaras, do Tupi para o Português “Senhores da Aldeia”, eram conhecidos pelas habilidades notáveis na construção de ocas e grandes aldeiamentos. O elemento, com o qual homens e mulheres se revezam formando a aldeia representa as típicas moradias dos habitantes da Serra da Ibiapaba. Araquém: O Pai de Iracema surge na avenida trajando suas vestes tradicionais de líder espiritual. Com um grande cocar em forma de cabeça de pássaro e os olhos pintados em negro, ele revela o simbolismo de seu nome. Araquém quer dizer “pássaro que dorme”, em referência aos gaviões de listra preta, que mesmo em estado vivaz parecem estar dormindo (pintura facial).

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Grupo Coreográfico Beija-Flor III – Cena 03 (1948)

Giselle Motta

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*Os figurinos do Grupo irão interagir formando um quadro único, não havendo uma ordem sequencial de visualização dos mesmos durante a apresentação da cena.

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Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

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Ballet Popular Indianista – Um Ritual dentro de uma Cerimônia Sagrada

Figurino Unissex

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

Para os indígenas, quando batemos os pés no chão, estamos reconstruindo o som da criação, estamos recriando o mundo; estamos repetindo o gesto divino de criar, no presente, a eternidade. A dança indígena está sempre ligada à um acontecimento muito importante, um ritual, pois ela existe dentro de uma cerimônia sagrada. Comparativamente, para os passistas, nosso corpo de ballet, o desfile é um ritual, e o ato de sambar – dançar o samba é uma cerimônia sagrada. Neste espetáculo, eles abrem caminho para a chegada da Orquestra, levando a dança inspirada ao Palco do Carnaval.

Passistas (1948)

Valéria, Aline Carla, Marcos e Diogo

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Orquestra Popular Indianista

As Óperas são composições dramáticas em que a música instrumental é um elemento essencial; toda Ópera tem uma grupo musical. O nosso, denominado Orquestra Popular Indianista, é composto por instrumentistas que ditam o ritmo do espetáculo; e nossos musicistas não trajam casacas, vestem a pintura nativa do povo de pena para se apresentar à altura na especial ocasião.

Bateria (1948)

Mestre Plínio de Morais e Mestre Rodney Ferreira

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Murmúrios na Aldeia

Em nossa Ópera Popular Indianista destacamos os Corifeus, passistas que fazem parte do Corpo de Baile e assumem protagonismo no instante em que a Orquestra Popular Indianista se direciona ao Fosso (2º recuo de bateria).

Corifeus (1948)

Comunidade

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Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

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Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

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O Ódio de Irapuã e a Perseguição aos Apaixonados

Iracema e Martim trocam carícias a Grupo céu aberto, acreditando estarem Coreográfico seguros após o mal entendido de sua Beija-Flor IV – chegada. Tomado pelo ódio ao ver o Cena 04 encantamento da Virgem de Tupã (1948) pelo Europeu, Irapuã decide se vingar a qualquer custo e se dirige até os dois com seus guerreiros. Temendo pela vida do amado, a sacerdotisa decide lançar mão da magia da jurema e enfeitiçar os algozes, enquanto Martim reza rogando por ajuda. Pressentindo a ameaça ao amigo, Poti – bravo e astuto guerreiro da Nação Pitiguara; inimiga da Tribo de Iracema - escuta a prece e surpreende os Tabajaras com seus guerreiros. Feito lobos e onças, os homens se enfrentaram face a face e os Pitiguaras saíram vencedores. Para viver o amor proibido, os apaixonados condenaram os felinos Senhores das Aldeias a derrota massacrante. Fronteiras de Guerra: O figurino demarca o território de guerra, onde acontecerá a grande batalha entre os Tabajaras e Pitiguaras. A máscara, que se apossa da face dos homens no momento da batalha, faz alusão ao espírito de fúria que toma os guerreiros quando encontram seu oponente, transformando a área numa arena de conflito. 348

Jonatan Alves

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala Onças Tabajaras: Os guerreiros da 15 Grupo Jonatan Alves O Ódio de Nação Tabajara identificavam-se com Coreográfico Irapuã e a Perseguição aos as onças em tempo de guerra. Beija-Flor IV – Abundantes na Serra da Ibiapaba, elas Cena 04 Apaixonados são símbolos de ferocidade. No livro, (1948) (Continuação) diz-se que Irapuã soltou o bramido da onça atacada na furna e que seu coração ficou tigre. *Irapuã estará vestido de onça, exibindo clara liderança entre os guerreiros. Lobos Pitiguaras: Diz-se no livro que o lobo-guara trota pela orla da mata, quando vai seguindo o rastro da presa. As orlas, tanto das matas quanto dos mares, eram habitadas pelos Pitiguaras. Astutos guerreiros, eles encarnam aqui o canídeo que habitava as planícies nos tempos coloniais. Outra inspiração foi o cão Japi, animal de estimação treinado por Poti, que aparece no romance como emissário da guerra. *Poti estará vestido de lobo, exibindo clara liderança entre os guerreiros. Iracema: Ciente de que Martim seria perseguido incessantemente por Irapuã, a doce Iracema lança mão do Segredo da Jurema, enfeitiçando os guerreiros e ganhando tempo para uma fuga. Vestida a caráter para a evocação, ela *Os figurinos do não é mais a doce menina que Martim Grupo irão interagir conheceu. formando um quadro único, não havendo uma ordem sequencial de visualização dos mesmos durante a apresentação da cena.

Martim Soares Moreno: Agora Martim era homem de guerra. Ele traja o luto da morte que levou ao povo Tabajara com as vestes negras, símbolo das cavalarias de honra e das guardas especiais europeias.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 16 A licença poética nos permite Tribo Comunidade Coristas afirmar que a pena com a qual José Beija-Flor Populares – (1948) Vozes Indígenas de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado *A imagem acima é um cultural indígena (preservado quase esboço da ideia, servindo integralmente através da apenas como referência que para o jurado entender a oralidade), cantam Juremê e contam multiplicidade e diversidade de figurinos; Juremá, e assim, imortalizam a uma vez que foram estória de amor de Iracema. Bardo respeitadas as contado aos irmãos características individuais indígena de cada índio contemporâneos. (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

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Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

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Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

Abre-Alas – G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 18

Bate o Coração de Moacir, Filho do Amor e da Dor – Primeiro Mameluco, Caboclo Brasileiro

Após o conflito sangrento, os apaixonados estavam livres da perseguição de Irapuã e seus guerreiros. Martim agora era considerado parte da Nação Pitiguara e atendia pelo nome de Coatiabo. Iracema, que entregou sua pureza ao Português nas cenas anteriores, anuncia que está gravida. Ciente de sua dívida para com o amigo Poti – que conhecera tempos antes de se perder e encontrar a Princesa Tabajara – Martim decide partir em expedição com o Pitiguara para defender os interesses territoriais. Desolada, Iracema dá a luz a Moacir – filho de seu amor e sua dor – enquanto definha de saudade. Fraca e desesperada, percebendo que seu leite não tinha força para alimentar a criança devido a tristeza, ela recorre as Iraras para que puxem de seu seio a seiva materna que nutrirá o primeiro caboclo deste país. Gigantes Muralhas: Martim abandonou Iracema para seguir Poti nas batalhas territoriais. Os gigantes que se erguem sobre as costas dos componentes simbolizam as muralhas que a separam de seu amado Uma alegoria do cotidiano indígena do Ceará, marcado por disputas entre as etnias. Poti: Amigo de Martim desde que o Português chegou às terras litorâneas, Poti agora era visto com honra e glória por sua tribo. O figurino incorpora as cores tropicais do litoral, condecorando com grande cocar o amigo do europeu.

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Grupo Coreográfico Beija-Flor V – Cena 05 (1948)

Hélder Sátiro

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 18

Bate o Coração de Moacir, Filho do Amor e da Dor – Primeiro Mameluco, Caboclo Brasileiro (Continuação)

Espíritos Maternais: São as entidades que cuidam da gestação nas crenças indígenas. Elas cercam e amparam Iracema, com o canto acalentoso das divindades femininas. Carregam consigo as iraras (ariranhas), o símbolo da mãe guerreira, por ser uma das espécies de animais cuja fêmea é capaz de sacrificar-se e enfrentar qualquer predador pela vida de seus filhotes. Iracema: Livre da perseguição dos guerreiros, Iracema estava grávida. Vestindo o verde das planícies que agora habitava, ela carrega Moacir em seu ventre e em seus braços. Sua nova condição, dramática e emocionante, traz o desfecho que será visto nos próximos momentos. Martim Soares Moreno: Martim é batizado com o nome de Coatiabo – o guerreiro pintado – por sua bravura em combate. Sendo parte dos índios, agora ele traja o verde das planícies e traz o rosto pintado em decorrência de seu novo nome.

*Os figurinos do Grupo irão interagir formando um quadro único, não havendo uma ordem sequencial de visualização dos mesmos durante a apresentação da cena.

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Grupo Coreográfico Beija-Flor V – Cena 05 (1948)

Hélder Sátiro

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Coristas Populares – Vozes Indígenas

*A imagem acima é um esboço da ideia, servindo apenas como referência para o jurado entender a multiplicidade e diversidade de figurinos; uma vez que foram respeitadas as características individuais de cada índio (componente) assim como numa tribo são respeitadas as características pessoais de cada membro.

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Flores do Novo Matiz

A licença poética nos permite afirmar que a pena com a qual José de Alencar escreveu um romance embebido de tradições indígenas, hoje veste a Tribo Beija-Flor, composta por uma legião de índios cantadores / coristas que, respeitando as tradições e o legado cultural indígena (preservado quase que integralmente através da oralidade), cantam Juremê e contam Juremá, e assim, imortalizam a estória de amor de Iracema. Bardo indígena contado aos irmãos contemporâneos.

Tribo Beija-Flor (1948)

Comunidade

A pele vermelha se misturou com outras peles na fusão das raças, formando uma nova aquarela. Nossas damas vem colorir a Avenida com essa aquarela, numa florescência encantadora, bordada na palha e na pena, mas colorida com múltiplos nuances. A última floração de Iracema, a primeira floração de um país.

Damas (1948)

Shirleyse Colins

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 21

A Identidade do Artesanato Cearense – A Arte Feita à Mãos dos Mimos Regionais

A beleza do artesanato cearense, que representa a materialização da cultura popular regional, mostra-se revelada de diferentes formas, e é notória a correlação com Iracema: a joia Tabajara persiste em cada pedacinho de terra, e nas veias de cada filho desse chão, carinhosamente representados nos enfeites das garrafinhas de areia que guardam um pouquinho da magia dessa terra. Se a selvagem índia dos lábios de mel usava o uru* de palha matizada para guardar seus perfumes, a palha que reveste a barra dos saiotes é usada como matéria-prima de diferentes souvenires; e se na tribo Tabajara a água era ofertada em igaçabas, hoje temos jarros de cerâmica utilitária que são verdadeiros mimos cearenses.

Ala Amigos do Rei (1948)

Presidência

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A Beleza das Rendas Florais

A renda é um tecido característico do artesanato cearense, sendo que os nomes dados aos diferentes tipos de renda são definidos de acordo com os instrumentos utilizados para sua confecção, pois são eles que conferem aos tecidos seus desenhos específicos. Iracema já utilizava os alvos fios do crautá e as agulhas da juçara para tecer a renda; e hoje, a habilidade artesã produz rendas de beleza e qualidade inigualável, que conquistaram não só o Ceará, mas o Brasil e o mundo. Os rendeiros e as rendeiras, com seus trançados florais, continuam a vestir os filhos da terra.

Dá Mais Vida, Young Flu e Nessa que Eu Vou (1948)

Ana Maria, Sérgio Ayub e Hélio Malveira

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Abre-Alas – G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis – Carnaval/2017

FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala Os Pescadores e o que as Águas do Ceará Podem Ofertar

Os mares bravios do Ceará, também conhecido como Terra do Mar, bem como suas fartas lagoas, são propícios para a pesca, a atividade de extração de organismos aquáticos. Peixes, lagostas e frutos do mar abastecem as redes dos pescadores, prática herdada da nação Pitiguara, que habitava o litoral da província. Os pescadores continuam a buscar o alimento naquelas águas – doces ou salgadas – povoando a costa do Ceará, como os Pitiguaras fizeram no passado.

Signus, Vamos Nessa e 1001 Noites (1948)

Débora Rosa, Toninho e Luiz Figueira

24 O Romance entre a Ave e a Jangada – Uma Imagem que Faz Lembrar de Iracema

A presença de Iracema ainda se faz marcante no Ceará. As Jangadas, que um dia trouxeram Martim, continuam a bailar pela costa do lugar, namorando com a branca alcione que voa grácil, seguindo os jangadeiros numa simbiose fascinante. É o Romance entre a natureza e a civilização, entre a nau e a ave, traço eterno do indianismo. Uma visão que continua a encantar na terra da mais linda história de amor.

Grupo Coreográfico Beija-Flor VI – Cena 06 (1948)

Jan Oliveira

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Os Jangadeiros: Viajantes por natureza, os cearenses carregam consigo suas virtudes e traços culturais, levando sua identidade para todos os cantos. A jangada que um dia trouxe Martim, baila levando os filhos da Terra de Iracema.

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 24 O Romance entre a Ave e a Jangada – Uma Imagem que Faz Lembrar de Iracema (Continuação)

A Branca Alcione: Ave mítica que, Grupo segundo Alencar, vive a buscar a Coreográfico terra pátria, o rochedo firme, a sua Beija-Flor VI – fortaleza. Aqui, ela baila junto às Cena 06 jangadas, namorando o movimento (1948) do jangadeiro, num ballet que versa o romance entre as coisas da natureza e a civilização, uma marca do indianismo.

*Os figurinos do Grupo irão interagir formando um quadro único, não havendo uma ordem sequencial de visualização dos mesmos durante a apresentação da cena.

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Jan Oliveira

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 25

Artistas que Contam o Ceará na Tela e em Cordel

A literatura de cordel é um gênero Dos Cem, literário popular no Brasil, Amar é Viver tradicionalmente ilustrado e com xilogravuras e apresentado em Tudo por Amor papéis rudimentares. Os cordelistas, (1948) assim como os atores de cinema, continuam a contar histórias que reúnem informações importantes sobre a história da cultura cearense e a típica seca nordestina, salvaguardando a identidade e a memória cultural, herança de preservação das tradições através da palavra igualmente zelada pelos indígenas, praticantes da oralidade.

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O Theatro José de Alencar, símbolo Theatro José Alencar – A Casa da cultura cearense encravado no coração da capital Fortaleza, foi dos Atores batizado com o nome do autor da obra que inspira o nosso carnaval. Considerado o maior escritor cearense, Alencar foi escolhido para abençoar a Casa dos Atores, em clara gratidão ao legado literário deixado ao país, através de obras como Iracema – único registro literário nacional a contar a história da formação do povo cearense. O figurino traz no corpo as formas que enfeitam o conjunto arquitetônico e traz – como se carregasse nas costas – o símbolo da arte cênica (máscara), numa referência a missão da casa. 357

Borboletas, Tom e Jerry e Cabulosos (1948)

Therezinha Alves, Therezinha Simões e Élcio Chaves

Néa, Rogerio Coutinho e Luizinho Cabulosos

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FICHA TÉCNICA Fantasias Criador(es) das Fantasias (Figurinistas) Laíla, Fran Sérgio, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia DADOS SOBRE AS FANTASIAS DE ALAS Nome da O que Nome da Responsável Nº Fantasia Representa Ala pela Ala 27

Uma Pena, Belas Obras

José de Alencar escreveu, com a pena, o romance Iracema, embebido de tradições indígenas. A adaptação desse clássico literário resultou em uma bela Ópera Popular Indianista, e inspirou os compositores, poetas da palavra e da música, a escrever e musicar obras incríveis sobre o tema (enredo), engrossando o bardo indígena.

Ala dos Compositores (1948)

J. Veloso

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Tudo Passa Sobre a Terra

A Velha Guarda é o segmento mais tradicional da Escola de Samba, composto pelos membros mais antigos; são a memória viva da Agremiação. Representam a sabedoria e a experiência de vida adquirida com o passar dos anos, hierarquia tão sabiamente respeitada e reverenciada pelos povos indígenas, e tão bem sintetizada na obra de José de Alencar na afirmativa “tudo passa sobre a terra”.

Velha-Guarda (1948)

Débora Rosa

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FICHA TÉCNICA Fantasias Local do Atelier Rua Rivadávia Corrêa, nº. 60 – Unidade 11 – Cidade do Samba / Gamboa – Rio de Janeiro / RJ Diretor Responsável pelo Atelier Márcia Medeiros, Cristiano Bara, Gaúcho, Léo Mídia, Túlio Neves, Daian Almeida e Rodrigo Pacheco Costureiro(a) Chefe de Equipe Chapeleiro(a) Chefe de Equipe Ademilde Silvino de Souza – Dona “Nequinha” Edson Luiz Bertholine – “Edinho” Aderecista Chefe de Equipe Sapateiro(a) Chefe de Equipe Márcia Medeiros, Cristiano Bara, Gaúcho, Léo Seu Luiz Mídia, Túlio Neves, Daian Almeida e Rodrigo Pacheco Outros Profissionais e Respectivas Funções

Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Samba-Enredo Autor(es) do Samba- Claudemir, Maurição, Ronaldo Barcellos, Bruno Ribas, Fábio Alemão, Wilson Tatá, Alan Vinícius e Betinho Santos Enredo Presidente da Ala dos Compositores J. Velloso Total de Componentes da Compositor mais Idoso Compositor mais Jovem Ala dos Compositores (Nome e Idade) (Nome e Idade) 40 Pereirão Kirraizinho (quarenta) 75 anos (13/05/1941) 27 anos (20/08/1989) Outras informações julgadas necessárias Araquém bateu no chão A aldeia toda estremeceu O ódio de Irapuã Quando a virgem de Tupã se encantou com o europeu Nessa casa de caboclo hoje é dia de Ajucá Duas tribos em conflito De um romance tão bonito começou meu Ceará Pega no amerê, areté, anamá Pega no amerê, areté, anamá Bem no coração dessa nossa terra A menina moça e o homem de guerra Ele sente a flecha, ela acerta o alvo Índia na floresta, branco apaixonado Vem pra minha aldeia, Beija-Flor! Tabajara, Pitiguara bate forte o tambor Um chamado de guerra, minha tribo chegou Reclamando a pureza da pele vermelha Bate o coração de Moacir O milagre da vida, me faz um mameluco na Sapucaí Oh! Linda Iracema, morreu de saudade Mulher brasileira de tanta coragem Um raio de sol, à luz do meu dia Iluminada nessa minha fantasia A jandaia cantou no alto da palmeira O nome de Iracema Lábios de mel, riso mais doce que o jati Linda demais, Cunhã-Porã Itereí Vou cantar Juremê, Juremê, Juremê Vou contar, Juremá, Juremá Uma história de amor, meu amor É o Carnaval da Beija-Flor! 360

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FICHA TÉCNICA Bateria Diretor Geral de Bateria Mestres Plínio de Morais e Rodney Ferreira Outros Diretores de Bateria Anderson Miranda “Kombi”, Adelino Vieira “Saú do Gaz”, Clóvios (Vivinho / “Pai-de-Santo”), Thiago, Michel, Laísa Lima, Xunei, Marlon, Rogério Monteiro Félix “Pó de Mico”, Zé Carlos, Carlos Alberto e Orelha Total de Componentes da Bateria 250 (duzentos e cinquenta) componentes NÚMERO DE COMPONENTES POR GRUPO DE INSTRUMENTOS 1ª Marcação 2ª Marcação 3ª Marcação Rece-Reco Ganzá 10 10 14 0 01 Caixa Tarol Tamborim Tan-Tan Repinique 105 0 30 0 30 Prato Agogô Cuíca Pandeiro Chocalho 0 0 16 01 24 Outras informações julgadas necessárias Frigideira – 08 componentes Xiquerê – 01 componente Neide Tamborim (Tamborim de Ouro / Estandarte de Ouro 1993) Orquestra Popular Indianista As Óperas são composições dramáticas em que a música instrumental é um elemento essencial; toda Ópera tem um grupo musical. O nosso, denominado Orquestra Popular Indianista, é composto por instrumentistas que ditam o ritmo do espetáculo; e nossos musicistas não trajam casacas, vestem a pintura nativa do povo de pena para se apresentar à altura na especial ocasião.

Regente Indianista Raissa Oliveira A frente de nossa Orquestra, a Rainha se faz Regente e deslumbra a Avenida com seus encantos.

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FICHA TÉCNICA Harmonia Diretor Geral de Harmonia Luiz Fernando Ribeiro do Carmo – Laíla Outros Diretores de Harmonia 3.300 componentes integrados ao comando de Harmonia, sob a direção de Luiz Claudio, Binho e demais diretores de desfile, num total de 50 diretores de harmonia. Total de Componentes da Direção de Harmonia 3.351 (três mil e trezentos e cinquenta e um) componentes Puxador(es) do Samba-Enredo Cantor Oficial do Samba-Enredo: Neguinho da Beija-Flor Carro de Som: Marcelo Guimarães, Gilson Bakana, Bakaninha, Nino do Milênio e Nêgo Lindo Instrumentistas Acompanhantes do Samba-Enredo Cavaquinho – Betinho Santos Cavaquinho – Júlio César Assis Violão – Allan Vinícius Violão – Rafael Prates Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Evolução Diretor Geral de Evolução Luiz Fernando Ribeiro do Carmo – Laíla Outros Diretores de Evolução 3.300 componentes integrados ao comando de Evolução, sob a direção de Luiz Claudio, Binho e demais diretores de desfile, num total de 50 diretores de evolução. Total de Componentes da Direção de Evolução 3.351 (três mil e trezentos e cinquenta e um) componentes Principais Passistas Femininos Raíssa Oliveira (Rainha de Bateria) e Charlene Costa Principais Passistas Masculinos Cássio Dias Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Informações Complementares Vice-Presidente de Carnaval Diretor Geral de Carnaval Luiz Fernando Ribeiro do Carmo – Laíla Outros Diretores de Carnaval Responsável pela Ala das Crianças Luciana Araújo Total de Componentes da Quantidade de Meninas Quantidade de Meninos Ala das Crianças 62 41 21 (sessenta e dois) (quarenta e uma) (vinte e um) Responsável pela Ala das Baianas Marcio Luis da Silva Antônio, Elisabeth Barcelos– “Tia Beth”, Lúcia Alves Boica, Carla Valéria Pereira dos Santos, Kátia Regina Pereira dos Santos, Neide Maria Prata, Marileia Santos Lima, Ioneide Reis de Oliveira e Eliane Santos Santana Total de Componentes da Baiana mais Idosa Baiana mais Jovem Ala das Baianas (Nome e Idade) (Nome e Idade) 80 Maria Gomes de Souza Silvania Martins Ribeiro (oitenta) 83 anos 42 anos Responsável pela Velha-Guarda Dona Débora Rosa Santos Cruz Costa Total de Componentes da Componente mais Idoso Componente mais Jovem Velha-Guarda (Nome e Idade) (Nome e Idade) 82 Marta de Souza Costa Ligia Rodrigues de Oliveira (oitenta e dois) 88 anos (26/10/1928) 54 anos (03/12/1961) Pessoas Notáveis que desfilam na Agremiação (Artistas, Esportistas, Políticos, etc.) Boni (Comunicador e Empresário), Pinah Ayoub (Destaque e Empresária) e Sônia Capeta (Destaque) Outras informações julgadas necessárias

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FICHA TÉCNICA Comissão de Frente Responsável pela Comissão de Frente Marcelo Misailidis Coreógrafo(a) e Diretor(a) Marcelo Misailidis Total de Componentes da Componentes Femininos Comissão de Frente 15 01 (quinze) (um) Outras informações julgadas necessárias

Componentes Masculinos 14 (quatorze)

Prólogo de Abertura – Iracema A proposta da apresentação da Comissão de Frente do G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2017 pretende, de modo operístico, e nos moldes tradicionais de composição, oferecer um Prólogo de Abertura para o Desfile. Sendo assim, estarão sendo citadas as personagens principais da obra de José de Alencar, dando ênfase às descrições do primeiro e do último capítulo do livro, fonte de inspiração para o projeto carnavalesco. “Iracema” é uma obra do Romantismo, um clássico literário, com forte teor nacionalista no Brasil recém-republicano, o qual pretendia mostrar um novo conceito de país, e o surgimento do povo brasileiro a partir de matizes singulares; por esse motivo, alguns argumentos cênicos neste trabalho ganham representações simbólicas, que vêm desde as práticas de subsistência cotidianas no período, à signos religiosos do catolicismo, como na referência aos peixes, representando a ideia da multiplicação e propagação da cultura e dos valores de um povo, na intenção de afirmar uma nova nação.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira 1º Mestre-Sala Claudinho Souza 1ª Porta-Bandeira Selminha Sorriso 2º Mestre-Sala David Sabiá 2ª Porta-Bandeira Fernanda Love 3º Mestre-Sala Hugo César 3ª Porta-Bandeira Naninha Fidellys 4º Mestre-Sala Yúri Balss 4ª Porta-Bandeira Emanuelle Martins 5º Mestre-Sala Tuan Matheus 5ª Porta-Bandeira Mayara Bombom Outras informações julgadas necessárias

Idade 44 anos Idade 45 anos Idade 30 anos Idade 29 anos Idade 31 anos Idade 40 anos Idade 22 anos Idade 19 anos Idade 17 anos Idade 18 anos

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira (Claudinho Souza e Selminha Sorriso) De um Romance Tão Bonito Começou Meu Ceará A história de amor da índia Tabajara, filha da floresta, Iracema, a virgem dos lábios de mel, cujo o sorriso era mais doce que o favo de jati, que se encantou com o europeu, o forasteiro Martim (que quer dizer filho de guerreiro). O flerte e o cortejo entre a menina moça morena na pele e o português Moreno no nome; e desse um romance tão bonito, tem início a Lenda do Ceará.

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias Quadra de Duos – As Flores das Quatro Estações Para os índios o tempo era contado através da observação da natureza, no Romance que inspira o nosso carnaval, as flores marcam os períodos do ano. Aqui, temos a espera de Iracema pela volta de Martim, com as quatro estações e seus estados de florescência demarcando o tempo da saudade.

2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira (David Sabiá e Fernanda Love)

3º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira (Hugo César e Naninha Fidellys)

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FICHA TÉCNICA Mestre-Sala e Porta-Bandeira Outras informações julgadas necessárias

4º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira (Yúri Balss e Emanuelle Martins)

5º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira (Tuan Matheus e Mayara Bombom)

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